quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Sobre o gerenciamento de substâncias químicas e resíduos


Substâncias químicas e resíduos são temas de discussão com representantes de mais de 100 países, nesta terça-feira (7), na capital federal. A Reunião do Processo Intersessional sobre Químicos e Resíduos, coordenada pelo Ministério de Meio Ambiente (MMA), vai debater os desafios que envolvem o gerenciamento adequado de substâncias químicas e resíduos, nos aspectos da segurança alimentar, produção e consumo sustentáveis.
A reunião se estende até 14 de fevereiro, com a realização de workshops, painéis e eventos paralelos. As recomendações aprovadas no evento serão apresentadas na 5ª Conferência Internacional sobre Gestão de Substâncias Químicas (ICCM 5), marcada para 2020. Ainda sem definição de local, a conferência definirá a abordagem estratégica e a gestão para esses produtos nas próximas décadas.
A indústria de produção e importação de substâncias químicas no Brasil ocupa a 6ª posição no ranking mundial em movimentação comercial, segundo o MMA. Estima-se que entre 10 mil e 15 mil substâncias químicas estejam em circulação no mercado brasileiro, algumas delas sem nenhum tipo de controle do Poder Público.

Entre as ações para a normatização legal desses produtos, está o anteprojeto de lei que trata do Cadastro Nacional de Substâncias Químicas Industriais. A medida prevê a avaliação e o controle dessas substâncias. Para consolidar o texto da lei, o ministério colocou em consulta pública e deve divulgar, durante a reunião, as contribuições recebidas.
O cadastro vai permitir o conhecimento e a avaliação das substâncias que circulam no país. Após a análise, as substâncias consideradas “preocupantes” ficarão sujeitas a medidas para redução ou até mesmo eliminação de riscos que deverão ser cumpridas pelos produtores, importadores e empresas usuárias, alcançando assim toda a cadeia produtiva.
O Brasil é signatário de três convenções internacionais que tratam do gerenciamento ambientalmente adequado de produtos químicos e resíduos perigosos. O objetivo é atuar em prol da proteção da saúde e do meio ambiente de substâncias químicas que, por suas características físico-químicas, causam efeitos nocivos à saúde humana e ao meio ambiente globalmente.
Heloisa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Bíblia de Gutenberg é disponibilizada on-line



Primeiro livro impresso no Ocidente e joia do patrimônio universal, a Bíblia de Gutenberg conservada na Biblioteca Nacional da França (BnF) está agora disponível gratuitamente para consulta no Gallica, a biblioteca digital da instituição.

“Os dois exemplares conservados na BnF podem ser consultados a partir de agora no Gallica”, afirmou a instituição nesta segunda-feira em um comunicado.

“Foi adicionado um sumário para facilitar a navegação no texto bíblico e satisfazer as necessidades dos pesquisadores e dos curiosos”, acrescentou.

Digitalizados em alta definição, os dois raros exemplares da Bíblia de Gutenberg (só restam cerca de 50 no mundo) foram impressos na primeira prensa de tipos móveis de Gutenberg, em Mogúncia, em torno de 1455.

O primeiro (em quatro volumes) é um dos muito raros e prestigiosos exemplares completos impressos em pergaminho, magnificamente ilustrado na época da produção do livro.

O segundo (em dois volumes), impresso em papel, é de grande importância histórica, apesar da sua aparência mais modesta (as primeiras páginas estão faltando). Apresenta uma nota manuscrita datada de 1456, que certifica a data em que a impressão da Bíblia foi concluída, uma das poucas informações cronológicas conhecidas sobre o trabalho de Gutenberg.

Cada página, enriquecida com iluminuras delicadas, contém duas colunas de 40 linhas, no início, e de 42 depois. A tipografia reproduz as letras góticas dos copistas de Mainz do século XV. Trata-se da versão da Bíblia mais comum da época, a edição da Vulgata, traduzida para o latim por São Jerônimo e moldada pela Universidade de Paris no século XIII.
UAI




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Razões científicas para ler mais do que lemos


O Brasil tem mais leitores a cada ano. Em 2011, eram 50% da população. Em 2015, eram 56%, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Contudo, isso também significa que 44% da população não lê. Ainda pior: 30% nunca comprou um livro. Alguns argumentos científicos, em especial da neurociência, podem ajudar a melhorar esses índices.

A leitura é um dos melhores exercícios possíveis para manter o cérebro e as capacidades mentais em forma. Isso é verdade porque a atividade de leitura exige colocar em jogo um importante número de processos mentais, entre os quais se destacam a percepção, a memória e o raciocínio. Quando lemos, ativamos principalmente o hemisfério esquerdo do cérebro, que é o da linguagem e o mais dotado de capacidades analíticas na maioria das pessoas, mas são muitas outras áreas do cérebro de ambos os hemisférios que são ativadas e intervêm no processo.

