sexta-feira, 30 de julho de 2010

O sistema de ciclos

Deu na folha de hoje:
CICLOS, OU PROGRESSÃO CONTINUADA É O MELHOR SISTEMA NA EDUCAÇÃO!

(Fernando Barros - FSP, 30) 1. Quem implantou o sistema de progressão continuada em São Paulo foi o educador Paulo Freire, insuspeito de "tucanismo", quando secretário de Luiza Erundina. Mário Covas adotou o modelo no Estado em 1995. O desafio daquela época era, fundamentalmente, colocar (e manter) a criança na escola. As taxas de repetência e de evasão escolar eram alarmantes. Hoje, ao menos no ensino fundamental, as crianças estão na escola. O que é um avanço.

2. Reprovar mais não é sinônimo de elevar o nível do ensino. Pode, dizem especialistas, significar o contrário. Estudos mostram que o aluno repetente aprende menos, e não mais que seus colegas; que a reprovação pode ser fator de "deseducação", além de estímulo à exclusão social.

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E o que publiquei sobre o assunto, algum tempo atrás:

Erro histórico? Bah!!! ou "O sistema de ciclos"

Muitos apelidos e paradigmas pegam em função das oportunidades, dos interesses e até do humor do freguês. Às vezes escudam-se em justificativas inconsistentes, meias-verdades, arrazoados apenas envernizados de lógica. Não são poucas as vezes em que caem no domínio público em decorrência da mesquinharia que acomete meio mundo, mas não devemos perder de vista o impacto do preconceito sobre nosso comportamento.

Quantas vezes na vida já refugamos um bom livro, um filme interessante, uma idéia instigante por puro preconceito? Quem jamais se abrigou nas entranhas do jargão “não li, não vi, não conheço, e não gostei”?

Já faz um bom tempo que não encontro questão que galvanize tanta resistência e má vontade quanto o sistema de ciclos.

Este modelo surgiu como alternativa para substituir as antigas séries que avaliam os alunos ao término de cada ano letivo. No novo modelo as avaliações são realizadas ao longo do ciclo. Em decorrência da nova sistemática de avaliação, não existe mais a possibilidade do aluno ser reprovado ao final de cada ano, ao final de cada série. Quando não consegue responder ao demandado pelos professores, o aluno é reprovado ao final de cada ciclo. O ensino fundamental, por exemplo, está estruturado em dois ciclos, um da primeira à quarta série e o outro da quinta à oitava.

Como marco regulatório, o sistema de ciclos está amparado pela Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que assegurou autonomia para estados, municípios e unidades escolares decidirem se incorporam ou não a nova estratégia.

Cá entre nós, o sistema é o que existe de mais produtivo. Despreza a possibilidade das provas e testes estanques, determinados num único instante, e abraça a visão larga do processo continuado, onde as avaliações não constituem um fim em si, mas uma sistemática diuturna, que incorpora múltiplos formatos, variados componentes, ensejando a interação do ensino formal com apreendido no universo familiar e social do estudante. Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia de planejamento estratégico Quasar K+

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Prisioneiros da idade média


Houve épocas em que foi diferente, mas, em tempos contemporâneos, o recurso econômico que vinca, faz diferença, que tem se mostrado mais expressivo e importante não é outro senão a educação.

Uma rápida incursão pela história da humanidade demonstra que nem sempre foi assim.

As civilizações antigas utilizaram o trabalho escravo para alavancar o progresso econômico. Na idade média a organização social se processou tendo como referência as terras dos senhores feudais. ‘Fábrica’, ‘maquinário’, ‘produção em série’ foram as palavras mágicas capazes de mover a moderna civilização industrial na direção da acumulação do capital.

E rompendo o século XX e em pleno curso no século XXI explode em toda a sua intensidade a sociedade do conhecimento.

Sociedade do conhecimento? O que é isso? Um pássaro? Um avião? Não, é o Super-Homem. É verdade, caro leitor... Não vai aqui nenhuma ironia ou piada de salão.

A sociedade do conhecimento resulta da educação que re-elabora, recria valores, revoluciona paradigmas, uma indústria ininterrupta de produção de novas tecnologias, capital humano e qualidade sustentável. É o que mais pode aproximar a espécie das estórias em quadrinhos que povoaram nossa infância, é o que mais pode nos fazer parecer com o homem de aço do planeta Krypton.

Países que - até algumas décadas atrás - situavam-se no mesmo estágio de desenvolvimento que o Brasil, hoje se encontram anos-luz à frente. Parece que ficamos imobilizados num desses atoleiros fantasmagóricas onipresentes nas estradas federais.

