Meus queridos leitores, vejam o que saiu no Estadão de hoje. Retomo no final da matéria.domingo, 29 de agosto de 2010
34,8 milhões sem coleta de esgoto
Meus queridos leitores, vejam o que saiu no Estadão de hoje. Retomo no final da matéria.sábado, 21 de agosto de 2010
Um abrigo para nossos sonhos e esperanças
E apesar das medidas draconianas historicamente adotadas em defesa da coletividade, não obstante as enérgicas medidas para punir autoridades embaladas pela corrupção, este tipo de crime não arrefece, e recrudesce entre nós qual o pior tumor maligno. Geração após geração este mal vai se perpetuando nas diferentes culturas nacionais.
A aplicação da pena capital, das mais duras punições – invariavelmente acompanhadas de exposição e humilhação pública - não têm sequer amenizado a intensidade da grave hemorragia, que lança fora, para o latão de lixo, o melhor das forças, das energias de um povo.
Platão - discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles - já fazia referência à corrupção em uma de suas obras, “As Leis”, o mais longo e complexo diálogo do filósofo fundador da ‘Academia’. Ensinava aos seus discípulos os marcos da moral e da ética, recomendando a “desgraça” para todos os que aceitassem suborno e propina.
Na antiga Atenas não havia espaço para tergiversação e, pelo menos na escrita a pena se mostrava severa: autoridade corrupta flagrada com a boca na botija tinha cassada a cidadania, sem mais possibilidade de participar e atuar nas instituições estatais. Seus direitos políticos eram de todo extirpados.
Não era exceção em Atenas a utilização da pena capital quando se tratava de punir o crime de corrupção. Como sempre existem os abençoados, os ungidos pela sorte, alguns condenados eram alcançados por penas mais leves como o exílio e o desterro. Demóstenes, por exemplo, que viveu no século III a.C. tornou-se uma liderança política importante e bastante popular. Grande orador ganhou farta projeção no seu tempo. Todavia, os predicados intelectuais - tão cultuados à época - não foram suficientes para mantê-lo distante da corrupção. Pois bem, por se deixar hipnotizar pelo que acreditava ser o doce canto da sereia, por suborno, foi obrigado a pagar uma multa de 50 talentos. Essa quantia hoje equivale a, nada mais, nada menos, que US$20 milhões.
Também no império bizantino não havia contemporização: as autoridades corruptas eram execradas publicamente e a punição mais comum consistia em cegá-las. E muitas eram ainda castradas. Não bastasse, em prosseguimento aos rituais de castigos, eram submetidas a sessões de açoite, tinham todo o patrimônio confiscado e, nessas condições, eram deportadas.
O primeiro código legal da República Romana, a Lei das Doze Tábuas, era claro, direto e inflexível: os juízes que aceitassem propina receberiam pena máxima, a pena capital, a punição com a morte.
Essa rápida incursão pela história demonstra o quão difícil e complexo é combater a corrupção. Enganam-se os que imaginam tarefa simples e trivial. Mas, sem dúvidas, penas rigorosas e a certeza da punição contribuem substancialmente para debelar o problema.
No Brasil, tornou-se vala comum – sobretudo quando as crises se acentuam – recorrer à elaboração de novas normas, novas leis, clamar aos quatro ventos por reformas e novo ordenamento jurídico. Muitos parlamentares chegam a se vangloriar por quebrarem recordes de apresentação de projetos de lei. Orgulhosos, divulgam esses números como sinal de produtividade. É como uma medalha honorífica, um heróico amuleto pendurado no pescoço.
É evidente que criar leis simplesmente não resolve problema algum. Nunca foi solução e jamais será. A questão central é saber como implementá-las, como torná-las efetivas e eficazes; como fazê-las emergir das páginas mortas e empoeiradas dos compêndios para o cotidiano, a vida concreta, o dia a dia das pessoas. E nesse contexto a pergunta que não quer calar, que não sai da ordem do dia: o judiciário brasileiro funciona? Entre as duas alternativas, escolha uma: é uma instituição que pune os culpados ou um poder omisso que corrobora com o perverso clima de impunidade que grassa entre nós?
Numa democracia de verdade, os três poderes devem ser fortes e independentes. Quando algum não funciona ou funciona mal, é a nação que padece e agoniza, é o país que se torna refém de políticos populistas que se embriagam no clientelismo e no fisiologismo, os irmãos siameses da corrupção. Sim, porque a corrupção se alimenta, sobretudo, da burocracia, do excesso de fluxos, trâmites e regulamentações que descortinam caminhos para o desvio do dinheiro público; porque a corrupção se nutre de servidores mal remunerados, sempre propensos a serem comprados pelo vil metal.
No mundo desenvolvido já se consolidou um posicionamento para enfrentar este grave problema. Existe certa unanimidade quanto aos condicionantes capazes de estancar o câncer que corrói e deteriora todas as forças da pátria.
A primeira é a vontade política, uma firme e inamovível decisão de enfrentar com altivez o problema, de arregimentar forças e energias para vencer este inimigo fatal.
Tão importante quanto a vontade política é o investimento na educação, a segunda condicionante. É uma tecla já gasta, por demais batida, mas de todo imprescindível. A educação é o instrumento capaz de dotar os cidadãos do poder de identificar seus problemas, processá-los com sabedoria e solucioná-los com eficiência e eficácia. Mas aqui não pode haver contemporização com a ‘boquinha’, o ‘levar vantagem em tudo’. Desde a creche nossas crianças devem ser mergulhadas em brincadeiras e conteúdos que remetam à ética, ao senso de honestidade enquanto valor. A educação é o mais seguro abrigo para nossos sonhos e esperanças.
E finalmente, a terceira condicionante: a transparência. Os dados e informações sobre as ações, os projetos e os programas governamentais devem estar disponíveis de forma ampla, massiva e irrestrita. E agências independentes devem auditar os gastos públicos como um processo rotineiro, como parte indissociável dos fluxos operacionais.
Como se percebe, é tarefa das mais hercúleas. Combater a corrupção implica em modernizar instituições, golpear de morte a burocracia, qualificar pessoas e processos. Isto demanda recursos orçamentários e financeiros, e não de pouca monta. Ficar só no discurso, no proselitismo, no blá-blá-blá ajuda tão somente a angariar votos, mas nenhum auxílio, nenhuma contribuição trás para a solução do problema.
Houve um tempo em que os campos brasileiros - infestados por voraz praga - estavam fragilizados e a agricultura nacional ameaçada. A nação então cerrou fileiras em torno de uma palavra de ordem: ‘O Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil’.
Sabemos nos dias que correm o tipo de saúva que ameaça os sonhos, as esperanças e as oportunidades de todos os brasileiros. Não seria exagero, tomando o bordão por empréstimo, alertar: ‘O Brasil acaba com a corrupção ou a corrupção acaba com o Brasil’.
Artigo de Antônio Carlos dos Santos publicado no portal "Nota 10 - Notícias diárias de educação", do Paraná.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Só se interrogam bandidos?

O egocentrismo como centro da construção da personalidade individual e o descaso para com os interesses alheios, vão tornando as pessoas seres brutais, soldados de um exército obcecado pelas aspirações pessoais, ainda que conquistá-las exija o sacrifício ou da coisificação do outro.
Neste contexto não sobra tempo para ninguém, vez que todo o tempo de que dispomos está direcionado ao atendimento de nossas necessidades individuais.
Por isto é tão difícil nos dias de hoje conquistar a atenção de alguém. Porque toda a atenção do mundo é desviada do interesse coletivo.
