quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Rússia não 'roubará' Natal das crianças ucranianas, diz prefeito de Kiev


Várias autoridades de Kiev garantiram aos cidadãos que não permitirão que a Rússia "roube" o Natal das crianças ucranianas e acenderam uma pequena árvore no centro da capital.

A segunda-feira começou com uma série de bombardeios contra várias infraestruturas críticas em Kiev, mas terminou com a instalação de uma árvore artificial de 12 metros de altura no centro da cidade, decorada com pombas da paz.

Dezenas de moradores enfrentaram o frio congelante para admirar a árvore, localizada ao lado da catedral de Santa Sofia de Kiev, famosa por suas cúpulas douradas, e não perderam a oportunidade de tirar selfies.

Entre eles estava Natalya, uma guia de turismo. Segundo ela, a árvore "traz um clima festivo para um período difícil".

"É um elemento muito emblemático das nossas festas de fim de ano", acrescentou, em frente à árvore, iluminada com lâmpadas amarelas e azuis, as cores da bandeira nacional.

No topo está o brasão do país, que representa um tridente dourado.

"Os russos tentam privar nossos cidadãos de uma vida normal, mas não vamos deixar que roubem a maior das festas, o Ano Novo e o Natal, de nossos filhos", disse o prefeito da cidade, Vitali Klitschko, durante a inauguração.

- "Invencibilidade" -

Segundo a tradição ortodoxa, os ucranianos comemoram o Natal em 7 de janeiro, mas várias pesquisas indicam que um número crescente de pessoas prefere celebrá-lo em 25 de dezembro, assim como outras igrejas.

Uma pesquisa da Interfax-Ucrânia mostra que o apoio a essa mudança aumentou de 26% em 2021 para 44% em 2022.

A princípio, o prefeito teve dúvidas se colocava ou não a árvore, reconheceu o próprio Klitschko, com medo dos bombardeios das forças russas, que provocaram grandes apagões no país, em pleno inverno do norte.

Mas a cidade se adaptou. As luzes das árvores são iluminadas por um gerador a diesel e foram usadas decorações de outros anos.

"Nós a chamamos de 'a árvore de Natal da invencibilidade ucraniana'", disse Klitschko, enfatizando que a ideia é que "as crianças tenham boas férias, apesar dos tempos difíceis".

Mas é difícil ignorar o conflito e entrar totalmente no espírito natalino.

"Não há uma atmosfera festiva especial", disse à AFP a contadora Tetyana Prykhodko. Ela acaba de se mudar para Kiev procedente de Kherson, cidade no sul do país ocupada por meses pelos russos.

"Só espero que, no final, tudo isso acabe e que a paz chegue. É o que todos esperamos", afirmou.

AFP

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

China busca fortalecer sistema de saúde e surto de Covid desperta preocupação global

Entregadores do lado de fora de farmácia em meio à pandemia de Covid-19 em Pequim

Cidades da China buscavam instalar leitos hospitalares e construir clínicas de triagem de febre nesta terça-feira, quando as autoridades relataram mais cinco mortes e a preocupação internacional aumentou com a decisão surpresa de Pequim de deixar o vírus correr livremente.

A China começou este mês a desmantelar seu rigoroso regime "Covid zero" de lockdowns e testes após protestos contra restrições que mantiveram o vírus sob controle por três anos, mas com um grande custo para a sociedade e a segunda maior economia do mundo.

Agora, à medida que o vírus se espalha por um país de 1,4 bilhão de pessoas que carecem de imunidade natural por terem sido protegidas por tanto tempo, há uma preocupação crescente com possíveis mortes, mutações do vírus e o impacto na economia e no comércio.

"Cada nova onda epidêmica em outro país traz o risco de novas variantes, e esse risco é mais alto quanto maior o surto, e a onda atual na China está se tornando grande", disse Alex Cook, vice-reitor de pesquisa da Escola de Saúde Pública Saw Swee Hock da Universidade Nacional de Cingapura.

"No entanto, inevitavelmente, a China terá que passar por uma grande onda de Covid-19 para atingir um estado endêmico, em um futuro sem lockdowns e os danos econômicos e políticos resultantes."

O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price, disse na segunda-feira que o potencial de mutação do vírus conforme se espalha na China é "uma ameaça para as pessoas em todos os lugares".

Xu Wenbo, autoridade do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, afirmou a repórteres que novas mutações ocorreriam, mas minimizou as preocupações.

"A capacidade de escape imunológico das novas cepas se torna mais forte, mais contagiosa", disse Xu. "Mas a possibilidade de se tornarem mais letais é baixa. A possibilidade de cepas mais contagiosas e mais patogênicas é ainda menor."

Pequim registrou cinco mortes relacionadas à Covid nesta terça-feira, após duas na segunda-feira, que foram as primeiras fatalidades relatadas em semanas. No total, a China registrou 5.242 mortes por Covid desde que a pandemia surgiu na cidade de Wuhan no final de 2019, um número muito baixo para os padrões globais.

Mas há dúvidas crescentes de que as estatísticas estejam refletindo o verdadeiro impacto de uma doença que se espalhou pelas cidades depois que a China retirou as restrições, incluindo a maioria dos testes obrigatórios, em 7 de dezembro.

Desde então, alguns hospitais ficaram lotados, farmácias esvaziadas de medicamentos, enquanto muitas pessoas entraram em lockdowns autoimpostos, sobrecarregando os serviços de entrega.

Alguns especialistas em saúde estimam que 60% das pessoas na China – o equivalente a 10% da população mundial – podem ser infectadas nos próximos meses e que mais de 2 milhões podem morrer.

Na capital, Pequim, guardas de segurança patrulhavam a entrada de um crematório designado para Covid, onde jornalistas da Reuters no sábado viram uma longa fila de carros funerários e trabalhadores em trajes de proteção carregando os mortos. A Reuters não conseguiu estabelecer se as mortes foram causadas pela Covid.

Reuters, Bernard Orr e Xinghui Kok

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