quarta-feira, 24 de maio de 2017

Delator da JBS cita propina para mais de 100 escritórios


A operacionalização dos pagamentos de propina do grupo J&F era de responsabilidade do executivo Ricardo Saud, conforme delação dele próprio feita à Procuradoria-Geral da República (PGR). Nas conversas com os procuradores, o executivo detalhou os destinatários do dinheiro, a forma de entrega e juntou documentos na intenção de corroborar o que dizia.
Em um dos vídeos gravados pelos investigadores, ao falar dos pagamentos para partidos políticos que apoiavam a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer à Presidência da República, em 2014, Saud diz: 'No final, nós vamos ter tratado com mais de 100 escritórios de advocacia, todas notas falsas.' O envolvimento dos escritórios é detalhado em dezenas de páginas dos anexos da delação.
No anexo 25 da delação, Saud explica a distribuição dos subornos dos esquemas do BNDES e dos fundos de pensão. Segundo o ele, 'Joesley Batista atualizava [o ex-ministro] Guido Mantega de tempos em tempos sobre o saldo das propinas que ambos ajustaram, por conta da liberação de financiamentos para o Grupo J&F pelo BNDES e pelos fundos PETROS e FUNCEF'.
Saud informou aos procuradores que Mantega 'passou a utilizar as propinas em julho de 2014, quando, em reuniões quase semanais com Joesley Batista, passou a determinar como seriam feitos os pagamentos'. O destino do dinheiro, frisa o delator, na maior parte das vezes foi para abastecer cofres de campanhas eleitorais.
A dissimulação do dinheiro, afirmou Saud, era feita por meio de doações oficiais, entrega em dinheiro vivo e também 'de forma oculta, por meio do pagamento, pelas empresas do Grupo JF, de despesas de campanha contra notas fiscais avulsas emitidas por terceiros, a exemplo de empresas de publicidade, gráficas e escritórios de advocacia, o que permitia que as despesas não fossem declaradas'.
Ao longo da PET 7003, de seus anexos e apensos, os executivos da JBS citam diversos escritórios, na condição de recebedores de propinas destinadas a políticos. Procurados, todos negaram estar envolvidos o esquema.
Veja alguns exemplos abaixo, com trechos da delação dos executivos da JBS e documentos apresentados por eles:
'Pagamentos de R$ 3.6 milhões a FERNANDO PIMENTEL enquanto Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, através do Escritório Andrade, Antunes e Henrique Advogados, em Belo Horizonte/MG;'
'Repasse mensal de 300 mil, enquanto Pimentel era Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, de 06.08.2013 a 29.10.014, feito por meio do Escritório Andrade, Antunes e Henrique Advogados, em Belo Horizonte/MG. O pagamento era feito mensalmente pela EMPRESA contra nota fiscal emitida pelo referido escritório, no valor de 300 mil, sem que o escritório prestasse qualquer serviço à EMPRESA.'
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'Deputado Federal Gabriel Guimarães (PT/MG) - 200 mil em 03.09.2014, por meio do pagamento de nota fiscal avulsa emitida por Andrade Antunes e Henriques Sociedade de Advogados'
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'O mesmo colaborador, Ricardo Saud, relata, em seu Termo ele Depoimento n. 15, o pagamento, com o propósito de ter os interesses do grupo empresarial J&F favorecidos no âmbito do Ministério da Justiça, de vantagens indevidas a Marco Aurélio Carvalho, por intermédio de contrato fictício celebrado com o seu próprio escritório de advocacia.'
'Ricardo Saud conheceu Marco Aurélio no ano de 2011. O mesmo se dizia muito próximo do então Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, e que poderia ajudar muito em demandas do grupo JF na área de atuação do Ministro. Com essa proposta foi contratado o Escritório de Marco Aurélio, sem a devida prestação de serviços advocatícios, sendo o pagamento efetuado através de notas de conteúdo e datas ideologicamente falsos, sendo pago durante 18 meses, conforme planilha anexa. O Advogado Marco Aurélio pediu prorrogação do contrato que não foi atendido pelo grupo JF. O então Ministro José Eduardo Cardozo sempre atendeu com muita cordialidade a JB e a RS, embora não seja possível identificar ato de ofício específico em favor do grupo, como contrapartida aos valores pagos ao referido escritório.'
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'Jader Barbalho: 8,980 milhões Propina dissimulada como doação oficial: 1 milhão em 17.10.2014 para o PMDB (diretório estadual), carimbado para Jader; 1 milhão em 22.10.2014 para o PMDB (diretório estadual), carimbado para Jader.
Notas fiscais: 2 milhões em 02.09.2014 - CB Consultoria Empresarial (NF 046); 2 milhões em 09.09.2014- Henvil Transportes Ltda (NF 115); 2 milhões em 01.10.2014 - Bentes e Bentes Advogados Associados (NF 0296)'
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'Henrique Eduardo Alves: 3 milhões Propina dissimulada como doação oficial: 1 milhão em 05.09.2014 para o PMDB Naciooal, carimbado para Henrique Eduardo Alves Notas fiscais: 176 mil em 25.08.2014- Consultoria e Pesquisa Técnica Ltda. (NF 161}; 380 mil em 26.08.2014 - IBOPE - Inteligência, Pesquisa e Consultoria (NF 14491}; 1 milhão em 27.08.2014 - Alves, Andrade e Oliveira Advogados (NF 1579); 380 mil em 15.10.2014 - Consultoria e Pesquisa Técnica Ltda. (NF 14545).'
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'PROS: 10,5 milhões
Edinho Silva orientou Eurípedes Júnior, então presidente do partido, a procurar Ricardo Saud. Ricardo Saud fez com ele, então, reunião em Brasília, na sede do PROS, depois mais duas reuniões no Aeroporto de Brasília e finalmente uma última reunião sede da J&F, para ajustar a forma de pagamento.
Eurípedes Júnior sabia que o dinheiro advinha de corrupção porque fora enviado à JF pelo PT e porque nunca discutiu com Ricardo Saud questões de plataforma política ou ideológica.
Propina paga na forma de doação oficial para o diretório nacional: 3 milhões em 03.10.2014.
Propina paga por meio do pagamento de notas fiscais avulsas (doações não contabilizadas): 1,3 milhão em 04.09.2014 pagos à sociedade Advocacia Machado Filho (NF 510); 2 milhões em 04.09.2014 pagos à Holanda Videomaker Produtora (NF 152); 2,5 milhões em 10.09.2014 pagos à TPL3 Transportes e Logística (NFs 23 a 27); 1, 7 milhão em 10.09.2014 pagos à sociedade João Leite Advocacia (NF 202).'
