quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

'The Batman', 'Doutor Estranho', 'Avatar 2'... confira 10 estreias aguardadas para 2022


Em 2022, as salas de cinema prometem se encher de continuações de grandes sagas. Entre os destaques, está a sequência "Avatar 2", além dos spin-offs "Animais fantásticos: os segredos de Dumbledore" e "Lightyear", a partir do universo de "Toy story". Também será um ano e tanto para os fãs de quadrinhos, com Batman, Doutor Estranho, Thor, Aquaman, The Flash e Homem-Aranha entre os personagens que devem ganhar novas aventuras.

 

Na nossa lista de dez estreias para ficar de olho, está ainda o aguardado "Pantera negra: Wakanda para sempre". Confira:

'The Batman'

Robert Pattinson viverá uma nova versão de um dos heróis mais popular da DC Comics, desta vez, com um ar mais sombrio. O diretor Matt Reeves (responsável pelos dois últimos filmes da trilogia "Planeta dos macacos") revelou que teve como inspiração para o Cavaleiro das Trevas o astro do rock Kurt Cobain, falecido líder da banda Nirvana. Reeves assina ainda o roteiro ao lado de Mattson Tomlin ("Mãe x Androides").

O novo enredo encontra Bruce Wayne em começo de carreira, trabalhando como vigilante noturno após o assassinato de seus pais. Diante de uma série de crimes, ele começa a combater o mal para salvar Gotham. No elenco estão nomes como Zoë Kravitz, Colin Farrell, Paul Dano, Jeffrey Wright e Andy Serkis.

Previsão de estreia: 3 de março

'Animais fantásticos: os segredos de Dumbledore'

Em 2022, chega às telonas o terceiro e último episódio da franquia spin-off do mundo de Harry Potter. Com roteiro de JK Rowling e Steve Kloves, o filme conecta de vez o universo do bruxinho com o de Newt Scamander (Eddie Redmayne) e se aprofunda na vida do diretor de Hogwarts, Albus Dumbledore (Jude Law).

No história, o professor conta com a ajuda do magizoologista e uma equipe para uma missão contra o mago das trevas Gellert Grindelwald (vivido nos filmes anteriores por Johnny Depp e agora por Mads Mikkelson). A brasileira Maria Fernanda Cândido também está no elenco, dirigido por David Yates.

Previsão de estreia: 14 de abril

'Doutor Estranho no multiverso da loucura'

Benedict Cumberbatch e Elizabeth Olsen estrelam o novo filme do Universo Cinematográfico da Marvel como o mago supremo Dr. Stephen Strange (Doutor Estranho) e a heroína Wanda Maximoff (Feiticeira Escarlate). Com direção de Sam Raimi (da trilogia original de "Homem-Aranha"), a trama acompanha os dois personagens combatendo ameaças de realidades alternativas, incluindo uma versão maligna do neurocirurgião, mostrada originalmente na série "What if...?".

O filme, que traz ainda Rachel McAdams, Benedict Wong e Chiwetel Ejiofor no elenco, deve dar sequência a uma união entre "Homem-Aranha: Sem volta para casa" e "WandaVision". Esta é a segunda película do Dr. Estranho, personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko que estreou nos quadrinhos da Marvel em 1963.

Previsão de estreia: 5 de maio

'Lightyear'

Saga queridinha do público e da crítica, com quatro estatuetas do Oscar no currículo, "Toy story" ganha um spin-off para contar a origem do herói astronauta que inspirou a criação do brinquedo Buzz Lightyear. A animação da Pixar irá contar a dublagem de Chris Evans como o patrulheiro espacial, na versão inglês, e será dirigida por Angus MacLane (de "Os incríveis", "Wall-E" e "Procurando Dory").