Daí o surgimento de técnicas e teorias para tornar possível a possibilidade do outro. E nessa ciranda, os exageros viram regras, não exceção.
O exemplo mais eloqüente talvez seja o representado pela figura do marqueteiro, que consegue transformar candidatos presidenciais em sabonete e creme vaginal.
Qualquer um de nós que queira ou necessite transmitir uma mensagem precisa contar com a atenção de seu interlocutor. E nos dias que correm, com tudo se reduzindo a numerário – sobretudo o tempo – a atenção do outro é uma preciosidade que não se conquista com facilidade.
Para conseguir acolhida para a mensagem, muitos recorrem a toda sorte de maquinações e invencionices.
Enéias do Prona sagrou-se campeão de votos, sendo eleito deputado federal pelo estado mais poderoso da federação. Conquistou mais de um milhão de votos com seu estriônico “meu nome é Enéias”, jargão repetido à exaustão nos parcos minutos que dispunha nos programas eleitorais.
Mas existem também os que navegam em águas mais profundas para se promoverem: se penduram em anzóis, seguram os filhos de ponta cabeça do enésimo andar de um espigão, os que não se incomodam em vender a mãe, os possessos de arremessar pedra em sombra de avião, e patéticos imbecis como o que se colocou à frente do maratonista olímpico Vanderlei Cordeiro. Tudo para que sejam percebidos.
Quanto mais indiferentes ao que se passa à volta, quanto mais submergidos no mundo próprio, maior a necessidade de distinguir, destacar, sobressair, para que a idéia se eleve e encontre porto para atracar. Este processo se bifurca em duas direções.
Na primeira, a atenção é conquistada à custa de criatividade, de inovações que estimulem o olhar para fora, a percepção da realidade em volta. Para que uma decisão mais conseqüente possa ser tomada.
Na segunda, a grosseria, a baixaria compõem o arcabouço, o pano de fundo do estratagema de conquistar o interesse das pessoas. Movidas a indicadores que aferem a audiência de suas programações minuto a minuto, as redes de televisão se esmeram em apresentar uma produção de mau gosto, em que a mediocridade e a superficialidade são marcas registradas.
De igual modo, os políticos lançam mão deste substrato, assumindo projetos e proposições pautados pela demagogia e artificialidade.
Em quase todos os momentos de nossas vidas estamos em busca da atenção de alguém. O governo, de seus contribuintes; os empresários, de seus clientes; os apaixonados, de seus amores; os políticos, de seus eleitores; os pais, de seus filhos; os filhos, de seus pais; ...
É que num sistema em que a tônica é a competição, a atenção é como uma jóia rara, cobiçada, e por isto disputada a ferro e fogo.
Também nas salas de aula o professor se depara com este problema. Procura seduzir, conquistar a atenção. E encerra a aula satisfeito quando consegue despertar o interesse dos alunos. Alguns mestres, mais envolvidos, se enveredam por atuações performáticas, lançando mão da música, da dança, do teatro para tornar a exposição mais oxigenada, viva e instigante. Conseguem transformar fórmulas matemáticas e composições químicas em rimas métricas. Como recompensa pelo esforço, recebem dos alunos aplausos e um tipo de comprometimento que desemboca na substancial melhoria do rendimento escolar.
Boa parte dos alunos apresentam-se na escola desinteressados, desestimulados, com um grau de passividade e alienação preocupantes. E isto vem ocorrendo da pré-escola à universidade.
O universo em que o sistema educacional brasileiro está mergulhado é um caos absoluto. Os três níveis de governo não cumprem o dispositivo constitucional que determina o repasse dos recursos orçamentários, e nem priorizam – a não ser no discurso – a educação como estratégia para alcançar o desenvolvimento. Resulta um cenário em que todos se sentem descontentes: alunos, professores, pais e responsáveis, comunidade ...
Mas nos estreitos limites das possibilidades, os professores podem muito. E uma boa forma de, na sala de aula, poder mais, é resgatar o “interrogatório” como instrumento de mobilização e participação.
O problema é que, muito mais no passado e com menor intensidade nos dias de hoje, o “interrogatório” sempre esteve relacionado a contextos punitivos, a mecanismos de afirmação da autoridade e do poder discricionário dos mestres sobre os aprendizes. Para os que se atrasam, os que se dispersam, os que enveredam por conversas paralelas, “nada melhor” que uma bateria de perguntas capciosas. De efeito instantâneo, o “interrogatório” de natureza punitiva é o sucedâneo da palmatória e do castigo em que se dispunha o “culpado” ajoelhado sobre grãos de milho.
Essa é, em parte, a razão desse importante recurso de mobilização ter caído em descrédito. Ressalte-se ainda que a palavra interrogatório nos remete ao “auto em que se escrevem as respostas do indiciado ou do réu às perguntas feitas pela autoridade competente”. Em virtude da definição do vocábulo, a primeira lembrança estará quase sempre associada a repressão, a problemas com o judiciário ou com a polícia, coisas nesse sentido.
Todavia, utilizado num outro contexto, o “interrogatório” pode estimular os alunos a estabelecer novos pactos, novas relações, assumindo uma postura participativa e de compromisso com a consecução das metas traçadas.
Neste novo contexto, o “interrogatório” conduz a uma participação mais intensa, e conseqüentemente, favorece o envolvimento de toda a classe nos debates e discussões. A reflexão passa do individual para o coletivo, agregando substância, refinando a lógica e o raciocínio, qualificando as aulas.
Para manter-se distante do ultrapassado estigma, o sistema pergunta-resposta deve ser livre e multidirecional. Livre no sentido de todos se sentirem bastante a vontade para indagar o professor sobre assuntos de qualquer natureza. Caberá ao mestre a habilidade de fazê-los convergir ao conteúdo de interesse, de que trata o ementário. E multidirecional no sentido de que os alunos devem se perceber parte do processo, devem se sentir estimulados a formular perguntas e respostas – para o professor e para os colegas. Já o mestre - para responder às questões - deve se certificar que extraiu o máximo dos alunos, e mais, que a classe tenha exaurido os meios de pesquisa disponíveis. Quando o aluno desconhece a resposta deve se habituar a investigar recorrendo a estudos, pesquisas, anotações, mas sobretudo interrogando colegas, professores, lideranças da comunidade,... O mestre deve orientar a busca, ensinar a pescar, incutir no aluno que ele é capaz caso queira.
Enganam-se os que imaginam que os “interrogatórios” só se prestam para aferir ou recordar conhecimentos adquiridos. Colocados nos devidos termos, despertam o interesse pelo tema proposto, reforçam a atenção atuando em contraponto às distrações, conduzindo o raciocínio por uma via menos congestionada, além de auxiliar na identificação de deficiências e incompreensões dos participantes.
O “interrogatório” efetuado de forma correta chama à participação, possibilita comparações, relações e julgamentos.
Mas é necessário precisar o que, como, quando e a quem perguntar. Esta sistematização é que dará ao sistema o encadeamento lógico capaz de levar a um aprendizado consistente. Porém, todo este processo só alcançará resultados satisfatórios se revestido de simplicidade. Os chineses costumam ensinar que só a simplicidade leva à verdadeira harmonia.
Importa evitar perguntas compostas, complexas, longas, desestruturadas. Clareza, objetividade e inter relacionamentos. Eis os predicados.
Também não categorizar as questões como fáceis, difíceis ou medianas. Devem estar compatíveis com a capacidade de resposta dos alunos. É fundamental que sejam interessantes e estimulantes.
