quarta-feira, 29 de março de 2023

Socialite que encantou oficiais da Otan na Itália era espiã da Rússia, diz investigação


Maria Adela Kuhfeldt Rivera era uma designer de joias e empresária em Nápoles, e lá mantinha uma loja de sua marca, Serein, vendendo brincos e anéis com motivos florais para a alta sociedade da Itália

Ela havia se especializado no ramo de joalherias perto de Roma já tinha morado em Paris onde criou sua marca antes de se estabelecer em Nápoles. Além de levar uma vida de luxo e riqueza regada a espumante, ela também era secretária de uma unidade local do Lions Clube, organização internacional da sociedade civil dedicada a melhorar a vida das comunidades onde atua.

Mas esta não era uma unidade qualquer do Lions a filial havia sido criada por oficiais da Otan, a aliança militar ocidental formada por países da Europa, Estados Unidos e Canadá. Rivera frequentava diversos eventos sociais da organização, nos quais se aproximou de membros do clube militar. Com alguns deles, chegou a ter breves relacionamentos.

Era uma vida de glamour, como mostram as imagens publicadas em seu perfil no Instagram, até que em setembro de 2018 ela sumiu. Dois meses mais tarde, Rivera reapareceu com um post em seu Facebook no qual dizia que estava se recuperando de um câncer. "O cabelo está crescendo depois da químio. Curtinho, curtinho mas lá. Sentindo saudades de tudo, mas tentando respirar."

Na mesma época em que ela desapareceu, chefes do serviço de inteligência militar da Rússia, conhecido pela sigla GRU, conversaram por telefone assim que o site de jornalismo investigativo Bellingcat revelou as identidades de dois espiões russos ligados ao envenenamento de outro ex-espião, Serguei Skripal.

Horas depois da conversa dos oficiais de inteligência, Rivera comprou uma passagem só de ida de Nápoles para Moscou. De acordo com uma longa investigação publicada na última quinta-feira (25) pelo Bellingcat em parceria com o site russo The Insider, a socialite era, na verdade, uma espiã russa vivendo há anos sob uma identidade falsa.

Ela estava na Itália a trabalho, espionando a Otan, e tudo indica, segundo a apuração, que foi chamada de volta para a Rússia às pressas por seus superiores, que ficaram receosos de que ela também fosse descoberta. Ela vivia disfarçada há uma década.

Rivera era uma "ilegal", como são conhecidos os agentes russos que chegam a viver décadas no exterior com uma identidade falsa. Estes profissionais são utilizados pela inteligência russa desde os primeiros anos da antiga União Soviética.

Seu nome real é Olga Kolova, e ela agora vive em Moscou num apartamento de luxo, de acordo com a investigação. A confirmação de sua identidade veio de uma maneira inusitada: a foto do Whatsapp de Kolova era a mesma do perfil no Facebook de sua alter ego Rivera.

Espiões como ela costumavam ser difíceis de serem descobertos por agências de contra-inteligência, mas num mundo de dados biométricos, software de reconhecimento facial e possibilidades de investigação online, tornou-se mais difícil para a Rússia manter seus infiltrados fora do radar.

Christo Grozev, investigador principal do Bellingcat, disse em uma entrevista que descobriu o rastro de uma possível infiltrada quando pesquisava em um banco de dados vazado por agentes de fronteira da Belarus e fornecido a ele por um grupo de hackers opositores do regime do ditador Aleksandr Lukachenko.

Grozev procurou números de passaportes russos em intervalos conhecidos por terem sido usados por agentes do GRU e encontrou vários resultados. A maioria tinha nomes russos, mas uma se destacou: Maria Adela Kuhfeldt Rivera.

Geralmente os espiões disfarçam suas ligações com a Rússia ou com a União Soviética, mas este não era o caso dela. Ao que tudo indica, uma tentativa anterior de Rivera de se passar como cidadã peruana deu errado: um documento de 2006 observa que seu pedido de cidadania ao Peru foi negado e considerado fraudulento.

A investigação descobriu ainda que, aparentemente, as joias que Kolova vendia à alta sociedade italiana eram na verdade compradas no AliExpress, uma das maiores plataformas de ecommerce da China.

Yahoo notícias, Folhapress


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terça-feira, 28 de março de 2023

Filha fora do casamento, o segredo de García Márquez revelado após sua morte

Foto do escritor Gabriel Garcia Marquez em seu estúdio na Cidade do México, em foto de 18 de outubro de 2021 (AFP/Pedro Pardo)

Um segredo do ganhador do Nobel de Literatura, o escritor colombiano Gabriel García Márquez, foi revelado quase oito anos após a sua morte: Indira Cato, uma filha que Gabo teve fora do casamento com uma jornalista e escritora mexicana, segundo a imprensa.

Casado por 50 anos com Mercedes Barcha, já falecida, García Márquez manteve um relacionamento com até agora desconhecida Susana Cato, uma mexicana 33 anos mais jovem que ele e a quem conheceu em Cuba.

Eles escreveram juntos roteiros para o cinema e em certa oportunidade ela o entrevistou para uma publicação colombiana. De seu relacionamento nasceu Indira, hoje uma produtora de cinema de 31 anos, e que não tem o sobrenome do romancista, revelou Gustavo Tatis em um artigo no jornal El Universal.

"Um pouquinho antes da morte de Gabriel García Márquez, chegou até mim o boato, e ao longo destes oito anos, o boato me perturbava e verifiquei se a informação era verdadeira", contou o jornalista nesta segunda-feira (17) à W Radio.

Em seu extenso artigo intitulado "Una hija, el secreto mejor guardado de Gabriel García Márquez", (Uma filha, o segredo mais bem guardado de Gabriel García Márquez, em tradução livre), o jornalista garante ter confirmado "a notícia" com o biógrafo, familiares e um dos melhores amigos do escritor.

Segundo seu relato, durante este tempo, manteve a informação em sigilo por respeito à esposa do autor de "Cem anos de Solidão". "Esperamos que Mercedes morresse para divulgá-la", acrescentou.

Tatis, citando sempre pessoas próximas do Nobel de Literatura, não explica se Barcha soube da existência de Indira.

"É muito provável que Mercedes intuísse o que tinha acontecido entre Susana e García Márquez, mas até o final de sua vida, manteve discrição e silêncio. No entanto, a revelação da existência de Indira foi um cataclismo familiar", acrescenta no artigo.

No entanto, "até o final, García Márquez esteve de olho nela", assegura Tatis.

O Nobel de Literatura de 1982 dizia nos anos 1990 que "todo escritor tinha três vidas: uma pública, uma privada e outra secreta". E que em seu caso, "em cada uma de suas três vidas, as mulheres tinham sido chave", lembrou o jornalista.

García Márquez morreu no México em abril de 2014 aos 87 anos e sua esposa, Mercedes, em 2020, com a mesma idade. Eles deixaram dois filhos, Gonzalo e Rodrigo, que publicou no ano passado o livro "Gabo y Mercedes, una despedida", sobre os últimos dias do escritor.

AFP


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