sábado, 21 de outubro de 2017

Que país é este?


No iate e na mansão
Em meados do ano passado, a Lava-Jato já havia deflagrado três dezenas de operações. As empresas do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, ainda não haviam caído na teia, mas já eram alvo de investigações que apuravam suspeitas de pagamento de propina para obter financiamentos no BNDES e na Caixa Econômica Federal. Na época, longe de Brasília, no píer de uma mansão em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, uma pequena lancha aportou para apanhar um grupo que havia chegado para um fim de semana de lazer. Todos a bordo, a embarcação rumou mar adentro, até encontrar o iate Why Not. Para os ministros Vital do Rêgo e Bruno Dantas, ambos do Tribunal de Contas da União (TCU), era o começo de um animado dia de mordomias, com boa comida, champanhe e vinho da melhor qualidade, tudo diante de uma paisagem deslumbrante.
Joesley Batista já confessou ter habilidades especiais para corromper. Quando não pagava propina para atingir seus objetivos, usava outras artimanhas para capturar a simpatia de figuras importantes do poder. Não foi por outra razão que o empresário convidou os ministros para o passeio no sábado 11 de junho de 2016, quando o TCU já analisava os empréstimos suspeitos dos Batista. Combinar o encontro com Bruno Dantas e Vital do Rêgo foi relativamente fácil. O empresário ficara sabendo que os dois estavam no Rio, onde haviam participado, na véspera, de um seminário. O convite foi feito — e aceito.
No iate de 10 milhões de dólares, o grupo foi recebido pelo próprio Joesley. Antes de eles se reunirem em torno de uma mesa de queijos, o dono da JBS, hoje preso, apresentou a embarcação, de 30 metros de comprimento, três andares, quatro quartos (incluindo uma suíte de 20 metros quadrados), cozinha, sala de estar e um amplo deque com jacuzzi. Em pouco mais de uma hora, o Why Not chegou à casa de Joesley em Angra dos Reis, um château al mare construído em uma ilha, que o empresário comprara do apresentador Luciano Huck. A festa prosseguiu até o fim da noite. Só acabou depois de um jantar com camarões, lagostas e, claro, carnes especiais.
Só por financiamentos e aportes suspeitos do BNDES que somam mais de 10 bilhões de reais, a J&F e sócios são alvo de quatro processos no TCU. As ações apuram o tamanho do prejuízo, o nome dos responsáveis e, demonstradas as irregularidades, tentarão recuperar o dinheiro. Em apenas uma das transações, o TCU já identificou um prejuízo de mais de 300 milhões de reais aos cofres públicos.
Procurado por VEJA, Dantas — cujo nome já havia aparecido nos documentos da delação da JBS por ter voado em um jatinho da companhia entre o Recife e Brasília — negou que o encontro tenha servido para tentar cooptá-lo. Ele ressalta que, ainda no ano passado, chegou a votar a favor do prosseguimento de uma investigação sobre a companhia.
O ministro Vital do Rêgo — citado na delação por ter recebido 8 milhões de reais das empresas de Joesley Batista durante sua campanha ao governo da Paraíba, em 2014 — não quis falar com VEJA. Na quarta-feira 18, ele participou, no plenário do tribunal, de uma sessão que aprovou a abertura de mais uma investigação sobre os empréstimos concedidos pelo BNDES às empresas dos Batista. Sentado ao lado do relator, acompanhou com atenção a leitura dos detalhes do caso, mas não se pronunciou. Dantas, seu colega, não estava presente — ficará afastado do tribunal até o fim do ano, para participar de um curso no grãoducado de Luxemburgo.
Em tempo, aquele seminário no Rio que antecedeu o passeio em Angra foi promovido pelo IDP, instituto do ministro Gilmar Mendes, do STF. O tema do seminário era o seguinte: mecanismos de defesa do interesse público.

