quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Desmatamento sem freio, o desafio ambiental para o novo governo da Colômbia


A perda de florestas piora na Colômbia ano após ano. Apesar da comemoração oficial sobre um aparente declínio no desmatamento, a estratégia militar para acabar com a extração de madeira "foi um fracasso", dizem especialistas às vésperas da instalação do primeiro governo ambientalista de esquerda.

 

Um dos países mais biodiversos do mundo, segundo a ONU, perdeu uma superfície de 7.018 quilômetros quadrados entre 2018 e 2021, área apenas um pouco maior do que a extensão da cidade de São Paulo, conforme dados oficiais.

Embora o resultado seja pior que o do quadriênio anterior (6.584 km2), o governo em final de mandato de Iván Duque defende sua gestão.

“Esse fenômeno foi reduzido em 34% em relação ao modelo de tendência”, celebrou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Correa, ao apresentar o número do desmatamento relativo a 2021 (1.741 km2).

Em vez de comparar o dado com o de 2020, quando 1.717 km2 de floresta foram destruídos, o governo toma como referência um modelo que projeta o desmatamento com base na tendência entre 2008 e 2017, período em que cresceu descontroladamente.

"Então, ante um hipotético cenário catastrófico, perder 1.700 quilômetros quadrados é bom? Não me parece", critica o diretor da Fundação para Conservação e Desenvolvimento, Rodrigo Botero.

Em entrevista à AFP, o especialista, apoiado nos números das próprias autoridades, vê um aumento sustentado do desmatamento entre 2019 e 2021.

"Ainda estamos em um ponto muito alto na curva de desmatamento. O fato de estarmos há três anos consecutivos em ascensão implica que não há controle sobre as variáveis estruturais. É um sinal de alerta", enfatiza.

A pecuária extensiva, a grilagem de terras, os incêndios florestais e os narcocultivos são as atividades que mais destroem a floresta na Colômbia, principalmente na Amazônia.

O presidente eleito Gustavo Petro, que prestará juramento neste domingo (7), anunciou que vai priorizar a defesa do meio ambiente e o combate à crise climática.

Para isso, suspenderá a exploração de petróleo para dar lugar, progressivamente, às energias limpas e limitará a expansão agrícola na região amazônica. Também planeja criar reservas ambientais para indígenas e outras comunidades camponesas desenvolvam projetos ambientalmente sustentáveis.

- Abordagem errada -

Por enquanto, o novo governo terá de tomar uma decisão em relação à estratégia de seu antecessor.

Segundo o ex-ministro do Meio Ambiente Manuel Rodríguez (1993-1996), o crescimento anual do desmatamento revela o "fracasso" dessa política, pois "se concentrou em operações de caráter militar e judicial".

Em abril de 2019, oito meses depois de assumir o poder, Duque lançou a Operação Artemisa com 23 mil soldados, três dezenas de promotores e uma única missão: deter o desmatamento.

Até agora, cerca de 100 detenções foram feitas, e um número similar de ferramentas, apreendido.

"Artemisa teve 20 intervenções. Para quatro anos, é um número bastante modesto", disse Rodríguez à AFP.

Além disso, “é preciso gerar uma presença do Estado em termos de educação e de geração de empregos”, detalha.

Os camponeses denunciam que a operação militar se concentrou em atacar o elo mais fraco da cadeia, e não nos promotores das atividades que mais geram desmatamento.

Botero adverte, por sua vez, que o desmatamento continua crescendo "pela retumbante impossibilidade deste governo de titular as terras em áreas florestais".

"Estão deixando que a colonização, motivada por grandes recursos, vá para as terras mais baratas - que são as terras da nação -, e não há base social, nem governança local, que a detenha", afirma.

Como parte dos Acordos de Paris, a Colômbia se comprometeu a chegar a zero hectare de floresta desmatada em 2030. Para atingir essa meta, prevê uma redução para 1.550 km2 anuais até 2022, e 1.000 km2, até 2025.

AFP, Juan Sebastian Serrano


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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Incêndios na Amazônia brasileira aumentaram em julho


O número de incêndios florestais na Amazônia brasileira aumentou 8% em julho em comparação com o mesmo mês do ano passado - revelam dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (1º).

 

No mês passado, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram 5.373 focos de incêndio nessa região, contra 4.977 em julho de 2021.

Este número é ligeiramente superior ao de 2019 (5.318) e menor que o de 2020 (6.803), para um mês propenso a incêndios, devido ao início da estação seca.

Desde o início do ano, foram detectados 12.906 incêndios, o que representa um aumento de 13% em relação aos sete primeiros meses de 2021.

"Este é só o início do verão Amazônico, estação com menos chuvas e umidade, onde infelizmente a prática de queimadas e incêndios florestais criminosos explodem", disse o porta-voz da Amazônia do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista.

Nesta época, há queimadas "nas áreas que foram derrubadas recentemente e deixadas para secar, ou mesmo queimando áreas de florestas que já foram degradadas pela extração ilegal de madeira", acrescentou.

Batista afirmou que, além de destruir a biodiversidade, a fumaça dos incêndios também afeta a saúde da população local.

Os meses mais devastadores dos incêndios florestais na Amazônia costumam ser agosto e setembro.

O Greenpeace publicou fotos aéreas de grandes incêndios florestais na semana passada durante um voo sobre o estado amazônico de Rondônia.

O Brasil registrou um desmatamento recorde no primeiro semestre do ano, com quase 4.000 km2 queimados. Este foi o maior registro desde que o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) começou a contabilizar os danos, em 2016.

O número representa um aumento de 10,6% em comparação com o mesmo período de 2021.

O presidente Bolsonaro, que busca a reeleição na eleição presidencial de outubro, é frequentemente criticado por suas políticas ambientais.

Os dados oficiais mostram que, desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2019, o desmatamento médio anual na Amazônia aumentou 75% em comparação com a década anterior.

AFP


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