quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Resultado do Enem 2019 será divulgado no dia 17 de janeiro



Os candidatos poderão conferir as notas na Página do Participante
O Ministério da Educação (MEC) vai divulgar no dia 17 de janeiro de 2020 os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019. Os candidatos poderão conferir as notas individuais na Página do Participante — no portal ou no aplicativo do Enem — após fazer login com CPF e senha.
O Enem 2019 foi aplicado nos dias 3 e 10 de novembro. Ao todo, 3,9 milhões de estudantes compareceram a pelo menos um dia de prova. Quem fez o Enem como treineiro (não irá concluir o ensino médio em 2019) poderá ter acesso ao boletim individual em março de 2020.
Os gabaritos oficiais do exame foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao MEC, no dia 13 de novembro.

Enem digital

Para 2020, o MEC destaca como novidade o Enem Digital. Neste primeiro ano, a aplicação ocorrerá em modelo-piloto. A implantação será progressiva. A previsão é que o exame seja 100% digital a partir de 2026. Segundo o ministério, as primeiras aplicações serão opcionais. Ao fazer a inscrição, o candidato poderá optar pela aplicação-piloto ou pela tradicional prova em papel. O modelo digital será aplicado para 50 mil participantes em 15 capitais brasileiras.
Da Agência Brasil

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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

ARTE - Procuram-se mecenas



Campanha de arrecadação do Museu de Arte de São Paulo (Masp) conquista adesão popular, rende R$ 485 mil e garante a restauração de um maravilhoso acervo

Um inovador projeto de restauração e conservação, chamado “Adote uma Obra”, desenvolvido, desde 2017, pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp), tem contribuído de forma eficaz para a adesão da população paulistana ao esforço de recuperação do acervo da instituição. A campanha visa a arrecadação de recursos financeiros para serem utilizados na restauração de obras de arte. Qualquer pessoa pode doar a partir de R$ 300.

A ideia nasceu da percepção de que o orçamento do Masp não é suficiente para bancar esse tipo de serviço. A campanha arrecadou R$ 485 mil, em 2018, e a previsão é chegar a R$ 550 mil neste ano. Várias obras tem sido recuperadas, incluindo quadros de Candido Portinari e de Vincent Van Gogh. Atualmente, a pintura “Rosa e azul”, de Pierre-Auguste Renoir, está sendo restaurada.

O trabalho de restauro é delicado e extremamente técnico. Pinturas frágeis, problemas estéticos como irregularidades no verniz, danos pontuais de falta de tensão nas telas, craquelês (fissuras) e pequenas perdas na camada pictórica são encontradas.A primeira peça escolhida para restauração foi “Retirantes”, de Portinari, mas, com o sucesso da campanha de arrecadação, foi possível realizar a restauração de outros dois quadros do artista, “Criança morta” e “Enterro na rede”. “Não havia sentido realizar a restauração de apenas uma obra”, disse Sofia Hennen, responsável técnica do MASP. “E, como havia recursos, fizemos as três”. O restauro do quadro “O Escolar” foi pago pelo Masp e recuperado no Museu Van Gogh, em Amsterdã. Segundo Sofia Hennen, essa medida foi adotada por causa da complexidade do serviço e da especialidade dos holandeses na obra do artista. Para o diretor executivo do Masp, Fabio Fayh, o trabalho de restauração busca mais que a excelência técnica. “Há o envolvimento da sociedade nesse projeto”, diz.
Por Fernando Lavieri, na Revista Isto É



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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

RELIGIÃO - A REVOLTA DOS FIÉIS



A Iurd vive crise com um levante de suas lideranças em Angola, a depredação de templos em São Tomé e a prisão de um pastor na Costa do Marfim

Os frutos do plano de expansão para o exterior da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) não se multiplicaram por milagre. Eles foram resultado de um planejamento cuidadoso, posto em prática a partir da década de 80 pelo bispo Edir Macedo, que exportou o modelo de atuação da Iurd para cinco continentes. Atualmente, a instituição tem cerca de 2?800 templos espalhados por mais de 100 países. A África se revelou o terreno mais fértil para esse crescimento formidável, concentrando hoje a maior parte da operação internacional. Ali, não faltam pessoas privadas dos bens mais básicos, assoladas por doenças e ávidas pelos dois principais “produtos” oferecidos pela instituição neopentecostal, prosperidade e cura. Nos últimos meses, no entanto, a grande presença dos religiosos brasileiros começou a ser posta em xeque em algumas nações da região e o quadro evoluiu para uma grande crise internacional. Os focos de problemas incluem a prisão de um pastor na Costa do Marfim, a depredação de seis templos em São Tomé e Príncipe e um manifesto assinado por 330 pastores de Angola contra a cúpula da Universal.