Por mais que doa, a verdade não deve ser ignorada: Pindorama ficou para trás. Boa parte do país parece aprisionada, é como se gigantescos grilhões nos impedissem de romper com a idade média e com os primórdios da revolução industrial. Enquanto o mundo desbrava o futuro, gastamos o suor e a energia da nação conquistando fatias de um passado já longínquo, distante, atrasado e obsoleto.

Mas a Ásia, Irlanda, Austrália, e aqui bem próximo, o Chile, avançaram, e continuam avançando, progredindo, deixando a república Tupiniquim submersa numa nuvem densa de poeira vermelha. Investindo de forma decisiva e progressiva na educação, esses países vêm alcançando elevados níveis de emprego, sustentabilidade e bem estar social.

O Brasil que desdenhou o dever de casa amarga indicadores perversos, vergonhosos, abomináveis, sempre ocupando as últimas posições nos exames internacionais que avaliam o ensino, que mensuram o nível de conhecimento agregado pelos alunos. Uma panorâmica pelas últimas edições do PISA-OCDE mostram que o mar não está para peixe.

Por considerarem a educação uma alavanca para o progresso, países como Coréia, Irlanda e Austrália estão em vias de encontrar o super-homem, pelo menos a parte humana do super, aquela que usufrui privilégios triviais, como o de ter acesso a emprego e renda; o de não ser achincalhado com bombardeios diários denunciando maracutaias e corrupção; como o de poder levar a família para um simples passeio familiar, sem temer a parada no semáforo, sem a preocupação com o estampido seco e fatal. Vai dizer que não é um privilégio ter a certeza de que gatunos da merenda, dos livros didáticos ou do transporte escolar acordarão vendo o sol nascer quadrado? Vai garantir que não é privilégio ter a convicção de que corruptos cumprirão longas penas nas cadeias?

Tudo correndo bem, sendo a corrupção endêmica estancada (e os corruptos encarcerados!), assegurando que os investimentos não sofram solução de continuidade, o Ministério da Educação prevê cerca de duas décadas para que o Brasil alcance a média dos estudantes dos países-desenvolvidos. Vinte anos. É um tempo longo, por demais longo.

Tivéssemos uma maioria de políticos com vergonha na cara e este tempo se reduziria substancialmente. Mas este é o Brasil real e de nada vale dar asas à ilusão.

Fixemo-nos então nas projeções do MEC. Pelo menos é uma oportunidade e não uma daquelas miragens tão ao gosto dos nossos legítimos ‘representantes’. É importante atenção e vigilância. E ante o perigo e a iminência do primeiro desvio, gritar, berrar, espernear, indignar, protestar. É nossa obrigação romper os grilhões que nos aprisionam à idade média. Devemos isso à nossos filhos e netos.

Artigo de Antônio Carlos dos Santos publicado no portal da Associação dos Professores de São Paulo

domingo, 18 de julho de 2010

Camões e a ideologia de matula

“Só o tempo cura o queijo”, desejaram ensinar nossos avós. Poucos conseguiram, verdadeiramente, aprender este milenar ensinamento.

O tempo – cansou-se de versar o poeta – é o senhor da razão.

Na arte como na vida, é o tempo que determina o que – qual flecha pontiaguda – vai atravessar a linha que separa o presente do futuro. O juiz soberano que separa o efêmero do perene não é outro senão o tempo.

O conjunto Legião Urbana transformou em música um dos mais belos e singelos poemas de todos os tempos, escrito pelo poeta maior da língua portuguesa.

A poesia que sustenta a melodia entoada pelo Legião foi escrita nos idos do descobrimento do Brasil e sua transposição para os dias de hoje é comprovação de que a arte, quando consistente e inundada de qualidade, brinca com a linha do tempo, transforma passado, presente e futuro num único instante, um ponto indivisível da quarta dimensão.

Na realidade, a banda capitaneada por Renato Russo (Monte Castelo) entremeou trechos de Camões com outros de Paulo, o Aposto.

Aqui está o soneto de Camões:

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


A magnífica obra é de Luiz de Camões que, presumivelmente, nasceu em 1525, vindo a falecer no ano de 1580.

Camões revolucionou a poesia lírica portuguesa. A condição humana e o intrincado universo dos sentimentos são explorados de forma sutil, mas densa o suficiente para promover a reflexão filosófica.

Vejam a beleza deste soneto, outra obra prima do mestre do classicismo lusitano:

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.


No período do Renascimento, a expansão comercial gerou um movimento cultural denominado Classicismo, estilo literário logo abraçado por Luís de Camões.

A obra de Camões adentrará o futuro eterno influenciando os escritores de todo o mundo, sobretudo os que receberam a graça de escrever em português.

