quarta-feira, 30 de março de 2022

Exposição interativa reúne obra do pintor Cândido Portinari



Mostra interativa sobre o pintor Cândido Portinari (1903-1962), fruto de 40 anos de trabalho do Projeto Portinari em parceria com o Museu da Imagem e do Som (MIS),  está em cartaz no espaço MIS Experience, na zona oeste da capital paulista, até 7 de abril.

 

A exposição Portinari para Todos localizou e catalogou todas as obras do artista, além de reunir documentos e cartas que serão apresentadas agora ao público de forma ampliada.

Com recursos tecnológicos para exibição e projeção, o público poderá ver mais de 150 obras do artista, incluindo trabalhos em grandes dimensões ou de coleções particulares. “A presença do original é compensada largamente pela possibilidade de você levar Portinari em todas as suas dimensões, não só em seu legado pictórico, mas também ético e humanista”, diz o criador do projeto, o filho do artista, João Portinari.

Experiências raras

Os painéis Guerra e Paz, com 14 metros de altura, produzidos para a sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, serão exibidos em tamanho real. Desde que foram levados aos Estados Unidos, os trabalhos só retornaram uma vez ao Brasil, entre 2010 e 2013, quando foram  exibidos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

As experiências imersivas vão permitir o contato com a produção sacra de Portinari, que tem parte em coleções particulares ou só pode ser vista em visita a igrejas, como a Matriz de Batatais (SP) ou na da Pampulha, em Belo Horizonte (MG).

A mostra é dividida em eixos temáticos que vão apresentar os diversos assuntos de interesse do pintor, como o aspecto social, as dinâmicas do trabalho, a fauna e flora brasileiras, os mitos e o folclore.

Geração Tik Tok

A proposta é não só mostrar as obras de Portinari, mas oferecer experiências interativas aos visitantes. Ao entrar na exposição, as pessoas serão convidadas a fazer uma selfie do próprio rosto. A partir do tratamento com inteligência artificial, o visitante receberá de volta um retrato com a linguagem do pintor.

João Portinari explica que há uma tentativa de aproximar especialmente as crianças e os adolescentes do legado do artista. “Você pegar a geração Tik Tok , que não tem a menor aproximação com Portinari, talvez passe a ter”, diz em referência à rede social para compartilhamento de vídeos curtos. O MIS e o Projeto Portinari pensaram, segundo ele, em uma série de ações focadas no público jovem.

Até 1 milhão de pessoas

Os recursos audiovisuais também permitirão ouvir depoimentos de grandes nomes das artes brasileiras que tiveram correspondência com Portinari. Você poderá estar diante do retrato do [poeta] Carlos Drummond de Andrade e, ao mesmo tempo, ouvi-lo falar”, conta João. As entrevistas fazem parte do acervo que o Projeto Portinari recolheu ao longo das últimas décadas e ajudam a contextualizar os trabalhos do pintor.

Com o investimento nas linguagens digitais e na mostra desse grande acervo, João espera que a exposição chegue a um público muito amplo. Segundo ele, a expectativa é que entre 800 mil e 1 milhão de pessoas visitem o MIS até 10 de julho, último dia da mostra.

O MIS  Experience fica na Rua Vladimir Herzog, 75, na Água Branca. A mostra abre de terça a sexta-feira e aos domingo, das 10h às 17h. Aos  sábados e feriados, o funcionamento é das 10h às 18h. Os ingressos são gratuitos às terças-feiras. De quarta a sexta-feira, os ingressos custam R$ 30, com possibilidade de meia-entrada, e aos fins de semana e feriados a inteira custa R$ 45.

Agência Brasil



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terça-feira, 29 de março de 2022

A atual fila do INSS é a maior da História


Gargalo em perícias deixa 2,85 milhões de pessoas aguardando análise, contingente comparável à população de Salvador

 

De site em site, Andressa dos Anjos Carvalho, de 43 anos, passa horas escolhendo produtos. Em pouco tempo, o carrinho já está cheio de utensílios de cozinha, itens para a reforma do seu quarto e mimos para seus pets, a gata Nina e a cachorrinha Meg. Mas, na hora de finalizar as compras, Andressa cancela, até repetir tudo novamente. Trata-se de pura válvula de escape. -Virou um vício - conta a moradora de Brasília, que está afastada do emprego por problemas psicológicos adquiridos, segundo ela, por causa da excessiva carga de trabalho.

Esse é o reflexo de um problema que aflige a bancária e um número crescente de brasileiros: a espera por uma resposta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre pedidos de concessão de benefícios. Sem renda e sem qualquer suporte, milhões vivem no limbo enquanto a instituição demora a resolver, entre muitos problemas, o gargalo da fase de perícias médicas.

Andressa aguarda seu auxílio-doença desde janeiro. No dia da consulta, o perito sinalizou que concederia dois meses de benefício, segundo ela.

- Disseram que eu teria uma resposta dentro de 48 horas pelo 135 (telefone) e Meu INSS (aplicativo). Até hoje nada -reclama.

Sem resposta, ela fica sem ação. Se o pedido fosse negado, poderia tentar recorrer. Do jeito que está, não pode nem marcar uma nova perícia. Sem o auxílio, diz enfrentar dificuldades para pagar os medicamentos, uma despesa de quase R$ 500 por mês, além da conta com psicoterapia.