Decodificar as letras, as palavras e as frases e transformá-las em sons mentais requer a ativação de grandes áreas do córtex cerebral. Os córtices occipital e temporal são ativados para ver e reconhecer o valor semântico das palavras, ou seja, o seu significado. O córtex frontal motor é ativado quando evocamos mentalmente os sons das palavras que lemos. As memórias evocadas pela interpretação do que foi lido ativam poderosamente o hipocampo e o lobo temporal medial. As narrativas e os conteúdos sentimentais do texto, seja ele ficcional ou não, ativam a amígdala e outras áreas emocionais do cérebro. O raciocínio sobre o conteúdo e a semântica do que foi lido ativa o córtex pré-frontal e a memória de trabalho, que é a que usamos para resolver problemas, planejar o futuro e tomar decisões. Está provado que a ativação regular dessa parte do cérebro desenvolve não apenas a capacidade de raciocinar, como também, em certa medida, a inteligência das pessoas.

A leitura, em última análise, inunda de atividade o conjunto do cérebro e também reforça as habilidades sociais e a empatia, além de reduzir o nível de estresse do leitor. A esse respeito, devemos destacar o excelente trabalho de revisão do romancista e psicólogo Keith Oatley, da Universidade de Toronto, no Canadá, recentemente publicado na revista científica CellPress, intitulado: Fiction: Simulation of Social Worlds (Ficção: Simulação de Mundos Sociais), que destaca que que a literatura de ficção é a simulação de nós mesmos em interação.

Depois de uma rigorosa e elaborada revisão de dados e considerações sobre psicologia cognitiva, Oatley conclui que esse tipo de literatura, sendo uma exploração das mentes alheias, faz com que aquele que lê melhore sua empatia e sua compreensão dos outros, algo de que estamos muito necessitados. Essa conclusão ainda é avalizada por neuroimagens, ou seja, por dados científicos que exploram a atividade cerebral relacionada com esse tipo de emoções. A ficção que inclui personagens e situações complexas pode ter efeitos particularmente benéficos. Assim, e como exemplo, um trabalho recém-publicado mostra que a leitura de Harry Potter pode diminuir os preconceitos dos leitores.

Tudo isso sem falar na satisfação e no bem-estar proporcionado pelo conhecimento adquirido e como esse conhecimento se transforma em memória cristalizada, que é a que temos como resultado da experiência. O livro e qualquer leitura comparável são, portanto, uma academia acessível e barata para a mente, a que proporciona o melhor custo/benefício em todas as fases da vida, razão pela qual deveriam ser incluídos na educação desde a primeira infância e mantidos durante toda a vida. Cada pessoa deve escolher o tipo de leitura que mais a motiva e convém.

As crianças devem ser estimuladas a ler com leituras adequadas às suas idades e os mais velhos devem providenciar toda a assistência que suas faculdades visuais necessitem para continuar lendo e mantendo seu cérebro em forma à medida que envelhecem. Uma razão a mais para que os idosos continuem a ler é a crença plausível de que não somos realmente velhos até que não comecemos a sentir que já não temos nada de novo para aprender.

Ignacio Morgado Bernal é diretor do Instituto de Neurociências da Universidade Autônoma de Barcelona, autor de Cómo Percibimos el Mundo: una Exploración de la Mente y los Sentidos (Como Percebemos o Mundo: uma Exploração da Mente e dos Sentidos).
Por Ignacio Morgado Bernal, no El País


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O planejamento que interage estratégia e cultura

Coleção Quasar K+: 

Livro 1: Quasar K+ Planejamento Estratégico;
Livro 2: Shakespeare: Medida por medida. Ensaios sobre corrupção, administração pública e administração da justiça;
Livro 3: Nikolai Gogol: O inspetor geral. Accountability pública; Fiscalização e controle;
Livro 4: Liebe und Hass: nicht vergessen Aylan Kurdi. A visão de futuro, a missão, as políticas e as estratégias; os objetivos e as metas.


O que é a metodologia Quasar K+ de planejamento estratégico?

QUASAR K+ é uma metodologia que procura radicalizar os processos de participação cidadã através de três componentes básicos:
a.Planejamento;
b.Educação e Teatro;
c.Participação intensiva.

Para quem se destina a ferramenta?

A metodologia QUASAR K+ foi desenvolvida para se constituir em uma base referencial tanto para as pessoas, os indivíduos, como para as organizações. Portanto, sua utilização pode ensejar a modernização desde o simples comércio de esquina ao grande conglomerado corporativo. Mas, também, os projetos de crescimento e desenvolvimento individuais, a melhoria das relações familiares...

Fazendo uso da metodologia QUASAR K+ poderemos descortinar novos horizontes nos habilitando a fazer mais e melhor com menor dispêndio de recursos.

Qual a razão desta metodologia?

Nas democracias modernas as sociedades se mostram tanto mais evoluídas e sustentáveis quanto mais aprimoram a qualidade da participação na vida organizacional, política e social.

