domingo, 13 de outubro de 2019

Enem confirmadíssimo



As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 foram todas impressas e metade delas já foi remetida aos locais de aplicação. 'Acabou o risco de não ter Enem', enfatizou o ministro da Educação, Abraham Weintraub. O Enem 2019 será realizado nos dias 3 e 10 de novembro, em 1.727 municípios brasileiros. Mais de 5 milhões de pessoas farão o exame em 14 mil locais de aplicação de provas.

Ao todo, foram impressas 10,3 milhões de provas. A primeira remessa, de 408 mil provas, foi enviada no dia 3 de outubro, para locais de difícil acesso do Pará e Bahia. Outros malotes seguiram para Rondônia, Piauí, Pernambuco e Mato Grosso. Os materiais estavam sob a guarda do 4º Batalhão de Infantaria Leve do Exército Brasilieiro, em Osasco (SP).

Em café da manhã com jornalistas, na manhã de hoje (10), o ministro ressaltou que apesar dos problemas enfrentados com a gráfica neste ano, o cronograma está sendo seguido e a prova está garantida. 'Não teve problema nenhum com a gráfica', ressaltou Weintraub.

No início deste ano, a empresa RR Donnelley, que era detentora do contrato para a impressão do Enem, decretou falência. O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou, em abril, a contratação de nova gráfica. Foi escolhida a Valid S.A., garantindo a impressão das provas. A Valid era a gráfica seguinte na ordem de classificação na licitação realizada em 2016.

Neste ano, a contratação da segunda colocada foi autorizada pelo TCU para que a prova pudesse ser impressa a tempo, segundo o ministro. Para 2020, será feita uma nova licitação. O processo para a elaboração de novo edital está em andamento, segundo o Inep.

Conteúdo

A prova deste ano será focada em questões que avaliem objetivamente o aprendizado dos estudantes, segundo o presidente do Inep, Alexandre Ribeiro Lopes. 'A prova foi produzida da mesma forma dos anos anteriores. O que houve foi uma orientação para que [as questões] focassem na aprendizagem', diz.

Após polêmica envolvendo questões do Enem no ano passado, o Inep criou, no início deste ano, um grupo responsável por 'identificar abordagens controversas com teor ofensivo a segmentos e grupos sociais, símbolos, tradições e costumes nacionais' e, com base nessa análise, recomendar que tais itens não fossem usados na montagem do Enem 2019.

Lopes afirmou que nem ele nem o ministro tiveram acesso às provas que serão aplicadas em novembro.

Logística

Para colocar o Enem de pé é necessária uma megaoperação de logística e segurança. São 400 mil profissionais envolvidos em todo o processo da avaliação. Só a operação de transporte dos malotes envolve 31 mil colaboradores, a maioria, agentes de segurança pública. São 4,2 toneladas de papéis, transportados em 3.746 contêiners levados em aviões, carretas e barcos.


Da Agência Brasil




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sábado, 12 de outubro de 2019

46% dos participantes do Enade 2018 recebem algum tipo de recurso público



Um balanço feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em conjunto com o Ministério da Educação (MEC), revelou que 46% dos cerca de meio milhão de estudantes que participaram do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) em 2018 têm auxílio financeiro do governo federal. São alunos que cursaram o ensino superior por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e do Programa Universidade para Todos (ProUni), por exemplo.

O balanço foi apresentado nesta sexta-feira (4), durante coletiva de imprensa com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e o presidente do Inep, Alexandre Lopes. De acordo com Weintraub, esse dado mostra que o dinheiro dos cidadãos está sendo aplicado na educação. "O pagador de impostos está ajudando esses estudantes a concluírem o curso de graduação", disse."O jovem que não tem recurso não está totalmente desamparado, ele tem outros mecanismos, como financiamento público", completou. Ainda de acordo com o chefe da pasta, "o que precisa melhorar são esses mecanismos, porque o Fies é uma situação que, para o aluno, foi muito ruim".

Resultados

Na edição de 2018 do Enade, 8.821 cursos foram avaliados de um total de 1.791 instituições de educação superior públicas (227) e privadas (1.564), nas modalidades presencial e a distância. O desempenho dos estudantes que fizeram o exame define como os cursos são classificados em uma escala de 1 a 5, sendo 5 a nota máxima.

A maioria dos cursos foi classificada com notas 3 e 2. O levantamento na íntegra está disponível no portal do Inep em Relatórios Síntese de Área e Relatórios de Curso e de Instituição de Ensino Superior. O Boletim do Estudante está liberado no Sistema Enade.

Do Correio Braziliense Online


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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

MEC estuda punição a aluno que tiver nota baixa no Enade



Quem faz a prova e acerta 10% das questões não deveria se formar, afirma ministro Abraham Weitraub; ideia é também criar mecanismos positivos, como divulgar faixa de aberto para beneficiar quem vai bem
O Ministério da Educação quer criar mecanismos para que seja possível punir o aluno que tem um desempenho muito abaixo da média no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). A proposta foi apresentada nesta sexta-feira, 4, pelo ministro da Educação, Abraham Weitraub.

'O aluno faz a prova como se não houvesse amanhã', disse, ao comentar os resultados do Enade para os cursos de bacharelado das áreas de Ciência Sociais, Ciências Humanas e os tecnólogos de Gestão e Negócios, Produção Cultural e Design. Ele atribuiu parte do baixo desempenho à falta de incentivo dos alunos para a realização das provas.