Outro ponto a destacar é que não existe pior questionamento do que aquele formulado com a resposta embutida. Identifica, quando menos, um investigador prepotente, pretensioso a ponto de prescindir de seu interlocutor, um arrogante que conversa consigo mesmo imaginando estar dialogando com o outro.
De nada adiantará todo o esforço e trabalho se o professor ficar refém de três ou quatro alunos mais interessados. É imperativo que todos os alunos sejam envolvidos na dinâmica, democratizando e universalizando o processo, evitando assim que o processo seja apropriado exclusivamente pelos mais prolixos e espontâneos. Os tímidos, os que se sentem fora do tempo e do espaço, devem receber atenção redobrada, até que estejam equiparados aos demais colegas.
Um surrado ditado popular repercute ao longo da história da humanidade: quem tem boca vai a Roma.
Os educadores deveriam atinar mais sobre os antigos ensinamentos.
Artigo de Antônio Carlos dos Santos publicado na Revista Bula e no portal Goiás Educação
domingo, 8 de agosto de 2010
Não matem Sakineh
Jovem mutilada no Afeganistão

quinta-feira, 5 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Não se omita!!! Ajude a libertar Sakineh
Sakineh Mohammadi Ashtiani, mãe iraniana, pode ser executada a qualquer momento.
9 de julho de 2010: Mohammad Mostafavi, advogado de Sakineh Ashtiani, disse à AFP:"ainda não fui informado de qualquer suspensão da sentença. Minha cliente continua na prisão." Uma mulher iraniana encara a morte após ser torturada por um suposto adultério.
Em 2006, Ashtiani foi condenada por ter mantido .relações ilícitas. e recebeu 99 chibatadas. Desde então, esta mulher de 43 anos está na prisão, onde se retratou da confissão feita sob a coerção das chicotadas.
Só recentemente é que ela foi levada ao tribunal e recebeu um novo julgamento. De novo ela foi condenada e, desta vez, apesar de já ter sofrido uma punição, foi sentenciada à morte por apedrejamento. Essa prática desumana envolve enrolar firmemente a mulher, da cabeça aos pés, com lençóis brancos, enterrá-la na areia até os ombros e golpeá-la à morte com pedras grandes.
Ontem, no final da tarde, o governo do Irã negou a informação de que Ashtiani seria executada por apedrejamento, embora sua sentença de morte ainda possa ser levada a cabo por outro método, provavelmente o enforcamento.
Os ativistas dos direitos humanos no Irã, incluindo a Anistia Internacional, duvidam da veracidade dessa declaração e continuam preocupados com o destino de Ashtiani. Mais, aqui.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
O sistema de ciclos
CICLOS, OU PROGRESSÃO CONTINUADA É O MELHOR SISTEMA NA EDUCAÇÃO!
(Fernando Barros - FSP, 30) 1. Quem implantou o sistema de progressão continuada em São Paulo foi o educador Paulo Freire, insuspeito de "tucanismo", quando secretário de Luiza Erundina. Mário Covas adotou o modelo no Estado em 1995. O desafio daquela época era, fundamentalmente, colocar (e manter) a criança na escola. As taxas de repetência e de evasão escolar eram alarmantes. Hoje, ao menos no ensino fundamental, as crianças estão na escola. O que é um avanço.
2. Reprovar mais não é sinônimo de elevar o nível do ensino. Pode, dizem especialistas, significar o contrário. Estudos mostram que o aluno repetente aprende menos, e não mais que seus colegas; que a reprovação pode ser fator de "deseducação", além de estímulo à exclusão social.
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E o que publiquei sobre o assunto, algum tempo atrás:Erro histórico? Bah!!! ou "O sistema de ciclos"
Muitos apelidos e paradigmas pegam em função das oportunidades, dos interesses e até do humor do freguês. Às vezes escudam-se em justificativas inconsistentes, meias-verdades, arrazoados apenas envernizados de lógica. Não são poucas as vezes em que caem no domínio público em decorrência da mesquinharia que acomete meio mundo, mas não devemos perder de vista o impacto do preconceito sobre nosso comportamento.
Quantas vezes na vida já refugamos um bom livro, um filme interessante, uma idéia instigante por puro preconceito? Quem jamais se abrigou nas entranhas do jargão “não li, não vi, não conheço, e não gostei”?
Já faz um bom tempo que não encontro questão que galvanize tanta resistência e má vontade quanto o sistema de ciclos.
Este modelo surgiu como alternativa para substituir as antigas séries que avaliam os alunos ao término de cada ano letivo. No novo modelo as avaliações são realizadas ao longo do ciclo. Em decorrência da nova sistemática de avaliação, não existe mais a possibilidade do aluno ser reprovado ao final de cada ano, ao final de cada série. Quando não consegue responder ao demandado pelos professores, o aluno é reprovado ao final de cada ciclo. O ensino fundamental, por exemplo, está estruturado em dois ciclos, um da primeira à quarta série e o outro da quinta à oitava.
Como marco regulatório, o sistema de ciclos está amparado pela Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que assegurou autonomia para estados, municípios e unidades escolares decidirem se incorporam ou não a nova estratégia.
Cá entre nós, o sistema é o que existe de mais produtivo. Despreza a possibilidade das provas e testes estanques, determinados num único instante, e abraça a visão larga do processo continuado, onde as avaliações não constituem um fim em si, mas uma sistemática diuturna, que incorpora múltiplos formatos, variados componentes, ensejando a interação do ensino formal com apreendido no universo familiar e social do estudante. Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.
Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia de planejamento estratégico Quasar K+
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Prisioneiros da idade média

Houve épocas em que foi diferente, mas, em tempos contemporâneos, o recurso econômico que vinca, faz diferença, que tem se mostrado mais expressivo e importante não é outro senão a educação.
Uma rápida incursão pela história da humanidade demonstra que nem sempre foi assim.
As civilizações antigas utilizaram o trabalho escravo para alavancar o progresso econômico. Na idade média a organização social se processou tendo como referência as terras dos senhores feudais. ‘Fábrica’, ‘maquinário’, ‘produção em série’ foram as palavras mágicas capazes de mover a moderna civilização industrial na direção da acumulação do capital.
E rompendo o século XX e em pleno curso no século XXI explode em toda a sua intensidade a sociedade do conhecimento.
Sociedade do conhecimento? O que é isso? Um pássaro? Um avião? Não, é o Super-Homem. É verdade, caro leitor... Não vai aqui nenhuma ironia ou piada de salão.
A sociedade do conhecimento resulta da educação que re-elabora, recria valores, revoluciona paradigmas, uma indústria ininterrupta de produção de novas tecnologias, capital humano e qualidade sustentável. É o que mais pode aproximar a espécie das estórias em quadrinhos que povoaram nossa infância, é o que mais pode nos fazer parecer com o homem de aço do planeta Krypton.
Países que - até algumas décadas atrás - situavam-se no mesmo estágio de desenvolvimento que o Brasil, hoje se encontram anos-luz à frente. Parece que ficamos imobilizados num desses atoleiros fantasmagóricas onipresentes nas estradas federais.
Por mais que doa, a verdade não deve ser ignorada: Pindorama ficou para trás. Boa parte do país parece aprisionada, é como se gigantescos grilhões nos impedissem de romper com a idade média e com os primórdios da revolução industrial. Enquanto o mundo desbrava o futuro, gastamos o suor e a energia da nação conquistando fatias de um passado já longínquo, distante, atrasado e obsoleto.
Mas a Ásia, Irlanda, Austrália, e aqui bem próximo, o Chile, avançaram, e continuam avançando, progredindo, deixando a república Tupiniquim submersa numa nuvem densa de poeira vermelha. Investindo de forma decisiva e progressiva na educação, esses países vêm alcançando elevados níveis de emprego, sustentabilidade e bem estar social.