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'Nas eleições de 2014 para o governo do Estado do Rio Grande do Norte, Robson Faria tinha como principal adversário Henrique Eduardo Alves, contra qual disputou, inclusive, segundo turno. Em paralelo, seu filho, Fabio Faria, concorria à reeleição para a Câmara dos Deputados.
Robson Faria e seu filho, Deputado Federal Fabio Faria, procuraram JB no período da eleição, com pedido de dinheiro, que alegavam ser para a campanha de Robson ao governo potiguar e de Fabio a deputado federal. Robson e Fabio jantaram com JB em duas ocasiões, uma das quais na própria residência ele JB, quando também estava presente Ricardo Saud. Saud reciebeu Fabio, ademais, em seu escritório na antiga sede da J&F, mais de cinco vezes.
No jantar ocorrido na residência de JB, este e Saud negociaram o pagamento de cinco milhões com Robson e Fabio, mas incluíram contrapartida: solicitaram a privatização da companhia de água e esgoto do Estado do Rio Grande do Norte, bem como terem conhecimento prévio do edital respectivo para que pudessem pedir alterações, conforme suas vantagens competitivas. Robson e Fabio aquiesceram.
A prática do ato de ofício não foi adiante porque o Grupo J&F perdeu o interesse na área de água e esgoto. Os valores resultantes dessas tratativas não se confundem com os que Robson Faria recebeu por determinação de Gilberto Kassab, conforme capítulo anterior.
Propinas
Propina dissimulada na forma de doação oficial: 1 milhão em 03.10.2014 ao PSD Nacional, carimbado para Robson Faria; 1 milhão em 17.10.2014 ao PSD Nacional, carimbado para Robson Faria.
Propina paga por meio de _nota avulsa: 2 milhões em 09.09.2014, pagos à empresa E A Pereira Comunicação Estratégica (NF 036) - despesa de campanha de Robson Faria.
Propina paga por meio de dinheiro em espécie: 957.054,56, obtidos junto ao Supermercado Boa Esperança, em Natal/RN, pagos a Fabio Faria, que buscou o dinheiro no supermercado; e mais 1.982.2~04 entregue por André Gustavo a Fabio Faria; e; 1.200.000,00 Pagos através de Notas Frias emitidas pelo Escritório Erick Pereira Advogados - NF 001?
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 'Vital do Rêgo: 6 milhões
Notas fiscais: 1 milhão em 02.09.2014 - Makplan Comunicação Ltda (NF 2525); 2 milhões em 02.09.2014 - Advocacia Rubens Ferreira (recibo 1/02); 2 milhões em 02.09.2014 -Advocacia Rubens Ferreira (recibo 2/02)'
Outros lados
Procurado, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que: 'O depoimento do diretor é absolutório. Não houve, e nem poderia haver, atribuição de qualquer conduta ilícita ou ao menos inadequada. Creio que trata-se de engano que será facilmente esclarecido. Houve e há farta prestação de serviços na área tributária e consultiva. Com emissão de notas fiscais e recolhimento de tributos. No mais, as despesas ressarcidas, bem como a existência de novas ações judiciais em curso, comprovam a inequívoca prestação de serviços e a lisura da Contratação, bem como a confiança em minhas qualidades éticas e técnicas. A empresa é muito grande, fato pelo qual talvez o engano se justifique. De toda sorte, sigo à disposição para todo e qualquer esclarecimento'.
O ex-ministro da Justiça Eduardo Cardozo declarou: 'Apesar de não ter sido acusado da pratica de nenhum ato ilícito, Marco Aurélio Carvalho me mostrou a documentação da sua prestação de serviços, para que não pairasse nenhuma dúvida sobre a sua atuação profissional. E se eu já tinha antes a convicção da lisura do seu comportamento, as provas são suficientes para atestar a sua mais absoluta idoneidade e o equívoco da acusação, mesmo para quem não o conheça'.
O advogado João Leite disse que, 'em relação ao contrato, sem sombra de dúvida o mesmo ocorreu, e os serviços contratados foram executados da forma acordada. Já em relação de que se tratava de dinheiro de corrupção, tomei conhecimento nesta oportunidade. Coloco-me ao seu inteiro dispor para os esclarecimentos que julgar necessários'.
O advogado Milton Lopes Machado Filho disse que 'não estou sabendo de nada, só o que vi pela TV. Tenho contato com casos trabalhistas e só'.
Os escritórios Bentes e Bentes Advogados Associados; Alves, Andrade e Oliveira Advogados e Erick Pereira Advogados foram procurados, mas não se posicionaram sobre o assunto.
Os representantes dos escritórios Andrade, Antunes e Henrique Advogados e Advocacia Rubens Ferreira não foram encontrados para comentar.
Quanto aos políticos, o governador Fernando Pimentel (PT-MG) diz que está sendo 'acusado mais uma vez de forma leviana e mentirosa. O acusador não apresenta provas para sustentar sua versão. Eu não tenho e nunca tive, em tempo algum, qualquer ligação com esse escritório de advocacia'.
O prefeito de Araraquara Edinho Silva (PT-SP), coordenador da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2014, disse que: 'esteve por diversas vezes com o empresário Joesley Batista, e com Ricardo Saud, solicitando doações para a campanha, já que essa era sua função, mas todas ocorreram de forma lícita, seguindo rigorosamente a legislação eleitoral. Todas as doações estão declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral'.
O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) afirma: 'Jamais pedi ou autorizei qualquer partido ou pessoa a pedir dinheiro para decidir meu voto, e desafio esse bandido internacional, dono da JBS, a provar, de qualquer forma, que eu recebi algum dinheiro dele, por doação oficial ou não'
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), por meio de seu advogado, nega as acusações e diz que 'todas as doações de campanha foram declaradas à Justiça Eleitoral'.
O governador Robinson Faria (PSD-RN) e o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) 'consideram absurdas as declarações do delator que chama de propina contribuições eleitorais lícitas, com o claro objetivo de se livrar de crimes graves praticados'.
O ministro do TCU Vital do Rêgo afirma que: 'em 2014, quando disputou o governo da Paraíba, Vital do Rêgo recebeu doações legais do Grupo JBS. Elas estão na prestação de contas já analisada e aprovada pela Justiça. O ministro Vital desconhece os fatos narrados pelo delator e está à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários'.
O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o deputado federal Gabriel Guimarães (PT-MG) não responderam até a publicação desta reportagem.
Eurípedes Júnior, presidente do PROS, não foi encontrado pela reportagem.