“Soneto de Carnaval” de Vinicius de Moraes é mais um exemplo da presença inspiradora de Camões:

Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.

Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.

E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim

De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.


Os livros didáticos e para-didáticos utilizados em nossas escolas preocupam-se sobremaneira em politizar nossas crianças e jovens, incutindo – muitas vezes extemporaneamente – conceitos do viver politicamente correto. E tome cidadania, inclusão, ações afirmativas, participação popular, sustentabilidade, etc. e etc. Nada de mal. Tudo bem se é para formarmos cidadãos de bem com o mundo e com as pessoas. O problema é que muitos de nossos educadores acreditam que para vestir um santo devem descobrir o outro. E esquecem-se do conhecimento básico, que dá suporte aos demais; e desdenham deixando de lado a ciência dos números e a das letras.

Sim, passam a tratar a matemática e o português como uma espécie de filhos bastardos, aos quais se dá uma certa atenção, mas nada que implique maiores comprometimentos. Pitágoras e Camões são aprisionados no lugar mais ermo da escola, no canto mais escuro e empoeirado da biblioteca.

E esta é – não tenho a menor dúvida – uma das causas (das principais!!) do Brasil ter se tornado especialista em ocupar os últimos lugares nos ranking’s que hierarquizam a qualidade e o nível da educação. Sejam as sucessivas edições do Pisa, seja qualquer outro indicador, sempre estamos segurando a lanterna, atrás até mesmo dos vizinhos sul-americanos.

Como é possível acreditar que, desconhecendo as quatro operações da aritmética e sem conseguir extrair de um texto elementar seu sentido figurado, pode um aluno alcançar a cidadania? Não pode. A não ser que o objetivo seja inflar os números e maquiar os relatórios pedagógicos.

Caros mestres. Tratem com mais carinho e apreço seus alunos. Matemática e português neles. Pitágoras e Camões jamais farão mal a ninguém. Ao contrário, sem eles, inclusão e cidadania não passam de jargões e palavras de ordem, ideologia de matula, uma sistemática de todo incompatível com educação de qualidade.

Antônio Carlos dos Santos é engenheiro e escritor, criador da metodologia de planejamento estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo. acs@ueg.br

domingo, 4 de julho de 2010

A República Federativa do Sugabão

O Brasil sempre foi um país onde riquezas naturais nunca faltaram. Sempre existiram em profusão. Daí a naturalidade com que ostentamos a posição de uma das maiores economias do planeta.

A pujança que a natureza nos presenteou se fez fartura econômica e não poucos estudiosos estimam que – passada a atual crise mundial – o país passará a ocupar a posição de 8ª maior potência econômica do planeta, superando economias estabelecidas, como a da Inglaterra.

O grande problema do Brasil, portanto, não se refere ao volume e dimensão de suas riquezas e potencialidades e sim como elas são distribuídas, como chegam ao conjunto da população. E aqui, temos um problema gigantesco, um nó górdio que cinco séculos de história não foram suficientes para equacionar e resolver.

A distribuição da riqueza brasileira é tão nefasta e perversa que os extratos da população que compõem a base da pirâmide social –os mais pobres – encontram-se em condições de exclusão similares aos das nações mais miseráveis do planeta. Em contra-posição, as faixas que ocupam o topo da pirâmide, igualam-se, em posses, luxo e ostensividade, aos extratos mais ricos e poderosos das primeiras potências do mundo.

Já me referi, em outros artigos, ao Brasil como uma república resultante da simbiose entre o que de melhor existe na Suécia com o que de pior foi gerado no Gabão. Um nome semelhante a Sugabão não nos faria injustiça, porque, verdadeiramente, é o que somos.

E como se não bastasse a gravidade da situação, um quadro mais terrífico acaba de ser anunciado pelas Nações Unidas.

Relatório do PNUD que analise as mais recentes informações do Índice de Desenvolvimento Humano demonstra que os 20% de brasileiros mais ricos vivem em situação melhor que os extratos mais ricos da população da Suécia, Alemanha, Canadá e França.

O estudo "Desigualdade no Desenvolvimento Humano: Uma determinação empírica de taxas de 32 países" revela que, no Brasil, a fatia mais rica da população tem um IDH de 0,997, indicador muito próximo do máximo (1,000) e que ultrapassa o valor correspondente aos 20% mais ricos de todos os outros países calculados, incluindo o do Canadá (0,967) e o da Suécia (0,959).