O estopim da confusão foi aceso em 9 de setembro, quando ocorreu a prisão na Costa do Marfim do pastor são-tomense Iudumilo da Costa Veloso, de 37 anos, que faz parte dos quadros da Universal há duas décadas. Segundo ele, a própria igreja o denunciou por difamação, atribuindo-lhe a autoria de um perfil no Facebook que fazia denúncias contra as lideranças brasileiras da Iurd por discriminação e humilhação de pastores africanos, por obrigá-los a esterilizar-se para se dedicarem integralmente à causa de Edir Macedo e por enviarem ilegalmente ao Brasil dinheiro de dízimos e doações levantado em países africanos. Em menos de duas semanas, o pastor foi julgado e condenado, sem direito a defesa. Acabou indo para uma das piores prisões da Costa do Marfim, Maca, em Abidjan. Lá, ficou numa cela com mais de 100 detentos, pegou malária e foi ameaçado de morte. “Não existe nada pior no mundo, e olha que já vivi no meio da pobreza e da guerra. Estava cercado por drogados e assassinos. Fui agredido três vezes por prisioneiros que queriam roubar o meu dinheiro. Quando nos deitávamos, só tinha espaço para encostar um lado do corpo. Eu pensava a todo tempo que não iria escapar daquele inferno”, disse Iudumilo a VEJA. Ele saiu da prisão há uma semana, depois de uma forte campanha popular em seu país.

Nas redes sociais, a mulher do pastor denunciou as condições precárias em que se encontrava o marido e como ele fora perseguido pela Universal em conluio com as autoridades locais. Em protesto, a população de São Tomé, uma ilha na África Subsaariana com 200?000 habitantes, saiu às ruas, depredou pelo menos seis templos, incluindo a igreja matriz, e incendiou carros e bens da entidade — um adolescente de 13 anos acabou morrendo ao ser baleado pela polícia, que tentava conter os atos. Diante da revolta, o Congresso Nacional do país entrou em cena, criou uma CPI para investigar o caso e ameaçou a Universal de expulsão caso não resolvesse o problema do pastor. A igreja terminou cedendo, retirou a queixa e Iudumilo foi libertado após 45 dias de cárcere. “São Tomé é conhecido como o país mais pacífico da África, nunca tivemos um protesto dessa dimensão”, afirma a advogada Celiza de Deus Lima, defensora do pastor. “Isso acontece não só por solidariedade, mas porque há um sentimento na sociedade de repúdio à forma como a igreja explora a fragilidade dos mais pobres.”

No maior levante visto até agora contra a hierarquia da igreja comandada com mão de ferro por Edir Macedo, 330 pastores da Universal em Angola divulgaram uma carta-manifesto em que anunciam o rompimento com o bispo e a cúpula brasileira, por acusações semelhantes às que provocaram revolta em São Tomé. A Universal reagiu dizendo que não houve ruptura nenhuma. Para apurarem as denúncias, as autoridades angolanas abriram uma investigação. O país de 30 milhões de habitantes é o que concentra um dos maiores números de templos no exterior (aproximadamente 230). No Brasil, a Universal já foi condenada em três processos na Justiça Trabalhista por obrigar seus pastores a se esterilizarem. “Essa prática nasceu aqui e foi exportada para Angola e outros países africanos”, diz a advogada Marcia Regina de Souza, que já entrou com mais de 100 processos no Brasil em defesa de clientes contrários a esse tipo de determinação.

Em nota, a Universal negou as acusações na África e diz ser alvo de uma campanha de calúnias e denúncias falsas conduzida por “ex-pastores desvinculados por desvio moral e condutas criminosas”. Para contornar a crise, a igreja enviou para lá o deputado federal Márcio Marinho (Rep-BA), pastor baiano que é também o presidente dos grupos parlamentares que representam Angola, Moçambique e Cabo Verde no Congresso Nacional. “Há uma vontade muito grande de resolver essa situação o mais rápido possível, e peço à população que se tranquilize”, disse Marinho em entrevista recente em São Tomé. O deputado terá de enfrentar agora uma campanha movida pelo pastor Iudumilo. Em liberdade, ele está engajado na denúncia dos desmandos da Iurd. Como se não bastasse, outros focos de problemas surgem em países como Moçambique. A África permanece como um território em chamas dentro dos domínios da Universal no exterior.
Por Eduardo Gonçalves, na Revista Veja