Para que a participação se revista de qualidade se faz necessário dominar um conjunto de técnicas e instrumentais capazes de impregnar o processo de maior eficácia.

É deste contexto que emerge a metodologia QUASAR K+: disponibilizar técnicas específicas ancoradas em valores e princípios da educação e do teatro, incorporando - como eixo estruturante - as ferramentas do planejamento.

Portanto, é uma metodologia que busca assegurar qualidade à consecução dos objetivos, estratégias e metas traçados.

Por conseguinte, a aplicação da tecnologia possibilitará que nossa inserção e participação nos ambientes de estudo, trabalho, entretenimento e moradia, se verifique de maneira progressivamente mais satisfatória. Ao mesmo tempo em que nos empodera:

- eleva a autoestima – na medida em que tomamos consciência da evolução de nossa capacidade produtiva, da habilidade adquirida para interagir e contribuir com a família, o grupo social, a organização, a sociedade;

- incorpora ganhos sociais para a família, a escola, a instituição em que trabalhamos e a comunidade onde moramos, considerando que os produtos e resultados de nossa intervenção direta passam a ostentar qualidade diferenciada, mais fina, apurada e consentânea com as aspirações por um mundo melhor e mais justo.

De maneira estruturada, o livro enfoca:

- Planejamento e Administração
- O setor público
- Empreendedorismo & iniciativa privada
- Participação intensiva & terceiro setor
- Cidadania
- Qualidade Total
- Educação & Teatro

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domingo, 5 de fevereiro de 2017

Livro de garota que fugiu da Síria em cadeira de rodas sai no Brasil



Na última Feira do Livro de Frankfurt, uma menina de aparência frágil, arrebanhou uma pequena multidão no estande da HarperCollins. Era Nujeen Mustafa, uma garota de 17 anos com paralisia cerebral e, por isso, presa a uma cadeira de rodas. Mesmo sem poder frequentar a escola na Síria, seu país de origem, ela aprendeu inglês sozinha, assistindo a novelas americanas na TV. 

Quando sua cidade se transformou no epicentro do combate brutal entre os militantes do Estado Islâmico e os soldados curdos apoiados pelos EUA, em 2014, ela e sua família foram obrigados a fugir. A sua biografia -- Nujeen: a incrível jornada de uma garota que fugiu da guerra na Síria em uma cadeira de rodas --, escrita em parceria com Christina Lamb (a mesma coautora do best-seller mundial Eu sou Malala), sairá no Brasil em março, publicada pela Universo dos Livros.
Publishnews


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Entre o amor e a intolerância
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A peça teatral “Amor e ódio: não esqueçamos de Aylan Kurdi” é um tríler que retrata a atual crise migratória no continente europeu.

O embate das civilizações - a histórica rivalidade entre os extremistas que utilizam o radicalismo religioso para destilar ódio e intolerância, a busca dos fundamentalistas pela hegemoniado pensamento - compõe o substrato em que se desenvolve a trama.

O Estado Islâmico decide promover, na Alemanha, o ato terrorista que ficaria marcado, na história da humanidade, como o maior e mais aterrador de todos os já perpetrados no planeta. 

Contextualizando a filosofia e a geopolítica, a história e as ciências sociais, as políticas de estado e o planejamento estratégico, as personagens movimentam-se provocando, desafiando o leitor a mergulhar fundo na reflexão sobre os mais caros valores à cultura cristã-ocidental: a democracia e a liberdade, a justiça e aos direitos individuais.

Três mulheres homossexuais protagonizam tensas e intensas discussões sobre este traumático universo onde imperam - por maiores que tenham sido os avanços na política – a cólera, o ódio, a intransigência, o sectarismo, a desmedida violência e o fanatismo.

Mulás, imãs, califas, aiatolás, fundamentalismo islâmico de um lado; do outro, as experiências autoritárias no ocidente como o nazismo e o comunismo, a KGB e a Stasi, estruturando o cenário que alimenta a besta-fera da violência, embasa o fortalecimento do nacionalismo, o fechamento das fronteiras, a construção de muros, o desprezo pela cultura do ‘outro’, pelas referências do ‘estranho’, o desdém para com a dor e o suplício por que passam os refugiados e excluídos.

Os terroristas do EI planejam explodir seis bombas nucleares em Berlim, pulverizando a Alemanha e destruindo toda a Europa central. Conseguirão levar a cabo o plano terrífico? Nesta ambientação são sopesados os debates sobre a beleza e a fealdade, o ódio e o amor, o autoritarismo e a democracia, a sexualidade e as liberdades individuais, o fundamentalismo islâmico e os direitos civis.