O Brasil que desdenhou o dever de casa amarga indicadores perversos, vergonhosos, abomináveis, sempre ocupando as últimas posições nos exames internacionais que avaliam o ensino, que mensuram o nível de conhecimento agregado pelos alunos. Uma panorâmica pelas últimas edições do PISA-OCDE mostram que o mar não está para peixe.
Por considerarem a educação uma alavanca para o progresso, países como Coréia, Irlanda e Austrália estão em vias de encontrar o super-homem, pelo menos a parte humana do super, aquela que usufrui privilégios triviais, como o de ter acesso a emprego e renda; o de não ser achincalhado com bombardeios diários denunciando maracutaias e corrupção; como o de poder levar a família para um simples passeio familiar, sem temer a parada no semáforo, sem a preocupação com o estampido seco e fatal. Vai dizer que não é um privilégio ter a certeza de que gatunos da merenda, dos livros didáticos ou do transporte escolar acordarão vendo o sol nascer quadrado? Vai garantir que não é privilégio ter a convicção de que corruptos cumprirão longas penas nas cadeias?
Tudo correndo bem, sendo a corrupção endêmica estancada (e os corruptos encarcerados!), assegurando que os investimentos não sofram solução de continuidade, o Ministério da Educação prevê cerca de duas décadas para que o Brasil alcance a média dos estudantes dos países-desenvolvidos. Vinte anos. É um tempo longo, por demais longo.
Tivéssemos uma maioria de políticos com vergonha na cara e este tempo se reduziria substancialmente. Mas este é o Brasil real e de nada vale dar asas à ilusão.
Fixemo-nos então nas projeções do MEC. Pelo menos é uma oportunidade e não uma daquelas miragens tão ao gosto dos nossos legítimos ‘representantes’. É importante atenção e vigilância. E ante o perigo e a iminência do primeiro desvio, gritar, berrar, espernear, indignar, protestar. É nossa obrigação romper os grilhões que nos aprisionam à idade média. Devemos isso à nossos filhos e netos.
Artigo de Antônio Carlos dos Santos publicado no portal da Associação dos Professores de São Paulo
domingo, 18 de julho de 2010
Camões e a ideologia de matula

“Só o tempo cura o queijo”, desejaram ensinar nossos avós. Poucos conseguiram, verdadeiramente, aprender este milenar ensinamento.
O tempo – cansou-se de versar o poeta – é o senhor da razão.
Na arte como na vida, é o tempo que determina o que – qual flecha pontiaguda – vai atravessar a linha que separa o presente do futuro. O juiz soberano que separa o efêmero do perene não é outro senão o tempo.
O conjunto Legião Urbana transformou em música um dos mais belos e singelos poemas de todos os tempos, escrito pelo poeta maior da língua portuguesa.
A poesia que sustenta a melodia entoada pelo Legião foi escrita nos idos do descobrimento do Brasil e sua transposição para os dias de hoje é comprovação de que a arte, quando consistente e inundada de qualidade, brinca com a linha do tempo, transforma passado, presente e futuro num único instante, um ponto indivisível da quarta dimensão.
Na realidade, a banda capitaneada por Renato Russo (Monte Castelo) entremeou trechos de Camões com outros de Paulo, o Aposto.
Aqui está o soneto de Camões:
Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
A magnífica obra é de Luiz de Camões que, presumivelmente, nasceu em 1525, vindo a falecer no ano de 1580.
Camões revolucionou a poesia lírica portuguesa. A condição humana e o intrincado universo dos sentimentos são explorados de forma sutil, mas densa o suficiente para promover a reflexão filosófica.
Vejam a beleza deste soneto, outra obra prima do mestre do classicismo lusitano:
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
No período do Renascimento, a expansão comercial gerou um movimento cultural denominado Classicismo, estilo literário logo abraçado por Luís de Camões.
A obra de Camões adentrará o futuro eterno influenciando os escritores de todo o mundo, sobretudo os que receberam a graça de escrever em português.
“Soneto de Carnaval” de Vinicius de Moraes é mais um exemplo da presença inspiradora de Camões:
Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.
Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.
E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim
De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.
Os livros didáticos e para-didáticos utilizados em nossas escolas preocupam-se sobremaneira em politizar nossas crianças e jovens, incutindo – muitas vezes extemporaneamente – conceitos do viver politicamente correto. E tome cidadania, inclusão, ações afirmativas, participação popular, sustentabilidade, etc. e etc. Nada de mal. Tudo bem se é para formarmos cidadãos de bem com o mundo e com as pessoas. O problema é que muitos de nossos educadores acreditam que para vestir um santo devem descobrir o outro. E esquecem-se do conhecimento básico, que dá suporte aos demais; e desdenham deixando de lado a ciência dos números e a das letras.
Sim, passam a tratar a matemática e o português como uma espécie de filhos bastardos, aos quais se dá uma certa atenção, mas nada que implique maiores comprometimentos. Pitágoras e Camões são aprisionados no lugar mais ermo da escola, no canto mais escuro e empoeirado da biblioteca.
E esta é – não tenho a menor dúvida – uma das causas (das principais!!) do Brasil ter se tornado especialista em ocupar os últimos lugares nos ranking’s que hierarquizam a qualidade e o nível da educação. Sejam as sucessivas edições do Pisa, seja qualquer outro indicador, sempre estamos segurando a lanterna, atrás até mesmo dos vizinhos sul-americanos.
Como é possível acreditar que, desconhecendo as quatro operações da aritmética e sem conseguir extrair de um texto elementar seu sentido figurado, pode um aluno alcançar a cidadania? Não pode. A não ser que o objetivo seja inflar os números e maquiar os relatórios pedagógicos.
Caros mestres. Tratem com mais carinho e apreço seus alunos. Matemática e português neles. Pitágoras e Camões jamais farão mal a ninguém. Ao contrário, sem eles, inclusão e cidadania não passam de jargões e palavras de ordem, ideologia de matula, uma sistemática de todo incompatível com educação de qualidade.
Antônio Carlos dos Santos é engenheiro e escritor, criador da metodologia de planejamento estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo. acs@ueg.br
domingo, 4 de julho de 2010
A República Federativa do Sugabão
A pujança que a natureza nos presenteou se fez fartura econômica e não poucos estudiosos estimam que – passada a atual crise mundial – o país passará a ocupar a posição de 8ª maior potência econômica do planeta, superando economias estabelecidas, como a da Inglaterra.
O grande problema do Brasil, portanto, não se refere ao volume e dimensão de suas riquezas e potencialidades e sim como elas são distribuídas, como chegam ao conjunto da população. E aqui, temos um problema gigantesco, um nó górdio que cinco séculos de história não foram suficientes para equacionar e resolver.
A distribuição da riqueza brasileira é tão nefasta e perversa que os extratos da população que compõem a base da pirâmide social –os mais pobres – encontram-se em condições de exclusão similares aos das nações mais miseráveis do planeta. Em contra-posição, as faixas que ocupam o topo da pirâmide, igualam-se, em posses, luxo e ostensividade, aos extratos mais ricos e poderosos das primeiras potências do mundo.
Já me referi, em outros artigos, ao Brasil como uma república resultante da simbiose entre o que de melhor existe na Suécia com o que de pior foi gerado no Gabão. Um nome semelhante a Sugabão não nos faria injustiça, porque, verdadeiramente, é o que somos.
E como se não bastasse a gravidade da situação, um quadro mais terrífico acaba de ser anunciado pelas Nações Unidas.
