quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Há 120 anos, as imagens aprendiam a andar

Num salão de bilhar remanejado de Paris, em 28 de dezembro de 1895, os irmãos Auguste e Louis Lumière inauguravam a história do filme com seu Cinématographe: num curta de poucos segundos, operários saem de uma fábrica.
Gebrüder
Auguste e Louis Lumière, por volta de 1900
O nascimento das "fotografias vivas", 120 anos atrás, está documentado com bastante precisão. O local foi um salão do Boulevard des Capucines, em Paris. No entanto, não existe nenhuma foto desse emocionante momento histórico. Os irmãos Auguste e Louis Lumiére estavam, ambos, ocupados demais com a novíssima técnica de seu Cinématographe, que apresentavam pela primeira vez a um público pagante na noite de 28 de dezembro de 1895.
Para desapontamento dos organizadores, não mais de 33 curiosos compareceram à exibição. Afinal de contas, tratava-se de uma sensação mundial, como anunciavam os cartazes espalhados pela capital francesa. Ainda assim, a noitada no salão de bilhar remanejado foi um grande sucesso: pela primeira vez os espectadores vivenciavam imagens animadas, num curta-metragem em preto e branco intitulado Operários deixam a Fábrica Lumière.
Rodado diante das instalações de propriedade dos irmãos, em poucos segundos ele mostra os portões da fábrica em Lyon, os operários e operárias saindo no fim do expediente e um cão vira-lata que salta em meio à multidão: são os primeiros atores de cinema da história.
Cores pioneiras: a Torre Eifel em 1911
Inventores prolíficos
Os Lumière dirigiam na cidade de Lyon sua fábrica de placas fotográficas, com mais de 300 funcionários. Conhecidos como inventores e criativos artesãos para além das fronteiras da França, eles também foram os pioneiros da fotografia a cores: em 1903 registraram a patente de um processo revolucionário, a chapa de autocromo.
Com seu cinematógrafo, Auguste e Louis – cujo sobrenome significa "luz" em francês – desenvolveram uma técnica fílmica totalmente inédita, em que fotos isoladas eram reproduzidas por meio de um projetor. Essas imagens eram percebidas como tão realistas, que as primeiras projeções dos curtas-metragens causaram pânico entre a plateia: durante o filme em que um trem entrava na estação, parte dos espectadores procurou proteção atrás dos assentos, aos gritos.
Trem entrando em estação no dilme dos Lumière provocou pânico entre o público
No entanto ambos se interessavam menos pelos motivos fotográficos do que pelos aspectos tecnológicos, e não seguiram desenvolvendo as próprias invenções. No fim da década de 1890, venderam seus aparelhos e patentes à firma Pathé Fréres, que entraria para história como fundadora da indústria cinematográfica.
Os irmãos Lumière não foram os primeiros a projetar filmes sobre uma tela e apresentá-los a um público pagante. De forma totalmente independente, também se desenvolveram outros projetores cinematográficos nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Porém é na França que se soa a hora do nascimento do cinema, naquela noite de 1895 em que as imagens aprenderam a andar.
Veja: Saída dos Operários da Fabrica Lumière (La Sortie de l'usine Lumière à Lyon, 1895)