Por Laura Diniz Luís Viviani Alexandre Leoratti - Jota/SP

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terça-feira, 23 de maio de 2017

O capitalismo de compadrio


A EMPRESA QUE CRESCEU À SOMBRA DO PT
Na carta que divulgou ao fim do dia mais conturbado do ano até agora, Joesley Batista, presidente afastado e controlador da j&F, pede 'desculpas aos brasileiros pela corrupção praticada' e encerra com uma promessa intrigante. O empresário afirma que o grupo, um colosso de R$ 174 bilhões em receitas e 270 mil funcionários, no Brasil menor apenas que a Petrobras, vai virar as inúmeras páginas de corrupção que escreveu 'acordando cedo e trabalhando muito". Não que os irmãos Joesley e Wesley não trabalhem duro. Ainda jovens, abandonaram os estudos para acompanhar na labuta o pai, José Batista Sobrinho, que construiu do zero um pequeno grupo de frigoríficos no Centro-Oeste do país. Antes de completar 20 anos, receberam duas unidades, então chamadas Friboi, nas quais trabalharam arduamente.
Nos últimos dez anos, porém, a dupla se tornou mais apressada e a adotar atalhos para chegar aonde pretendiam.
Os irmãos passaram a usar dois apoios para o crescimento do negócio. Um foi um fenômeno econômico global - o superciclo de valorização de matérias-primas, que impulsionou o Agronegócio brasileiro. Outro foi uma rede de conexões políticas. Os efeitos econômicos do superciclo, que perdurou de 2003 a 2013, foram catalisados pela política do governo do PT de formação de campeões nacionais. No capitalismo de compadrio que orientou a aplicação dessa estratégia, grupos privados foram selecionados para receber apoio de acordo com seu potencial de expansão global - e, fica cada vez mais claro, disposição para financiar o partido.
Quando nada disso bastava, dinheiro não faltava aos Batistas para comprar apoio, por meio legal - em 2014, foi o maior doador de campanhas do país, com R$ 370 milhões - ou, como Joesley admite nas gravações, ilegal. Num dos vídeos, Joesley conta, por exemplo, que chegou a subornar deputados para que votassem a favor de Dilma Rousseff em seu processo de impeachment. Isso se confirma nas investigações sobre o grupo e, agora, na delação premiada que os irmãos acabam de fazer para se livrar do risco de prisão e perda financeira.
Há dez anos, a Friboi já era uma empresa de porte. Fizera algumas aquisições no exterior e acabara de concluir uma bem-sucedida abertura de capital na Bolsa. Com essas credenciais, Joesley e Wesley apresentaram-se ao BNDES pedindo dinheiro para comprar a americana Swiff, então a maior processadora de carnes do mundo. Saíram de lá com muito mais. O BNDESPar decidiu não só financiá-los, mas tornar-se seu sócio. Injetou US$ 750 milhões para a operação e adquiriu fatia do capital. A Friboi parecia a empresa certa para assumir o papel de campeã nacional. Tornouse o caso mais vistoso do modelo, abandonado a partir de 2011, no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Com a crise fiscal que se anunciava, ficou difícil defender a torra de R$ 400 bilhões em Recursos Públicos no que ficou conhecido como Bolsa Empresário.
Antes disso, porém, entre 2008 e 2009, a Friboi, já JBS, pediu dinheiro ao banco mais duas vezes para novas aquisições no exterior. O BNDES pressionou para que levassem ativos do concorrente Bertin.
As aquisições, turbinadas por cerca de R$ 10 bilhões do BNDES, em valores atuais, tornaram o JBS o maior processador de carne do mundo. O BNDES, ainda hoje, tem 23% de suas ações.
Encorpada, a JBS começou também a expandir o leque de negócios, sob a empresa guardachuva chamada J&F, iniciais dos nomes de José e Flora, pais de Joesley e Wesley. Comprou marcas de produtos de limpeza e higiene da Hypermarcas. Criou um banco, o Original. Comprou o Canal Rural. Ampliou, com a criação da Eldorado Celulose, um ramo antes insignificante no grupo, graças ao dinheiro de fundos de pensão da Caixa Econômica e do FGTS. Aproveitou as dificuldades da Camargo Corrêa, depois da Lava Jato, e comprou dela a Alpargatas, dona das Havaianas, com empréstimo da Caixa. Entrou no setor de energia. Em 2014, a J&F desbancou a Vale do ranking de maior empresa privada brasileira. A partir daí, a empresa passou a chamar a atenção mais por pendências com a Justiça do que pelos feitos no mundo dos negócios.
No ano seguinte, investigações tocadas por policiais e procuradores começavam a encontrar indícios de corrupção de agentes públicos em diversos órgãos e instâncias. Nos últimos dez meses, empresas e sócios da J&F foram alvos de cinco operações da Polícia Federal. A Sepsis, deflagrada a partir da Lava Jato em julho, investiga uma suspeita de favorecimento à Eldorado na liberação de recursos do FGTS, com pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, hoje preso. Dois meses depois, na Operação Greenfield, policiais voltaram ao grupo à procura de provas sobre a suspeita liberação de RS 550 milhões pelos fundos de pensão Petros e Funcef, respectivamente da Petrobras e da Caixa, também para a Eldorado. A Justiça afastou os irmãos do comando do grupo e bloqueou seus bens. Eles se comprometeram a não atrapalhar investigações e a pagar fiança para voltar às atividades.
Em janeiro deste ano, o grupo foi alvo da Operação Cui Bono, que investiga fraude em liberação de crédito da Caixa. Em março, a Seara, integrante do grupo, foi abatida na Operação Carne Fraca, sob acusação de corrupção de fiscais do Ministério da Agricultura. O grupo teve de fechar temporariamente 33 dos 36 frigoríficos, devido à queda na importação. Em abril, a Justiça manda, novamente, Joesley deixar o Conselho de Administração da I&F, por suspeita de tentativa de atrapalhar a Greenfield. Atualmente, o Tribunal de Contas da União se debruça sobre as quatro operações de crédito fechadas com o BNDES entre 2007 e 2009, por indícios de irregularidade. A apuração serviu de base à quinta e mais recente operação que alvejou o grupo, a Bullish, no dia 12 de maio.
O cerco havia levado Joesley e mais cinco executivos a acertar delação premiada com a Procuradoria-Geral da República em abril. No cardápio de denúncias, apresentaram os áudios explosivos contra o presidente Mi- chel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) (leia mais nas páginas 32 e 40). Nas gravações, Joesley pede favores para demandas do grupo em órgãos como o Cade (responsável por defender o nível de concorrência no mercado) e a Comissão de Valores Mobiliários (que fiscaliza o mercado de capitais). Isso elimina qualquer dúvida sobre os métodos desleais que levaram a J&F à condição de maior empresa privada brasileira.
A carta de Joesley pede desculpas e promete abandonar as práticas ilegais. O grupo concluiu um acordo de leniência com as autoridades e se compromete a ajudar nas investigações. Ao delatar, os sócios da J&F aceitaram pagar R$ 225 milhões, uma multa irrisória para o tamanho do grupo.
A relativa facilidade com que o grupo se livrou de investigações criminais no Brasil pode não se repetir nos Estados Unidos, onde a empresa tem uma operação grande e planejava uma oferta de ações. A J&F contratou o escritório de advocacia Trench, Rossi & Watanabe para defendê-la junto às autoridades nos Estados Unidos. À frente, estará o ex- procurador da Lava Jato Marcelo Miller, desligado do MPF há apenas dois meses para ingressar no escritório.
Por Samantha Lima, na Revista Época

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Educação, teatro e folclore: uma coleção com dez livros

A maior coleção interagindo educação, teatro e folclore, já lançada no país. 

São dez volumes abordando 19 lendas do folclore brasileiro:

Livro 1 - O coronel e o juízo final
Livro 2 - A noite do terror
Livro 3 - Lobisomem – O lobo que era homem
Livro 4 - Cobra Honorato
Livro 5 - A Mula sem cabeça
Livro 6 - Iara, a mãe d’água
Livro 7 - Caipora
Livro 8 - O Negrinho pstoreiro
Livro 9 - Romãozinho, o fogo fátuo
Livro 10 - Saci Pererê

Dez comédias para o público infanto-juvenil, onde a cultura popular do país é retratada através de uma dramaturgia densa, mas, ao mesmo tempo, hilariante, alegre e divertida.