Relatório do PNUD que analise as mais recentes informações do Índice de Desenvolvimento Humano demonstra que os 20% de brasileiros mais ricos vivem em situação melhor que os extratos mais ricos da população da Suécia, Alemanha, Canadá e França.
O estudo "Desigualdade no Desenvolvimento Humano: Uma determinação empírica de taxas de 32 países" revela que, no Brasil, a fatia mais rica da população tem um IDH de 0,997, indicador muito próximo do máximo (1,000) e que ultrapassa o valor correspondente aos 20% mais ricos de todos os outros países calculados, incluindo o do Canadá (0,967) e o da Suécia (0,959).
Quando descemos para os recônditos do subsolo, verificamos que o atual IDH do Brasil, é, na média geral, de 0,807. Contudo, os mais pobres gravitam em condições correspondentes a um IDH de 0,610, o que os colocam em um universo mais indigente que os mais excluídos da Indonésia (0,613), do Vietnã (0,626), do Paraguai (0,644) e da Colômbia (0,662).
Portanto, os opulentos brasileiros são mais ricos que os ricos suecos; e a plebe verde-amarela, mais pobre que os pobres paraguaios. O relatório das Nações Unidas conclui ainda que “no Brasil e em países como Guatemala e Peru, a diferença do IDH dos 20% mais pobres para o IDH dos 20% mais ricos só não é superior à de alguns países da África, como Madagascar e Guiné”.
Os números enfatizam que nos encontramos numa encruzilhada, num daqueles famosos “becos sem saída”. A solução, sabemos todos, consiste em priorizar investimentos para qualificar nossa educação. Porque qualificando a educação, qualificamos as pessoas, qualificamos o voto, qualificamos nossa representação, corrigimos as injustiças e distorções... para então – coletivamente - nos distanciarmos do Gabão, nos colando indissoluvelmente à Suécia.
domingo, 13 de junho de 2010
Vamos substituir os computadores por réguas de cálculo?
Sim, é verdade, não há quem não veja o esforço nacional pra dotar as escolas de melhores condições tecnológicas, sobretudo de computadores. Participa deste esforço não apenas o governo, mas também a sociedade organizada, empresas e fundações privadas, nacionais e internacionais.
O PC e a rede mundial de computadores são instrumentos imprescindíveis no mundo moderno. Estão para a vida contemporânea como a água e o alimento estão para o peixe. Definitivamente, não há como navegar pelo século XXI mantendo-se ao largo das tecnologias de informática, sobretudo quando o foco é o ensino, a educação.
Que educador em sã consciência pode ignorar ou desdenhar a importância do computador e da internet no aprendizado dos alunos? A praticidade, racionalidade, eficiência; o acesso ilimitado a dados e informações, o livre ingresso para freqüentar e desbravar universos antes intangíveis, a irrestrita disponibilidade de obras clássicas, acervos seletos e das melhores bibliotecas dos EUA e da Europa, tudo isso possibilitado pela existência da WEB. É o mundo na tela de um simples monitor.
Em que pese a velocidade muito menor que a necessária, nossas escolas têm se adequado às demandas dos novos tempos. Investem na atualização dos hardwares, em redes, softwares e aplicativos mais eficazes, instalam espaços e laboratórios para otimizar a utilização, democratizar o conhecimento, promovem oficinas... E tudo parecia correr conforme o planejado até que começaram a surgir aqui e ali – ainda que de maneira assistemática, tímida e dispersa – estudos alertando que, ao contrário de ajudar, os computadores estão atrapalhando a vida dos estudantes brasileiros.
- Mas como pode? É uma aberração, um acinte, uma aleivosia - apressaram-se em bradar os ‘entendidos’.
- Um computador, qualquer que seja a circunstância, jamais será um entrave para um estudante, esteja no Brasil, esteja na Cochinchina – completaram outros ‘especialistas’ ostentando a empáfia característica dos que acreditam que o mar se limita à crista das ondas.
Por outro lado, os adeptos das práticas conservadoras e avessos a tudo o que soe modernidade, não ficaram para trás:
- Com ábacos e os antigos instrumentos os alunos aprendem mais – e concluem frenéticos. – Vamos substituir os computadores por réguas de cálculo.
Este é um caso em que os ‘entendidos’ e os avessos à modernidade estão errados. Completamente errados.
Pois o Ministério da Educação acaba de divulgar uma pesquisa demolidora sobre o assunto: a instalação de computadores, redes virtuais e laboratórios de informática em nossas escolas não têm agregado qualidade à educação, ao contrário, tem piorado o já deplorável ensino brasileiro.
Se o caro leitor acredita que a conclusão do MEC sobre o impacto do uso do computador em nossas escolas é de nocautear, então durma com essa: os alunos que costumeiramente utilizam o computador na escola estão seis meses atrasados nas disciplinas quando cotejados com os que não tem acesso ao equipamento.
Para alcançar este diagnóstico os pesquisadores do ministério, utilizando as três últimas edições do Saeb – o exame aplicado para avaliar o ensino básico – lançaram mão dos modelos estatísticos mensurando o impacto da utilização do computador no aproveitamento pedagógico dos estudantes com acesso ao PC. E não custa registrar que nada menos que 38% das escolas públicas brasileiras contam com computadores instalados.
A questão central é que o aluno, sem um professor capacitado para guiar seus passos neste novo mundo, fica a mercê do efêmero, da mera diversão, e utiliza o tempo - que deveria destinar às tarefas, trabalhos escolares e aos estudos - para se aprimorar nos jogos virtuais ou esquentar conversa nos sites de relacionamentos, salas de bate-papos e similares.
Portanto, nem tanto o céu, nem tanto a terra. O PC não deve ser encarado como uma panacéia, mas também não deve ser subestimado. É obvio ululante que – no devido contexto – está a milhares e milhares de anos-luz da régua de cálculo utilizada por nossos avós.
Tão importante quanto prover as condições materiais e assegurar a instalação de wardwares e softwares em nossas escolas, é garantir um processo de educação específica para o professor. Só assim nosso estudante terá um supervisor habilitado para auxiliá-lo na travessia, no domínio e na conquista da nova tecnologia. Muitos de nossos educadores sequer conseguem ligar um computador e muitos outros nem se preocupam em esconder a aversão pelas novas tecnologias, sejam relacionadas à informática ou não. Refugam o novo como o diabo refuga a santa cruz.
Os países desenvolvidos conseguem extrair o máximo da relação tecnologias de informática/estudantes porque – além de investir no meio físico – investem também no professor, capacitam-no entusiasticamente e o utilizam para monitorar e supervisionar a incursão dos alunos pela rede.
É um modelo antigo, simples, exitoso e eficaz. Mas que as autoridades brasileiras só agora começam a se dar conta. Se existe algum consolo, vale um antigo ensinamento de nossos avós: antes tarde do que nunca.
Artigo publicado no portal da Associação dos Professores de São Paulo
segunda-feira, 13 de julho de 2009
A fartura do lixo
Para onde se mira o olhar, qualquer que seja a direção, o horizonte se apresenta sempre fosco e nublado, tomado por uma fuligem densa que impede a claridade e o sopro do ar. A paisagem é emoldurada por um deserto inóspito e o que se vê na tela é desperdício, puro desperdício, nada que escape à noção de desperdício.
Na indústria, no comércio, na prestação de serviços, não há setor da economia que consiga se manter ao largo dos gigantescos e avassaladores tentáculos do desperdício.
E não se trata de coisa pequena ou figura de retórica. Os índices são alarmantes, vergonhosos, indecorosos para dizer o mínimo.