'Uma pessoa que faz a prova e acerta 10% das questões não deveria se formar', afirmou.

A participação no exame é obrigatória, sob pena do atraso na colação de grau. O desempenho, contudo, não traz atualmente vantagens ou desvantagens para o aluno. Diante desse cenário, avalia, parte dos alunos acabam entregando a prova em branco. Ele observou que resultados abaixo do porcentual de acerto com resposta aleatórias.

A ideia é também criar mecanismos positivos. E esse seria o primeiro passo da estratégia.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Alexandre Lopes, afirmou que a ideia é incluir, no próximo edital, uma regra que permita a divulgação da faixa de nota do estudante que participou do exame. Isso seria feito, por exemplo, para aqueles que tivessem um nível de acerto entre 60% e 80% e na outra faixa, para aqueles que tivessem um acerto acima de 80%. Tal mecanismo, na avaliação de Weintraub, poderia ser usado como incentivo, sobretudo no momento em que o estudante for procurar uma colocação no mercado de trabalho.

'Nada será feito a fórceps', disse Weintraub, ao apresentar as propostas. A ideia é que mudanças nas regras de avaliação sejam discutidas com especialistas. Parte delas, de acordo com Lopes, poderão ter aplicação imediata. Outras, necessitarão de portaria ou de mudança na lei. Lopes afirmou que a ideia é apresentar um conjunto de sugestões para melhorar as avaliações preparadas pelo Inep até o fim deste ano.

Do Estadão Online

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Chega a 124 o número de localidades afetadas por manchas de óleo no Nordeste




Novo balanço do Ibama aponta que petróleo cru foi encontrado em praias de 59 municípios de oito Estados da região; oito animais morreram. Órgãos ainda não conseguiram identificar origem da substância
Chegou a 124 o número de localidades do Nordeste afetadas por manchas de óleo cuja origem permanece desconhecida. Segundo novo balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), são 59 os municípios afetados, de oito Estados da região. Doze animais foram atingidos pela substância, sendo onze deles tartarugas marinhas, e oito deles morreram. A substância é petróleo cru, segundo análise do órgão, mas o tipo identificado não é produzido no Brasil.

Em nota, o Ibama informou ter requisitado apoio à Petrobras para atuar na limpeza das praias. Agentes comunitários estão sendo contratados pela petrolífera, que já havia realizado treinamento prévio para ocasiões em que fossem necessários esses serviços. "Investigação do Ibama com apoio dos Bombeiros do DF aponta que o petróleo que está poluindo todas as praias seja o mesmo. Contudo, a sua origem ainda não foi identificada. Em análise feita pela Petrobras, a empresa informou que o óleo encontrado não é produzido pelo Brasil", informou o órgão ambiental.

O petróleo tem chegado às praias em diferentes intensidades desde o dia 2 de setembro e permanece ocorrendo até esta semana. As manchas se caracterizam como vestígios, esparsas, descontínuas e contínuas de acordo com a cobertura observada na areia das praias. Por ser uma substância tóxica, a recomendação do Ibama e das Superintendências Estaduais de Meio Ambiente é de que as pessoas evitem o banho de mar, a prática de esportes náuticos e também a pesca, bem como evitar o consumo de frutos do mar desses locais.

Do Estadão Online

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A universidade da disrupção



A Singularity University, escola de inovação do Vale do Silício, terá campus em São Paulo com uma questão-chave: Até os pessimistas vão se render ao otimismo com o futuro que os seus professores ensinam?

Já foi dito que, mais do que um lugar, o Vale do Silício é um estado mental, uma forma de abordar os negócios e as inovações. A criatividade que permeia as startups e invenções que tornaram a região da Califórnia famosa no mundo todo tem relação com as empresas fundadas lá, como Google, Apple, HP, Facebook, Intel, Netflix e Tesla. Mas talvez elas nem existiriam se não fosse pela forte cultura educacional da região, ilustrada pela tradicional Universidade Stanford, de 134 anos.

A grande novidade de ensino da última década, no entanto, responde pelo nome de Singularity University e tem uma história muito mais recente. Localizada dentro do Parque de Pesquisas da Nasa, em Santa Clara (próxima da Stanford e da sede do Google), ela surgiu em 2009 da cabeça de dois visionários nova-iorquinos. São eles o engenheiro, médico e físico Peter Diamandis, conhecido por criar o prêmio de exploração espacial da Fundação X Prize, e o diretor de engenharia do Google, inventor e futurista Ray Kurzweil, que causou polêmica mundial em 2002, quando revelou que o seu objetivo era não morrer e que imaginava que isso seria possível.

A abordagem vanguardista da nova instituição conquistou pessoas de negócios de todo o mundo. Mas, para os brasileiros, virou um verdadeiro frenesi. A empreendedores e principais executivos do País, parece que não existe nada melhor para entrar no estado de espírito que representa o Vale do Silício do que cursar a Singularity. Um exemplo é o da Dasa, grupo de laboratórios diagnósticos dono do Delboni Auriemo e do Lavoisier. Dez executivos, incluindo o CEO e sócio, Pedro Bueno, e dois conselheiros, Alexandre de Barros e Romeu Domingues, cursaram por quatro dias o programa de Medicina Exponencial, na Singularity, num investimento feito pela empresa há três anos. “Depois do curso, demos uma acelerada no processo de inovação na empresa, e avançamos na implementação de Inteligência Artificial e na pesquisa de usos de 3D, realidade aumentada e robótica”, afirma Domingues, presidente do conselho de administração da Dasa.