Por Rodrigo Rangel, na Veja Online

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A arte de escrever bem


Escrever é uma necessidade vital, um fundamento sem o qual a comunicação perde em substância.
Os desafios do dia a dia exigem intensa troca de mensagens, seja nas redes sociais, seja nas corporativas: relacionamentos pessoais, correio eletrônico, elaboração de projetos e relatórios, participação em concursos e processos seletivos, negociações empresariais, tratados corporativos, convenções políticas, projetos literários... Tarefas que se tornam triviais, textos que se tornam mais adequados e elegantes quando as técnicas para a elaboração da redação criativa se encontram sob inteiro domínio. E não é só. Escrever está umbilicalmente vinculado à qualidade de vida, à saúde, ao bem-estar.
É o que comprova estudo realizado pela Universidade de Auckland, na Nova Zelândia. Os pesquisadores chegaram à conclusão que a prática da escrita atua na redução dos hormônios vinculados ao estresse, melhora o sistema imunológico, auxilia na recuperação do equilíbrio físico e emocional.  
Este livro disponibiliza uma exclusiva metodologia para a elaboração do texto criativo. Destina-se aos que tenham interesse em aprimorar a expressão através da escrita: trabalhadores e servidores públicos, gestores que atuam nos setores privado e estatal, empresários e empreendedores, lideranças políticas e sociais, professores e estudantes, sem perder de vista as pessoas comuns, o público em geral, porque qualificar as formas de interagir com o outro deve ser um objetivo estratégico acolhido por todos.     
A utilização da técnica ‘Moving Letters’ possibilita que a atividade ‘escrever bem’ se coloque ao alcance de qualquer um. O método, ancorado nos princípios do planejamento estratégico – de maneira gradual e progressiva – conduz o leitor pelos universos que podem levá-lo à carreira de escritor.  Caso a opção seja escrever um livro, por exemplo, a metodologia auxilia na definição dos temas, na estruturação das tramas, na caracterização das personagens, na coesão do enredo, na consistência dos conflitos, na lapidação do texto, desenvolvendo as habilidades necessárias para a elaboração da adequada escritura.
Fluência à escrita e qualidade à redação são as molas propulsoras que impulsionam o livro, são os objetivos possibilitados pela aplicação da metodologia. Como fundamento, um tripé harmoniosamente organizado: a linguística, a estruturação e análise do discurso e as técnicas de elaboração de textos criativos. 
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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Brasil agoniza na jaula ao relento



Supremo só decide o que mandam fazer os que indicam e avalizam seus 11 ministros
Nos dias anteriores à votação pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) da necessidade de aval do Legislativo para a aplicação de sanções em medidas cautelares a seus cada vez menos nobres membros o Brasil viveu uma crise institucional tão falsa quanto uma cédula de três reais entre dois Poderes da República, em conflito de meras aparências. Vendeu-se à sociedade a ilusão de que o Judiciário violaria a autonomia do Legislativo caso não submetesse a decisão da Primeira Turma do STF ao veredicto dos senadores, que exigem tratamento de varões de Plutarco, embora grande parte deles se comporte com a sordidez própria dos escroques.
De fato, tudo não passou de uma farsa, na qual se inverteu a célebre máxima de Karl Marx parodiando o conceito de Hegel de que a História sempre se repete. Na abertura de O 18 Brumário de Luis Bonaparte, o filósofo asseverou que ela acontece como tragédia e se repete em tom de farsa. Cá entre nós, a comédia precedeu a bufonaria, que pode descambar numa tragédia institucional: a perda pelo Congresso Nacional da condição de verdadeiro representante da cidadania. Tal como ocorre aqui, sob o cínico controle dos hierarcas partidários, o Parlamento representa somente essa elite política dirigente e marcha rumo à subserviência a seus chefes.
