sexta-feira, 3 de junho de 2022

A ONU é uma piada de mau gosto

TV mostra lançamento de míssil pela Coreia do Norte

Em meio a críticas, Coreia do Norte assume presidência de conferência do desarmamento da ONU


A Coreia do Norte, que está sob sanções por desenvolver armas nucleares em desafio às resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, assumiu a chefia de um órgão da ONU destinado a fechar acordos de desarmamento em meio ao desprezo de críticos.

 

Este ano, a Coreia do Norte testou mísseis balísticos --também proibidos pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU-- e parece estar se preparando para realizar um novo teste nuclear pela primeira vez desde 2017.

O país assumiu a presidência da Conferência sobre Desarmamento porque a mesma tem rodízio em ordem alfabética entre seus 65 membros.

"A RPDC (República Popular Democrática da Coreia) continua comprometida em contribuir para a paz e o desarmamento globais e atribui importância ao trabalho da conferência", disse o embaixador Han Tae Song na reunião de Genebra, dizendo que é uma "honra e um privilégio" ocupar o cargo.

A Coreia do Norte disparou vários mísseis na semana passada, incluindo um que se acredita ser seu maior míssil balístico intercontinental.

Embaixadores ocidentais se revezaram para condenar as ações de Pyongyang nesta quinta-feira, com a Austrália descrevendo-as como "desestabilizadoras".

No entanto, eles não atenderam a um pedido para sair da reunião, conforme solicitado por dezenas de ONGs, disseram testemunhas. Em vez disso, algumas missões diplomáticas enviaram representantes de nível inferior do que os embaixadores que normalmente deveriam comparecer.

A reação geral do plenário foi vista pelos observadores como leve em comparação com a reação à presidência da Síria do mesmo órgão em 2018. Durante aquela reunião, o Canadá leu os relatos de sobreviventes de um ataque químico sírio em protesto.

Hillel Neuer, diretor-executivo da UN Watch, que monitora o desempenho do órgão global, disse que a presidência da Coreia do Norte "minará seriamente a imagem e a credibilidade das Nações Unidas".

As expectativas para esta série de reuniões sob a presidência de Pyongyang de qualquer modo eram baixas. A Conferência sobre Desarmamento --o único fórum multilateral do mundo para o desarmamento-- não chega a um acordo desde o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares em 1996.

"Isso só pode destacar a irrelevância da CD no contexto atual", disse Marc Finaud, especialista do Centro de Política de Segurança de Genebra, sobre o papel da Coreia do Norte.

(Reportagem de Emma Farge; reportagem adicional de Josh Smith em Seul), Reuters


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quinta-feira, 2 de junho de 2022

A Volkswagen e o trabalho escravo nos anos 70 e 80

 

   MPT chama Volkswagen para audiência sobre suposto trabalho escravo nos anos 70 e 80


   O Ministério Público do Trabalho confirmou que investiga a responsabilidade da Volkswagen em caso de suposto trabalho escravo em uma fazenda da montadora nas décadas de 1970 e 1980, no Pará.

 

O MPT convocou a unidade brasileira da Volkswagen para uma audiência administrativa em 14 de junho, 14h, em Brasília.

A convocação ocorre após publicações na imprensa alemã, no domingo, com o jornal Sueddeutsche Zeitung e a emissora pública NDR revelando que a montadora é investigada no Brasil por supostas violações aos direitos humanos em uma fazenda durante o período de ditadura militar.

A Volkswagen disse também no domingo que leva a sério a investigação e que não daria mais detalhes por causa de procedimentos legais.

Em nota, a Volkswagen no Brasil afirmou que contribuirá com as investigações envolvendo direitos humanos "de forma muito séria" e "não comentará o assunto até que tenha clareza sobre todas as alegações".

As acusações, segundo o MPT, incluem falta de tratamento médico em casos de malária, alojamentos em locais insalubres, com alimentação precária e sem acesso a água potável, além de impedimento de saída da fazenda devido a dívidas contraídas, inclusive com uso de vigilância armada.

"O procurador do trabalho Rafael Garcia Rodrigues, que coordena a investigação sobre o caso, explica que o grupo de trabalho concluiu pela responsabilidade da Volkswagen em graves violações aos direitos humanos ocorridas dentro da fazenda de sua propriedade", disse o MPT em comunicado em seu site.

O caso teria ocorrido em local conhecido como Fazenda Volkswagen, em Santana do Araguaia (PA). O terreno de 139 mil hectares seria de propriedade da Companhia Vale do Rio Cristalino Agropecuária Comércio e Indústria (CVRC), subsidiária da Volkswagen, disse o órgão, acrescentando que a fazenda teria sido subsidiada por entidade ligada ao governo militar.


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O MPT afirmou que a CRVC tinha 300 empregados diretos que trabalhavam em funções de vaqueiro à fiscalização, mas os serviços de roçagem e derrubada da floresta eram executados por trabalhadores sem vínculo empregatício.

"As denúncias de tráfico de pessoas e trabalho escravo se referem, em particular, a esses lavradores aliciados por empreiteiros a serviço da CVRC para roçar e derrubar a mata" na fazenda, disse o MPT.

Isso porque a vegetação nativa da fazenda, de acordo com o comunicado, teria sido transformada em área de pasto através de queimadas e desmatamentos por meio de empreiteiros que recrutavam lavradores em pequenos povoados, recrutados em especial no interior de Mato Grosso, Maranhão e Goiás.

O MPT não disse quantas pessoas teriam sido vítimas dos atos. O órgão começou a investigar o caso em 2019, após receber documentação de um padre que coordenava na ocasião dos supostos acontecimentos a Comissão Pastoral da Terra da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil para a região de Araguaia e Tocantins. Hoje, ele coordena grupo de pesquisa sobre trabalho escravo na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Andre Romani, Reuters


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