Na construção civil, por exemplo, a conta chega a um patamar incestuoso: 30% de desperdício. Seria como se, de cada dez edifícios construídos, três fossem escolhidos para serem implodidos, destinados aos containers de lixo, computados como custo desperdício. Mas em alguns setores específicos da engenharia civil, os índices deixam de ser alarmantes para cair na vala do “acredite se quiser”. É o caso de alguns materiais como argamassa, cujas perdas, com freqüência, chegam à casa dos 90%. Isso mesmo, 90%! E não há aqui o mínimo de exagero. Esses dados foram obtidos com rigor científico. Resultam de pesquisa realizada pela UFMG em conjunto com 15 outras universidades brasileiras, levantamento amplo, largo, realizado em 12 unidades da federação.
Na agricultura, o IBGE retirou um véu que escondia a realidade medonha do calvário. O Brasil jogou na lata do lixo 81,5 milhões de toneladas de grãos de arroz, feijão, milho, soja e trigo nas fases de pré e pós-colheita das safras agrícolas entre 1996 a 2003.
Com um problema tão candente como a fome e a subnutrição, o país consegue a proeza de jogar fora mais alimentos do que consome. Quando se trata de hortaliças, por exemplo, a soma anual de desperdício chega a 37 quilos por habitante, enquanto o consumo por cidadão é de dois quilos a menos, 35 quilos de alimentos por ano. Só na Central de Abastecimento do Rio de Janeiro o desperdício diário é de 40 toneladas de alimentos. Não custa enfatizar, desperdício que ocorre em um único dia e que se repete invariavelmente.
Um outro setor estratégico também apresenta diagnóstico de absoluta gravidade. O desperdício chega a ser um escândalo para qualquer um dotado de uma mente medianamente sã. Nada menos que 45% da água tratada para abastecimento das 27 capitais brasileiras é desperdiçada antes mesmo de chegar ao consumidor. Traduzindo para o bom português, quase metade da água potável produzida no país não chega, sequer, às torneiras do consumidor. São 6,14 milhões de litros do líquido precioso perdidos dia sim e o outro também, volume suficiente para abastecer 38 milhões de brasileiros diariamente.
Tanto desperdício decorre, naturalmente, de um sem número de problemas, a maioria deles, de uma forma ou de outra, relacionada a questões de logística e infra-estrutura física, mas, fundamentalmente relacionados à educação e a cultura. Sim, porque um certo grau de desperdício é administrável e ocorre mesmo nos países desenvolvidos. Mas no volume e na dimensão que o problema se verifica por aqui, só mesmo nos países periféricos.
Muito do desperdício resulta de um caldo cultural direcionado para o consumismo, o esbanjamento, a completa ignorância sobre o que seja reduzir, reutilizar, reciclar. A educação não é a panacéia capaz de per si resolver – qual uma varinha mágica – todos os nossos problemas. Mas não resta dúvidas que sem ela, o destino sempre nos parecerá ingrato. E o desperdício sempre será maior.
Antônio Carlos dos Santos – criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo. acs@ueg.br
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Acredite se quiser!

Acredite se quiser
Nova Iguaçu, Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, está fazendo o que toda prefeitura que se preze deveria fazer. O município está investindo em educação. E pra valer.
Quatro anos atrás, o município adotou nova sistemática de planejamento cujo principal mérito talvez tenha sido incorporar ousadas metas educacionais. Dentre elas, destaca-se a arrojada expansão do ensino integral.
Dada a alardeada escassez de recursos, conjugada às sempre crescentes pressões das demais áreas sociais, onde e como viabilizar o arcabouço orçamentário-financeiro para a necessária expansão?
Eis que todos se viram reféns do dilema permanente, a pulga atrás da orelha de todo gestor.
Mas, no instante do impasse, da angústia e aflição, quando a realidade nua e crua verga a maioria dos prefeitos e gestores, fazendo-os desistir e se conformar com a administração tacanha, medíocre e mesquinha, Nova Iguaçu apostou na criatividade e seguiu em frente, optando por ousar.
E começou construindo uma rede de equipamentos comunitários, colocando-a a disposição da educação e do ensino. Denominado Bairro-Escola, o projeto explora os espaços comunitários que, em boa parte do tempo, encontram-se completamente sem ocupação. Dessa forma, sindicatos, associações, sedes de organizações não-governamentais, clubes, quadras esportivas e igrejas passaram, de espaços obsoletos e ociosos, a importantes anexos das unidades educacionais, equacionando um dos principais gargalos da implantação da educação em tempo integral.
Os frutos da boa iniciativa municipal não demoraram a aparecer. E chegaram, com pompa e circunstância, ancorados nos resultados da Prova Brasil, a avaliação nacional realizada pelo Inep do Ministério da Educação. Os alunos beneficiados pelo projeto aprenderam mais, e o rendimento cresceu 25% em relação à edição anterior da Prova Brasil.
O ciclo, assim, se fecha satisfatoriamente: a prefeitura investe - com criatividade e qualidade - na educação, os alunos se apropriam do conhecimento e do saber. Enquanto na maioria dos municípios a juventude se perde na delinqüência das ruas, em Nova Iguaçu, as crianças permanecem envoltas em atividades pedagógicas, culturais, esportivas, fazendo teatro, debatendo filmes, aprendendo a pintar e compor, praticando capoeira, jogando xadrez e futebol...
E com o parágrafo acima gostaria de por termo a este artigo, uma conclusão ‘pra cima’ e em ‘alto astral’, registrando uma experiência exitosa, de sucesso, coisa rara num cenário tão inóspito e desértico como o que vinga em terra-brasilis quando o assunto é educação.
Mas as coisas estavam indo bem demais para ser verdade. Algo semelhante a “quando a esmola é demais até o Santo desconfia”.
E, infelizmente, em Nova Iguaçu, o ciclo não tem se fechado satisfatoriamente como o enfatizado no parágrafo que desejaria derradeiro. E por que não é satisfatório se a prefeitura investe com qualidade e os alunos aprendem efetivamente?
Seria em decorrência da falta de professores? O leitor apostaria na falta de vagas?
Nada disso! Por incrível que pareça, a resposta está na reação dos pais, contrária ao projeto.
Sim, isso mesmo, querido leitor, nada mais, nada menos que a reação contrária dos pais.
A baixa adesão familiar tem sido o principal entrave para a implantação da escola de tempo integral em Nova Iguaçu. Preocupada com o absurdo que ocorria à vista de todos, a Secretaria de Educação do município resolveu pesquisar as razões e os resultados se mostraram avassaladores.
Tão somente 27% dos pais permitem que os filhos fiquem o dia inteiro na escola.
Dá para acreditar? A experiência do município fluminense não daria um bom episódio para o antigo seriado televisivo “Acredite se quiser”? Pois, por inacreditável que seja, a maioria dos pais de Nova Iguaçu acredita que mais tempo na escola e atividades extracurriculares não trazem benefícios. Não poucos procuram se justificar acusando cansaço dos filhos. Outros, que os pequenos precisam ajudar em casa.
Um tanto decepcionado, Jailson de Souza, Secretário de Educação do município desabafa: "As famílias pobres precisam ver a educação do mesmo ponto de vista da classe média, como algo essencial para a liberdade individual e a construção de perspectivas”. E completa: "Todo pai deseja que o filho seja doutor. Só que desejo é diferente de necessidade. A classe média transformou a escola em necessidade", define.