Em 10 anos, mais de 1 mil brasileiros se dirigiram à Califórnia para realizar seus cursos, como o Programa de Soluções Globais (rebatizado no ano passado como Programa de Startups Globais) e o Programa Executivo, que podem custar US$ 20 mil, por seis semanas de aulas presenciais. Thomas Kriese, vice-presidente da Singularity, diz que fora dos Estados Unidos, o Brasil tem a maior representação de alunos. “Os brasileiros participavam do curso e depois convenciam os amigos”, afirma. “Chegou ao ponto de precisarmos limitar o número de brasileiros por classe. Eles gostavam do conteúdo, mas sentiam que estavam no Brasil e que o curso deveria ser algo mais multicultural.”

PARCERIA COM HSM

A partir de 2020, isso não será mais uma preocupação. A Singularity está chegando ao Brasil. Mais especificamente a São Paulo, com expectativas de ter a primeira turma no início do próximo ano. Em parceria com a HSM, do grupo Anima Educação, ela finaliza a escolha de um local para o campus. “Se não chegarmos a 16 mil alunos brasileiros, sentirei que fracassei no meu plano de trazer o programa ao País”, afirma Kriese. “Tornando o conteúdo disponível em português e no Brasil, podemos chegar não só ao topo executivo das empresas, mas também atingir os empreendedores e a gerência média de grandes organizações.”

Na sexta-feira 4, deve ser finalizada a certificação do corpo docente brasileiro, que deve incluir 15 nomes dentre mais de 100 pessoas avaliadas, segundo Guilherme Soárez, vice-presidente de crescimento e educação continuada da Ânima Educação. Esse processo foi realizado em três fases, com visitas à sede da Singularity, aulas on-line sobre a sua história, treinamentos de apresentação em público e análise de projetos e de palestras dos candidatos. “Buscamos pessoas que realizaram algo. Não basta ter aprendido por um vídeo na internet e contar a história dos outros”, afirma Soárez. “Pode ser um executivo, um empreendedor ou um pesquisador de ponta. Mas é necessário ter também muito boas habilidades de comunicação, capacidade de passar mensagens de forma inspiracional e de levar as pessoas da platéia à ação.”

A unidade fará parte de um ecossistema global de estudos e ensino, que inclui também os campi da Singularity em Copenhague, Amsterdã, Johannesburgo, Lisboa, Milão, Toronto e Sidney. Os professores e alunos brasileiros deverão ajudar na troca de conhecimentos entre países.

O campus em São Paulo deve ter entre 3 mil e 5 mil metros quadrados, e deve abrigar também outros parceiros. Escolas de programação, de design thinking e de mindfulness estão sendo procuradas para se estabelecer no local. Também foram convidadas empresas e fundos de investimentos, além de startups, para apoiar algumas das áreas de estudos da unidade brasileira.

Foram identificadas oito áreas de foco para a unidade nacional. Metade delas tratará de grandes dificuldades do país em comparação com o mundo desenvolvido: saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. “Se usarmos um pensamento linear e analógico, levaremos até 2070 para resolvermos esses problemas”, diz Soárez. “E, sem superarmos essas dificuldades, não teremos nenhuma chance no mercado global.” As quatro disciplinas restantes são oportunidades de liderança global para o Brasil, incluindo agricultura, energia, meio ambiente e serviços financeiros.

Essa abordagem otimista quanto ao futuro faz parte do DNA da escola e ajuda a explicar o interesse dos brasileiros por ela. Afinal, uma das coisas mais em falta no País tem sido exatamente isso. Kriese cita uma estatística do Boston Consulting Group que descobriu que 72% dos brasileiros deixariam o País se tivessem essa possibilidade. “E um grande problema, porque as pessoas que querem sair não são aquelas que estão sofrendo. São as que têm mais capacidade de ter sucesso em outros lugares”, afirma o executivo. “Então, buscamos mostrar idéias para incentivá-las a acreditar num futuro melhor aqui no Brasil.”

O otimismo da Singularity está baseado no fato de que, mesmo com todas as más notícias pelo mundo, as macro- tendências mostram que menos pessoas estão abaixo da linha da pobreza e passam fome do que no passado. “O medo das pessoas falharem e das repercussões externas de tentarem algo novo é o que faz elas ficarem presas ao status quo, ou a desejarem voltar a um tempo em que as mudanças não eram tão rápidas”, afirma Kriese. “Mas acredito que as pessoas se esquecem de como o mundo era duro no passado.”

