sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Moscou intensifica repressão a grupos de direitos humanos



Após proibir a Memorial International, Justiça russa fecha o Centro de Direitos Humanos, em outra ação considerada como de motivação política que reforça perseguição a ativistas e opositores promovida pelo governo Putin.

 

Um tribunal de Moscou desferiu mais um duro golpe a uma das mais importantes organizações de direitos humanos da Rússia, em meio a uma repressão histórica promovida pelo governo de Vladimir Putin a grupos de oposição e de defesa dos direitos civis.

Um dia após a Suprema Corte russa ordenar a dissolução da Memorial International, uma renomada entidade que denuncia crimes de Estado desde a era soviética, o Tribunal Municipal de Moscou determinou nesta quarta-feira (29/12) o fechamento de outra organização do mesmo grupo, o Centro de Direitos Humanos da Memorial .

As autoridades russas já haviam declarado ambas as entidades como "agentes estrangeiros", uma designação que implica maior controle do governo e traz em si uma série de conotações pejorativas.

Os promotores pediram no mês passado o fechamento dos dois grupos, que são acusados de violar repetidamente regulamentações que os obriga a se identificarem como agentes estrangeiros em todo o material que produzem. As duas entidades negam as acusações, que afirmam ser de motivação política.

"Já dissemos desde o início que a lei sobre agentes estrangeiros não é legal e não deve ser corrigida, e sim, abolida, por ter sido elaborada com a finalidade de estrangular a sociedade civil. Hoje, recebemos mais uma prova disso", afirmou Alexander Cherkasov, presidente do Centro de Direitos Humanos. As duas entidades vão entrar com recursos contra as decisões.

Os banimentos geraram uma onda de revolta, com multidões de apoiadores se reunindo em frente aos tribunais na terça e na quarta-feira, apesar das baixas temperaturas do inverno russo.

"Afronta à causa dos direitos humanos”

Diversas autoridades e instituições internacionais condenaram a dissolução da Memorial. A Anistia Internacional considerou o verecdito desta quarta-feira como "mais um golpe contra o movimento da sociedade civil russa após anos de ataques implacáveis".

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que a "perseguição da Memorial International e do Centro para os Direitos Humanos é uma afronta a suas nobres missões e à causa dos direitos humanos em toda parte".

Blinken disse que as decisões da Justiça russa ocorrem "após um ano de rápido encolhimento do espaço para a sociedade civil e imprensa independentes e para os ativistas pró-democracia na Rússia".

Entidades viram alvo de perseguições

Nos últimos meses, as autoridades russas aumentaram a pressão sobre os grupos de defesa dos direitos civis, órgãos de imprensa e jornalistas, declarando dezenas destes como agentes estrangeiros.

Algumas entidades foram classificadas como "indesejáveis", um termo que criminaliza organizações na Rússia, e várias foram forçadas a fechar ou se dispersar para evitar novas perseguições.

No sábado, as autoridades russas bloquearam o portal de internet OVD-Info, uma plataforma de assistência jurídica que lida com prisões políticas, e ordenaram às redes sociais que fechassem as contas da entidade. Pouco antes, um tribunal considerou que o portal continha materiais que "justificam ações de grupos extremistas e terroristas".

O Comitê de Assistência Cívica, que fornece ajuda a refugiados e migrantes na Rússia, afirmou ter recebido um cancelamento de um acordo que permite a utilização de um espaço físico gratuitamente, e ordenava a desocupação em menos de um mês.

Um dos casos que mais chamou a atenção para as perseguições promovidas pelo Estado russo foi a prisão em 2021 do líder oposicionista Alexei Navalny, que sobreviveu a uma tentativa de envenenamento atribuída ao Kremlin. Também considerada como de motivação política, sua detenção gerou uma onda de repúdio e condenações em todo o mundo.

rc (AP, AFP)


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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Jornal pró-democracia de Hong Kong fecha após operação policial e detenções

Policiais de Hong Kong prenderam seis pessoas em uma operação na redação do jornal Stand News, incluindo o editor-chefe Patrick Lam (C) (AFP/Daniel SUEN)

O jornal digital Stand News, de Hong Kong, anunciou nesta quarta-feira (29) o fim de suas atividades, após a detenção de seis funcionários e ex-funcionários de uma operação policial na redação, o que ilustra a queda da liberdade de imprensa neste centro internacional de negócios.