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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Pesquisador da Nasa fala sobre estudo presente em filme "Perdido em Marte"

Fotografia do cientista Gary Stutte, pesquisador da Nasa considerado uma das maiores referências sobre a chamada agricultura espacial. EFE/Alejandro Bolívar

Se Matt Damon foi capaz de cultivar batatas no filme "Perdido em Marte", ele deve agradecer aos estudos de Gary Stutte, um pesquisador da Nasa considerado uma das maiores referências sobre a chamada agricultura espacial.
"Fizemos muitas pesquisas sobre o cultivo de batatas em Marte, por isso estou muito feliz que tenham escolhido as batatas como o alimento que Matt Damon tenta se salvar enquanto espera ser resgatado", afirmou o cientista em entrevista à Agência Efe.
Os roteiristas do filme, dirigido pelo britânico Ridley Scott em 2015, recorreram aos trabalhos desse simpático pesquisador de Oklahoma, nos Estados Unidos, para aprimorar uma história que conquistou dois Globos de Ouro e teve sete indicações ao Oscar.
O resultado conseguido pelo personagem de Damon, que ainda não conhece Stutte e não por falta de vontade do pesquisador, é "difícil, mas não impossível". "Demonstra o quão importante serão as plantas quando colonizarmos outros planetas, já que elas nos fornecem oxigênio, eliminam dióxido de carbono e criam água e alimento", explicou o especialista.
"As plantas nos permitirão sobreviver como espécie", completou.
Stutte está no Panamá para participar de um congresso sobre agricultura em ambiente controlado. Se trata de uma técnica desenvolvida em recintos fechados que permite maximizar a produção. O agricultor controla elementos como a luz, a temperatura, a umidade e a presença de dióxido de carbono no local.
Além de supervisionar cada uma das condições e "prender" bem as sementes e a água para que elas não flutuem, o cientista da Nasa revelou que o segredo para plantar no espaço é usar luzes de LED para indicar às plantas para onde elas devem crescer.
"As plantas, quando não há gravidade, não sabem para que lado cresce o talo e para qual lado devem ir as raízes", explicou.
O uso de LED é uma das contribuições da Nasa para a agricultura controlada, um método que é cada vez mais popular no mundo. No Japão, por exemplo, ele já representa 1% da produção total.
"Se podemos plantar no espaço, poderemos também fazê-lo no Polo Norte ou no deserto. A agricultura de ambiente controlado é uma solução para o aquecimento global, para as pragas e o excesso de urbanização", disse o especialista, que é biólogo pela Universidade de Oklahoma e doutor em Fisiologia das Plantas pela Universidade da Califórnia.
O primeiro alimento cultivado em um voo espacial foi o rabanete. O pesquisador da Nasa estreou na missão em 2002, quando comandou a operação Pesto, que há 15 anos estabeleceu um novo marco na ciência.
Atualmente, os astronautas são capazes de cultivar qualquer tipo de vegetal, desde que sejam plantas relativamente pequenas, e das quais se come quase tudo para não gerar muito desperdício.
"No espaço há limitações de superfície, energia e tempo. Há grãos, como o milho, que não podemos cultivar. Eles demoram muito a crescer e atingem grande altura. Tampouco podemos plantar árvores frutíferas, como macieiras ou laranjeiras", afirmou.
Até agora, os astronautas apenas cultivaram alimentos dentro das naves espaciais, mas há planos para que isso seja feito também na superfície da Lua e de Marte.
Além de conhecer Matt Damon, Stutte admitiu que ir ao espaço é um de seus grandes sonhos. Ainda assim, ele já se sente satisfeito por ter contribuído de alguma forma com seu conhecimento e também por ter deixado sua marca no espaço de outra forma.
"Todas as vezes que dirigi uma experiência, dei aos astronautas uma folha com minha impressão digital para que eles me devolvessem quando voltassem à Terra. Já guardo quatro dessas lá em casa. Pode se dizer que é um tesouro", revelou, em meio a risos.
Por María M.Mur. - EFE

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Nikolai Gogol: O inspetor geral.



livro contém o texto original de Nicolai Gogol, a peça teatral “O inspetor Geral”. E mais um ensaio e 20 artigos discorrendo sobre a realidade brasileira à luz da magnífica obra literária do grande escritor russo. Dessa forma, a Constituição brasileira, os princípios da administração, as referências conceituais da accountability pública, da fiscalização e do controle - conteúdos que embasam a política e o exercício da cidadania – atuam como substrato para o defrontar entre o Brasil atual e a Rússia dos idos de 1.800.

Desbravar a alma humana através de Gogol é enveredar por uma aventura extraordinária, navegar por universos paralelos, descobrir mundos mantidos em planos ocultos, acobertados por interesses nem sempre aceitáveis.

A cada diálogo, a cada cena e ato, a graça e o humor vão embalando uma tragédia social bastante familiar a povos de diferentes culturas, atravessando a história com plena indiferença ao tempo.

O teatro exerce este fascínio de alinhavar os diferentes universos: o cáustico, o bárbaro, o inculto que assaltam a realidade, que obliteram o dia a dia; e o lúdico, o onírico, o utópico-fantástico que habitam o imaginário popular.

O inspetor geral” é um clássico da literatura universal. Neste contexto, qualquer esforço ou tentativa de explicá-lo seria tarefa das mais frívolas e inócuas. E a razão é simples, frugal: nos dizeres de Rodoux Faugh “os clássicos se sustentam ao longo dos tempos porque revestem-se da misteriosa qualidade de explicar o comportamento humano e, ao deslindar a conduta, as idiossincrasias e o caráter da espécie, culminam por desvendar a própria alma da sociedade”.

Esta é a razão deste livro não aspirar à crítica literária, à análise estilística e, sim, possibilitar que o leitor estabeleça relações de causa e efeito sobre os fatos e realidade que assolavam o Império Russo de 1.800 com os que amarguram e asfixiam o Brasil dos limiares do século XXI.

Do início ao final da peça teatral, as similaridades com o Brasil atual inquietam, perturbam, assustam... Caracteriza a literatura clássica o distanciamento da efemeridade, o olhar de soslaio para com o passadiço pois que se incrusta nos marcos da perenidade. Daí a dramaturgia de Nicolai Gogol manter-se plena de beleza, harmonia, plástica, humor e atualidade.

Nesta expedição histórica, a literatura de um dos maiores escritores russos enfoca uma questão que devasta a humanidade desde os seus primórdios, finca âncoras no presente e avança, insaciavelmente, sobre o futuro. O dramaturgo, com maestria, mergulha nas profundezas do caráter humano tratando a corrupção, não como uma característica estanque, intrínseca exclusivamente à esfera individual, mas como uma chaga exposta que se alastrou para deteriorar todas as construções sociais, corroer as instituições e derrocar as organizações humanas.

