quarta-feira, 11 de março de 2026

Nicolau Maquiavel, um homem entre a política e a arte



“Ninguém jamais escreveu, na Itália, com tanta lucidez e num estilo tão vivo como Maquiavel. Cada palavra de seu vocabulário parece sair das profundezas de seu espírito e suas frases refletem uma esplêndida lógica”. Foscolo

A Itália renascentista que presenteou o mundo com Sandro Botticelli, Leonardo da Vinci e Michelangelo, não esqueceu de brindar ao novo mundo untando a literatura ocidental com o incomparável Nicolau Maquiavel.

Quando Maquiavel nasceu, em 1469, Leonardo da Vinci ainda era um jovem aprendiz esforçando-se para auxiliar o mestre Andréa Verrocchio no “Batismo de Cristo”. O pai de quem seria, mais adiante, o criador da Ciência Política, queria o filho na magistratura, por isso educou o rebento envolto nos livros que copiava a mão, porque livros impressos eram quase impossíveis de comprar, porque raros e caros.

Os desejos do pai começaram a materializar-se em 1498, quando Maquiavel ingressou na chancelaria de Florença. Tinha 29 anos. E tanto se esforçou que, um ano depois, já ocupava o cargo de segundo chanceler da República florentina.

A Itália dessa época vivia aguda crise institucional. Era, na realidade, um amontoado de pequenos Estados divididos, debilitados por infindáveis lutas internas. A República de Florença se esvaia a olhos vistos, a cada dia perdia poder e status: as manufaturas que processavam a lã resolveram mudar para a Inglaterra e, no final do século XV, 33 bancos optaram por transferir suas sedes para Lyon, na França.

Os tumultos e a confusão política de então levaram-no à prisão onde, com seu irmão, Bernardo, foi duramente torturado.

Libertado em 1513, foi obrigado a exilar-se em San Casciano.

Na solidão do exílio que produziu uma de suas obras primas, “O Príncipe”, o manual de ação política que deu origem à Ciência Política.

Maquiavel dedicou a obra ao filho bastardo do papa Alexandre VI, pois acreditava que César Bórgia seria o único capaz de unificar a Itália e livrá-la da dominação estrangeira. Mas Bórgia não conseguiu tirar proveito da magnífica obra, pois adoeceu e logo depois faleceu. Em contrapartida, inúmeros outros – até os dias atuais – a tornaram livro de cabeceira, a começar por Henrique VIII, rei da Inglaterra.

Para viabilizar seu novo casamento, Henrique VIII rompeu com o papa e a Igreja Católica, substituindo-a por uma outra, criada na exata medida para atender aos seus interesses imediatos: a Igreja Anglicana. Por opor-se à anulação do casamento do rei e recusar fidelidade à nova Igreja, Thomas Morus, autor de “A Utopia” – que chegou a compor o Conselho Secreto do reino – foi preso, condenado e executado por ordem direta do soberano inglês.

Maquiavel defende que o Estado e o processo político devem se situar num patamar superior à moral e à religião, e que o príncipe virtuoso seria aquele dotado da habilidade de ser bom e mau ao mesmo tempo, traiçoeiro e piedoso, violento e complacente.

Contemporâneo de Thomas Morus, divergiu dele porque enquanto o pensador londrino se debruçou sobre uma realidade ideal, expressando a política como deveria ser, Maquiavel teorizou sobre a realidade concreta.

Até então, as relações sociais eram vistas como conseqüência do acaso ou das qualidades das pessoas, da fé ou da consciência individual, e não decorrentes das condições econômicas e políticas.

Uma frase de Maquiavel expressa a gênese do processo legislativo e o modo como a liberdade se cristaliza, se derramando nas frestas abertas pelos conflitos políticos:

“... e deve-se considerar como existem em toda república dois humores diversos: o do povo e o dos grandes, e toda a lei que se faz em favor da liberdade nasce da desunião entre eles”. 

A densidade da obra política do autor italiano, de certa forma, fez com que ficasse sobrestada, quase em segundo plano, a expressiva dimensão de sua verve artística e dramática.

Sua face relativamente pouco conhecida é uma grande injustiça considerando que abriga um dos maiores escritores de comédia de todos os tempos. “A Mandrágora” e “Clizia” destacam-se entre as melhores obras cômicas da humanidade. Inspirando-se nos clássicos latinos, Maquiavel foi beber na mesma fonte onde se saciaram Plauto (254 – 184 a.C.) e Terêncio ( 185 – 159 a.C.).