Onde é o fim da fila?

O INSS tem hoje o maior número de pessoas à espera de uma resposta da sua história. Há, no mínimo, 2, 85 milhões de requerimentos em análise, segundo dados inéditos obtidos pelo GLOBO. Trata-se de um contingente comparável à população de Salvador, quarta cidade mais populosa do país. Deste total, 964, 5 mil são pedidos de benefícios por incapacidade, que dependem de perícia médica.

O volume represado é ainda maior porque não estão computados nesses números outras filas, como a do Conselho de Recursos da Previdência Social, de revisão e manutenção de benefícios e de certificado de tempo de serviço.

Os dados foram levantados a partir de relatórios de auditoria da Controladoria Geral da União (CGU), do Tribunal de Contas da União (TCU), do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) e do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).

Técnicos ligados ao INSS afirmam que o governo tem feito esforços para diminuir o tamanho da fila, citando um acordo firmado pelas autoridades do Executivo com o Supremo Tribunal Federal (STF), em meados do ano passado, para reduzir o tempo de espera do segurado sob pena de pagamento de multa. O prazo máximo é de 90 dias e mínimo de 30 dias, dependendo da complexidade do benefício. Também houve investimento em automação e melhoria nos processos de gestão.

Fator pandemia

Isso tudo teve efeito positivo. A fila de benefícios que depende exclusivamente do INSS e não precisa de perícia tem diminuído. Entre dezembro de 2020 e dezembro de 2019, houve uma redução de 249 mil processos; entre dezembro de 2021 e 2020, saíram da fila outros 215 mil.

Mais recentemente, no entanto, afila voltou a subir. Uma das que estão à espera é a cozinheira Joana D'Arc Fernandes. Desde julho, ela aguarda resposta sobre um adicional de 25% pago à família de idosos que necessitam de cuidadores. O marido, James Mendes, aposentado por decisão judicial por causa de um problema na coluna, ficou com sequelas da Covid-19. Sem vacina, ele adoeceu em fevereiro do ano passado.

Além de dificuldades de locomoção, ele diz ter adquirido arritmia cardíaca, diabetes e problemas psicológicos pelo drama vivido no hospital e pela perda da mãe e da irmã com a doença. Agora precisa tomar 16 tipos de medicamentos e depende de tratamento com psiquiatra e fisioterapeuta. O benefício de um salário da aposentadoria não cobre as despesas, afirma Joana.

Ela vende marmitas para ajudar na renda da família e lamenta o estado de saúde do marido, que vendia churrasquinho em um quiosque no Guará II, cidade satélite do Distrito Federal.

- A renda despencou. O adicional de 25% já ajudaria a pagar uma conta de luz. O James era uma pessoa muito ativa. Dá pena vê-lo assim- lamenta Joana.

-Euvendia15tiposdeespetinhos de carne. Meu 'churrasco do gaúcho' era o melhor da cidade - conta James em voz baixa.

Joana garante que enviou toda a documentação e laudos médicos exigidos pelo INSS. Mas a resposta do sistema é sempre a mesma: 'em análise'.

Não é à toa que o INSS aparece entre os principais alvos de ações judiciais. Segundo dados oficiais, 75% das ações apresentadas contra a União em 2021 foram contra o INSS, o que correspondente a 2, 4 milhões de processos.

Em busca das causas

Segundo o diretor do IBDP, Diego Cherulli, excesso de burocracia e, principalmente, falta de pessoal são as grandes explicações para a fila do INSS. Ele diz que o governo não repôs os servidores que se aposentaram em 2018 e que a contratação temporária para ajudar a reduzir a fila não surtiu, até agora, o efeito esperado.

- O INSS precisa dar mais autonomia aos servidores. O que passa para o servidor é que ele é um potencial fraudador. Por isso demora tanto. Exige-se coisas que as pessoas não conseguem cumprir -afirma Cherulli.

Quem paga a conta?

O representante da CUT no Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), Ariovaldo de Camargo, acusa o governo de um desmonte do ponto de vista financeiro e de pessoal. Ele afirma que, dada a complexidade na concessão de alguns benefícios, não basta investir somente em softwares e máquinas.

- Lamentavelmente, a direção do INSS e o governo, por intermédio do Ministério do Trabalho e Previdência, acham que o problema da fila é resolvido só com tecnologia. Muitos processos exigem análise de documentos -destaca o sindicalista.

Neste mês, com apoio da base governista, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que obriga o pagamento de perícia médica para quem perder causas na Justiça relacionadas à Previdência. Seria uma maneira de coibir a indústria voltada a conseguir alguma vantagem do Estado, mas pode ter efeitos negativos indesejados, como desestimular pedidos de quem realmente precisa.

Os benefícios em questão são dados a pessoas com deficiência, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e outros casos, como o pagamento do auxílio-doença. O texto ainda precisa ser apreciado pelos senadores antes de ir à sanção.

O Ministério do Trabalho e Previdência, que responde pelo INSS, foi procurado, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

O INSS estava envolvido em 75% das ações judiciais contra a União em 2021

Geralda Doca, O Globo  



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