Previsão de estreia: 16 de junho

'Thor: amor e trovão'

Em seu quarto filme, o super-herói de inspiração nórdica vivido por Chris Hemsworth divide as telas com sua ex-namorada Jane Foster (Natalie Portman), transformada em Deusa do Trovão. Com direção de Taika Waititi (vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado com "Jojo Rabit" em 2020), o longa apresenta o inimigo Gorr, o carniceiro dos deuses, vivido por Christian Bale, enquanto Russell Crowe aparece como Zeus. Para completar o elenco, estão de volta Tessa Thompson, como Valquíria, e Jaimie Alexander, como Lady Sif. De "Guardiões da galáxia", Chris Pratt, Karen Gillan e Sean Gunn também se juntam ao projeto.

Previsão de estreia: 7 de julho

'Homem-Aranha: através do aranhaverso - Parte 1'

Após o sucesso de "Homem-Aranha no aranhaverso", que faturou o Oscar de melhor longa de animação em 2019, Miles Morales volta para uma nova sequência, dividida em duas partes. No primeiro filme anterior, o jovem fã do legado de Peter Parker se depara com seu herói vindo de uma dimensão paralela, assim como outras versões do aracnídeo. Pouco se sabe sobre a nova produção, mas a participação do par romântico Gwen Stacy e do futurista Homem-Aranha 2099 está garantida. O roteiro é de Phil Lord e Chris Miller, produtores da franquia, e de David Callaham, de "Shang-Chi e a lenda dos dez anéis".

Previsão de estreia: 6 de outubro

'The Flash'

Pela primeira vez, a DC Comics lança um filme solo de Flash, vivido por Ezra Miller. Desta vez, o protagonista Barry Allen, que apareceu pela primeira vez como o super-herói em "Liga da Justiça" (2017), terá que enfrentar uma versão mais sombria de si próprio. A trama terá forte inspiração no arco "Flashpoint" dos quadrinhos, onde vários universos que são explorados pelo herói em uma linha do tempo alternativa. Em sua jornada, Flash encontra heróis icônicos da DC, como o Batman (interpretado por Michael Keaton).

A obra dirigida por Andy Muschietti ("It - A coisa"), no entanto, vai ignorar os eventos de "Batman Forever" (1995) e "Batman & Robin" (1997) e tratá novas histórias para preencher a lacuna entre "Batman Returns" (1992) e este filme. O elenco conta ainda com Sasha Calle como Supergirl.

Previsão de estreia: 3 de novembro

'Pantera negra: Wakanda para sempre'

Uma das sequências mais aguardadas de 2022 é a continuação de "Pantera Negra", que conquistou uma legião de fãs e faturou três estatuetas do Oscar em 2019. O longa, dirigido por Ryan Coogler e produzido por Kevin Feige, é também uma homenagem ao legado de Chadwick Boseman, morto em 2020. Com um enredo ainda misterioso, acredita-se que o principal antagonista do filme seja Namor, o Príncipe Submarinodo reino de Atlantis. O filme traz de volta as estrelas Lupita Nyong'o, Danai Gurira, Letitia Wright, Angela Bassett, Martin Freeman, Daniel Kaluuya e Winston Duke.

Previsão de estreia: 10 de novembro

'Avatar 2'

Mais de uma década depois do sucesso estrondoso de "Avatar" (2009), James Cameron (ganhador de três prêmios Oscar com "Titanic" em 1998) dá continuidade à trama e prepara o terreno para uma nova série de continuações, que devem terminar em 2028, com "Avatar 5". No novo filme, o público vai desbravar outras partes do planeta Pandora e conhecer mais a fundo os povos Na'vi, desta vez, em um terreno aquático. Michelle Yeoh, Kate Winslet, Sam Worthington e Zoe Saldana lideram o elenco.

Previsão de estreia: 15 de dezembro

'Aquaman e o reino perdido'

Arthur Curry vive novamente o Rei dos Sete Mares na continuação do filme solo de 2018. Nomes como Jani Zhao, Indya Moore e Vincent Regan foram confirmados no elenco da nova produção, que deve contar ainda com o retorno de Yahya Abdul-Mateen II (Arraia Negra), Patrick Wilson (Orm / Mestre dos Oceanos), Amber Heard (Mera), Willem Dafoe (Vulko), Temuera Morrison (Tom Curry), Dolph Lundgren (Nereus), e Nicole Kidman (Atlanna) — todos sob a direção de James Wan (das franquias "Jogos mortais" e "Invocação do mal"), que também comandou o primeiro "Aquaman".