Kazal al-Atassi - a poeta que teve os membros amputados e o corpo desfigurado por atentados terroristas sofridos na Síria – e sua ex-companheira, Manal al-Atassi, cuja descomunal beleza hipnotiza e encanta, são suspeitas de integrar a brigada terrorista do Estado Islâmico. Anna Decker, a oficial da inteligência militar encarregada de desvendar a sórdida trama. Bismarck Adenauer, ex agente da Stasi, a agência de inteligência da antiga República Democrática Alemã. E mais os personagens saídos das sombras da CIA e da KGB, do Mossad e das agências russa e chinesa... 
Mergulhe, caro leitor, neste tríler que – ao denunciar a mais grave crise migratório desde a 2ª Grande Guerra - interage, de maneira vibrante e perturbadora, a realidade e a ficção. 
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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Artistas do Brasil apresentam espetáculo que mistura teatro e dança em Portugal

Projeto Aisthesis, de grupo brasiliense, faz temporada em Portugal Diego Bresani/Direitos Reservados

Cinco artistas de Brasília, que se reúnem desde 2014 para investigar os processos de criação artística de teatro, dança e performance, apresentam agora os resultados de sua pesquisa para o público português. Com o projeto Aisthesis, palavra grega que significa “percepção pelo sentido”, o grupo se apresentou em Lisboa, e, no Porto, as apresentações serão dias 10 e 12 de fevereiro.
Segundo Glauber Coradesqui, que é ator e pesquisador de teatro, na busca por estudar e entender o “teatro criativo”, os artistas se debruçaram sobre o que eles poderiam criar a partir da mistura de linguagens (teatro, dança e performance), sem a preocupação de alcançar um objetivo específico ou um resultado final. Ou seja, experimentar a livre criação, sem temas pré-definidos, sem estrutura, deixando que o improviso e a composição em tempo real dominassem totalmente o processo.
Os artistas contam que, durante oito meses, se reuniram em sessões de improvisações, que acabaram por resultar em uma prática, a qual dão o nome de Aisthesis.
“Aisthesis é metade obra artística, metade processo. É aonde a gente consegue fundir, mesclar esses elementos (teatro, dança e performance) e no qual a gente convida o público para assistir, mas também para participar. Não é particularmente um espetáculo interativo, pois se você não quiser jogar junto, tudo bem, pode apenas assistir, mas tem muito espaço para o público criar com a gente. A gente chama o público de cocriador”, explica Glauber.
Troca
Kenia Dias, que é bailarina e atriz, conta que além da programação em Lisboa e Porto, que abrange sessões de improviso, leitura dramática, workshops, palestras e performances, o grupo veio a Portugal participar de uma residência artística com a renomada coreógrafa portuguesa Vera Mantero, considerada um dos grandes nomes da dança contemporânea no país.
O contato com a artista portuguesa já havia acontecido em 2015, quando o grupo a convidou para ir ao Brasil, com o intuito de colaborar com o processo de sistematização da prática Aisthesis. “A gente se deu super bem e ficou a vontade de dar continuidade a isso”, conta Glauber.
Foi a partir dessa vontade de se aprofundar ainda mais na pesquisa sobre o livre processo de criação que o grupo brasiliense conseguiu, por meio de edital da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, a oportunidade de vir a Portugal fazer a residência com Vera Mantero.
Para Jonathan Andrade, que é ator, diretor e dramaturgo, a experiência em terras lusitanas tem sido de profunda imersão. Ele conta que, no Brasil, cada um dos integrantes tem seus próprios compromissos e trabalhos e que, em Portugal, tiveram a oportunidade de alugar um apartamento e estar o tempo todo imersos numa “estufa de criação e troca”.
“Estar em Lisboa, ser contaminado pela arquitetura e pela cultura desta cidade. Isso também atravessa toda a poética dos corpos da gente. As ruas são lindas, as músicas que a gente escuta, a musicalidade cotidiana. Poder realmente mergulhar e estar focado num projeto, isso tem feito muita diferença para a gente”, afirma Jonathan.
Para Giselle Rodrigues, coreógrafa e atriz, o público e os artistas portugueses têm demonstrado receptividade e abertura em relação ao trabalho desenvolvido pelo grupo. “Acho que eles são muito curiosos para saber o que a gente está fazendo, tem sido bem interessante”, afirma.
As apresentações, que são gratuitas, e após Lisboa, acontecem no Porto, durante os dias 10, 11 e 12 de fevereiro, no Armazém 22, em Vila Nova de Gaia.
Por Marieta Cazarré - Correspondente da Agência Brasil

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Coleção estórias maravilhosas para aprender se divertindo

