domingo, 2 de agosto de 2009

Para educar, carinho e amor!


Desde 1903 com a administração científica de Taylor, até chegar aos dias atuais, as técnicas de gestão foram se adequando às necessidades das pessoas e das instituições. À medida que os problemas foram se apresentando, novas teorias se originaram, impulsionando as organizações e seus agentes para a conquista dos novos objetivos.

Conforme foi o mundo evoluindo, deferentes variáveis foram sendo delineadas. O enfoque nas tarefas operacionais, depois na estrutura das organizações, depois nas pessoas, e finalmente no ambiente e na tecnologia, nos legaram estes cinco componentes básicos que utilizados de forma isolada ou conjuntamente, conformam a gestão que empreendemos nas diferentes instituições.

Utilizando essas cinco variáveis de forma eficaz, o gestor consegue conduzir seu empreendimento rumo às mudanças e transformações necessárias, para que a instituição não perca a identificação com o seu tempo e, de igual modo, não seja atropelada pela concorrência ou pelas incertezas da modernidade.

O gestor de qualquer empreendimento, quando busca a eficácia, se reveste de um caráter educador. Como seu objetivo é extrair o máximo de produtividade de sua equipe de subordinados e colaboradores, deve estabelecer uma interlocução em que ensine e aprenda ao mesmo tempo, trafegando permanentemente numa via de mão dupla, em que o único objetivo é atingir o bem comum. Ao mesmo tempo em que assume o papel de educador, o gestor ao transformar as rotinas e as próprias instituições, maneja a cultura organizacional, abordando um dos componentes mais caros aos indivíduos e às corporações.

Todavia, um componente tem sido mantido a margem dos processos institucionais. O racionalismo, a burocracia, o tecnicismo, o materialismo contemporâneo impõem às presentes gerações um perfil pasteurizado, pretensamente científico e impessoal. Neste contexto, tratar dos valores imateriais, intangíveis e do espírito humano soa como retornar a um tempo distante e ultrapassado. É então de se argüir o quanto de amor as pessoas conseguem impregnar nas suas ações institucionais. A concorrência selvagem, o sucesso a qualquer preço implica para quase todos na supressão de tudo o que represente sentimento nas relações profissionais, vingando uma visão mecanicista e hermética do trabalho. Por isto é comum nas repartições ver trabalhadores sendo coisificados, tratados como um poste onde o cachorro vai deitar a sua urina.

Somos um todo e é este conjunto que atua na vida, seja pessoal, familiar, profissional ou social. Dizer que é inadequado ou impossível agregar amor às nossas realizações institucionais é como imaginar ser possível, ao adentrarmos o local de trabalho, deixar pendurada num cabideiro nossa alma, que serenamente aguardará o término da jornada, para novamente, como um sobretudo, ser vestida por cada um de nós.

Mas por incrível que pareça muitos são os que assim se comportam.

Quando trabalhamos com carinho, conseguimos agregar mais valor às nossas atividades.

Recentemente o Ministério da Educação divulgou um estudo que demonstra o quanto nossas crianças são impactadas negativamente pelo sentimento de rejeição originado em colegas e professores. Os estudantes sentem-se ultrajados, desprezados, expressando esta relação no aproveitamento escolar, na auto-estima, e na vivência familiar e comunitária. Seria possível a manutenção deste trágico cenário num ambiente permeado de carinho e amor?

“Ah, mas tem o salário, o chefe, a estrutura, o governo ...”e assim vão reagindo os céticos. Mas estes sempre se comportaram desta forma e ocorra o que for, estarão sempre emprestando ao mundo a incredulidade, a dúvida sobre tudo e sobre todos, o sarcasmo, o desdém, a injúria, o insulto.

Importa destacar que mesmo a luta por salários e melhores condições de trabalho, por chefias democráticas, por estruturas sustentáveis e governos competentes, resultam mais eficazes se imersas em um contexto onde tenha lugar o carinho e o amor.

A velha máxima de que amor e carinho nunca são demais, estão na ordem do dia mais que em qualquer outro tempo da existência humana. Como diz Rodoux Faugh “amar é se reconstruir a cada dia, é tornar a energia destruidora de mil tornados na brisa amena de uma tarde de verão ...”

Amor e carinho. Eis a questão. Nada a ver, naturalmente, em estabelecer no trabalho relações promíscuas que escapem à ética e à moral. Por que sendo assim, escaparia do universo construtivo dos educadores para adentrar no pântano ignóbil e sombrio dos devassos e canalhas.

Artigo de Antônio Carlos dos Santos publicado na Revista Bula e no portal da Associação dos Professores de São Paulo