 

"Devido à situação atual, o Stand News vai parar de operar imediatamente e deixará de atualizar seu site e redes sociais", afirmou o jornal digital emn um comunicado publicado no Facebook poucas horas depois da operação das forças de segurança.

O site e contas das redes sociais do Stand News serão retiradas do ar em breve.

Mais de 200 policiais com uniformes e à paisana participaram na operação de busca a apreensão na redação do jornal e em várias residências. Seis funcionários e ex-funcionários foram detidos sob acusações de "conspiração para divulgar uma publicação sediciosa".

O Stand News é o segundo jornal pró-democracia fechado em Hong Kong após uma operação policial. Em junho, o emblemático Apple Daily, grande crítico de Pequim, encerrou as atividades após o congelamento de seus bens e a detenção de vários diretores.

A operação desta quarta-feira aumenta a preocupação com a cada vez menor liberdade de imprensa nesta cidade teoricamente semiautônoma e sede regional de vários meios de comunicação internacionais, onde Pequim amplia seu controle desde os protestos de 2019.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas descreveu a operação como "um ataque aberto à já abalada liberdade de imprensa de Hong Kong" e pediu a retirada das acusações.

O editor-chefe do Stand News, Patrick Lam, foi retirado algemado do prédio em que fica a redação do jornal.

A polícia também prendeu o ex-editor-chefe Chung Pui-kuen, assim como quatro membros do conselho que renunciaram em junho, incluindo a estrela pop local Denise Ho e a advogada Margaret Ng.

"Editorialmente independente"

Pouco antes do amanhecer, o Stand News informou no Facebook que a polícia de segurança nacional estava na porta da casa do subeditor Ronson Chan.

No curto vídeo divulgado, os policiais afirmam a Chan que tinham uma ordem judicial para investigar as acusações de "conspiração para divulgar uma publicação sediciosa". A casa foi alvo de busca, mas ele não foi detido.

"O Stand News sempre informou as notícias de maneira profissional", disse Chan. "As acusações não mudarão isto", completou.

Poucas horas depois, no entanto, o jornal anunciou em sua página do Facebook o fechamento, a saída do editor-chefe Patrick Lam e a demissão dos demais funcionários.

Fundado como uma publicação digital sem fins lucrativos em 2014, o Stand News foi indicado ao prêmio Liberdade de Imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras em novembro.

"O Stand News era editorialmente independente e se dedicava a proteger os valores centrais de Hong Kong, como a democracia, os direitos humanos, a liberdade, o Estado de direito e a justiça", afirma o comunicado de despedida.

Durante os grandes protestos pró-democracia de 2019 - em alguns momentos violentos -, a polícia entrou em confronto com vários repórteres do Stand News.

Após essas manifestações, Pequim aumentou o controle sobre a ex-colônia britânica, especialmente com a imposição, em junho de 2020, de uma lei de segurança nacional que foi usada para a detenção de vários opositores.

A Associação de Jornalistas de Hong Kong e o Clube de Correspondentes Estrangeiros expressaram "profunda preocupação" com as detenções e pediram respeito à liberdade de imprensa.

O ativista exilado Nathan Law tuitou que as detenções refletem a perseguição das autoridades contra jornalistas e meios de comunicação "que se atrevem a desafiá-los e dizer a verdade".

Sunny Cheung, ativista que busca asilo nos Estados Unidos, afirmou que Pequim está eliminando todo o espaço para a oposição.

As autoridades da cidade criticavam de maneira reiterada o Stand News. O secretário de Segurança, Chris Tang, o acusou no início do mês de publicar informações "tendenciosas, difamatórias e demonizantes" sobre as condições dos presídios em Hong Kong.

hol/jah/mas/dbh/me/fp, Holmes CHAN, AFP



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