São 10 peças teatrais completas, direcionadas ao público infanto-juvenil:
•Livro 1 – A onça e a capivara ou Não é melhor saber dividir?
•Livro 2 – Eu compro, tu compras, ele compra
•Livro 3 – A cigarra e as formiguinhas
•Livro 4 – A lebre e a tartaruga
•Livro 5 – O galo e a raposa
•Livro 6 – Todas as cores são legais
•Livro 7 – Verde que te quero verde
•Livro 8 – Como é bom ser diferente
•Livro 9 – O bruxo Esculfield do Castelo de Chamberleim
•Livro 10 – Quem vai querer a nova escola.
O teatro e a dramaturgia - ao contrário das demais ramificações da literatura – transcendem o mero prazer, regalo e deleite da leitura bem como os aspectos educativos e pedagógicos intrínsecos às letras.
É isto que o leitor perceberá tão logo adentre as páginas dos livros que compõem a coleção infanto-juvenil.
A leitura dos livros e a reflexão sobre os seus conteúdos poderão remeter o leitor a um universo só possibilitado pelo teatro.
Não por acaso, esta arte milenar tem sido cultuada por todos os povos, do ocidente e do oriente, desde muitos séculos antes de Cristo. De tão importante, os antigos egípcios e gregos chegaram a vincular o teatro aos rituais destinados a homenagear suas divindades e entes sagrados.
A dramaturgia e o teatro continuam mantendo as características que os tornaram imprescindíveis na antiguidade clássica:
- o auxilio para vencer a timidez e desenvolver a autoestima;
- o aprimoramento da oratória e da dicção;
- a aprendizagem quanto à impostação de voz, a postura, a presença cênica;
- os predicados da argumentação lógica e da reflexão crítica;
insumos que, sem dúvidas, qualificam a participação, o que – convenhamos – não é pouca coisa num ambiente social obliterado pela mediocridade. 

Preferencialmente destinada às crianças e à juventude, os livros atendem a todas as faixas etárias, dos pequenos que ainda engatinham na pré-escola e no ensino fundamental, aos jovens de ideias e propósitos que já romperam a terceira idade.
Para saber mais, clique aqui. 




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O Fies, o mercado da educação e a esperteza maliciosa


O Fies e o mercado da educação
Esperteza é habilidade maliciosa, onde a astúcia prevalece na conquista dos seus objetivos. Na edição nº 2.514 (25-1-2017), a revista Veja, por título 'Virou Farra', assinado pela jornalista Fernanda Allegretti, retrata realidade que deveria merecer profundas investigações pelas autoridades responsáveis pela educação brasileira. Comprova que o programa Fundo de Financimento Estudantil (Fies) vem criando, de maneira badernosa, gigantescas corporações de ensino superior, guiadas em mares nunca d'antes navegado. A grande vítima é o dinheiro público e os jovens estudantes que dependem da ajuda financeira do programa oficial. Denuncia que o Fies transformou-se em um programa sem transparência, assegurando boa vida aos monopolizadores do ensino, onde a ganância se vale de artifícios para garantir lucros na escala de bilhões de reais.
Quantificadamente, em 2017, atenderia 2 milhões de universitários a um custo de 21 bilhões de reais. Educação não pode ser tratada como commodities, ou seja, produto que funciona como matéria prima produzida em escala. O Fies, nos seus financiamentos estudantis, garante que o comtemplado não deverá desembolsar nenhum valor durante o curso, mas, de maneira solerte, cobranças 'extras' são acrescidas mensalmente, sob alegação de o valor pago pelo governo federal não cobrir as despesas do curso. Aquela publicação destaca: 'Enquanto lesam os alunos, as instituições ganham muito dinheiro. As universidades brasileiras estão longe do topo do ranking de excelência, mas é aqui que está instalado o maior grupo do mundo nesse setor em valor de mercado: o Kroton é uma potência avaliada em 24 bilhões de reais. Nos últimos anos cresceu à sombra do Fies.'
E prossegue: 'Hoje, seus 120 campus espalhados pelo território nacional, do Amapá ao Rio Grande do Sul, atendem 1 milhão de estudantes de ensino superior, mais da metade financiado pelo Fies. No ano passado, o grupo recebeu 2,5 bilhões de reais'. E destaca: 'O Tribunal de Contas da União, em uma auditoria de 23 de novembro de 2016, compara o lucro líquido dos quatro maiores grupos educacionais do país entre 2010 e 2015, o período de maior expansão do Fies. O Kroton disparou em crescimento de 22.130%, bem acima dos demais – Anima, 820%; Estácio Participações, 565% e Ser Educacional, 483%.'
A cobrança de preços diferenciados é sempre mais alta para os alunos financiados pelo dinheiro público. Fica patente entre quem paga com recursos próprios em um curso de engenharia mecânica em Minas Gerais, o valor é de 769 reais. Enquanto no Fies, o aluno pagará 1.501. Um superfaturamento de fazer ladrão grego corar de vergonha. Ao mesmo tempo em que rasga o Código do Consumidor que define que não se pode cobrar preços diferenciados para um mesmo serviço.
De acordo com a publicação, o site da Kroton anuncia que o Fies é mais rentável para os alunos: 'A taxa de juros é baixa que vale a pena contratar, mesmo que você tenha dinheiro para pagar o curso. Se você colocar na poupança o dinheiro que iria usar para pagar a faculdade, acaba tendo lucro'. Fato determinante para a redução de matrículas dos estudantes que, podendo ser responsável direto pelo pagamento da anuidade, optaram pelo financiamento do Fies. A concessão de crédito, de maneira indiscriminada, operou e vem operando no enriquecimento frenético dos grupos econômicos que enxergaram no setor educacional uma maneira fácil de multiplicar os seus lucros. Levando a Ministra Ana Arraes, do Tribunal de Contas da União a qualificar a gestão do Fies como verdadeiro descalabro, destacadamente entre 2010 e 2015.
O Ministério da Educação é o grande responsável pelo carnaval de irresponsabilidades e farra com o dinheiro público, desvirtuando um programa de grande mérito na sua origem. Muito bem destacado pela jornalista Fernanda Allegretti, na sua histórica matéria: 'É uma pena, mas o que nasceu como excelente idéia, e tanto ajudou jovens desfavorecidos a abrir as portas da universidade, acabou com dois resultados visíveis e opostos: é um grande negócio para universidade privadas e uma grande dívida para jovens recém-formados'.
Por Hélio Duque, no Bem Paraná/PR
Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991)