Previsão de estreia: 15 de dezembro

O Globo



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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

O que esperar de 2022 na área ambiental no Brasil

 


“(...)Na área ambiental, observamos a degradação crescente e acelerada dos biomas brasileiros, além da contaminação das águas, solos e atmosfera (...)”

 

O ano de 2021 foi muito difícil para nosso país, em vários aspectos. Não só pela pandemia da covid-19, mas, principalmente, pela forte degradação econômica, social e política que estamos vivenciando. Na área ambiental, observamos a degradação crescente e acelerada dos biomas brasileiros, além da contaminação das águas, solos e atmosfera. De modo mais geral, é claro o projeto de desmonte de políticas públicas em áreas vitais como educação, ciência, saúde e meio ambiente, e ele segue a todo vapor.

Somente neste ano, tivemos a derrubada de mais de 13 mil km² de florestas na Amazônia, e o Pantanal teve 60% de sua área queimada pelo segundo ano consecutivo, em atividades associadas a crimes ambientais. O agronegócio segue avançando sobre o Cerrado, já que não há a implementação de políticas de uso da terra voltadas à preservação dos nossos ecossistemas. O garimpo ilegal continua a poluir com mercúrio nossos rios, afetando a saúde de ribeirinhos, população indígena e de todo o bioma amazônico. E, para completar, os eventos climáticos extremos marcaram o Brasil central e trouxeram insegurança energética e hídrica a grande parte da população.

Não é raro constatar, na mídia nacional e internacional, manchetes e editoriais nos quais o governo do Brasil é duramente criticado e repudiado por destruir políticas públicas, leis e órgãos de proteção ao meio ambiente, asfixiando instituições tradicionais, como o Ibama, ICMBio, Funai e outras. E os resultados destas ações se configuram no avanço dos crimes ambientais e nos ataques aos direitos de povos indígenas e das comunidades tradicionais.

Vale ressaltar que estas políticas de destruição do Estado brasileiro promovidas pelo Poder Executivo receberam apoio do Legislativo e do Judiciário, que desgastaram princípios básicos da proteção ao meio ambiente, resultando em extensas áreas desmatadas e degradadas em todos os biomas e ecossistemas brasileiros. Certamente, os impactos sociais e econômicos serão de longa duração, agravados pelas mudanças ambientais globais. A redução de qualidade do ar, das águas e dos solos foi uma das principais consequências dessas ações (des)coordenadas.

Meio ambiente sofre com negligências e chega a 2022 exigindo mudanças políticas e investimentos

Importante salientar que a COP-26 significou um revés importante neste ano de 2021, no que se refere à questão da governança mundial sobre meio ambiente. A principal razão foi a falta de ações concretas para enfrentar e minimizar os impactos das mudanças climáticas em curso, uma das maiores ameaças à nossa sociedade. A COP-26 também frustrou expectativas devido à negação dos países desenvolvidos em ajudar os países pobres a lidar com a emergência climática, a reduzir suas emissões e a se adaptarem. A consequência de todo esse processo é o aumento das desigualdades sociais, e tudo indica que elas serão um forte fator de instabilidade política no futuro próximo.

Apesar de o governo brasileiro ter assinado um compromisso de zerar o desmatamento da Amazônia até 2028, sabemos que as chances de isso acontecer são remotas, afinal, não há qualquer política pública de fortalecimento a instituições-chaves como Ibama, ICMBio, MMA, MCTI e órgão associados, para que esta meta seja atingida. Se realmente houvesse interesse, este estaria contemplado no orçamento de 2022. Ou seja, na prática, não há incremento de recursos para essa finalidade, indicando que a meta era só “para inglês ver”.

Devido à ausência de ações concretas do governo federal, vimos, na COP-26, a atuação subnacional se impor, com a presença de 12 governadores, CEOs de grandes empresas e a participação significativa da sociedade civil. Acredito que esse novo quadro possa ser um importante motor de transformação de nosso país em uma sociedade mais justa e sustentável.