Sobre o Hades em que se encontra mergulhada a educação brasileira, os que já se acostumaram a acusar, lançar pedras & culpas sobre o poder público, eis aqui um caso evidenciando a consistência da velha lei: não é que toda regra tem mesmo a sua exceção?!
A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são criações originais de Antônio Carlos dos Santos. vilatetra@gmail.com
segunda-feira, 30 de março de 2009
Compromisso com a ética

Mas a publicidade no setor público deve ser balizada pela legislação em vigor e, sobretudo pelos mandamentos constitucionais. E o parágrafo 1º do artigo 37 da Carta Magna não deixa dúvidas quanto aos limites impostos:
A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
Por isto, a não ser que a má intenção esteja latente, não há como alegar incompreensão ou desconhecimento quanto à observância dos preceitos constitucionais.
Pois bem, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Pará decidiram investigar a legalidade e lisura na entrega de 1 milhão de kits escolares pelo governo paraense a alunos da rede estadual.
O kit compõe-se de mochila, agenda e camiseta, e demandou investimentos da ordem de R$ 47,8 milhões.
Até aí, nada demais (é o que induz a aparência!).
A questão é que o material distribuído, ao que tudo indica, afronta os dispositivos tão claramente enunciados na Constituição Federal. A mochila vem com a logomarca impressa, e a agenda, além da logo e do nome da governadora Ana Júlia Carepa, traz em seu corpo um artigo com auto-elogios à sua administração.
Já é um problema e tanto. Mas há um outro: os indícios de superfaturamento na aquisição dos kits. Neste ano, o governo paulista adquiriu produtos similares com preços substancialmente menores. Em São Paulo, cada Kit - composto com mochila, cadernos, canetas, lápis, régua, borrachas e apontadores - teve o custo unitário estipulado em R$ 24,00. Já o da governadora Ana Júlia custou praticamente o dobro, exatos R$ 47,80.
E há ainda um dado adicional: como “prestação de contas” dos trabalhos e da gestão realizada, a Secretaria da Educação do Estado do Pará distribuiu, neste ano, 10 mil revistas com fartura de textos e fotos da governadora e da secretária.
Para que o Brasil avance, uma premissa básica é que o Estado Democrático de Direito se estabeleça de forma categórica, e se faça cristalino no dia a dia dos gestores e do cidadãos. Punir os crimes e desvios dos gestores não é, portanto, uma medida meramente legal. Também, e fundamental. Mas é, sobretudo, estabelecer um indissolúvel compromisso com a ética, as liberdades, a democracia e o desenvolvimento do país.
Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo. vilatetra@gmail.com
segunda-feira, 23 de março de 2009
Sobre os que avançam sobre os nossos sonhos
Todos sabemos a engenhosidade de que se valem os patifes e larápios para lançar mão sobre a coisa alheia.
Quando perdemos a chave do carro, por exemplo, é um “Deus nos acuda!”, e sendo madrugada, ai dos que não consigam encontrar um chaveiro disponível, porque não existe mortal-comum-dono-de-carro que consiga abrir seu veículo quando está sem as chaves, e quando, naturalmente, as portas estão travadas. As montadoras usam e abusam das inovações tecnológicas, se esmeram e se aprimoram nas artes das fechaduras, mas os bandidos e marginais parecem viver num mundo sempre à frente, quando se trata de praticar o mal.
Com seus vírus, worm e cavalos de tróia, os hackers, crakers e pheaker não estão a provar isso diuturnamente? Quantos milhões de dólares não gastam empresas e governos com segurança da informação para ver – muitas vezes - todo o investimento efetuado, ruir como um castelo de areia?
Em 21 de junho de 1993 passou a vigorar no Brasil a lei 8.666, que dispõe sobre o regime jurídico da licitação e dos contratos administrativos.
A lei estabelece normas gerais para disciplinar as licitações e os contratos relacionados a obras, serviços, inclusive de publicidade e compras.
Na realidade, a Lei das Licitações regulamenta o artigo 37, XXI da Constituição Federal, e tanto a lei maior como a complementar dispõem sobre os princípios que devem nortear essas relações na esfera pública: legalidade, impessoalidade, isonomia, moralidade, publicidade, probidade administrativa,...
A probidade administrativa, por exemplo, é um dos mais importantes mandamentos constitucionais. Reza o artigo 37, § 4º, que pode conduzir à “suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação prevista em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”.
Mas tudo isso parece sequer amedrontar as quadrilhas que gravitam em torno das instituições públicas. Não há um só dia em que uma caterva dessas não é desbaratada e, ao contrário de diminuir, aumentam em escala exponencial, como se fossem ervas daninhas geneticamente modificadas para proliferar em proporção inversa ao combate e ao veneno administrado.
Agora mesmo, a polícia Federal acaba de desarticular uma poderosa quadrilha no Maranhão. Principal especialidade da malta? Desviar recursos da merenda escolar, literalmente, tirar a comida da boca das crianças.
As autoridades não poderiam ter encontrado terminologia mais adequada para denominar a operação policial: Rapina. Porque é disso que se trata, pura rapinagem, puro vampirismo, pura ladroagem. Foram cumpridos nada menos que 27 mandatos de prisão e mais 38 de busca e apreensão.
A corja de má índole que perpetrava as fraudes e os crimes era composta por empresários, prefeitos, políticos, secretários municipais, membros das comissões de licitação e contadores. Uma matula para Al Capone e Juiz Lalau algum botar defeito. Não bastasse avançar sobre os recursos do Ministério da Educação destinados à aquisição dos alimentos para a merenda escolar, os patifes se locupletaram com as verbas do Ministério da Saúde destinadas à compra de medicamentos. Estimam os especialistas da Polícia Federal que, em 2007 e início de 2008, a organização criminosa sangrou da sociedade recursos da monta de R$ 15 milhões, só de recursos federais.
Tanto a Polícia Federal como a Controladoria Geral da União descobriram que as prefeituras fraudavam licitações, balancetes contábeis e utilizavam notas fiscais falsas das empresas investigadas para encobrir desvio de recursos públicos da União por meio de convênios, fundos e planos nacionais.
Os marginais integrantes da súcia foram acusados dos crimes de falsificação, uso de documento falso, peculato, emprego irregular de verbas públicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro público.
Parabéns à Polícia Federal e à Controladoria Geral da União. Espera-se agora do Judiciário a mesma presteza e eficácia, mantendo bem trancados, atrás das grades, a “n” chaves, os larápios que desdenham a fome que avilta nossas crianças, as dores que definham nossos enfermos, e o esforço e o suor dos brasileiros que desejam um Brasil melhor e mais justo para todos. Nenhuma tolerância para com os que avançam sobre nossos sonhos e esperanças.
Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo. vilatetra@gmail.com
segunda-feira, 16 de março de 2009
O ocaso das inovações tecnológicas?
O ocaso das inovações tecnológicas?
No contexto tecnológico as consequências mostram-se visíveis. Informa a OMPI, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, que, em decorrência da crise, o número de patentes registradas no ano passado decresceu 6,9% considerando a média dos últimos três anos.
Naturalmente, a diminuição dos registros de patentes são reflexos das dificuldades oriundas da escassez de fontes disponíveis para os investimentos em ciência & tecnologia.
A crise jogou um tsunami de água fria sobre o setor, que ao longo das últimas décadas vinha apresentando uma performance de constante expansão, com Coréia do Sul, China e Suécia apresentando resultados surpreendentes, os melhores em relação às inovações tecnológicas.
O fato da crise ter se iniciado nos EUA e lá seguir provocando as piores consequências, em quase nada comprometeu a supremacia norte americana quanto à capacidade de permanentemente promover inovações. Em todo o mundo, das patentes solicitadas em 2008, os Estados Unidos ficaram com 32,7%, mantendo posição bem distante do segundo colocado, o Japão, que ficou com 17,5%.