Quando descemos para os recônditos do subsolo, verificamos que o atual IDH do Brasil, é, na média geral, de 0,807. Contudo, os mais pobres gravitam em condições correspondentes a um IDH de 0,610, o que os colocam em um universo mais indigente que os mais excluídos da Indonésia (0,613), do Vietnã (0,626), do Paraguai (0,644) e da Colômbia (0,662).

Portanto, os opulentos brasileiros são mais ricos que os ricos suecos; e a plebe verde-amarela, mais pobre que os pobres paraguaios. O relatório das Nações Unidas conclui ainda que “no Brasil e em países como Guatemala e Peru, a diferença do IDH dos 20% mais pobres para o IDH dos 20% mais ricos só não é superior à de alguns países da África, como Madagascar e Guiné”.

Os números enfatizam que nos encontramos numa encruzilhada, num daqueles famosos “becos sem saída”. A solução, sabemos todos, consiste em priorizar investimentos para qualificar nossa educação. Porque qualificando a educação, qualificamos as pessoas, qualificamos o voto, qualificamos nossa representação, corrigimos as injustiças e distorções... para então – coletivamente - nos distanciarmos do Gabão, nos colando indissoluvelmente à Suécia.

domingo, 13 de junho de 2010

Vamos substituir os computadores por réguas de cálculo?

Para os mais dados à observação sempre esteve claro que alguma coisa não vai bem.

Sim, é verdade, não há quem não veja o esforço nacional pra dotar as escolas de melhores condições tecnológicas, sobretudo de computadores. Participa deste esforço não apenas o governo, mas também a sociedade organizada, empresas e fundações privadas, nacionais e internacionais.

O PC e a rede mundial de computadores são instrumentos imprescindíveis no mundo moderno. Estão para a vida contemporânea como a água e o alimento estão para o peixe. Definitivamente, não há como navegar pelo século XXI mantendo-se ao largo das tecnologias de informática, sobretudo quando o foco é o ensino, a educação.

Que educador em sã consciência pode ignorar ou desdenhar a importância do computador e da internet no aprendizado dos alunos? A praticidade, racionalidade, eficiência; o acesso ilimitado a dados e informações, o livre ingresso para freqüentar e desbravar universos antes intangíveis, a irrestrita disponibilidade de obras clássicas, acervos seletos e das melhores bibliotecas dos EUA e da Europa, tudo isso possibilitado pela existência da WEB. É o mundo na tela de um simples monitor.

Em que pese a velocidade muito menor que a necessária, nossas escolas têm se adequado às demandas dos novos tempos. Investem na atualização dos hardwares, em redes, softwares e aplicativos mais eficazes, instalam espaços e laboratórios para otimizar a utilização, democratizar o conhecimento, promovem oficinas... E tudo parecia correr conforme o planejado até que começaram a surgir aqui e ali – ainda que de maneira assistemática, tímida e dispersa – estudos alertando que, ao contrário de ajudar, os computadores estão atrapalhando a vida dos estudantes brasileiros.


- Mas como pode? É uma aberração, um acinte, uma aleivosia - apressaram-se em bradar os ‘entendidos’.

- Um computador, qualquer que seja a circunstância, jamais será um entrave para um estudante, esteja no Brasil, esteja na Cochinchina – completaram outros ‘especialistas’ ostentando a empáfia característica dos que acreditam que o mar se limita à crista das ondas.

Por outro lado, os adeptos das práticas conservadoras e avessos a tudo o que soe modernidade, não ficaram para trás:

- Com ábacos e os antigos instrumentos os alunos aprendem mais – e concluem frenéticos. – Vamos substituir os computadores por réguas de cálculo.

Este é um caso em que os ‘entendidos’ e os avessos à modernidade estão errados. Completamente errados.

Pois o Ministério da Educação acaba de divulgar uma pesquisa demolidora sobre o assunto: a instalação de computadores, redes virtuais e laboratórios de informática em nossas escolas não têm agregado qualidade à educação, ao contrário, tem piorado o já deplorável ensino brasileiro.

Se o caro leitor acredita que a conclusão do MEC sobre o impacto do uso do computador em nossas escolas é de nocautear, então durma com essa: os alunos que costumeiramente utilizam o computador na escola estão seis meses atrasados nas disciplinas quando cotejados com os que não tem acesso ao equipamento.

Para alcançar este diagnóstico os pesquisadores do ministério, utilizando as três últimas edições do Saeb – o exame aplicado para avaliar o ensino básico – lançaram mão dos modelos estatísticos mensurando o impacto da utilização do computador no aproveitamento pedagógico dos estudantes com acesso ao PC. E não custa registrar que nada menos que 38% das escolas públicas brasileiras contam com computadores instalados.