Para a Singularity, o futuro será de abundância. A energia será gratuita, com os avanços na captação de energia solar. Metade das doenças do mundo desaparecerá, por estarem ligadas ao consumo de água não potável. E o transporte será cada vez mais inteligente. “As empresas precisam pensar em como vão operar neste mundo de abundância”, diz Kriese. “Tudo isso está a nosso alcance.” Agora, para o brasileiros, o alcance será ainda mais facilitado, com a chegada da escola ao País.
Por Carlos Eduardo Valim, na Isto É Dinheiro

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Bullying




ENTREVISTA - Dave Cullen: ‘Eu vi a escuridão’
Jornalista americano que é o maior especialista em massacres juvenis fala do horror em Columbine, desmonta lugares-comuns e diz como evitar essas tragédias

Na manhã de 20 de abril de 1999, quando os jovens Eric Harris e Dylan Klebold deram o tiro que deu início ao mais famoso massacre dos Estados Unidos, o jornalista e escritor Dave Cullen almoçava perto da escola Columbine High School. Ao saber do tiroteio, correu para lá. A partir daí, dedicaria a vida ao massacre: foi o primeiro jornalista a entrar na escola, virou confidente dos sobreviventes e conversou com centenas de testemunhas para montar o quebra-cabeça da tragédia. Em 2009, lançou o relato mais completo do episódio: Columbine (Editora DarkSide) — que chega ao Brasil em versão atualizada, com os diários dos assassinos. Cullen, de 58 anos, foi afetado pelo objeto de estudo: o massacre o levou à depressão. Na entrevista concedida durante passagem por São Paulo, chorou ao exibir as pulseiras que ganhou de sobreviventes. Ele fala sobre as causas e lições de Columbine e atentados similares — até mesmo do massacre ocorrido em Suzano, em março deste ano.

Vinte anos após Columbine, o massacre ainda é a mais famosa tragédia do gênero e inspira novos atiradores em vários países. O que explica isso?

A crueldade, o planejamento, a tática utilizada pelos dois adolescentes assassinos, Eric Harris e Dylan Klebold, foram inéditos. Mesmo após outras dezenas de tiroteios, não houve nenhum tão espetacular. O episódio já não está entre os dez mais letais dos Estados Unidos. Mas Columbine é visto como um exemplo a ser seguido e superado. Podemos dizer que foi a mãe de todos os massacres.

Por que os tiroteios em escolas se tornaram tão frequentes?

As pessoas me perguntam o motivo dos tiroteios e quando isso vai acabar. A verdade é que estamos vivendo um momento em que elas mesmas se interessam por isso. A TV é inundada de programas sobre crimes reais e tiroteios semelhantes. As pessoas estão usando traumas reais como entretenimento. É um novo tipo de banalização da maldade, e isso é muito perigoso.

O senhor costuma questionar a imprensa e até fez um mea-culpa por ter ajudado a colocar os assassinos sob os holofotes. Mas noticiar os fatos não é dever do jornalismo?

Ajudar a propagar sua fama foi, infelizmente, um erro da imprensa. Isso começou lá atrás, mas depois vieram os muitos filhotes de Columbine. São jovens que planejam e executam massacres com o intuito de imitar Eric e Dylan. Foi o que ocorreu no Brasil neste ano, em Suzano. O rosto dos jovens matadores foi reproduzido no noticiário em diversas línguas. É essa exposição que eles almejam. Devemos omitir no noticiário o nome e as imagens de quem comete esse tipo de atentado. Em vez disso, é melhor chamá-los pelo que eles são: assassinos, atiradores, criminosos.

Como um dos primeiros a chegar à cena do massacre de Columbine, quando notou a magnitude do ocorrido?

Levou dias para cair a ficha. Ninguém estava preparado para aquela barbárie. A crueldade dos atiradores era chocante: eles atiravam em qualquer um para matar. Os corpos ainda estavam dentro da escola, e a lista de mortos não tinha saído. As pessoas choravam e diziam não saber por quem chorar, pois não sabiam quem estava vivo ou morto. O carro de uma das vítimas virou um ponto de homenagem e orações. Era o único veículo que estava fora da barreira policial, e os alunos não tinham um corpo para velar. O automóvel, soubemos depois, era de uma garota que foi a primeira vítima dos atiradores.

Há uma tendência a apontar primeiro os pais como culpados pelos atiradores juvenis. É justo?

Os pais não são os culpados. Eles não puxam o gatilho. As pessoas precisam culpar alguém. Elas necessitam de um vilão, e muitas vezes os familiares dos atiradores são colocados nesses papéis. Na maioria dos casos, contudo, não há sinais de que os pais tenham feito algo errado na educação dos filhos. Tom e Sue Klebold, pais de Dylan, eram ótimos e muito presentes.

Não caberia aos pais farejar sinais de desvio?

Um pai e uma mãe nunca vão achar que o filho deles é um psicopata. Psicopatas manipulam as pessoas, os amigos, a família. Podemos ver tudo na nossa frente, menos um psicopata. Os pais, geralmente, não sabem o que é um psicopata de verdade, não sabem quais são os sinais. E, para falar a verdade, não há um sinal de que o filho se tornará um assassino. Você passa o dia com ele, cuida dele, ensina-o a ser uma boa pessoa. E, quando vê, ele está na televisão atirando nos colegas de classe com armas e munições que possivelmente estavam escondidas dentro da sua casa. Gosto de usar Dylan como exemplo. Ele às vezes chegava em casa deprimido, sem vontade de fazer as coisas. Mas isso acontece na vida de mais da metade dos alunos de um colégio. São sinais inequívocos de que o jovem vai matar treze pessoas e cometer suicídio em seguida?