É o mesmo contexto que compartilham Luís Vaz de Camões e Miguel de Cervantes, William Shakespeare e Leon Tolstoi, Thomas Mann e Machado de Assis.

Mergulhar neste mundo auspicioso e dele extrair abordagens impregnadas de accountability pública é o desafio estabelecido. É para esta jornada que o leitor é convidado de honra.

O livro integra a Coleção Quasar K+:
Livro 1: Quasar K+ Planejamento Estratégico;
Livro 2: Shakespeare: Medida por medida. Ensaios sobre corrupção, administração pública e administração da justiça;
Livro 3: Nikolai Gogol: O inspetor geral. Accountability pública; Fiscalização e controle;
Livro 4: Liebe und Hass: nicht vergessen Aylan Kurdi. A visão de futuro, a missão, as políticas e as estratégias; os objetivos e as metas.


Para saber mais sobre o livro "Nikolai Gogol: 
inspetor geral - Accountability pública; 
Fiscalização e controle", clique aqui.


domingo, 21 de maio de 2017

Os procuradores de Joesley


Joesley Batista tinha um procurador infiltrado, que acabou preso.
Mas tem também um ex-procurador, que o ajudou a ficar solto.
A grande explicação para o vantajoso acordo do empresário com a Lava Jato, segundo o Radar de Veja, foi a contratação de Marcelo Miller, hoje advogado. Foi ele quem assessorou Joesley nas negociações com os antigos colegas.
O Estadão acrescenta que Miller era "um dos principais braços-direitos de Rodrigo Janot no Grupo de Trabalho da Lava Jato até março deste ano".
Sua decisão "de deixar o Ministério Público Federal para migrar para a área privada, que pegou a todos no MPF de surpresa, veio a público em 6 de março, véspera da conversa entre Joesley Batista e Michel Temer, gravada pelo empresário, no Palácio do Jaburu, que deu origem à delação.
Miller passou a atuar no escritório Trench, Rossi & Watanabe Advogados, do Rio de Janeiro, contratado pela JBS para negociar a leniência, acordo na área cível complementar à delação".
Joesley e os demais colaboradores da JBS "não precisarão ficar presos, não usarão tornozeleira eletrônica, poderão continuar atuando nas empresas e teriam, inclusive, anistia nas demais investigações às quais respondem".
No Brasil, amigo é coisa pra se guardar na PGR, no MPF, nos tribunais de contas, no STJ, no STF...

O Antagonista

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A expressão latina “castigat mores ridendo” que, numa tradução livre poderia significar “rindo se corrige a moral” é uma locução que parece ter sido moldada para justificar a peça teatral “O juiz”.
No texto, o autor utiliza a comédia para desvelar a farsa em que acabou se constituindo o poder judiciário num país imaginário denominado Banânia que, evidentemente, nenhuma semelhança guarda com o Brasil de hoje e, muito menos, com a porção latina do continente americano.   
A farsa, no teatro grego antigo, ao contrário do que muitos apregoam, não é uma forma dramática nova e sim uma variação da comédia. Apenas acentua as situações onde predominam o ridículo e o cômico, exatamente os eixos estruturantes sobre os quais Antônio Carlos desenvolveu a trama.  Por sua vez, a palavra “comédia” é originária do grego “komoidia”, e seu sentido lato é folia, divertimento. A comédia grega está ligada ao inusitado, ao pitoresco, ao excêntrico. É franca e, mesmo, obscena. A confusão - de não poucos - é identificá-la tão somente com o sorriso fácil e a alegria despretensiosa. Porque pode despertar reações tão opostas como o desprezo e a arrogância.
A partir da idade média, com a Commedia dell’Arte, o gênero passou a se constituir no preferido dos artistas para conduzir a crítica política e social, de modo a manterem-se protegidos da censura e da repressão governamental.
Na peça “O juiz”, Antônio Carlos aborda questões latentes em autores como Aristóteles (Política), John Locke (Segundo Tratado do Governo Civil), e Montesquieu (O Espírito das Leis) e que alavancaram o estado moderno e a democracia contemporânea para denunciar – com muito humor e irreverência – a (i) propalada independência dos poderes, (ii) o sistema de freios e contrapesos e (iii) a nefasta prevalência do judiciário quando os demais poderes, executivo e legislativo, estão deliberadamente fragilizados. Uma das personagens da peça chega a se sublevar contra um dos principais ensinamentos de Rui Barbosa: “A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer”.
Assim é que, na trama teatral, uma múmia ressuscita de seu milenar sarcófago para transformar um índio no presidente da mais alta corte judiciária do país. O terrível plano é instituir uma ‘república’ onde tão somente as corporações e os partidários do poder tenham vez. Nas palavras do presidente do Supremo Tribunal Nacional, o cacique indígena Morubixaba, um dos protagonistas da peça, “O império que estamos estruturando está acima de tudo e de todos. E aqui, no reino deste novo universo do trabalhadorismo, preside um juiz que potestade alguma poderá corromper, além, naturalmente, de todas as associações, sindicatos, corporações, grupos de interesses e organizações civis, políticas e populares comprometidos com os altos interesses de nosso projeto ideológico popular-progressista-desenvolvimentista, a mais nova vertente do messianismo sebastianista”.
Fatos e episódios ridículos e burlescos são enfocados desnudando a história das autoridades caudilhescas do continente. Cenas e quadros - de intenso humor e fina ironia – personificam a essência da sátira, num jogo dramático que corrobora a tese de que a melhor maneira de modificar a realidade é revelar o quanto ela é absurda, kafkiana, e rir, gargalhar, divertir-se com a situação, pois que, assim, os costumes políticos e sociais estarão sendo ‘castigados’.
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sábado, 20 de maio de 2017