A questão central é que o aluno, sem um professor capacitado para guiar seus passos neste novo mundo, fica a mercê do efêmero, da mera diversão, e utiliza o tempo - que deveria destinar às tarefas, trabalhos escolares e aos estudos - para se aprimorar nos jogos virtuais ou esquentar conversa nos sites de relacionamentos, salas de bate-papos e similares.

Portanto, nem tanto o céu, nem tanto a terra. O PC não deve ser encarado como uma panacéia, mas também não deve ser subestimado. É obvio ululante que – no devido contexto – está a milhares e milhares de anos-luz da régua de cálculo utilizada por nossos avós.

Tão importante quanto prover as condições materiais e assegurar a instalação de wardwares e softwares em nossas escolas, é garantir um processo de educação específica para o professor. Só assim nosso estudante terá um supervisor habilitado para auxiliá-lo na travessia, no domínio e na conquista da nova tecnologia. Muitos de nossos educadores sequer conseguem ligar um computador e muitos outros nem se preocupam em esconder a aversão pelas novas tecnologias, sejam relacionadas à informática ou não. Refugam o novo como o diabo refuga a santa cruz.

Os países desenvolvidos conseguem extrair o máximo da relação tecnologias de informática/estudantes porque – além de investir no meio físico – investem também no professor, capacitam-no entusiasticamente e o utilizam para monitorar e supervisionar a incursão dos alunos pela rede.

É um modelo antigo, simples, exitoso e eficaz. Mas que as autoridades brasileiras só agora começam a se dar conta. Se existe algum consolo, vale um antigo ensinamento de nossos avós: antes tarde do que nunca.

Artigo publicado no portal da Associação dos Professores de São Paulo

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A fartura do lixo

O desperdício é um mal que grassa entre nós. E nas dimensões que vem ocorrendo, reflete o nível e a qualidade de nosso desenvolvimento: sofrível, perdulário, indigente.

Para onde se mira o olhar, qualquer que seja a direção, o horizonte se apresenta sempre fosco e nublado, tomado por uma fuligem densa que impede a claridade e o sopro do ar. A paisagem é emoldurada por um deserto inóspito e o que se vê na tela é desperdício, puro desperdício, nada que escape à noção de desperdício.

Na indústria, no comércio, na prestação de serviços, não há setor da economia que consiga se manter ao largo dos gigantescos e avassaladores tentáculos do desperdício.

E não se trata de coisa pequena ou figura de retórica. Os índices são alarmantes, vergonhosos, indecorosos para dizer o mínimo.

Na construção civil, por exemplo, a conta chega a um patamar incestuoso: 30% de desperdício. Seria como se, de cada dez edifícios construídos, três fossem escolhidos para serem implodidos, destinados aos containers de lixo, computados como custo desperdício. Mas em alguns setores específicos da engenharia civil, os índices deixam de ser alarmantes para cair na vala do “acredite se quiser”. É o caso de alguns materiais como argamassa, cujas perdas, com freqüência, chegam à casa dos 90%. Isso mesmo, 90%! E não há aqui o mínimo de exagero. Esses dados foram obtidos com rigor científico. Resultam de pesquisa realizada pela UFMG em conjunto com 15 outras universidades brasileiras, levantamento amplo, largo, realizado em 12 unidades da federação.

Na agricultura, o IBGE retirou um véu que escondia a realidade medonha do calvário. O Brasil jogou na lata do lixo 81,5 milhões de toneladas de grãos de arroz, feijão, milho, soja e trigo nas fases de pré e pós-colheita das safras agrícolas entre 1996 a 2003.

Com um problema tão candente como a fome e a subnutrição, o país consegue a proeza de jogar fora mais alimentos do que consome. Quando se trata de hortaliças, por exemplo, a soma anual de desperdício chega a 37 quilos por habitante, enquanto o consumo por cidadão é de dois quilos a menos, 35 quilos de alimentos por ano. Só na Central de Abastecimento do Rio de Janeiro o desperdício diário é de 40 toneladas de alimentos. Não custa enfatizar, desperdício que ocorre em um único dia e que se repete invariavelmente.

Um outro setor estratégico também apresenta diagnóstico de absoluta gravidade. O desperdício chega a ser um escândalo para qualquer um dotado de uma mente medianamente sã. Nada menos que 45% da água tratada para abastecimento das 27 capitais brasileiras é desperdiçada antes mesmo de chegar ao consumidor. Traduzindo para o bom português, quase metade da água potável produzida no país não chega, sequer, às torneiras do consumidor. São 6,14 milhões de litros do líquido precioso perdidos dia sim e o outro também, volume suficiente para abastecer 38 milhões de brasileiros diariamente.