Na dramaturgia, Maquiavel não se preocupa exclusivamente em divertir e entreter, mas também em despertar uma atitude crítica, uma postura que possibilite a escolha, a opção, a decisão.

“A Mandrágora” fez tanto sucesso que, em uma apresentação em Veneza, no ano de 1522, o teatro estava tão repleto e a platéia tão animada que os atores simplesmente não conseguiram terminar a apresentação. A peça desenvolve uma trama em que a moral e a instituição mais sagrada para a Igreja, o casamento, são corrompidos com a participação de um padre sem escrúpulos, frei Timóteo.

Estimulando a piedosa e virtuosa Lucrécia a incorrer no pecado da traição e do adultério, o venal frei Timóteo não tergiversa:

“Há muitas coisas que de longe parecem terríveis, insuportáveis, estranhas; entretanto, quando a gente se aproxima delas, tornam-se humanas, suportáveis, familiares; por isso, diz o ditado que são piores os receios do que os males pelos quais a gente receia”.

Muitos estudiosos defendem que – tivesse a platéia da época capacidade para capturar a essência de “A Mandrágora”, não teria rido e sim entrado em pânico. Isto porque na obra, a virtude, instrumento do poder temporal da Igreja, é completamente desmoralizada.

Nicolau Maquiavel morreu no dia 22 de junho de 1527, amargurado e deixando a família na miséria.

Foram necessários dois séculos e meio para um admirador anônimo mandar inscrever no seu epitáfio: Tanto Nomini Nullum Par Elogium (Nenhum elogio é demais para este nome).

Antônio Carlos dos Santos – criador das seguintes metodologias:
©Planejamento Estratégico Quasar K+;
©ThM – Theater Movement; e
©Teatro popular de bonecos Mané Beiçudo.


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Dramaturgo, o autor transferiu para seus contos literários toda a criatividade, intensidade e dramaticidade intrínsecas à arte teatral. 

São vinte contos retratando temáticas históricas e contemporâneas que, permeando nosso imaginário e dia a dia, impactam a alma humana em sua inesgotável aspiração por guarida, conforto e respostas. 

Os contos: 
1. Tiradentes, o mazombo 
2. Nossa Senhora e seu dia de cão 
3. Sobre o olhar angelical – o dia em que Fidel fuzilou Guevara 
4. O lugar de coração partido 
5. O santo sudário 
6. Quando o homem engole a lua 
7. Anos de intensa dor e martírio 
8. Toshiko Shinai, a bela samurai nos quilombos do cerrado brasileiro 
9. O desterro, a conquista 
10. Como se repudia o asco 
11. O ladrão de sonhos alheios 
12. A máquina de moer carne 
13. O santuário dos skinheads 
14. A sorte lançada 
15. O mensageiro do diabo 
16. Michelle ou a Bomba F 
17. A dor que nem os espíritos suportam 
18. O estupro 
19. A hora 
20. As camas de cimento nu 

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I – Coleção Educação, Teatro e Folclore (peças teatrais infanto-juvenis): 

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Livro 8. Como é bom ser diferente 

III – Coleção Educação, Teatro e Democracia (peças teatrais infanto-juvenis): 

IV – Coleção Educação, Teatro e História (peças teatrais juvenis): 

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B - TEORIA TEATRAL, DRAMATURGIA E OUTROS
VI – ThM-Theater Movement: 

terça-feira, 10 de março de 2026

Por que a Terra está refletindo menos luz nos últimos anos?



Faz alguns anos que a Terra está "perdendo brilho".

Isso quer dizer que nosso planeta está refletindo, ou devolvendo, menos luz do Sol para o espaço, segundo um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters, da União Geofísica dos Estados Unidos, em setembro.

Os autores da pesquisa, dos EUA e da Espanha, chegaram a essa conclusão depois de analisar dados da quantidade de luz que a Terra reflete na Lua, reunidos durante os últimos 20 anos por satélites e pelo Observatório Solar Big Bear, da Califórnia.

Os cientistas ainda esperam identificar com precisão as causas da redução do brilho terrestre, mas já apresentam algumas hipóteses.

Saiba quais são elas e as consequências que esse fenômeno pode provocar no planeta.

Como a luz é refletida

Como já se sabe sobre a luz em geral, as superfícies claras refletem, e as escuras a absorvem. Com a luz do Sol e a Terra acontece a mesma coisa.