O 'socialismo' de compadrio e corrupção


Com ajuda do BNDES, donos da JBS criaram maior empresa de carnes do mundo
De empresa familiar criada a partir de um pequeno açougue na cidade de Anápolis (GO), a JBS, donas de marcas como Friboi e Seara, se tornou a maior processadora de carnes do mundo e a maior empresa privada em faturamento no Brasil, só perdendo para a Petrobras.
As revelações dos irmãos Joesley e Wesley Batista em delação premiada trouxe denúncias contra o presidente Michel Temer e criou pânico nos mercados financeiros. Os empresários viram seu negócio se expandir nos últimos anos com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os donos da JBS também têm negócios em outros setores, reunidos na holding J&F Investimentos. A J&F Investimentos se anuncia como o "maior grupo econômico privado do país", empregando mais de 260 mil pessoas em mais de 30 países. A J&F já teve como presidente do conselho o então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
Os dois irmãos se dividem na operação do grupo. Joesley é o presidente da holding e Wesley comanda o JBS.
A história da JBS começou em 1953 com o açougue A Mineira, fundado por José Batista Sobrinho (cujas iniciais formam a sigla JBS), pai de Wesley e Joesley Batista, os atuais donos do conglomerado. A empresa adotou o nome Friboi quando passou a atuar com frigoríficos e cresceu comprando outras unidades na década de 90. As primeiras exportações de carne in natura vieram somente em 1997.
O grande salto se deu a partir de 2007, quando a empresa decidiu abrir o seu capital, mudou o nome de Friboi para JBS e deu início a um processo de internacionalização com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A JBS foi uma das beneficiadas pela chamada política de campeões nacionais do BNDES, que tinha como premissa financiar a internacionalização de grupos brasileiros. Além de financiar o grupo, o BNDES comprou uma participação na JBS por meio da BNDESpar - braço do banco estatal que compra participações em empresas. A operação que é investigada pelo Tribunal de Contas da União. Hoje o BNDES é dono de 21% da JBS.
Capitalizado com crédito e dinheiro dos novos sócios, o JBS foi às compras. Em março de 2007, o grupo anunciava a compra da norteamericana Swift por US$ 1,4 bilhão, se tornando a maior empresa do mundo de alimentos de origem bovina.
Começava a partir daí uma trajetória de rápida expansão internacional, que incluiria a aquisição de outras gigantes como a Pilgrim´s Pride (empresa de frangos nos EUA) e do frigorífico brasileiro Bertin e da Seara, passando a ser também a maior produtora global de carne de aves.
Em 2014, a JBS se tornou a segunda maior empresa do setor de alimentos do mundo, ficando atrás apenas da Nestlé, totalizando um faturamento de cerca de R$ 120 bilhões, com um aumento de 30% nas vendas.
Em 2016, a receita líquida da JBS somou R$ 170,38 bilhões, alta de 4,6% ante o registrado no ano anterior, ficando à frente da Vale (R$ 94,6 bi), Ultrapar (R$ 77,3 bi) e Ambev (R$ 45,6 bi), segundo dados da provedora de informações financeiras Economatica.
Com o crescimento acelerado dos negócios, os donos da JBS em 2012 um holding para atuar em outras áreas de negócios, a J&F Investimentos. A última grande aquisição foi anunciada em 2015, ao comprar da Camargo Corrêa o controle da Alpargatas, dona de marcas como Havaianas e Osklen por R$ 2,66 bilhões. Veja os outros negócios da JBS:
No mundo dos negócios, os irmãos Batista se cercaram de executivos do alto escalão. Um dos principais trunfos foi a atração de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no governo Lula e atual ministro da Fazenda, para o cargo de presidente do conselho consultivo da J&F em 2012 (ele renunciou à função quando voltou ao governo Temer).
Meirelles comandou a transformar o Banco Original, até então uma pequena operação voltada para o crédito rural, em um banco de negócios digital.
Executivos como o egípcio Tarek Farahat, um dos responsáveis pelo salto da Procter & Gamble no Brasil, assumiu o marketing global da JBS em 2015. Outro que entrou para o grupo foi Enéas Pestana, ex-presidente do Pão de Açúcar.
A aproximação dos Batista com o mundo político sempre foi forte. Nas eleições de 2014, o grupo também chamou a atenção ao contribuir com mais de R$ 300 milhões, se tornando uma das maiores doadoras de campanha do país.
A partir de 2016, o grupo passou entrar na mira também de operações da Polícia Federal.
Em 2016, o grupo chegou a trocar temporariamente a presidência depois que a Justiça impediu Wesley e Josley Batista de exercer cargos executivos, como consequência da operação Greenfield, que investiga aportes de fundos de pensão na Eldorado, empresa de celulose do grupo.
No último dia 12, a PF deflagrou a Operação Bullish, que investiga fraudes e irregularidades em aportes concedidos pelo BNDES à JBS.
Outro abalo foi a operação Carne Fraca, que derrubou o valor das ações da empresa e obrigou também o adiamento do plano de lançamento de um IPO nos EUA da subsidiária JBS Foods International, inicialmente previsto para o 1° semestre.
Em teleconferência para analistas no último dia 16, Wesley Batista afirmou que ainda vê o segundo semestre como uma janela para a realização do IPO, mas ressaltou que o negócio ocorrerá quando a avaliação da subsidiária pelos investidores não for afetada por assuntos como as operações da PF.
De acordo com Batista, a Carne Fraca teve um impacto relevante não apenas do ponto de vista de volumes processados, mas também de custos (custo maior de abate, comunicação e publicidade) e preços, o que afetou a margem do primeiro trimestre.
A JBS fechou o primeiro trimestre de 2017 com lucro líquido de R$ 422,3 milhões, revertendo resultado negativo de R$ 2,64 bilhões apurado um ano antes.

Do G1

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A expressão latina “castigat mores ridendo” que, numa tradução livre poderia significar “rindo se corrige a moral” é uma locução que parece ter sido moldada para justificar a peça teatral “O juiz”.
No texto, o autor utiliza a comédia para desvelar a farsa em que acabou se constituindo o poder judiciário num país imaginário denominado Banânia que, evidentemente, nenhuma semelhança guarda com o Brasil de hoje e, muito menos, com a porção latina do continente americano.   
A farsa, no teatro grego antigo, ao contrário do que muitos apregoam, não é uma forma dramática nova e sim uma variação da comédia. Apenas acentua as situações onde predominam o ridículo e o cômico, exatamente os eixos estruturantes sobre os quais Antônio Carlos desenvolveu a trama.  Por sua vez, a palavra “comédia” é originária do grego “komoidia”, e seu sentido lato é folia, divertimento. A comédia grega está ligada ao inusitado, ao pitoresco, ao excêntrico. É franca e, mesmo, obscena. A confusão - de não poucos - é identificá-la tão somente com o sorriso fácil e a alegria despretensiosa. Porque pode despertar reações tão opostas como o desprezo e a arrogância.
A partir da idade média, com a Commedia dell’Arte, o gênero passou a se constituir no preferido dos artistas para conduzir a crítica política e social, de modo a manterem-se protegidos da censura e da repressão governamental.
Na peça “O juiz”, Antônio Carlos aborda questões latentes em autores como Aristóteles (Política), John Locke (Segundo Tratado do Governo Civil), e Montesquieu (O Espírito das Leis) e que alavancaram o estado moderno e a democracia contemporânea para denunciar – com muito humor e irreverência – a (i) propalada independência dos poderes, (ii) o sistema de freios e contrapesos e (iii) a nefasta prevalência do judiciário quando os demais poderes, executivo e legislativo, estão deliberadamente fragilizados. Uma das personagens da peça chega a se sublevar contra um dos principais ensinamentos de Rui Barbosa: “A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer”.
Assim é que, na trama teatral, uma múmia ressuscita de seu milenar sarcófago para transformar um índio no presidente da mais alta corte judiciária do país. O terrível plano é instituir uma ‘república’ onde tão somente as corporações e os partidários do poder tenham vez. Nas palavras do presidente do Supremo Tribunal Nacional, o cacique indígena Morubixaba, um dos protagonistas da peça, “O império que estamos estruturando está acima de tudo e de todos. E aqui, no reino deste novo universo do trabalhadorismo, preside um juiz que potestade alguma poderá corromper, além, naturalmente, de todas as associações, sindicatos, corporações, grupos de interesses e organizações civis, políticas e populares comprometidos com os altos interesses de nosso projeto ideológico popular-progressista-desenvolvimentista, a mais nova vertente do messianismo sebastianista”.
Fatos e episódios ridículos e burlescos são enfocados desnudando a história das autoridades caudilhescas do continente. Cenas e quadros - de intenso humor e fina ironia – personificam a essência da sátira, num jogo dramático que corrobora a tese de que a melhor maneira de modificar a realidade é revelar o quanto ela é absurda, kafkiana, e rir, gargalhar, divertir-se com a situação, pois que, assim, os costumes políticos e sociais estarão sendo ‘castigados’.
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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Vivemos dias que valem décadas!!!