Tanto desperdício decorre, naturalmente, de um sem número de problemas, a maioria deles, de uma forma ou de outra, relacionada a questões de logística e infra-estrutura física, mas, fundamentalmente relacionados à educação e a cultura. Sim, porque um certo grau de desperdício é administrável e ocorre mesmo nos países desenvolvidos. Mas no volume e na dimensão que o problema se verifica por aqui, só mesmo nos países periféricos.

Muito do desperdício resulta de um caldo cultural direcionado para o consumismo, o esbanjamento, a completa ignorância sobre o que seja reduzir, reutilizar, reciclar. A educação não é a panacéia capaz de per si resolver – qual uma varinha mágica – todos os nossos problemas. Mas não resta dúvidas que sem ela, o destino sempre nos parecerá ingrato. E o desperdício sempre será maior.

Antônio Carlos dos Santos – criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo. acs@ueg.br

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Acredite se quiser!


Acredite se quiser

Nova Iguaçu, Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, está fazendo o que toda prefeitura que se preze deveria fazer. O município está investindo em educação. E pra valer.

Quatro anos atrás, o município adotou nova sistemática de planejamento cujo principal mérito talvez tenha sido incorporar ousadas metas educacionais. Dentre elas, destaca-se a arrojada expansão do ensino integral.

Dada a alardeada escassez de recursos, conjugada às sempre crescentes pressões das demais áreas sociais, onde e como viabilizar o arcabouço orçamentário-financeiro para a necessária expansão?

Eis que todos se viram reféns do dilema permanente, a pulga atrás da orelha de todo gestor.

Mas, no instante do impasse, da angústia e aflição, quando a realidade nua e crua verga a maioria dos prefeitos e gestores, fazendo-os desistir e se conformar com a administração tacanha, medíocre e mesquinha, Nova Iguaçu apostou na criatividade e seguiu em frente, optando por ousar.

E começou construindo uma rede de equipamentos comunitários, colocando-a a disposição da educação e do ensino. Denominado Bairro-Escola, o projeto explora os espaços comunitários que, em boa parte do tempo, encontram-se completamente sem ocupação. Dessa forma, sindicatos, associações, sedes de organizações não-governamentais, clubes, quadras esportivas e igrejas passaram, de espaços obsoletos e ociosos, a importantes anexos das unidades educacionais, equacionando um dos principais gargalos da implantação da educação em tempo integral.

Os frutos da boa iniciativa municipal não demoraram a aparecer. E chegaram, com pompa e circunstância, ancorados nos resultados da Prova Brasil, a avaliação nacional realizada pelo Inep do Ministério da Educação. Os alunos beneficiados pelo projeto aprenderam mais, e o rendimento cresceu 25% em relação à edição anterior da Prova Brasil.

O ciclo, assim, se fecha satisfatoriamente: a prefeitura investe - com criatividade e qualidade - na educação, os alunos se apropriam do conhecimento e do saber. Enquanto na maioria dos municípios a juventude se perde na delinqüência das ruas, em Nova Iguaçu, as crianças permanecem envoltas em atividades pedagógicas, culturais, esportivas, fazendo teatro, debatendo filmes, aprendendo a pintar e compor, praticando capoeira, jogando xadrez e futebol...

E com o parágrafo acima gostaria de por termo a este artigo, uma conclusão ‘pra cima’ e em ‘alto astral’, registrando uma experiência exitosa, de sucesso, coisa rara num cenário tão inóspito e desértico como o que vinga em terra-brasilis quando o assunto é educação.

Mas as coisas estavam indo bem demais para ser verdade. Algo semelhante a “quando a esmola é demais até o Santo desconfia”.

E, infelizmente, em Nova Iguaçu, o ciclo não tem se fechado satisfatoriamente como o enfatizado no parágrafo que desejaria derradeiro. E por que não é satisfatório se a prefeitura investe com qualidade e os alunos aprendem efetivamente?

Seria em decorrência da falta de professores? O leitor apostaria na falta de vagas?

Nada disso! Por incrível que pareça, a resposta está na reação dos pais, contrária ao projeto.

Sim, isso mesmo, querido leitor, nada mais, nada menos que a reação contrária dos pais.

A baixa adesão familiar tem sido o principal entrave para a implantação da escola de tempo integral em Nova Iguaçu. Preocupada com o absurdo que ocorria à vista de todos, a Secretaria de Educação do município resolveu pesquisar as razões e os resultados se mostraram avassaladores.

Tão somente 27% dos pais permitem que os filhos fiquem o dia inteiro na escola.