A China, um dos emergentes que, ao lado de Brasil, Índia e Rússia compõem o BRIC, dá mostras de sua agressividade desenvolvimentista. Uma de suas empresas multinacionais, a Huawei Telecomunicações, pela primeira vez na história, lidera o ranking com 1.737 patentes registradas, superando gigantes como a Panasonic japonesa (1.729) e a Philips holandesa (1.551).
Apesar do cenário revelar um horizonte sombrio, de tormentas e tempestades, os que lidam mais amiúde com planejamento aprenderam a extrair das crises as frações - não poucas - de oportunidades. E no caso específico do desenvolvimento, da ciência e da tecnologia, a escassez de recursos para investimentos implicará, necessariamente, no incremento da eficácia. Para os que desejam se sobressair será necessário produzir mais e melhor com menos, conquistar mais e melhores produtos e resultados com menor aporte de recursos, sobretudo os financeiros, que se mostrarão, a cada dia, mais depauperados.
Ademais, como versa Rodoux Faugh em um de seus poemas,
“(...)A vida jamais se esgota, sequer se engana – eu sei!
O que parece morte é como a vida renascida rompendo o fértil ventre materno
A noite não passa de sutil cortina a abrigar a cândida sonolência dos infinitos raios de sol
Os mesmos que daqui a pouco vão explodir em luz, conformando o novo dia, a nova era, os novos homens (...)”
Ou seja: nada como um dia após o outro.
A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são produções originais de Antônio Carlos dos Santos. vilatetra@gmail.com
segunda-feira, 9 de março de 2009
Reforma do ensino médio: 'enquanto a carruagem passa...'
"(...) Os dados animaram o Ministério da Educação a acelerar os estudos com vistas a realizar a reforma do ensino médio, que não obstante os ‘beicinhos’ e as ‘caras & bocas’ de alguns, já vem por aí. O ministro Fernando Haddad não faz questão de esconder de ninguém que “está em curso uma ‘resignificação’ do ensino (médio) que passa por oferecer oportunidade profissional para juventude" (...)"Reforma do ensino médio: ‘enquanto a carruagem passa...’
Desde sempre, ensinar uma profissão para os filhos tem sido importante objetivo perseguido por pais, pois se trata, na realidade, de garantir um futuro mais alvissareiro e menos sujeito às vicissitudes e “intempéries” da vida.
No Brasil, o ensino profissionalizante jamais foi unanimidade. Muitos jamais o tiveram como solução, acreditando tratar-se mais de pernicioso desvio, uma tendência ditada pelas pressões do mercado.
Polêmicas à parte, o ensino profissionalizante foi o que mais cresceu no ano passado. É o que informa o Censo Escolar recém divulgado pelo MEC.
E dada a letargia com que o setor se movimenta e o descaso que sempre recebeu, a curva ascendente não deixa de surpreender.
O crescimento rompeu o patamar de 14,7%, incorporando mais de 100 mil novos alunos na modalidade. Mais precisamente, em 2008, o número de matrículas no ensino profissionalizante saltou de 693.610 para 795.459 alunos.
O Censo elaborado pelo Inep - o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - revela ainda uma outra informação importante: quando a educação profissional é ofertada concomitantemente com o ensino médio regular, o incremento no número de matrículas fica na casa dos 19,6%. Já quando é oferecido após a educação básica o aumento se reduz, se fixando em 10,5%.
Os dados animaram o Ministério da Educação a acelerar os estudos com vistas a realizar a reforma do ensino médio, que não obstante os ‘beicinhos’ e as ‘caras & bocas’ de alguns, já vem por aí. O ministro Fernando Haddad não faz questão de esconder de ninguém que “está em curso uma ‘resignificação’ do ensino (médio) que passa por oferecer oportunidade profissional para juventude".
Sintomaticamente, os Estados mais ricos da Federação foram os que mais investiram no ensino profissionalizante. São Paulo ocupa a liderança com 292.714 matrículas efetuadas em 2008, seguido por Minas Gerais, com 104.933 estudantes aprendendo uma profissão no ensino técnico.
Sob o ponto de vista regional, foram os Estados do Norte que conseguiram melhor performance, registrando um incremento de 40,1%. O Acre exulta um aumento de 107%.
Com a reforma do ensino médio já dobrando a esquina, a polêmica sobre o ensino profissionalizante deve se acirrar. Mas como bem diria (ou, ao menos, gostaria de dizer) o ministro Haddad ‘enquanto a carruagem passa...’.
A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são produções originais de Antônio Carlos dos Santos. vilatetra@gmail.com
segunda-feira, 2 de março de 2009
A avaliação das Instituições de Ensino Superior
Não há como falar de planejamento se a vista não alcança - com acuidade, profundidade e perfeição - a avaliação. E, infelizmente, é o que, quase sempre, ocorre: gestores incapazes de emprestar justa importância ao que talvez seja um dos processos mais eficazes para a correção de rumos e intervenções controladas.
O planejamento é um importante instrumento de gestão que, por incrível que pareça, geralmente passa ao largo das instituições governamentais. Foi pasteurizado, hipocritamente acostumou-se a tomá-lo como uma panacéia técnico-burocrática, um baralho de cartas avulsas e desconexas, uma mescla de procedimentos concebida para responder exclusivamente à legislação e aos organismos de fiscalização e controle, ensejando a elaboração de relatórios e mais relatórios, processos e mais processos, inspeções e mais inspeções, abarrotando escaninhos e consumindo mega memórias de computadores, todos fingindo que estão planejando, todos fingindo que estão executando, todos fingindo que estão avaliando e todos fingindo que estão fiscalizando.
Como não há mal que dure para sempre, este cenário de “faz de conta” está mudando, sobretudo no âmbito do Ministério da Educação, onde as avaliações, de fato, tem servido de insumo para retro-alimentar os sistemas de planejamento, promovendo importantes correções nas políticas públicas que conduzem a educação no país.
A partir de 08 de março é a vez das Instituições de Ensino Superior que serão objeto de um minucioso processo de avaliação.
A avaliação caberá aos Inep, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação, que também executará o procedimento com relação aos cursos.
O objetivo é renovar o reconhecimento de curso e avaliar os processos de autorização das faculdades de Medicina e Direito, dois grandes gargalos do ensino superior.
A avaliação que se inicia em março é, na realidade, uma das três etapas integrantes do Sinaes, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, que verifica ainda as avaliações de cursos e de estudantes cotejando os resultados do Enade, o Exame do Desempenho dos Estudantes.
O Inep, neste ano, inovará apresentando um cronograma com a relação das instituições que serão avaliadas, tornando toda a sistemática mais transparente, dando inclusive oportunidade para que as instituições conheçam os procedimentos de avaliação.
Naturalmente, este é um processo alvo de resistências nem sempre amenas. Neste caso, particularmente, as resistências se manifestam com certa virulência através das corporações que representam as instituições privadas. Mas que o governo federal vem administrando com competência.
Para qualificar qualquer processo há que conhecê-lo, devassá-lo, familiarizar com seus detalhes, entrâncias, particularidades e minúcias. Há que sabê-lo. E como cumprir essas etapas ignorando ou fazendo pouco caso da avaliação?
Felizmente, este é um caminho já natural e sem sobressaltos para o MEC. Que as demais instituições públicas inspirem-se em sua espertise.
A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são produções originais de Antônio Carlos dos Santos. vilatetra@gmail.com