O que viu a Nação, bestializada, para repetir a dura expressão usada pelo historiador e acadêmico José Murilo de Carvalho sobre o ato criador da própria República, foi a sessão de uma Suprema Corte transformada em mera sucursal das cumbucas no centro da Praça dos Três Poderes. Consagrou o privilégio de casta de alguns tranchãs sobre a plebe. O tema específico do julgamento não podia ser mais simbólico: o que o placar de 6 a 5, com o voto de Minerva (embora nada sábio) da presidente Cármen Lúcia, assegurou foi o direito do presidente nacional “afastado” do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves, à farra ampla, geral e irrestrita, “diuturna e noturnamente” (apud Dilma).
Trata-se de um vício de origem. Os membros da grei que se julga suprema agem como avalistas jurídicos de trapaças e trampolinagens do chefe do Executivo, que indica seus 11 membros conforme as próprias conveniências, e do Legislativo, que finge sabatiná-los antes de avalizá-los. O STF de hoje resulta do projeto de demolição do Estado burguês empreendido pelo líder máximo da socialização da gatunagem, Luiz Inácio Lula da Silva, e por sua sequaz, Dilma Rousseff. O primeiro nomeou um reprovado serial em concursos para o exercício da magistratura. E a segunda, uma protégée do ex-marido. Não inovaram: Fernando Collor promoveu o primo e José Sarney, o então jejuno cumpridor de tarefas de seu advogado do peito.
Até recentemente se discutia à boca pequena nos meios forenses qual o prazo médio da gratidão dos membros do colegiado ao dono da caneta que lhes deu o poder. Na República dos compadrinhos, onde os votos do nobre instituto do habeas corpus são discutidos em convescotes à beira do lago, essa é uma questão da velha ordem. E são dados de acordo com interesses negociais de garantistas que só zelam pela boa saúde financeira de seus estabelecimentos privados ou de seus partidos, que fazem de campanhas perdulárias fonte bilionária de furtos e doações.
Ao desmascarar o enriquecimento geral dos chefes de bando do Planalto e da planície, a Lava Jato provocou os acordões suprapartidários como o que antes engaiolou o carta fora do baralho Eduardo Cunha e agora o que liberou o garoto dourado Aécio Neves para pecar na “naite” sem punição. Os tucanos Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes foram acompanhados pelos petistas Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, com a adesão de Marco Aurélio Mello, um espalha-brasas fiel às origens. O voto, não de Minerva, mas de misericórdia, de Cármen Lúcia, acabou com a batalha judicial de Itararé, a que não houve.
A nova ordem resume-se ao voto lotérico na coluna do meio, inventado pela presidente do STF: mandato de senador suspeito não pode ser interrompido, pois não pertence ao parlamentar, mas ao cidadão, condenado à pena perpétua por ter votado mal. Atingimos a perfeição da condição revolucionária celebrada por Che Guevara, morto há meio século num 9 de outubro: “Podemos ser gatunos, mas nunca perder a pose”. Nem as posses!
O sinal de que a zelite previu o recado a ser dado por seus supremos garantistas foi o tríduo em que comemoraram o máximo despudor. De quarta 4 a sexta 6 de outubro, eles passaram por cima de toda a vergonha e de todos os princípios, assegurando a corrupção na próxima eleição e o perdão de suas dívidas com a União, ou seja, com o populacho que os elegeu. Numa evidência de que perderam de vez o pudor, aprovaram um fundo de campanha com piso, mas sem teto, a ser debitado ao erário em bilhões. E, depois, cancelaram as próprias dívidas, assim como seus eleitores são incomodados dia e noite pelo Fisco inclemente, que não dá a mínima folga à plebe ordinária.
A farra dos privilégios continua à tripa forra. A Lava Jato tem sido combatida ferozmente pelo delatado Michel Temer e pelo jurisconsulto Torquato Jardim, à sombra da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, abençoada por deus Michel e pelo espírito santo de orelha Gilmar. Sobre a primeira instância, que condenou 116 réus e mantém 27 deles presos em Curitiba, pende a espada de Dâmocles da Suprema Tolerância Federal, que ocupa o topo do castelo judiciário com condenação zero. E para liberar as baladas de Aecim sem serem vigiados pela opinião pública contra, que vai ao Hermitage, em São Petersburgo, vaiar acusados de furtar a previdência de servidores sob sua chefia. No país do bebê fuzilado no ventre da mãe e do comerciante que agonizou em jaula ao relento, quem sai aos seus não regenera, quem pode se sacode e quem não pode vai pro diabo que o carregue.
Por José Nêumanne, no Estadão