Dá para acreditar? A experiência do município fluminense não daria um bom episódio para o antigo seriado televisivo “Acredite se quiser”? Pois, por inacreditável que seja, a maioria dos pais de Nova Iguaçu acredita que mais tempo na escola e atividades extracurriculares não trazem benefícios. Não poucos procuram se justificar acusando cansaço dos filhos. Outros, que os pequenos precisam ajudar em casa.

Um tanto decepcionado, Jailson de Souza, Secretário de Educação do município desabafa: "As famílias pobres precisam ver a educação do mesmo ponto de vista da classe média, como algo essencial para a liberdade individual e a construção de perspectivas”. E completa: "Todo pai deseja que o filho seja doutor. Só que desejo é diferente de necessidade. A classe média transformou a escola em necessidade", define.

Sobre o Hades em que se encontra mergulhada a educação brasileira, os que já se acostumaram a acusar, lançar pedras & culpas sobre o poder público, eis aqui um caso evidenciando a consistência da velha lei: não é que toda regra tem mesmo a sua exceção?!

A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são criações originais de Antônio Carlos dos Santos. vilatetra@gmail.com

segunda-feira, 30 de março de 2009

Compromisso com a ética


Divulgar os programas, atos e ações de governo é obrigação institucional das autoridades e gestores públicos. Vai ao encontro do dispositivo constitucional de dar transparência às relações público-privadas e, consequentemente, combater o tráfico de influências, as negociatas, a malversação dos recursos públicos.

Mas a publicidade no setor público deve ser balizada pela legislação em vigor e, sobretudo pelos mandamentos constitucionais. E o parágrafo 1º do artigo 37 da Carta Magna não deixa dúvidas quanto aos limites impostos:

A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

Por isto, a não ser que a má intenção esteja latente, não há como alegar incompreensão ou desconhecimento quanto à observância dos preceitos constitucionais.

Pois bem, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Pará decidiram investigar a legalidade e lisura na entrega de 1 milhão de kits escolares pelo governo paraense a alunos da rede estadual.


O kit compõe-se de mochila, agenda e camiseta, e demandou investimentos da ordem de R$ 47,8 milhões.

Até aí, nada demais (é o que induz a aparência!).

A questão é que o material distribuído, ao que tudo indica, afronta os dispositivos tão claramente enunciados na Constituição Federal. A mochila vem com a logomarca impressa, e a agenda, além da logo e do nome da governadora Ana Júlia Carepa, traz em seu corpo um artigo com auto-elogios à sua administração.

Já é um problema e tanto. Mas há um outro: os indícios de superfaturamento na aquisição dos kits. Neste ano, o governo paulista adquiriu produtos similares com preços substancialmente menores. Em São Paulo, cada Kit - composto com mochila, cadernos, canetas, lápis, régua, borrachas e apontadores - teve o custo unitário estipulado em R$ 24,00. Já o da governadora Ana Júlia custou praticamente o dobro, exatos R$ 47,80.

E há ainda um dado adicional: como “prestação de contas” dos trabalhos e da gestão realizada, a Secretaria da Educação do Estado do Pará distribuiu, neste ano, 10 mil revistas com fartura de textos e fotos da governadora e da secretária.

Para que o Brasil avance, uma premissa básica é que o Estado Democrático de Direito se estabeleça de forma categórica, e se faça cristalino no dia a dia dos gestores e do cidadãos. Punir os crimes e desvios dos gestores não é, portanto, uma medida meramente legal. Também, e fundamental. Mas é, sobretudo, estabelecer um indissolúvel compromisso com a ética, as liberdades, a democracia e o desenvolvimento do país.


Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo. vilatetra@gmail.com

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sobre os que avançam sobre os nossos sonhos

Sobre os que avançam sobre os nossos sonhos

Todos sabemos a engenhosidade de que se valem os patifes e larápios para lançar mão sobre a coisa alheia.

Quando perdemos a chave do carro, por exemplo, é um “Deus nos acuda!”, e sendo madrugada, ai dos que não consigam encontrar um chaveiro disponível, porque não existe mortal-comum-dono-de-carro que consiga abrir seu veículo quando está sem as chaves, e quando, naturalmente, as portas estão travadas. As montadoras usam e abusam das inovações tecnológicas, se esmeram e se aprimoram nas artes das fechaduras, mas os bandidos e marginais parecem viver num mundo sempre à frente, quando se trata de praticar o mal.

Com seus vírus, worm e cavalos de tróia, os hackers, crakers e pheaker não estão a provar isso diuturnamente? Quantos milhões de dólares não gastam empresas e governos com segurança da informação para ver – muitas vezes - todo o investimento efetuado, ruir como um castelo de areia?