E para 2022, o que esperar? Como teremos o mesmo governo federal, o mesmo Congresso dominado por ruralistas e o mesmo Judiciário, claro que seria ingenuidade pensarmos em mudança estrutural. Há pressões internacionais para reduzir o desmatamento, por parte dos países desenvolvidos, e elas podem ser intensificadas com sanções comerciais em relação à importação de carne, madeira ou soja advindas de regiões desmatadas. Talvez isso possa mobilizar o atual governo brasileiro em relação a suas práticas (inclusive, existe pressão interna dos grandes produtores de carne).

Um dos graves problemas que temos hoje é a forte atuação de redes criminosas na Amazônia, seja pela grilagem de terras públicas ou indígenas, seja pelo avanço da mineração ilegal ou pela atuação de madeireiras ilegais. O fato é que as atividades criminosas passaram a dominar na Amazônia. Para encontrarmos um modelo de desenvolvimento sustentável para a região, o primeiro passo é coibir atividades ilegais de exploração e cumprir o que diz a nossa Constituição.

Para além da Amazônia, nossas questões ambientais atingem também a maior parte de grandes cidades, que continuam a viver com níveis altos de poluição atmosférica, proveniente de emissões veiculares. Por muitos anos, a indústria automobilística impediu a implementação de ações visando à melhoria nos padrões de emissões de poluentes, já em vigor em países desenvolvidos. Embora vislumbremos novos padrões de emissões para veículos a diesel, provenientes das próximas etapas do Proconve (Programa de Controle de Emissões Veiculares), as chamadas L7 e P8, equivalentes ao padrão Euro 6, em vigor na Europa, os impactos da atual frota veicular altamente poluidora durarão décadas, aumentando a mortalidade na população urbana por problemas respiratórios.

Outro problema a ser enfrentado é o uso excessivo e crescente de agrotóxicos pelo agronegócio brasileiro, com número recorde de autorização de produtos proibidos em outros países e largamente utilizados em nosso país. Além de contaminar nossos rios, população e produtos, muitos deles são compostos persistentes no meio ambiente.

Importante realçar que o Brasil tem todas as condições para ser uma potência mundial em sustentabilidade, pelas vantagens estratégicas em vários setores. Nossa matriz energética, por exemplo, poderia se beneficiar em muito do uso em larga escala de energia solar e eólica. Além disso, seria viável implantar uma agricultura de baixas emissões de carbono, zerar o desmatamento e servir de exemplo para nosso planeta.

Não há maneira mais fácil, rápida e barata de reduzir emissões de gases de efeito estufa do que zerar – pra valer e não para inglês ver – o desmatamento da Amazônia. O Brasil já foi um líder na redução de emissões de desmatamento e poderíamos repetir a façanha, se tivéssemos um governo comprometido em defender os interesses da população ao invés de beneficiar e até estimular o agronegócio predatório. Pesquisas de opinião mostram que mais de 80% da população brasileira são contra a destruição de nossos recursos naturais. A implementação de políticas de preservação de nossa biodiversidade é crítica para a região amazônica e demais biomas brasileiros.

Não podemos esquecer que o ano de 2022 será marcado por eleições majoritárias, e muitas das políticas e leis sendo discutidas atualmente no Congresso Nacional dizem respeito ou a “terminar” com o restante da reforma na legislação de proteção ambiental no Brasil, ou a beneficiar grupos econômicos que possam contribuir na campanha eleitoral (e reeleição) do atual governo. Neste quadro, o panorama ambiental para 2022 continua a ser desesperançoso, como em 2021.

A sociedade brasileira vai ter que trabalhar muito para recuperar os danos ao meio ambiente promovidos ao longo dos últimos anos e também para que possamos atingir nossos compromissos com o Acordo de Paris e os ODS da ONU. Claro que muitos dos danos ambientais já feitos são irreversíveis, como a destruição de dezenas de milhares de quilômetros de florestas. Resta-nos torcer para que os debates públicos em 2022 sejam uma nova oportunidade para lembrar e discutir os valores que nos definem como nação digna em um mundo democrático, inclusivo e sustentável.

Paulo Artaxo, Jornal da USP



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