OS DIAS QUE VIRÃO
Risco Temer em nível máximo
Mercado terá hoje dia de estresse agudo, porque tudo o que estava estabelecido no cenário, como aprovação das reformas, cai em absoluta incerteza
Risco de queda de Temer vai ao nível máximo. Há vários cenários possíveis para o desenrolar da crise que estourou ontem com a divulgação das informações, apuradas pelo jornalista Lauro Jardim, de que o empresário Joesley Batista gravou o próprio presidente Michel Temer em diálogo suspeito. Um deles é o da renúncia do presidente, outro é o de que o julgamento no TSE mude de tendência e casse toda a chapa. A governabilidade como argumento para separar a chapa não se sustenta.
Uma gravação com a voz do presidente em ato que pode ser entendido como obstrução de Justiça, confirmada, tornaria mais fortes as evidências contra Temer do que até contra os ex-presidentes Dilma e Lula. As revelações atingem em cheio também o PSDB com a conversa entre Joesley e o senador Aécio Neves.
A JBS começou a ser cercada por uma série de investigações em diversas áreas. As operações Sepsis, Greenfield, Bullish apuravam dúvidas em relação aos negócios do grupo durante os governos Lula e Dilma. Há claras suspeitas sobre os empréstimos concedidos pelo FIFGTS, com a influência do então vice-presidente da Caixa, Fábio Cleto, para a Eldorado, a empresa de celulose do grupo. Estão sendo investigadas as relações entre a JBS e os fundos de pensão. Há relatórios do TCU e perícia da Polícia Federal sustentando a Operação Bullish que investiga supostos favorecimentos no BNDES.
Cercado de evidências das relações promíscuas e nebulosas entre as empresas do grupo e os órgão do governo, o grande temor do empresário Joesley Batista era acordar uma madrugada com a ordem de prisão e sua casa invadida. Na semana passada, a Bullish chegou a propor isso, e o juiz não concedeu. Joesley disse a interlocutores que, diante do risco, ele estava com investimentos no Brasil em compasso de espera.
O mercado hoje terá um dia de estresse agudo, porque tudo o que estava estabelecido no cenário, como a aprovação das reformas, cai em absoluta incerteza. O Brasil está diante do risco de ter uma segunda queda de presidente num mesmo período, a chamada dupla vacância. Isso leva a uma eleição indireta pelo Congresso, sem que as regras para esta escolha tenham sido definidas.
MÍRIAM LEITÃO

Quem anda com porcos farelo come...
PSDB e PT, forjados na luta contra a ditadura e na defesa de valores sociais e éticos, ao chegarem ao poder, a partir de 2002, aliaramse a esta ratatuia
Corrupção, a tragédia de uma geração. Eduardo Cunha sempre foi um salteador dos cofres públicos. Duvideodó que alguém que milite no andar de cima da política brasileira não soubesse desta verdade desde 2003, quando ele assumiu o primeiro mandato de deputado federal. Portanto, quem acoitou Cunha em Brasília — Temer foi só um deles — vendeu sua alma a um capo de uma organização criminosa.
Nesse sentido, as informações trazidas à tona pelo repórter Lauro Jardim são, ao mesmo tempo, bombásticas — afinal, estamos falando de um presidente da República — mas não chegam a surpreender, convenhamos. Pois é assim que esta gente do PMDB e de outras legendas da mesma laia toca a política brasileira há tempos.
Só que o mais grave disso tudo, acho, é saber que o PSDB e o PT, dois partidos forjados na luta contra a ditadura e na defesa de valores sociais e éticos elevados, ao chegarem ao poder, a partir de 2002, aliaram-se a esta ratatuia.
Sempre se pode dizer, com certa dose de razão, que, sem esta aliança com os safados, não se governa o Brasil. Mas o que era para ser “Presidencialismo de coalizão" — expressão criada pelo sociólogo Sérgio Abranches para explicar o fato de o sistema político lotear o governo entre vários partidos — virou, como disse certa feita, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, “Presidencialismo de safadeza”.
Só que a Lava-Jato tem mostrado é que muitos caciques petistas e tucanos — não são todos, claro —, no convívio com a gangue, aderiram à rapinagem.
Esta é, a meu ver, a nossa tragédia maior. A tragédia de uma geração, ou, como dizem os versos de Belchior, o músico que o Brasil perdeu dia desses, “Minha dor é perceber/Que apesar de termos/Feito tudo, tudo, tudo o que fizemos/Nós ainda somos os mesmos e vivemos/Como os nossos pais.”
ANCELMO GOIS

Turbulência no Planalto era prenúncio de bomba
Nos últimos dias, Temer abriu saco de bondades, o que pode ter sido aposta para melhorar popularidade ou iminência de denúncia
Temer já sabia que seria vítima de um petardo. Há 15 dias, um sussurro começou a rondar a Esplanada dos Ministérios: uma bomba cairia sobre o presidente Michel Temer. Começou a surgir então todo o tipo de especulação, mas nenhuma na dimensão relatada ontem pelo colunista Lauro Jardim.
Os primeiros sinais de que algo de grave estava por acontecer vieram de alguns gabinetes do próprio Supremo Tribunal Federal. Pareciam mais insinuações do que informações. Cochichos aqui e acolá: reuniões permanentes entre a presidente do Supremo, a ministra Cármen Lúcia, e o relator da LavaJato, Edson Fachin, quebravam a rotina da Corte. Discretíssima, a presidente do STF permanecia, como é de seu costume, fechada em copas. Como ninguém é de ferro, certo dia, ela deixou escapar para um colega: “Não estou conseguindo dormir”. Nada mais foi dito, nada mais foi-lhe perguntado. E, se fosse, Cármen Lúcia certamente não responderia.
Finalmente, na última sexta-feira, um ministro de Estado desabafou que sabia que estava vindo um petardo na direção do Palácio do Planalto e que, como o presidente da República, que também já tinha conhecimento disso, desconhecia o conteúdo e de onde viria essa bomba.
— Estamos tateando no escuro — disse o ministro, acrescentando que o próprio presidente Temer não tinha ainda a dimensão do estrago que isso causaria ao governo. Mas sabia que, de pronto, poderia comprometer as votações da reforma em curso.
Um observador da movimentação do governo reparou que o presidente Temer, nos últimos dias, começou a investir pesado na conquista do apoio dos chamados setores representativos da sociedade, anunciando sacos de bondades para diversos setores produtivos. Especulava-se que, com isso, tentava sair do um dígito de popularidade, mas, agora, com a revelação de Lauro Jardim, percebe-se que ele já estava procurando boias no escuro, com a luz da lanterna dos afogados.
JORGE BASTOS MORENO