No Brasil, os atiradores de Suzano usaram a deep web para planejar o massacre. A internet tem sua parcela de culpa nesse tipo de crime?

Sim. No Canadá, potenciais atiradores se conheceram pela internet com o objetivo de perpetrar um ataque. Era um trio que incluía gente de cidades diferentes. Todos os três foram presos antes que pudessem pôr o projeto em ação. Não acho, naturalmente, que a internet seja capaz de produzir assassinos. No refúgio da deep web, no entanto, ficou mais fácil montar grupos de pessoas que comungam da ideia de que cometer atentados em massa é uma coisa legal.

A tragédia de Columbine desencadeou um debate sobre o porte de armas nos Estados Unidos, mas quase nada mudou. O senhor está entre os que acreditam que dificultar a compra de armas evitaria os massacres?

Na verdade, retrocedemos nesse ponto. Nem todo mundo deveria ter direito de portar armas de fogo. Hoje, qualquer um com mais de 21 anos pode comprar uma arma sem apresentar atestado médico ou de antecedentes criminais. As pessoas que em teoria não têm condições de comprar armas deveriam estar em uma lista on-line de incapazes. Se os atiradores usam a internet a favor deles, por que nós não a estamos usando ainda a favor da vida? Os Estados Unidos são o único país em que ocorrem massacres quase todos os anos, e nada acontece. A Austrália tinha leis de armas liberais até o tiroteio em Port Arthur. Desde então, decidiu controlar todo o processo de venda de armas de fogo. Tudo o que os governantes são capazes de produzir são ideias que podem piorar as coisas, como armar os professores.

Depois do massacre de Suzano, a ideia também foi defendida por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Não é uma medida razoável?

O presidente brasileiro adora imitar as coisas que Trump faz. A ideia de armar os professores é a proposta mais idiota que já ouvi sobre o assunto. Estaríamos apenas adicionando mais potencial de violência à rotina de adolescentes. Eles não precisam de mais gatilhos, e sim de aconselhamento, de supervisão. O trabalho de um professor é educar para o futuro — e isso funciona à base de confiança. Como os alunos terão confiança em um professor que a qualquer momento pode apontar uma arma para a cabeça deles e ameaçar dar um tiro?

Costuma-se citar o bullying como um dos motivos dos massacres. Ele é mesmo o grande vilão?

Creio que não. Falou-se muito que o ambiente da escola de Columbine era tóxico e que havia bullying. Mas era um ambiente normal de ensino médio. Vi vários sites culpando os sobreviventes, porque aqueles dois pobres adolescentes supostamente sofriam muito com o bullying. É mentira. Eric e Dylan mais cometiam do que eram vítimas de bullying. Eles queriam matar da maneira mais cruel a maior quantidade de alunos possível para entrar para a história e ser reconhecidos. Eles escolheram fazer aquilo.

A escola, então, não era um ambiente propício à violência?

Quem escreve num diário que quer estuprar pessoas e arrancar a cabeça de uma menina é um coitado? Pois foi isso que Eric escreveu antes de matar treze pessoas em Columbine. Ele era um psicopata que queria fazer coisas ruins aos outros. Nós pintamos a imagem da escola monstruosa que teria levado esses jovens com problemas a matar treze pessoas. Mas eles fizeram o que fizeram por vontade própria.

É possível traçar um perfil preciso de um atirador de massa?

Normalmente, esses jovens são pessoas cabisbaixas, tristes, que não são aceitas nos grupos principais do colégio e não se sentem amadas por ninguém. Chega um momento em que eles se cansam de andar nas sombras. Eles precisam se mostrar e ser vistos. Muitos sofrem de depressão e exibem tendências suicidas. “Por que me matar se eu posso matar a todos que não me amam e me maltratam de alguma forma? E o mundo saberá quem eu sou”, eles pensam. Um erro que muitas pessoas cometem é chamar todos de psicopatas. Nem todo atirador é psicopata, nem todo atirador sofreu bullying na escola. Eu os divido em dois grupos: os criativos e os que ambicionam provocar o maior número de baixas. Eric, infelizmente, era as duas coisas em um só. Criativo na hora de planejar o atentado com crueldade e focado na meta de elevar a contagem de mortos.

De que forma o senhor foi afetado emocionalmente ao passar uma década imerso no massacre de Columbine?

Sempre que há novos massacres, tento me desligar. Busco não ouvir nem ver nada sobre aquilo, porque se transformou em algo muito difícil para mim. E o problema maior é que isso se transformou também no meu trabalho, porque acabei me tornando um especialista em tiroteios em massa. Mas convivo com a depressão. Tive duas recaídas durante a elaboração do livro — no capítulo do funeral de Dylan e ao descrever a morte lenta do treinador da escola, que agonizou por três duras horas. Tomo remédios controlados e vou a um psicólogo pelo menos duas vezes por semana. Na época, um agente do FBI foi designado para me proteger em razão das ameaças que eu recebia de jovens que idolatravam os atiradores. Vivi na escuridão nesses vinte anos. É uma escuridão profunda, na qual não se consegue discernir um fiapo de luz.
Como o senhor superou o baque?