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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A corrupção de farda


Investigações obtidas por Época mostram que militares desviam dinheiro público como civis. Basta terem oportunidade e não temerem punição
Entre maio de 2009 e março de 2010, a conta-corrente do coronel do Exército Odilson Riquelme, no Banco do Brasil, recebeu dois cheques no valor total de R$ 37.373. Os depósitos se repetiram nos meses seguintes. Os cheques foram emitidos pela empresa Sequipe, prestadora de serviços de quimioterapia ao Hospital Militar de Área de Recife (HMAR), onde Riquelme cuidava dos contratos. Os valores equivaliam a 10% dos pagamentos feitos à Sequipe pelos contratos com o hospital. Os investigadores do Ministério Público Militar (MPM) descobriram o esquema após denúncia de um ex-funcionário. Confirmou-se que o dinheiro - R$ 205 mil no total - havia sido pedido à empresa pelo então diretor do HMAR, coronel Francisco Monteiro. Ele alegou que seriam 'doações' para o hospital. Mas cheques obtidos pelos investigadores mostraram que o dinheiro acabou em contas-correntes dos militares e de pessoas ligadas a eles, não no caixa do hospital.
O caso do coronel Riquelme está longe de ser uma exceção nas Forças Armadas Brasileiras. Embora persista o mito de que os militares são mais honestos do que os civis no trato com a coisa pública, não há evidência empírica disso. Tanto militares quanto civis desviam recursos públicos, fraudam licitações, pedem e recebem propina. Não há estudos que indiquem qualquer distinção entre a escala de corrupção nos mundos civil e militar. Pelas teorias mais recentes na literatura sobre corrupção, duas coisas, em especial, tendem a aumentar as chances de tunga aos cofres públicos: oportunidades para roubar e a percepção de que não haverá punição. Ambas existem, no Brasil, entre militares e civis. Estes não são especialmente desonestos. Aqueles não são especialmente probos.
Registros da Procuradoria-Geral de Justiça Militar, obtidos com exclusividade por ÉPOCA, expõem os abusos com dinheiro público nas Forças Armadas. São 255 processos pelo crime de peculato (desvio de dinheiro público em proveito próprio) e 60 por corrupção ativa ou passiva - todos abertos nos últimos cinco anos. Sim, também há corrupção no Exército, na Marinha e na Aeronáutica. O material foi remetido ao Tribunal de Contas da União (TCU); investigadores da Corte estão destrinchando irregularidades encontradas nas três Forças, com prejuízos milionários aos cofres públicos. Os casos restringem-se a danos ao Erário superiores a R$ 100 mil.
ÉPOCA teve acesso à documentação da processa sigiloso da TCU e traça nesta reportagem um panorama de casas detalhadas envolvendo militares (leia os quadros ao longo da reportagem).
O valor estimado de prejuízo aos cofres públicos nesses principais casos é de R$ 30 milhões, mas, a depender do avançar das investigações, pode se revelar maior. O levantamento não inclui processos contra militares ajuizados na Justiça comum - os casos da Justiça Militar são de crimes que provocam prejuízo apenas às Forças Armadas. Num país acostumado a flagrantes de malas de dinheiro rodando com políticos e desvios na casa de bilhões na Petrobras, parece mixaria. Esses R$ 30 milhões são pouco mais que a metade da fortuna encontrada no apartamento associado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, apenas um entre mais de uma centena de investigados pela Operação Lava Jato. São valores bem mais modestos ainda que os registrados no sistema de propina da Odebrecht, como os R$ 300 milhões que a empresa afirma ter destinado ao PT para ajudar os planos do ex-presidente Lula. Mas é uma questão de escala. Os militares administram um orçamento anual de R$ 86 bilhões, quase tudo atrelado a salários e pensões; apenas R$ 7 bilhões são gastos ou investimentos e estão, portanto, sujeitos a desvios como esses investigados.
Militares não têm acesso aos maiores cofres do governo federal, não fazem campanha eleitoral e não têm conexões no Congresso para aprovar leis. Ou seja, têm menos oportunidades de fazer negociatas.
Embora os casos não apontem um cenário de corrupção institucionalizada e generalizada, os processos trincam a argumenta recentemente vociferado por apoiadores de uma estapafúrdia intervenção militar como solução para a crise atual, como defendido recentemente pelo general do Exército Antonio Hamilton Martins Mourão. Confortável, usando um uniforme repleto de medalhas no peito diante de uma plateia dócil em uma loja maçônica de Brasília, em 15 de setembro o general acenou com a possibilidade de intervenção militar para extirpar os corruptos da vida pública. Ou as instituições solucionam o problema político, ou pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos de impor isso: disse Mourão. Seu discurso foi defendido pelo deputado federal, ex-militar e presidenciável Jair Bolsonaro, do PSC do Rio de Janeiro. O deputado Cabo Daciolo, do Avante - RJ, gravou um vídeo afirmando viver uma 'falsa democracia': 'Não estamos pedindo uma ditadura militar, estamos falando de um governo provisório: tira os corruptos, os bandidos.
Ouvidas as palavras do general Mourão na maçonaria e de seus apoiadores, soa irônico que até a Lava Jato tenha pilhado militares em casos de corrupção. O vice-almirante da Marinha Othon Pinheiro da Silva, que comandou a estatal Eletronuclear, foi condenado a 43 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa nas obras da usina nuclear de Angra 3, acusado de receber R$ 4,5 milhões de propina. Sua defesa diz que os pagamentos eram por uma consultoria feita às empreiteiras antes de assumir a Eletronuclear. Segundo o TCU, existem indícios de que as Forças Armadas não tomam as providências necessárias para recompor o prejuízo aos cofres públicos causados pela corrupção em suas fileiras. Foi constatado que havia casos em que o Exército deveria ter instaurado a tomada de contas especial para apurar os fatos, e não o fez: afirma o tribunal. Em março deste ano, o TCU abriu um processo para apurar 'possíveis irregularidades relacionadas com a não instauração de tomadas de contas especiais para apurar dano ao Erário' e deu prazo de 180 dias para que o Comando do Exército apure o prejuízo causado pelos problemas na gestão do Hospital Militar de Área de Recife e em possíveis irregularidades em obras do Instituto Militar de Engenharia.