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domingo, 15 de dezembro de 2019

Projeto Tamar comemora 40 anos com 40 milhões de tartarugas soltas





Apenas uma em cada mil tartarugas marinhas chegam a fase madura, que se inicia por volta dos 30 anos. Por esta razão, a sobrevivência das espécies depende da sua capacidade de conseguir gerar um volume grande de novas vidas a cada ano. Elas contam com um aliado abnegado desde 1980. Anunciando o robusto número de 40 milhões de tartarugas protegidas, o Projeto Tamar deu início neste fim de semana às celebrações de seus 40 anos, que contará com diversos eventos ao longo de 2020.
As atividades acontecem na Praia do Forte, em Mata de São João (BA), a cerca de 80 quilômetros de Salvador. No local, está a principal estrutura do Projeto Tamar no país. Foram soltos na sexta-feira (13), aos olhos de dezenas de turistas e moradores locais, 101 animais recém-nascidos.
São pequenas tartarugas que haviam nascido pela manhã em algum ponto do litoral nordestino. Por diversos fatores, elas não conseguiram deixar a ninhada rumo ao mar e corriam risco de vida. Após serem coletadas para identificação da espécie, puderam finalmente se encontrar com o oceano. Hoje (14), uma nova soltura está programada para as 17h.
Todo esse trabalho iniciado em 1980 teve origem em expedições realizadas por um grupo de estudantes de oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) em ilhas e arquipélagos como Abrolhos, Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Quando presenciaram pescadores abatendo tartarugas, resolveram denunciar a situação para órgãos públicos. Na época, já havia um apelo internacional para que algo fosse feito em defesa desses animais.
"Depois dessas expedições, tomou-se conhecimento de uma maior ocorrência das tartarugas na costa brasileira, porque nem os nossos professores sabiam. Todos os trabalhos acadêmicos naquela ocasião reportavam outros países. E daí foi pedido que o Brasil fizesse alguma coisa. Na Austrália, na Costa Rica, nos Estados Unidos já tinham iniciativas. E os animais são migratórios, vão de um lugar para o outro, o que demanda um trabalho integrado", diz a oceanógrafa Neca Marcovaldi, coordenadora de pesquisa e conservação do Projeto Tamar e uma das fundadoras da iniciativa.
Veio então o convite para que os estudantes da Furg fizessem um mapeamento das espécies que desovavam no Brasil e apontassem quais os principais problemas. "Durante dois anos fizemos um levantamento nos quase 8 mil quilômetros do litoral brasileiro", conta Neca.
Apesar de registros isolados de desovas de tartarugas marinhas ao longo da costa brasileira, uma noção mais profundada do fenômeno veio com esse trabalho. Pouco a pouco, o conhecimento foi sendo formado. Cinco das sete espécies utilizam o litoral brasileiro para criarem seus ninhos: tartaruga-cabeçuda, tartaruga-verde, tartaruga-oliva, tartaruga-de-couro e tartaruga-de-pente. Os locais de desova vão do Sul ao Nordeste.
O quadro mapeado, porém, mostrava uma realidade preocupante tendo em vista que o ciclo biológico estava interrompido: as fêmeas que chegavam à praia e seus ovos serviam como fonte de alimento para diversas comunidades litorâneas. As capturas incidentais durante a pesca de outras espécies também levavam a uma redução drástica das populações de tartarugas, o que ainda é uma realidade.
Hoje, porém, avanços já são notáveis. Acumulando prêmios, o Projeto Tamar passou a ser reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha. "Se antes era necessário transportar ninhadas de tartaruga para dentro das unidades, hoje basta colocar um estaca informativa nos locais de desova que as comunidades estão conscientes da necessidade de preservar as áreas", diz o biólogo do projeto Claudemar Santos, mais conhecido como Mazinho.
De acordo com o Tamar, as cinco espécies vêm experimentando recuperação de suas populações, embora a tartaruga-de-couro e a tartaruga-pente ainda estejam consideradas em estado crítico, conforme a lista vermelha de espécies ameaçadas elaborada pela União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Entre as outras quatro, algumas são classificadas como em risco de extinção e outras como vulneráveis.