Só consegui de fato me libertar recentemente, com a ajuda de sobreviventes do atentado. Eles me mostraram que há esperança. É possível reerguer-se após a tragédia. Se eles, que estavam lá, se reergueram, por que não eu? Estou me curando aos poucos. Sinto alegria ao saber que aqueles jovens também estão conseguindo superar a dor. Essas crianças são extraordinárias, assim como a garotada de Suzano.
Por Amanda Capuano, Eduardo F. Filho, na Revista Veja


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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

O raro mapa múndi do século 17 encontrado por acaso em uma loja de caridade

Intitulado "Um novo e preciso mapa múndi", o mapa data de cerca de 1626 e foi um dos últimos grandes projetos de John Speed ​​antes de sua morte, em 1629 — Foto: Woolley and Wallis


Artefato, que mostra a Califórnia como uma ilha, foi achado dentro uma moldura quebrada em um bazar de Londres.

Um mapa do século 17 descoberto em "péssimo estado" em um bazar de caridade foi vendido por 3.500 libras (cerca de R$ 17.500) em um leilão em Wiltshire, condado na região sudoeste da Inglaterra.

O mapa múndi, que mostra o Estado americano da Califórnia como se fosse uma ilha, foi encontrado "ensopado" pelos funcionários de um bazar da organização de caridade Oxfam, em Londres. Ele estava dentro de uma moldura de quadro quebrada.

Depois de secá-lo com uma toalha, um avaliador do bazar percebeu que o objeto era uma peça rara do renomado fabricante de mapas John Speed (1552-1629).

Esperava-se que seu valor no leilão atingisse cerca 600 libras (R$ 2.400), mas ele acabou sendo vendido por muito mais que isso na loja Woolley and Wallis, nesta terça-feira (2/10).

A avaliadora da Oxfam, Shelley Hitch, disse que o mapa estava em "um estado tão surrado" e com tantas manchas de umidade que poderia facilmente ter sido jogado fora sem que ninguém percebesse seu valor.
"Felizmente, nossa equipe reconheceu o potencial histórico do mapa quando ele foi encontrado", disse ela.

"A maneira cuidadosa em que o mapa foi secado fez com que, apesar do estado em que ele foi encontrado, seu valor aumentasse bastante", diz Hitch.

Intitulado "Um novo e preciso mapa múndi", o mapa data de cerca de 1626 e foi um dos últimos grandes projetos de John Speed ​​antes de sua morte, em 1629.

O mapa foi vendido a um comprador dos Estados Unidos.

"Este é um mapa raro e altamente desejável para os colecionadores", disse o especialista em arte Mark Yuan-Richards. "O fato de o litoral norte-americano ser impreciso em relação ao que conhecemos hoje fornece uma visão fascinante de como a cartografia se desenvolveu através da exploração e do estabelecimento de rotas comerciais".

Nascido em Cheshire, na Inglaterra, John Speed ​​começou a vida como alfaiate, seguindo os passos do pai, e só se voltou para a cartografia relativamente tarde na vida.

Seus talentos impressionaram a rainha Elizabeth 1ª, que concedeu a ele o uso de uma sala na Alfândega britânica para seu trabalho. Seus mapas continuaram a formar a base de todos os mapas múndi até meados do século 18.

Da BBC

domingo, 6 de outubro de 2019

Estudantes coletam 234 toneladas de lixo eletrônico em São Paulo



Mais de 234 toneladas de lixo eletrônico foram arrecadadas até o momento por cerca de 200 mil alunos de 150 escolas do estado de São Paulo, superando a meta, que era de 220 toneladas. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (4) durante a abertura da terceira edição do Greenk Tech Show, o principal festival de tecnologia e sustentabilidade do Brasil. O evento vai até domingo (6) em São Paulo.

A arrecadação é fruto do envolvimento dos estudantes de 13 a 18 anos de 150 escolas públicas e particulares do estado que participam do segundo Torneio Greenk Intercolegial. O volume coletado nessa edição superou o arrecadado ano passado, quando foram entregues 80 toneladas. Para a próxima edição, a meta é arrecadar 600 toneladas de lixo eletrônico.

Este ano, só a Escola Municipal de Ensino de Bebedouro Professor Stélio Machado Loureiro arrecadou 41 toneladas. "Nós limpamos a cidade: foram 41 toneladas de lixo eletrônico – em média, cada morador levou dois quilos. Foi surpreendente, todo mundo abraçou a causa. Conseguimos chegar na final, ainda estamos com o ônibus cheio de lixo eletrônico para entregar", disse a gestora da escola, Sônia Paro.

"É uma experiência muito importante para a gente, que é de longe da capital, estar aqui nesta final e participar de um torneio que é importante para todo mundo", disse Gabriele Pereira Lopes da Silva, de 10 anos, alunda do 5° ano da escola de Bebedouro.Felipe de Souza Lima, de 11 anos,colega de Gabriele, disse que aprendeu muito com o torneio. "Aprendi a descartar o lixo eletrônico corretamente. As pessoas não podem jogar o lixo eletrônico em locais públicos porque ele demora muitos anos pata se decompor."