O caso do Recife, o chamado HMAR, é um dos mais ricos em detalhes e resultou recentemente em condenação, embora os primeiros fatos sejam de 2009. A testemunha que revelou o esquema, coronel Ricardo Nogueira, disse que o hospital dispensava 'especial atenção' a determinadas empresas. '(O coronel) Riquelme dizia que parte dos recursos que (o hospital) pagava à Sequipe ele transformava em 'doação', eufemismo de corrupção, com a justificativa que era para ajudar o HMAR, situação que mais tarde viu que era mentira, pois o dinheiro era usado para enriquecer pessoas: Testemunha ocular das irregularidades, ele contou aos investigadores que o coronel Monteiro era 'ordenador de despesa e chefe do esquema': Riquelme mantinha um livro com a prestação de contas do caixa dois e despachava semanalmente com o diretor do hospital. Ouvido pela Justiça, o coronel Riquelme confirmou: '(De) todos os valores que a Sequipe recebia, destinavam 10% ao HMAR:' Seu superior, coronel Monteiro, também não se esquivou: Tinha conhecimento que o senhor Eriberto (diretor da empresa Sequipe) repassava dinheiro para o HMAR. Sempre era recebido em cheque: Nenhum deles explica por que o dinheiro acabou em suas contas pessoais.
As investigações mostram que as irregularidades sangraram os cofres das Forças Armadas ao menos entre 2008 e 2011 e causaram prejuízo de R$ 5,7 milhões (em valores atualizados). Em 18 de agosto deste ano, a Auditoria da Justiça Militar condenou o coronel Francisco Monteiro a seis anos e 11 meses de prisão, por corrupção passiva, e seu subordinado Odilson Riquelme a quatro anos e sete meses de reclusão. Ainda cabe recurso ao Superior Tribunal Militar. A defesa do coronel Monteiro afirma que ele não recebeu propina e que as 'doações' foram investidas no hospital. A defesa do coronel Riquelme afirmou à Justiça que ele cumpriu ordens do superior hierárquico e que não houve favorecimento à empresa. A defesa da Sequipe argumenta que não foi favorecida por conta das 'doações'.
Prospera desde o século passado a bobagem de que as Forças Armadas são capazes de limpar o país da corrupção. Foi essa uma das justificativas para o golpe pelo qual os militares derrubaram o governo João Goulart e tomaram o poder em 1964. O governo do marechal Humberto Castelo Branco cassou dezenas de mandatos com a justificativa de punir corruptos. Prometia entregar anos depois um país limpo, em que a política seria feita por elementos puros. No livro A ditadura envergonhada, do jornalista Elio Gaspari, o ex-presidente Ernesto Geisel definiu a motivação do golpe: Era contra a subversão, contra a corrupção. ( ? ) Era algo destinado a corrigir, não a construir algo novo: Como inexistem elementos puros, militares ou paisanos, perto do dinheiro grosso do governo, não deu certo. A corrupção persistiu durante governos militares. Em 1982, o jornalista Alexandre von Baumgarten, um informante do Exército, foi assassinado em uma trama na qual chantageava o Serviço Nacional de Informações com relatos sobre envolvimento do governo em irregularidades com a Agropecuária Capemi.
No mesmo ano, o antigo Banco Nacional da Habitação aceitou quitar dívidas do grupo Delfin em troca de terrenos superfaturados. Os governos militares não cumpriram a promessa - aliás, irrealizável - de extirpar a chaga.
A democracia favoreceu a apuração dos crimes contra o Estado, inclusive os cometidos por militares, por meio de instrumentos públicos de investigação e um Poder Judiciário independente, algo inexistente durante o período ditatorial que durou até 1985. Somente num estado democrático de direito é possível coibir, investigar e punir corruptos. Quanto mais aberto o regime, menos corrupto ele tende a ser. Ditaduras, regimes necessariamente fechados e autoritários, são criadouros de corruptos. Na Indonésia, o general Suharto é acusado de se apropriar de cerca de US$ 15 bilhões durante sua ditadura, entre 1967 e 1988. Nos Estados Unidos, um levantamento do Center for Public Integrity revelou que 115 oficiais e soldados do Exército enviados ao Afeganistão e ao Iraque foram condenados por roubo, pagamento de propinas e fraudes que somavam US$ 52 milhões. Um dos casos envolveu a venda de US$ 15 milhões em combustível para contrabandistas afegãos.
Quando o estudo foi publicado, 327 investigações estavam em andamento. Em maio de 2013, o Ministério Público Militar abriu inquérito para apurar suspeitas de irregularidades na gestão do coronel médico Theophilo José da Costa Neto como diretor do Hospital de Guarnição de Natal. Isso não impediu que, em 2015, Theophilo fosse nomeado para dirigir o Hospital Militar de Área de Porto Alegre. O MPM denunciou o caso de Natal em julho de 2016. Theophilo, dois militares e dois civis foram acusados de participar de fraudes em licitação e superfaturamento de contratos da empresa Tratorlink, com prejuízo estimado em R$ 975 mil. Em 2011, o Hospital de Guarnição de Natal lançou um pregão eletrônico para contratar empresa especializada em 'serviço de manutenção e conservação de bens imóveis' Só duas empresas concorreram, com preços semelhantes, e a Tratorlink venceu. Segundo a investigação, o valor do contrato, de R$ 1,1 milhão, estava superfaturado em 50%.