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Coleção estórias maravilhosas para aprender se divertindo

São 10 peças teatrais completas, direcionadas ao público infanto-juvenil:
•Livro 1 – A onça e a capivara ou Não é melhor saber dividir?
•Livro 2 – Eu compro, tu compras, ele compra
•Livro 3 – A cigarra e as formiguinhas
•Livro 4 – A lebre e a tartaruga
•Livro 5 – O galo e a raposa
•Livro 6 – Todas as cores são legais
•Livro 7 – Verde que te quero verde
•Livro 8 – Como é bom ser diferente
•Livro 9 – O bruxo Esculfield do Castelo de Chamberleim
•Livro 10 – Quem vai querer a nova escola.
O teatro e a dramaturgia - ao contrário das demais ramificações da literatura – transcendem o mero prazer, regalo e deleite da leitura bem como os aspectos educativos e pedagógicos intrínsecos às letras.
É isto que o leitor perceberá tão logo adentre as páginas dos livros que compõem a coleção infanto-juvenil.
A leitura dos livros e a reflexão sobre os seus conteúdos poderão remeter o leitor a um universo só possibilitado pelo teatro.
Não por acaso, esta arte milenar tem sido cultuada por todos os povos, do ocidente e do oriente, desde muitos séculos antes de Cristo. De tão importante, os antigos egípcios e gregos chegaram a vincular o teatro aos rituais destinados a homenagear suas divindades e entes sagrados.
A dramaturgia e o teatro continuam mantendo as características que os tornaram imprescindíveis na antiguidade clássica:
- o auxilio para vencer a timidez e desenvolver a autoestima;
- o aprimoramento da oratória e da dicção;
- a aprendizagem quanto à impostação de voz, a postura, a presença cênica;
- os predicados da argumentação lógica e da reflexão crítica;
insumos que, sem dúvidas, qualificam a participação, o que – convenhamos – não é pouca coisa num ambiente social obliterado pela mediocridade. 

Preferencialmente destinada às crianças e à juventude, os livros atendem a todas as faixas etárias, dos pequenos que ainda engatinham na pré-escola e no ensino fundamental, aos jovens de ideias e propósitos que já romperam a terceira idade.
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A MODERNIZAÇÃO DOS SINDICATOS: O FIM DO IMPOSTO SINDICAL E DO MONOPÓLIO DE REPRESENTAÇÃO


Com a atual crise política e econômica, tornouse lugar comum dizer que o Brasil tem de implementar as 'reformas estruturais' para crescer de forma sustentável e realizar o seu potencial. A agenda de reformas engloba praticamente todos os campos – político, fiscal, previdenciário, tributário, trabalhista, administrativo. Uma área essencial para a modernização do País, porém, tem ficado à margem do debate – a sindical.
Diante dos graves problemas que o País tem pela frente, a reforma sindical pode parecer uma questão menor. Entre autoridades de Brasília, economistas, cientistas políticos e até analistas de botequim, parece predominar a visão de que ela pode atrapalhar a tramitação da reforma trabalhista, encaminhada ao Congresso Nacional pelo governo, no final do ano. É possível. Mas, pelo que representa nas relações entre o capital e o trabalho, a reforma sindical merece um espaço mais nobre na pauta oficial. Se o governo pode atacar em tantas frentes ao mesmo tempo, para tirar o País do atoleiro em que se encontra, não há razão para discriminá- la e deixá-la para as calendas. 'A reforma trabalhista exige uma reforma sindical', diz José Marcio Camargo, professor da PUC do Rio de Janeiro e economista da Opus, uma empresa de gestão de recursos. 'A questão sindical precisa ter seus acertos também', afirma o consultor José Pastore, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP e presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
Nesta reportagem especial, a 15.ª da série 'A reconstrução do Brasil', o Estado discute as distorções existentes na área sindical e apresenta as principais propostas para reformá- la. A reportagem encerra a série lançada pelo jornal em setembro, como uma contribuição ao debate sobre os grandes desafios do País depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Para produzi-la, o Estado realizou mais de 50 entrevistas com algumas das figuras mais respeitáveis da vida política e econômica nacional, ouviu consultores e acadêmicos do exterior e levantou dados exclusivos sobre os principais gargalos que travam o desenvolvimento do País.
Desde os tempos de Getúlio Vargas, quase nada mudou na área sindical. Mesmo a Constituição de 1988 preservou a estrutura básica da legislação corporativista criada por Vargas nos anos 1930, centrada na vinculação das entidades sindicais ao Ministério do Trabalho, na sindicalização por categoria profissional e no monopólio da representação de empregados e empregadores. Também manteve o imposto sindical, que drena um dia de trabalho dos 39 milhões de brasileiros com carteira assinada, sem contar empresários, profissionais liberais e autônomos, filiados a entidades próprias, para financiar centrais sindicais, confederações, federações e sindicatos.