Também aluno do 5° ano, Mateus de Souza Lima, de 11 anos, reconheceu que ainda tem muito o que aprender, mas disse que já ensina o que sabe até agora. Mateus ressaltou que o lixo eletrônico não pode ser descartado junto com o do lixo normal. "[Isso] faz grande estrago, e o lixo eletrônico faz muito mais estrago no meio ambiente, porque vai passando de geração em geração. Então, temos que tomar muito cuidado", alerta o estudante.

Por enquanto a escola de Bebedouro está em primeiro lugar no ranking, mas o vencedor só será conhecido no domingo (6), no encerramento do torneio, já que as escolas participantes continuam entregando lixo eletrônico durante o evento. Se a vencedora for uma escola pública, ganhará como prêmio um laboratório de informática, com equipamentos remanufaturados, patrocinado pelos parceiros ambientais.

"Todo o lixo arrecadado nas escolas é encaminhado para os nossos parceiros ambientais. O que tem reaproveitamento vira matéria-prima que volta como equipamentos de remanufaturados", explicou uma das organizadoras do Greenk Tech Show, Glaucia Palota.

O torneio incluiu uma campanha educacional ambiental na qual os estudantes foram desafiados a arrecadar a maior quantidade de lixo eletrônico, além de participar de campeonato de e-sports, projetos de sustentabilidade e tecnologia e cosplay.

As atrações do Greenk Tech Show 2019 ocorrem em diferentes arenas, como a e-Sports Zone, a Arena Geek, o Estúdio do Conhecimento e a Stone Zone. O evento está sendo realizado no Centro de Eventos Anhembi, em São Paulo, e a entrada é gratuita.
Movimento Greenk
Da junção de duas palavras, greek e green, surgiu o movimento Greenk, que tem como objetivo conscientizar a todos sobre a importância do descarte correto do lixo eletrônico.

O termo greek refere-se a apaixonados por tecnologia, computadores, smatphones, games, aplicativos, séries, desenhos, app e novidades da cultura pop. Green, verde em inglês, representa também quem se preocupa com o meio ambiente.

"O movimento surgiu justamente para conscientizar para o descarte correto do lixo eletrônico, mobilizando principalmente as novas gerações. Cada vez mais aumenta a arrecadação. Na primeira edição, tivemos 2,5 toneladas; na segunda, 80; e agora já ultrapassamos a meta de 220 toneladas. Para a próxima edição, a meta é mais ousada: triplicar esse volume para 600 toneladas", disse Glaucia Palota.

Da Agência Brasil

sábado, 5 de outubro de 2019

Fim de semana em São Paulo será dedicado à literatura



Até domingo (6), 11 pontos da capital paulista serão ocupados por mais de 150 atividades gratuitas entre conversas com autores, oficinas, espetáculos de rua, duelo de cordel, sarau, teatro, dança e música, em um fim de semana dedicado ao livro e à leitura. É o Festival Mário de Andrade - A Virada do Livro, organizado pela Secretaria Municipal de Cultura pela primeira vez na cidade. Estarão reunidos autores, editores, leitores, bibliotecários, livreiros, coletivos e públicos de todas as idades e de todo o país. 
O eixo central será o Corredor do Livro, trajeto entre a Biblioteca Mário de Andrade e a Praça das Artes, passando pela Rua Coronel Xavier de Toledo e pelo Theatro Municipal, compreendendo um quilômetro e meio ao ar livre, com tendas que abrigarão as principais editoras, livrarias, bancas e coletivos do país. O festival se espalhará ainda pelos centros culturais Tendal da Lapa e Cidade Tiradentes, Centro de Culturas Negras e Centro Cultural da Juventude.
Participam do trajeto editoras como Companhia das Letras, Record, Todavia, Planeta, Editora 34, Ubu, Zahar, Saraiva, Banca Tatuí, Malê, Libre, Editora da Unesp, Imprensa Oficial, Edições Sesc SP, Senac, Giostri, Leia Mulheres, Flima (Festa Literária Internacional da Mantiqueira), Quilombhoje, Poetas do Tietê, Coletivos Ponte Cultural, Nômade, Perifatividade e Fantasistas, Livraria do Comendador e Território Geek, entre outros. A Virada do Livro terá ainda espaço para iniciativas editoriais voltadas à diversidade LGBTQIA+, a questão racial e o feminismo.
Programação
O festival será aberto às 19h, na Praça das Artes, com a apresentação do espetáculo Yebo, no estilo gumboot (dança de botas de borracha). O estilo foi criado pelos trabalhadores das minas de ouro e carvão da África do Sul, no século 19, e a coreografia aborda a exploração dos minérios e dos povos que os extraíram, além da espera das mulheres por seus maridos mineiros. 
Em seguida, o autor moçambicano Mia Couto participa de conversa com a jornalista, escritora e atriz Bianca Ramoneda, na qual serão abordadas questões como a relação do homem com seus pares e o planeta. O atyor Silvio Restiffe lerá trechos da obra de Couto. 
Amanhã (5), no Theatro Municipal, a atriz Fernanda Montenegro, indicada ao Oscar por Central do Brasil, lança o seu livro de memórias “Prólogo, Ato, Epílogo”, relembrando a trajetória em conversa com a jornalista Marta Góes, colaboradora do livro. Na Praça das Artes, a neta de Nelson Mandela Zamaswazi Dlamini-Mandela e Sam Venther, organizadora das cartas da prisão, encerram o festival no domingo (6) com um tributo a Mandela, ganhador do Nobel da Paz. A conversa é mediada pela historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz e o ator Felipe Soares fará leituras das cartas de Mandala.
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, disse que esse tipo de política pública tem como foco a resolução de problemas da cidade. como o desemprego, porque grande parte das ações culturais é vista como estratégica na geração de emprego e renda, sendo esse um dos motivos que justificam o investimento. "Quando falamos em ampliação da leitura, difusão dos livros, estamos falando da formação da consciência, da cultura crítica, do conhecimento do mundo e, portanto, da formação dos paulistanos. Fomentar o livro é fomentar uma sociedade mais crítica e mais consciente do seu papel”, afirmou. 
O secretário municipal de Cultura, Alê Youssef, ressaltou que a secretaria tem diversas ações para difundir a literatura e melhorar os índices de leitura na cidade, inclusive dentro das bibliotecas, conseguindo aumentar a presença de público em 24% com relação ao primeiro semestre do ano passado e aumentar em 74% o empréstimo de livros.
A programação completa pode ser vista no site da prefeitura.