Os investigadores encontraram o que consideraram a prova inequívoca da fraude na conta-corrente do tenente-coronel Márcio Pimenta, fiscal administrativo do hospital: transferências da Tratorlink que totalizaram R$ 65.599,24 em 2011 e 2012. Segundo a acusação, era o pagamento pela fraude na licitação e 'para deixar de atuar sobre as inúmeras irregularidades': Parte dos serviços contratados jamais foi executada. A assinatura do diretor do hospital, Theophilo, estampava o verso das notas fiscais para autorizar o pagamento dos serviços fraudulentos. 'Outra demonstração desse dolo é a autorização do denunciado Theophilo José da Costa Neto para que militares do Pelotão de Obras fossem empregados nas obras realizadas no Pavilhão de Comando e no Ambulatório do Hospital de Guarnição de Natal, quando tais serviços deveriam ser prestados pela empresa Tratorlink' diz a denúncia. Em nota, o advogado Maurício Michaelsen, que defende os coronéis Theophilo e Márcio Pimenta, afirma que não houve prejuízo, mas sim economia aos cofres públicos: Afirma que as transferências da Tratorlink para o coronel Márcio Pimenta eram pagamento de salários: foram realizadas para uma conta-corrente conjunta dele com a esposa, que teria vínculo de trabalho com a empresa. A defesa diz que não há prova de conduta dolosa do coronel Theophilo. No Rio Grande do Sul, uma fiscalização constatou um rombo no estoque de alimentos do Depósito de Subsistência de Santa Maria, do Exército. Mais de 80 toneladas de alimentos, como carne bovina, frango, carne suína, feijão-preto e leite em pó, sumiram. Após investigação, o Ministério Público Militar colheu relatos de que os alimentos eram desviados por ordens do ex-tenente-coronel Márcio Pires em benefício de terceiros. A quebra de sigilo detectou diversos depósitos em sua conta-corrente que, segundo testemunhas, eram pagamentos pelo material desviado.
Condenado por peculato a quatro anos e oito meses de prisão, Pires recebeu uma punição extra do Superior Tribunal Militar em maio: foi considerado 'indigno para o oficialato' e perdeu o emprego e a patente. São raros casos assim. É necessário ter sido condenado a uma pena superior a dois anos e não caber mais nenhum recurso contra a condenação. Nos autos, a defesa argumentou que, no ano das irregularidades, Pires não era responsável pelo depósito de alimentos e suas contas foram aprovadas pelos órgãos fiscalizadores do Exército.
Dono do maior contingente entre as três Forças, é natural que o Exército tenha mais casos de irregularidades. Mas não detém o monopólio. Na Aeronáutica, um esquema criminoso envolvendo vultosos contratos de obras por todo o país provocou prejuízos de ao menos R$ 9 milhões aos cofres públicos, na estimativa do TCU. O Ministério Público Militar denunciou, emlô de dezembro de 2015, o exdiretor de engenharia da Aeronáutica Herman Rubens Walenkamp, major-brigadeiro do ar, sob acusação de pagar por serviços não prestados. Também foram denunciados o major Amilton de Albuquerque Santos, presidente da comissão de fiscalização, e mais dois civis responsáveis pela empresa Prescon, que detinha 16 contratos para obras da Força Aérea Brasileira e seria a beneficiada pelas fraudes. Em um dos casos, o major Amilton deu aval ao pagamento de duas notas fiscais da Prescon referentes a serviços de engenharia em um conjunto residencial militar em Brasília, mas assinou outro documento apontando que as obras não podiam ser feitas porque não havia alvará de construção.
Amilton também foi flagrado em transações bancárias suspeitas com a empresa. Primeiro, em março de 2009, o major transferiu R$ 100 mil para a Prescon, recebendo o mesmo valor em sua conta-corrente no mês seguinte. Em período próximo, deu o aval ao pagamento de três notas fiscais da empresa. Essas irregularidades prejudicaram, por exemplo, o cronograma da recuperação de uma pista de lançamento na base espacial de Alcântara, no Maranhão. Em depoimento, o tenente-coronel Filipe Franco, que cuidou da fiscalização da obra em 2007, disse que sofreu interferências em seu trabalho. 'O ten cel Filipe afirmou ter sofrido pressão por parte do primeiro denunciado (maj brig Herman) para que atestasse notas fiscais ideologicamente falsas e emitisse termos de recebimento provisórios relativos a parcelas da obra que não estavam sendo executadas': apontou a Procuradoria. A defesa do major-brigadeiro Herman Walenkamp afirma que a obra atrasou por causa das chuvas. Diz ainda que a Força Aérea fez duas sindicâncias e dois inquéritos policiais militares e nenhum constatou crime militar. A defesa do major Amilton não explicou as transações financeiras com a empresa. A reportagem não localizou a Prescon.
Em nota assinada pelo Centro de Comunicação Social, o Exército afirma que 'não compactua com qualquer tipo de desvio de conduta cometido por seus integrantes. A Força empenha-se, rigorosamente, para que eventuais desvios de conduta sejam apurados e corrigidos, dentro dos limites da lei': Disse ainda que atua em parceria com o Ministério Público e com o TCU para realizar as apurações e que desenvolve sistemas de controle interno e investe na capacitação dos militares que trabalham em auditoria e fiscalização. 'A corrupção é um grave problema não apenas para as Forças Armadas ou para o Exército: é um problema para qualquer instituição nacional, é um problema para a nação brasileira': afirma a nota. A Marinha declarou, também em nota, que não comenta decisões judiciais e que 'não compactua com qualquer tipo de transgressão às leis': A Aeronáutica afirma, em nota, que possui instrumentos de controle e que atua diretamente para 'apurar todas as irregularidades que envolvam seu efetivo e seu patrimônio': Sobre o caso das irregularidades da Prescon, a Aeronáutica disse que atua junto ao TCU e ao Ministério Público.