O governo Temer foi ao chão
Lava-Jato exibe o fim de um ciclo do sistema político. Michel Temer era um presidente impopular, com dois terços de rejeição do eleitorado, amparado por uma base parlamentar majoritária, com fidelidade de até 80% em votações a favor do governo. O que podia parecer sólido virou líquido às 19h30m de ontem, quando os repórteres Lauro Jardim e Guilherme Amado revelaram na edição eletrônica do GLOBO a informação de que o dono do grupo JBS havia documentado o presidente da República em março — em pleno exercício do mandato — dando aval à compra do silêncio de uma testemunha, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, atualmente preso em Curitiba.
Desde então, a Constituição passou a ser o segundo texto com maior audiência de leitura, dentro e fora do Congresso. “Vagando os cargos de presidente e vice-presidente da República”, diz o Artigo 81 da Carta, “far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga". Há dois parágrafos complementares. O primeiro prevê: “Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei”. O segundo acrescenta: “Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores”.
A liquefação absoluta da política brasileira impede qualquer tipo de previsão. No entanto, ontem à noite em Brasília, nenhum político brasileiro mostrou coragem em defender a eleição indireta, caso se configure o crime de obstrução de justiça aparentemente cometido pelo presidente dois meses atrás. Ao contrário, convergiase para a aprovação de emenda convocando eleição direta em 90 dias, a partir de uma eventual renúncia de Temer, algo que até assessores passaram a considerar provável.
O Brasil acorda hoje na seguinte situação: depois de 32 anos de redemocratização, tem cinco ex-presidentes vivos (José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma), todos sob investigação. Dos quatro presidentes eleitos pelo voto direto no período, dois foram depostos por impeachment. Temer já era um presidente “sub judice", cuja permanência no poder seria decidida na Justiça, a partir do próximo 6 de junho. Agora, ele pode ser investigado por obstrução de justiça. A autorização depende do plenário do Supremo e poderá ser pedida pela procuradoria-geral.
Já nem importa o desfecho da crise. A LavaJato exibe o fim de um ciclo do sistema político e eleitoral brasileiro. Novidade relevante é que, desta vez, ninguém foi visto batendo na porta dos quartéis.
JOSÉ CASADO

Aumenta o preço da recuperação
Recuperação da economia terá preço mais alto. Diante de acontecimentos inesperados e bombásticos como a revelação do envolvimento direto do presidente Michel Temer em esquema de propina para calar o exdeputado Eduardo Cunha, é natural que só se possa especular a respeito de seus impactos sobre a evolução da economia. Essas especulações levam a dois cenários: num deles, ocorre substituição de Temer; no outro, o presidente tenta resistir no cargo.
Se prevalecer a primeira hipótese, cresce o risco de que as reformas estruturais em curso percam timing e se arrastem até o encontro de uma solução institucional mínima para o vazio que se estabeleceria, aumentando o preço da recuperação. Na outra possibilidade, aumentaria muito o custo pago — já alto — para manter o apoio parlamentar ao governo, sob a forma da abertura de mais torneiras de dinheiro público, exceções e privilégios para grupos de interesse.
Em qualquer dessas situações, a economia, ainda fragilizada, sentiria os abalos do terremoto político com epicentro no Palácio do Planalto e passaria por solavancos que, no curto prazo, tenderiam a dificultar ainda mais o esboço de recuperação que vem se exibindo. Investidores poderiam se assustar, o que se refletiria em movimentos de baixa nos pregões da Bolsa e altas nas cotações do dólar, com pressões adversas sobre preços e dívidas.
No médio prazo, a tendência é a de acomodação, talvez com níveis de atividade econômica um pouco mais baixos do que o projetado. É preciso lembrar que, fora sua influência nas expectativas, e apesar do clima de “tudo ou nada” que muitos tentaram fazer prevalecer, os benefícios concretos das reformas jamais seriam imediatos.
Também não é certo que essas expectativas estivessem, de fato, na base dos fundamentos do despencamento da inflação e da corrida para baixa da taxa básica de juros — estes, sim, vetores importantes na construção de um ambiente mais favorável à recuperação da economia.
Claro que as expectativas têm o seu papel, mas o que está operando, preponderantemente, para que inflação e juros mostrem comportamento favorável é a recessão econômica ainda profunda, a ausência de choques de oferta, principalmente em alimentos, e o encerramento do processo de ajuste dos preços. Isso não deve mudar, qualquer que seja o desfecho da crise.

JOSÉ PAULO KUPFER

Fora da Constituição, nada!
Há na Constituição dois artigos que se aplicam à situação que o presidente Michel Temer começou a viver desde o início da noite de ontem: se ele renunciar, o Congresso elegerá em 30 dias um novo presidente (artigo 81, inciso 1). Do contrário, ele poderá responder a processo de impeachment, se assim quiser o Congresso (artigo 85, incisos 2 e 5).
Nos dois casos, o sucessor de Temer deverá ser brasileiro nato, com 35 anos ou mais de idade. Uma vez eleito, o novo presidente completará o mandato que já foi de Dilma e que caiu no colo de Temer. Pelo voto direto, em outubro do próximo ano, os brasileiros elegeriam o próximo presidente para um mandato de quatro anos.
É o que diz a Constituição. Mas não há nada nela que impeça o Congresso de emendá-la e convocar eleições diretas para a escolha do substituto de Temer. Deputados começaram ontem mesmo a se debruçar sobre a Proposta de Emenda à Constituição apresentada por Miro Teixeira (Rede-RJ). Ela prevê eleições diretas.
Ninguém se arriscava no Congresso, Palácio do Planalto e sede dos tribunais superiores a prever o que deverá acontecer. Como reagirá hoje o mercado financeiro? Como reagirão as redes sociais? E o que mais se teme: o ronco das ruas se fará ouvir? Somente uma coisa parecia certa: Temer perdeu as mínimas condições para continuar no cargo.
Como um presidente de rala popularidade como a dele conseguirá se arrastar pelos próximos 17 meses depois de ser acusado de crime de responsabilidade? Porque é disso que se trata. Se pedaladas fiscais derrubaram Dilma, por que Temer não cairá se pedalou a moral, os bons costumes e a probidade administrativa?
Comprometido com uma agenda de reformas impopulares que enfrentam forte resistência no Congresso e fora dele, como Temer conseguirá que elas sejam aprovadas? No próximo dia 6 de junho, a impugnação da chapa Dilma-Temer que disputou e ganhou as eleições de 2014 começará a ser julgada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Até o início desta semana, tudo indicava que a impugnação seria recusada por cinco votos contra dois. A gravação da conversa de Temer com o dono do grupo JBS poderá influir no resultado do julgamento. Talvez se encontre aí a saída menos traumática para a crise política que se agrava. Uma vez impugnada a chapa, Temer renunciaria em sinal de respeito à Justiça.
Terá grandeza para isso? Ou será forçado a renunciar antes?
RICARDO NOBLAT

O Globo

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