Da Agência Brasil

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Neurociência aplicada à educação reinventa a forma de transmitir conteúdo




Antes restrita ao interesse de profissionais de medicina e psicologia, a neurociência avança cada vez mais em direção a outras áreas de conhecimento. Na educação, por exemplo, tem ajudado especialistas a entenderem o que acontece no cérebro quando ele entra em contato com novas informações. Pesquisas neurocientíficas, se aplicadas à educação, podem direcionar o trabalho de professores em sala de aula. Essa revolução na maneira de ensinar pode tornar as práticas de aprendizagem mais eficientes, facilitando a fixação do conteúdo. É o que defende o professor Marcelo Peruzzo, idealizador da metodologia Brain Model Canvas (BMC) e cofundador do primeiro aplicativo de neuroeducação do mundo, WeJoy. "A neurociência pode conduzir a pessoa por uma jornada fantástica de aprendizado", destaca Peruzzo.

E se a neurociência pode ser usada para decifrar o desenvolvimento do cérebro e o comportamento das pessoas, a união com a área de gestão era apenas questão de tempo. A oferta de cursos ligando as duas áreas mostra que essa é uma tendência que veio para ficar. A Universidade Positivo, de Curitiba (PR), oferece atualmente dois cursos de especialização com ênfase em neurociência aplicada aos negócios: MBA em Gestão de Pessoas e Coaching com ênfase em Neuroliderança e MBA em Marketing Digital com ênfase em Neuromarketing. Os cursos, que estão na 2° e 3° edição, respectivamente, contam com mais de 120 alunos de diversos estados do Brasil e, inclusive, de outros países.

O MBA em Marketing Digital é o único curso dessa categoria no Brasil a contar com Laboratório de Neuromarketing para análise dos projetos criados pelos alunos. Também é o único MBA no país a utilizar o aplicativo WeJoy, oferecendo aos estudantes a opção de assistirem às aulas de forma presencial ou a distância. Durante a especialização, a neurociência é utilizada para personalizar ao máximo a experiência e a transmissão do conteúdo. Os módulos vão sendo apresentados aos alunos de acordo com o estado emocional de cada um, a partir de um teste rápido realizado no aplicativo. A ferramenta indica inclusive o melhor horário para se realizar as atividades, baseado nos desempenhos anteriores da pessoa. "O curso não tem prazo específico para conclusão. O aluno é 100% protagonista de seu aprendizado e só é reprovado se ele se auto sabotar", destaca Peruzzo.

O empresário do ramo da Educação, Newton Andrade, 38 anos, concluiu o MBA em Marketing Digital com ênfase em Neuromarketing e classifica a experiência como sensacional. Formado em administração e com especialização em Logística Empresarial, ele diz que o curso quebrou todos os paradigmas da gestão e do marketing atual e ajudou, inclusive, a gerar novos negócios. "Minha visão do mundo mudou, tanto voltada para a vida profissional quanto pessoal. Ter o entendimento da mente humana me fez refletir e ajudou nas relações pessoais e profissionais", afirma Andrade, que também reforça a importância de poder trocar informações, durante o curso, com colegas de diferentes estados do Brasil e até dos EUA.

Sobre a Universidade Positivo

A Universidade Positivo concentra, na Educação Superior, a experiência educacional de mais de quatro décadas do Grupo Positivo. A instituição teve origem em 1988 com as Faculdades Positivo, que, dez anos depois, foram transformadas no Centro Universitário Positivo (UnicenP). Em 2008, foi autorizada pelo Ministério da Educação a ser transformada em Universidade. Atualmente, oferece mais de 60 cursos de Graduação presenciais, quatro cursos de Doutorado, sete cursos de Mestrado, mais de 190 programas de Especialização e MBA, sete cursos de idiomas e dezenas de programas de Extensão. A Universidade Positivo conta com três unidades em Curitiba, uma unidade em Londrina (PR), uma unidade em Joinville (SC), além de polos de Educação a Distância (EAD) em mais de 60 cidades espalhadas pelo Brasil. Em 2018, a Universidade Positivo foi classificada entre as 100 instituições mais bem colocadas no ranking mundial de sustentabilidade da UI GreenMetric.

Website: http://www.centralpress.com.br/


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