Apoio

O Projeto Tamar começou se estruturando em três localidades. Além da Praia do Forte, os outros dois pontos de partida foram Regência, distrito de Linhares (ES), e Pirambu (SE). Hoje, considerando tanto os locais com estrutura física como os que têm apenas profissionais em atuação, são 25 pontos da costa brasileira são monitorados.
Esse crescimento contou com o apoio da Petrobras, patrocinadora do Projeto Tamar desde 1982. "Depois de um tempo monitorando as praias a pé e a cavalo, conseguimos a doação de um jipe. Mas não tínhamos dinheiro para o combustível. Então a primeira ajuda da Petrobras foi abastecer nossos veículos. Foi uma construção passo a passo".
O apoio ao Tamar se dá dentro do Programa Petrobras Socioambiental, que inclui também algumas outras dezenas de projetos voltadas, por exemplo, para a preservação das baleias jubarte, dos corais e do peixe mero. Segundo a estatal, no período entre 2014 e 2020, serão investidos mais de R$1 bilhão somando todas as iniciativas. Apesar da importância deste apoio para a consolidação do trabalho do Tamar, hoje o orçamento do projeto conta com aproximadamente 70% de recursos próprios, gerados a partir da bilheteria de seus centros de visitação, da venda de produtos, entre outras fontes de renda.
Estima-se que as unidades abertas ao público recebam juntas, cerca de 1,5 milhão ao ano. O mais estruturado é o Museu do Tamar, na Praia do Forte. Construído em 1982 em um terreno cedido pela Marinha, ele conta com tanques, painéis informativos e estrutura audiovisual, entre outros atrativos. É um dos cinco museus mais visitados do Nordeste brasileiro. Os ingressos custam R$  28, com a meia-entrada para os casos definidos em lei ao valor de R$14. Também há preços promocionais para grupos familiares.
"Essa questão da sustentabilidade financeira é super importante porque a primeira geração de tartarugas protegidas demorou 30 anos para se formar. Então temos que ter um compromisso com um futuro que não é tão próximo. Para isso, é importante que se consiga manter as atividades a longo prazo. Sempre valorizando os parceiros, mas também enxergando a necessidade de autonomia e independência", diz Neca.
De acordo com o Tamar, as cinco espécies vêm experimentando recuperação de suas populações, embora a tartaruga-de-couro e a tartaruga-pente ainda estejam consideradas em estado crítico, conforme a lista vermelha de espécies ameaçadas elaborada pela União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Entre as outras quatro, algumas são classificadas como em risco de extinção e outras como vulneráveis.

Apoio

O Projeto Tamar começou se estruturando em três localidades. Além da Praia do Forte, os outros dois pontos de partida foram Regência, distrito de Linhares (ES), e Pirambu (SE). Hoje, considerando tanto os locais com estrutura física como os que têm apenas profissionais em atuação, são 25 pontos da costa brasileira são monitorados.
Esse crescimento contou com o apoio da Petrobras, patrocinadora do Projeto Tamar desde 1982. "Depois de um tempo monitorando as praias a pé e a cavalo, conseguimos a doação de um jipe. Mas não tínhamos dinheiro para o combustível. Então a primeira ajuda da Petrobras foi abastecer nossos veículos. Foi uma construção passo a passo".
O apoio ao Tamar se dá dentro do Programa Petrobras Socioambiental, que inclui também algumas outras dezenas de projetos voltadas, por exemplo, para a preservação das baleias jubarte, dos corais e do peixe mero. Segundo a estatal, no período entre 2014 e 2020, serão investidos mais de R$1 bilhão somando todas as iniciativas. Apesar da importância deste apoio para a consolidação do trabalho do Tamar, hoje o orçamento do projeto conta com aproximadamente 70% de recursos próprios, gerados a partir da bilheteria de seus centros de visitação, da venda de produtos, entre outras fontes de renda.
Estima-se que as unidades abertas ao público recebam juntas, cerca de 1,5 milhão ao ano. O mais estruturado é o Museu do Tamar, na Praia do Forte. Construído em 1982 em um terreno cedido pela Marinha, ele conta com tanques, painéis informativos e estrutura audiovisual, entre outros atrativos. É um dos cinco museus mais visitados do Nordeste brasileiro. Os ingressos custam R$  28, com a meia-entrada para os casos definidos em lei ao valor de R$14. Também há preços promocionais para grupos familiares.
"Essa questão da sustentabilidade financeira é super importante porque a primeira geração de tartarugas protegidas demorou 30 anos para se formar. Então temos que ter um compromisso com um futuro que não é tão próximo. Para isso, é importante que se consiga manter as atividades a longo prazo. Sempre valorizando os parceiros, mas também enxergando a necessidade de autonomia e independência", diz Neca.
Da Agência Brasil

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