Embora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sido um defensor aguerrido da reforma sindical, para libertar os sindicatos do jugo do Estado, no final dos anos 1970, quando surgiu como líder metalúrgico na região do ABC paulista, ele acabou abandonando a ideia, com o apoio do PT, durante o seu governo. Em vez de sepultar de vez a herança corporativista de Vargas, Lula não só manteve o imposto sindical, que garante o ganha-pão do que ele costumava chamar de 'pelego' nos tempos de sindicalista, como estendeu a distribuição do dinheiro às centrais sindicais, como a CUT, ligada ao PT, UGT, Força Sindical e outras. De quebra, Lula ainda liberou as entidades de prestar informações sobre seus gastos aoTribunal de Contas da União(TCU), ao vetar um dispositivo aprovado pelo Congresso Nacional para estabelecer tal controle, sob a alegação de que feria a autonomia sindical.
Hoje, se o dinheiro do imposto sindical for usado para comprar sanduíche de mortadela, transportar manifestantes para atos de protesto contra o governo e para invadir prédios públicos, a sociedade não tem como saber, ainda que a conta seja bancada, em última instância, pelos trabalhadores. Tampouco é possível conhecer eventuais gastos de dirigentes sindicais, tanto de entidades de empregados como de empregadores, em hospedagens em hotéis cinco estrelas ou em almoços nababescos nos melhores restaurantes. 'A Constituição de 1988 sacramentou o princípio de não intervenção do Estado na organização sindical – e isso deve ser assim mesmo', diz o advogado Almir Pazzianotto, ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e ex-ministro do Trabalho. 'Agora, se as entidades usam o dinheiro do imposto sindical, que é pago compulsoriamente, tem de haver prestação de contas. O que não pode é as entidades sindicais serem consideradas privadas para algumas coisas, ficando imunes à interferência do governo, e serem consideradas públicas na hora de receber o dinheiro do imposto sindical e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).'
Os sinais de que o sindicalismo brasileiro está enfermo e tem de passar por uma profunda reforma se multiplicam. Talvez o mais evidente seja a 'fábrica de sindicatos' criada no País desde a Constituição de 1988. Segundo dados oficiais, só no ano passado 326 novos sindicatos conseguiram o registro no Ministério do Trabalho, uma média de quase um por dia. Nada menos que 2.603 sindicatos, de empregadores e empregados, conseguiram o aval do governo para funcionar desde 2007. No total, de acordo com os números oficiais, existem hoje 16.429 entidades sindicais – um salto de quase 50% desde 2001 –, fora os três mil pedidos que estão na fila de espera para obter o registro. No Reino Unido, onde predomina o pluralismo sindical, existem 168 entidades sindicais. Na Dinamarca, 164. Na Argentina, 91. Na Alemanha, 11. 'Hoje, qualquer um pode fundar um sindicato', afirma Pazzianotto. Segundo ele, em Capivari, sua cidade natal, localizada no interior de São Paulo, existe um sindicato rural há cerca de 40 anos, embora não existam mais trabalhadores rurais no município. 'Há mais sindicatos em Capivari, que tem 50 mil habitantes, do que em toda a Alemanha – e em Capivari não tem indústria.'
Boa parte dos novos sindicatos criados no País é apenas de fachada. Tem pouquíssimos associados. As diferenças, muitas vezes, estão apenas em sutilezas no nome das entidades. Como o sindicato deve ter uma base territorial definida e representar uma determinada categoria profissional, as disputas pelo mesmo quinhão são frequentes. Em geral, o principal motivo dos conflitos é o mesmo que leva à proliferação de sindicatos: o apetite por uma cota do imposto sindical, que arrecadou um total R$ 3,4 bilhões em 2015 e desde 2007 movimentou quase R$ 28 bilhões – um valor equivalente ao orçamento anual do Bolsa Família, com seus 13,9 milhões de beneficiários. Quem tem mais trabalhadores em sua base territorial e profissional fica com a maior fatia do bolo, independentemente do número de associados da entidade. Nesse cenário, quem acaba definindo a 'legítima' liderança sindical é um magistrado da Justiça do Trabalho. 'Os três melhores negócios no Brasil hoje são fundar uma igreja, um partido e um sindicato', afirma Pazzianotto. 'Igreja não paga imposto, partido tem o Fundo Partidário para cobrir suas despesas e os sindicatos recebem o imposto sindical e têm participação no FAT, sem ter de prestar contas pelos seus gastos.'
