Brasília. A Polícia
Federal (PF) pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal do presidente do
Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, e do Ministro Raimundo
Carreiro. Eles são investigados por tráfico de influência no TCU, envolvendo o
advogado Tiago Cedraz, filho do presidente da Corte. Ele é suspeito de
Corrupção. As informações são da revista "Época".
Os indícios
surgiram durante a apuração de tráfico de influência no TCU. O empreiteiro
Ricardo Pessôa, da UTC, acusa Tiago Cedraz de ser o intermediário de repasses
para o Ministro Raimundo Carreiro. Pessôa diz, em delação, que pagou R$ 1
milhão a Cedraz, em parcelas de R$ 50 mil. Tiago Cedraz teria vendido
informações privilegiadas do Tribunal presidido pelo pai. Tiago nega ligação
com a empreiteira.
A revista explica
que, a partir da delação de Pessôa, a PF mapeou as relações de Cedraz. Após
buscas, dezenas de e-mails e ligações consideradas suspeitas foram descobertas.
A partir disso, a Polícia Federal pediu a quebra dos sigilos ao Supremo Tribunal
Federal (STF).
À revista, o
Ministro Aroldo Cedraz negou que seja investigado. O Ministro Raimundo Carreiro
disse que já forneceu por antecipação seu sigilo bancário, fiscal e telefônico.
Ele disse ainda que "das investigações tornadas públicas, no que diz
respeito a seu gabinete e a sua pessoa, não consta nenhuma ligação telefônica
com o referido advogado".
Tiago Cedraz chamou
a atenção nos bastidores de Brasília pela meteórica carreira na advocacia. Aos
34 anos, ele faz parte de um grupo de filhos de autoridades que, apesar do
curto tempo na advocacia, exibia uma vida de luxo. A PF descobriu, por exemplo,
despesas como R$ 500 mil na festa de casamento, além de quase R$ 3 milhões na
compra de apartamento, reforma e material de obras. Ele ainda deu de presente à
esposa um BMW de R$ 190 mil.
Ele teria acumulado
clientes, sócios, patrimônio, negócios e prestígio político desde a chegada do
pai ao cargo de ministro, em 2007. Uma fatia importante das causa de seu
escritório, o Cedraz Advogados, está atrelada à pauta de processos do TCU.
Ligações
Segundo a PF, a
quebra do sigilo telefônico do escritório de Tiago Cedraz mostra que sua
relação no TCU extrapolava o fato de ser filho do presidente da Corte. O
escritório ligou 44 vezes para Carlos Maurício Lociks de Araújo, funcionário do
gabinete do Ministro Raimundo Carreiro.
Chamaram a atenção
dos investigadores ainda as ligações do escritório de Cedraz para o gabinete do
pai. Isso porque o presidente do TCU se declara impedido e não julga os casos
que envolvem o filho. Para a PF, as ligações mostram que sua atuação
extrapolava a relação de parentesco. Foram 186 ligações para o gabinete do pai,
sendo 115 para o chefe de gabinete, Sérgio Teixeira Albuquerque, e outras para
três servidoras.
Por outro lado, Cedraz
fez 49 ligações para números da UTC, incluindo Ricardo Pessôa. As datas
coincidem com os repasses citados pelo empreiteiro.