Blocos de gelo no mar

As partes escuras do planeta absorvem a luz e o calor da nossa estrela, o Sol. As partes claras, como as superfícies de gelo dos polos e as nuvens, refletem e devolvem a luz ao espaço.

A quantidade de luz do Sol que a Terra reflete é conhecida como albedo e, em média, é composta por cerca de 30% de toda a luz solar recebida.

"As mudanças na cobertura de gelo, nebulosidade, cobertura da Terra (como florestas ou terras de cultivo) e contaminação do ar provocam efeitos sutis no albedo global", explica em seu site o Observatório Terrestre da Nasa, a agência espacial americana.

Durante as últimas duas décadas, o albedo tem se reduzido. "A Terra agora reflete cerca de meio watt menos luz por metro quadrado do que há 20 anos. Isso é o equivalente a uma redução de 0,5% na refletância da Terra", disse a União Geofísica dos EUA.

Essa redução se concentrou principalmente nos últimos três anos. "A queda do albedo foi uma surpresa para nós, quando analisamos os últimos três anos de dados, depois de 17 anos de albedo quase estável", disse Philip Goode, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, nos EUA, e autor principal do estudo, se referindo aos dados da luz refletida pela Terra de 1998 a 2017.

Mas a que se deve essa redução?

Possíveis causas

Os autores do estudo não detectaram mudanças no brilho do Sol nos últimos três anos, portanto, a diminuição da luz refletida não está relacionada ao Sol, mas sim a fatores ligados à Terra.

A causa detectada pelos cientistas na Terra foi uma variação "substancial" na quantidade de nuvens em certas zonas do oceano Pacífico, disse à BBC News Mundo Enric Pallé, um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto de Astrofísica de Canárias e do Departamento de Astrofísica da Universidade La Laguna, na Espanha.

Há menos nuvens — portanto menos superfícies brancas e brilhantes que refletem a luz no oceano Pacífico Ocidental — em comparação com as costas ocidentais da América do Norte e América do Sul, segundo dados do Sistema de Energia Radiante das Nuvens e da Terra, da Nasa.

Essa redução nas nuvens se deve a um aumento da temperatura do mar, "com prováveis conexões com a mudança climática global", disse a União Geofísica dos EUA num comunicado em setembro.

Mas Pallé disse à BBC News Mundo (serviço de notícias em língua espanhola da BBC) que não sabe "se seria tão fácil atribuir (o aumento da temperatura do mar) à mudança climática, porque o sistema climático é muito complexo" e porque o albedo só tem sido medido nos últimos 20 anos, enquanto os "processos naturais possuem ciclos mais prolongados".

"Ou seja, acho que é provável que se deva às mudanças climáticas, mas acredito que seja prematuro afirmar isso por enquanto. Pode ser que haja ciclos naturais de nebulosidade que podem estar modificando o albedo", destacou Pallé.

"Dentro da tendência de aquecimento global, há episódios de aumentos e reduções (de temperatura), então, quem sabe estejamos vendo algo episódico", acrescentou o pesquisador.

O especialista em clima John Nielsen-Gammon, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade do Texas, disse à BBC News Mundo que a "cobertura das nuvens está intimamente ligada aos padrões de temperatura e vento na atmosfera, que são afetados pelo aquecimento global e a variabilidade natural".

"(Mas) o registro de 20 anos de brilho da Terra não é realmente suficientemente longo para separar esses dois efeitos", afirmou também Nielsen-Gammon, que não participou da pesquisa.

Lua

Para determinar exatamente a que se deve a variação no albedo, "temos que seguir medindo como ele vai mudar nos próximos anos, medir por um tempo suficientemente longo para ver se realmente podemos associar isso às mudanças climáticas e estar seguro de que não é uma variação natural", destacou Pallé.

Consequências

Enquanto investigam as causas da redução do brilho terrestre, os cientistas sabem que a luz e o calor do Sol que a Terra deixa de refletir ao espaço permanece no planeta, nos oceanos e na atmosfera. Portanto, pode influenciar na temperatura.

"Se a quantidade de luz que a Terra reflete muda ao longo de dias ou décadas, haverá uma influência nas mudanças climáticas, porque deixará entrar mais ou menos energia do sol", disse Pallé à BBC Mundo.

"O que está claro é que o albedo sempre foi considerado nos estudos climáticos como algo constante, mas não é. E temos que continuar medindo porque afetará muito a nossa capacidade de prever as mudanças climáticas entre agora e 20, 30 ou 50 anos ", acrescentou o cientista.

BBC News 


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