Não é de estranhar que a representatividade dos sindicatos e demais entidades sindicais não pare de cair. Depois de a taxa de sindicalização no País atingir um pico de mais de 20% dos trabalhadores ocupados no final da década passada, de acordo com o IBGE, ela caiu hoje a menos de 16%. A queda na sindicalização é um fenômeno mundial, decorrente da evolução do trabalho e da tecnologia, mas, no Brasil, ela parece potencializada, em razão do abismo existente entre a ação dos sindicalistas e as demandas dos trabalhadores. 'Os trabalhadores não querem se filiar aos sindicatos, porque eles não servem para nada', diz o economista José Marcio Camargo. 'O Brasil deve ser um dos poucos países do mundo em que os sindicatos não querem ir atrás de novos filiados. Como eles vivem do imposto sindical, filiado só incomoda.'
Sem ter de se preocupar em arrecadar recursos para financiar as atividades das entidades e sem ter de justificar seus gastos, é natural que muitos dirigentes sindicais se perpetuem nos cargos e não queiram 'largar o osso'. Uma pesquisa realizada em 2013 com base em dados do Ministério do Trabalho apontou que 8.500 dirigentes estavam há mais de dez anos no comando. Transformaram-se, na prática, em sindicalistas profissionais, que controlam as entidades como feudos. Isso vale tanto para as entidades de empregados como de empregadores. No caso de entidades de trabalhadores, há um agravante, porque os dirigentes sindicais gozam de estabilidade nas empresas em que trabalham desde o momento da candidatura até um ano depois do mandato.
Para reverter o quadro, na opinião de Pazzianotto, só há uma solução: acabar com o registro das entidades sindicais no Ministério do Trabalho, 'que se tornou um grande negócio', e desligá-las totalmente do Estado. Também seria preciso, na avaliação de Pazzianotto, extinguir o imposto sindical e os repasses do FAT aos sindicatos. O País passaria a seguir as regras da Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê o pluralismo sindical. Cada entidade viveria apenas das contribuições de seus associados, tanto no caso de empregados como de empregadores. As negociações coletivas poderiam ser feitas por empresas ou por grupos de empresas de portes semelhantes. 'As eleições sindicais são uma fraude, porque a participação da categoria é mínima. As mensalidades são irrisórias e mesmo assim ninguém se sindicaliza', afirma. 'Hoje, no Brasil, poucos são tão privilegiados quanto a elite sindical.'
Apesar de a reforma sindical não ser uma prioridade do governo no momento, tramita na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado um projeto do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), de 2016, relacionado ao tema. O objetivo é obrigar as entidades sindicais a abrir a 'caixa preta' do imposto sindical e a prestar contas aoTCUsobre o uso dos recursos que recebem. O senador Paulo Paim (PT-RS) tem procurado retardar a tramitação do projeto e protocolou um requerimento, ainda não avaliado pela comissão, cujo relator é o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), para levar a questão para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS), dominada pelo PT e outras agremiações de esquerda. Há, também, um projeto do senador Sérgio Petecão (PSD-AC) que retira de vez a obrigatoriedade de recolhimento do imposto sindical. A proposta, que está em análise na CAS, a mesma para a qual Paim quer levar o projeto de Ferraço, prevê a cobrança do imposto sindical apenas dos trabalhadores sindicalizados.
Se o governo mobilizar a base aliada e conseguir aprovar os projetos de Petecão e Ferraço, ainda faltaria acabar com a exigência de aprovação dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho e com a unicidade sindical. Também seria preciso liberar a criação de sindicatos sem vínculos com categorias profissionais e atividades empresariais. Talvez, tendo de correr atrás de dinheiro para sobreviver, os sindicalistas se preocupem mais em defender o real interesse dos trabalhadores e empresários do que em se perpetuar no poder e usar seus cargos como trampolim político.
Por José Fucs, em O Estado de S. Paulo

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Achaque ao judiciário?


Recado de Lourdinha
“Emissários de Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, que procuraram advogados para orientá-la numa eventual delação premiada dizem que ela tem um trunfo na manga: o Judiciário, e não apenas do Rio”.
O recado foi dado por Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo.
Não parece ser uma proposta de delação – parece ser um achaque.


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