Canal Energia/RJ – Revista Época

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É o que comprova estudo realizado pela Universidade de Auckland, na Nova Zelândia. Os pesquisadores chegaram à conclusão que a prática da escrita atua na redução dos hormônios vinculados ao estresse, melhora o sistema imunológico, auxilia na recuperação do equilíbrio físico e emocional.  
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A utilização da técnica ‘Moving Letters’ possibilita que a atividade ‘escrever bem’ se coloque ao alcance de qualquer um. O método, ancorado nos princípios do planejamento estratégico – de maneira gradual e progressiva – conduz o leitor pelos universos que podem levá-lo à carreira de escritor.  Caso a opção seja escrever um livro, por exemplo, a metodologia auxilia na definição dos temas, na estruturação das tramas, na caracterização das personagens, na coesão do enredo, na consistência dos conflitos, na lapidação do texto, desenvolvendo as habilidades necessárias para a elaboração da adequada escritura.
Fluência à escrita e qualidade à redação são as molas propulsoras que impulsionam o livro, são os objetivos possibilitados pela aplicação da metodologia. Como fundamento, um tripé harmoniosamente organizado: a linguística, a estruturação e análise do discurso e as técnicas de elaboração de textos criativos. 
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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

De volta ao ano que vem


No Brasil ninguém vê a globalização como causa da crise. Todos sabem que a nossa foi causada pela incompetência e pela corrupção das forças internas
As pesquisas confirmam o que quase todos sentimos nas ruas: as pessoas querem mudança e consideram as eleições de 2018 o melhor caminho para impulsioná-la. É uma boa notícia, cercada de dados negativos. Um deles é a reforma política nada amigável às mudanças. O velho sistema político partidário parte com uma vantagem financeira respeitável: um fundo eleitoral de R$ 1,8 bilhão.
E a decisão do Supremo é outro dado da blindagem dos políticos: o Congresso deve rever em 24 horas todas as medidas cautelares que atinjam o exercício do mandato. Isto significa que, se o STF afastar um senador, certamente seus pares vão anular a medida. A última palavra, nesse caso, não pertence mais aos juízes. O sistema político partidário deve estar comemorando. Aécio também. Mas, se analisarmos o contexto da disposição popular, essas medidas vão acabar isolando mais ainda os detentores de mandatos políticos. Pelo menos teoricamente, para se salvar das investigações e de suas consequências, o sistema partidário terá de ir mais longe no seu longo processo de suicídio. Naturalmente, a disposição pela mudança não é suficiente para que ela aconteça. Há muitas arestas a aparar.
Tenho refletido e lido sobre o conceito de tolerância. Cheguei à conclusão de que é muito flexível, depende de circunstâncias históricas, de quem tolera ou é tolerado. A tolerância como conceito moderno nasceu do liberalismo e é um fruto das guerras religiosas e da separação entre as autoridades do estado e da igreja, abrindo uma brecha para o indivíduo diante dessas forças gigantescas. Mais urgente que falar dela é tentar entender o quadro em que se move.
Tenho observado um deslocamento de calores no debate político brasileiro. No período anterior à queda de Dilma, o confronto se dava, além, é claro, da roubalheira, em torno de sistemas políticos. Tanto que os adversários do PT sempre diziam: “vai para Cuba, vai para Cuba”. Nem o mais radical dos críticos do artista pelado no MAM ousaria mandá-lo para Cuba, por achar a pena pesada demais. Toda uma geração de artistas foi esmagada pela revolução cubana — isto é bem descrito nos livros de Reinaldo Arenas. Durante muito tempo, a revolução decidiu encerrar homossexuais em campos de trabalho.
A sensação que tenho é de que o choque entre socialismo e capitalismo está em segundo plano. Sobe para o topo uma espécie de resistência à globalização e suas tendências multiculturais. Isso aconteceu na eleição de Trump e também na vitória do Brexit. Só que até nos Estados Unidos a globalização é sentida por alguns setores como uma ameaça econômica, perda de postos de trabalho, ruína de regiões que perdem sua competitividade global. No Brasil ninguém vê a globalização como causa da crise. Todos sabem que a nossa foi causada pela incompetência e pela corrupção das forças internas. No entanto, no campo dos costumes e, sobretudo, com a aceleração do mundo digital, muitas famílias se sentem inseguras diante de rápidas mudanças e temem por seus valores, tradição e até mesmo pela ideia que têm da própria identidade nacional.
O debate sobre os caminhos da saída econômica revela uma predominância do liberalismo. Ainda assim, no Brasil, isso precisa ser relativizado. O MBL, um movimento que se destacou na oposição ao governo de esquerda, tem uma clara opção liberal. No entanto, nos temas comportamentais, aproxima-se da posição de Bolsonaro. Este, por sua vez, apesar de seu enfoque nacionalista, se aproxima do liberalismo econômico. Essa discrepância em adotar o liberalismo econômico, abertura para o mundo, e, simultaneamente, combater algumas de suas consequências é apenas um dado. Os chineses sabem combinar elementos de liberalismo econômico com seu regime político de um só partido. Posições liberais na economia não correspondem mecanicamente a uma posição liberal nos costumes. Aqui, os artistas continuarão produzindo com liberdade e, em certos momentos, sendo provocativos como têm sido em toda a história da arte. E uma maioria da população tende a sentir-se ultrajada por saber que, apesar de maioria, sua visão de mundo não é levada em conta. Verdades políticas surgem daí. As duas mais visíveis são a tentativa de articular o desconforto com certas consequências do mundo moderno e a outra se entrincheirar em ideias de vanguarda descartando a opinião majoritária como atrasada. Nenhuma delas me parece adequada para o Brasil.
A admiração com que Barack Obama foi recebido aqui mostra que existe uma simpatia por posições que tentam navegar de olhos abertos para um mundo em transformação sem perder o contato com o fio terra. A própria Angela Merkel venceu uma grande batalha pela tolerância ao receber os imigrantes. Conseguiu se reeleger. Sempre foi crítica da trajetória do multiculturalismo, que acaba deixando ao relento o pobre, que não está integrado em nenhuma das identidades culturais que disputam o espaço.
Isso que chamo de pé na terra, por falta de melhor definição, pode ser, no Brasil, essencial para tirar o barco do lodo.

Fernando Gabeira, em O Globo


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A arte de escrever bem


Escrever é uma necessidade vital, um fundamento sem o qual a comunicação perde em substância.
Os desafios do dia a dia exigem intensa troca de mensagens, seja nas redes sociais, seja nas corporativas: relacionamentos pessoais, correio eletrônico, elaboração de projetos e relatórios, participação em concursos e processos seletivos, negociações empresariais, tratados corporativos, convenções políticas, projetos literários... Tarefas que se tornam triviais, textos que se tornam mais adequados e elegantes quando as técnicas para a elaboração da redação criativa se encontram sob inteiro domínio. E não é só. Escrever está umbilicalmente vinculado à qualidade de vida, à saúde, ao bem-estar.
É o que comprova estudo realizado pela Universidade de Auckland, na Nova Zelândia. Os pesquisadores chegaram à conclusão que a prática da escrita atua na redução dos hormônios vinculados ao estresse, melhora o sistema imunológico, auxilia na recuperação do equilíbrio físico e emocional.  
Este livro disponibiliza uma exclusiva metodologia para a elaboração do texto criativo. Destina-se aos que tenham interesse em aprimorar a expressão através da escrita: trabalhadores e servidores públicos, gestores que atuam nos setores privado e estatal, empresários e empreendedores, lideranças políticas e sociais, professores e estudantes, sem perder de vista as pessoas comuns, o público em geral, porque qualificar as formas de interagir com o outro deve ser um objetivo estratégico acolhido por todos.     
A utilização da técnica ‘Moving Letters’ possibilita que a atividade ‘escrever bem’ se coloque ao alcance de qualquer um. O método, ancorado nos princípios do planejamento estratégico – de maneira gradual e progressiva – conduz o leitor pelos universos que podem levá-lo à carreira de escritor.  Caso a opção seja escrever um livro, por exemplo, a metodologia auxilia na definição dos temas, na estruturação das tramas, na caracterização das personagens, na coesão do enredo, na consistência dos conflitos, na lapidação do texto, desenvolvendo as habilidades necessárias para a elaboração da adequada escritura.
Fluência à escrita e qualidade à redação são as molas propulsoras que impulsionam o livro, são os objetivos possibilitados pela aplicação da metodologia. Como fundamento, um tripé harmoniosamente organizado: a linguística, a estruturação e análise do discurso e as técnicas de elaboração de textos criativos. 
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