Em 21 de junho de 1993 passou a vigorar no Brasil a lei 8.666, que dispõe sobre o regime jurídico da licitação e dos contratos administrativos.

A lei estabelece normas gerais para disciplinar as licitações e os contratos relacionados a obras, serviços, inclusive de publicidade e compras.

Na realidade, a Lei das Licitações regulamenta o artigo 37, XXI da Constituição Federal, e tanto a lei maior como a complementar dispõem sobre os princípios que devem nortear essas relações na esfera pública: legalidade, impessoalidade, isonomia, moralidade, publicidade, probidade administrativa,...

A probidade administrativa, por exemplo, é um dos mais importantes mandamentos constitucionais. Reza o artigo 37, § 4º, que pode conduzir à “suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação prevista em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”.

Mas tudo isso parece sequer amedrontar as quadrilhas que gravitam em torno das instituições públicas. Não há um só dia em que uma caterva dessas não é desbaratada e, ao contrário de diminuir, aumentam em escala exponencial, como se fossem ervas daninhas geneticamente modificadas para proliferar em proporção inversa ao combate e ao veneno administrado.

Agora mesmo, a polícia Federal acaba de desarticular uma poderosa quadrilha no Maranhão. Principal especialidade da malta? Desviar recursos da merenda escolar, literalmente, tirar a comida da boca das crianças.

As autoridades não poderiam ter encontrado terminologia mais adequada para denominar a operação policial: Rapina. Porque é disso que se trata, pura rapinagem, puro vampirismo, pura ladroagem. Foram cumpridos nada menos que 27 mandatos de prisão e mais 38 de busca e apreensão.

A corja de má índole que perpetrava as fraudes e os crimes era composta por empresários, prefeitos, políticos, secretários municipais, membros das comissões de licitação e contadores. Uma matula para Al Capone e Juiz Lalau algum botar defeito. Não bastasse avançar sobre os recursos do Ministério da Educação destinados à aquisição dos alimentos para a merenda escolar, os patifes se locupletaram com as verbas do Ministério da Saúde destinadas à compra de medicamentos. Estimam os especialistas da Polícia Federal que, em 2007 e início de 2008, a organização criminosa sangrou da sociedade recursos da monta de R$ 15 milhões, só de recursos federais.

Tanto a Polícia Federal como a Controladoria Geral da União descobriram que as prefeituras fraudavam licitações, balancetes contábeis e utilizavam notas fiscais falsas das empresas investigadas para encobrir desvio de recursos públicos da União por meio de convênios, fundos e planos nacionais.

Os marginais integrantes da súcia foram acusados dos crimes de falsificação, uso de documento falso, peculato, emprego irregular de verbas públicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro público.

Parabéns à Polícia Federal e à Controladoria Geral da União. Espera-se agora do Judiciário a mesma presteza e eficácia, mantendo bem trancados, atrás das grades, a “n” chaves, os larápios que desdenham a fome que avilta nossas crianças, as dores que definham nossos enfermos, e o esforço e o suor dos brasileiros que desejam um Brasil melhor e mais justo para todos. Nenhuma tolerância para com os que avançam sobre nossos sonhos e esperanças.

Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo. vilatetra@gmail.com

segunda-feira, 16 de março de 2009

O ocaso das inovações tecnológicas?

“(...) Apesar do cenário revelar um horizonte sombrio, de tormentas e tempestades, os que lidam mais amiúde com planejamento aprenderam a extrair das crises as frações - não poucas - de oportunidades. E no caso específico do desenvolvimento, da ciência e da tecnologia, a escassez de recursos para investimentos implicará, necessariamente, no incremento da eficácia. Para os que desejam se sobressair será necessário produzir mais e melhor com menos, conquistar mais e melhores produtos e resultados com menos aporte de recursos, sobretudo os financeiros, que se mostrarão, a cada dia, mais depauperados (...)”.

O ocaso das inovações tecnológicas?

A crise mundial que se iniciou com o estouro da bolha imobiliária norte-americana avança a passos largos sobre a economia planetária, também pousando sobre o território nacional com uma característica sinistra que em nada se assemelha a tal da ‘marolinha’, tão exaustivamente decantada pelo presidente da República.

No contexto tecnológico as consequências mostram-se visíveis. Informa a OMPI, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, que, em decorrência da crise, o número de patentes registradas no ano passado decresceu 6,9% considerando a média dos últimos três anos.

Naturalmente, a diminuição dos registros de patentes são reflexos das dificuldades oriundas da escassez de fontes disponíveis para os investimentos em ciência & tecnologia.

A crise jogou um tsunami de água fria sobre o setor, que ao longo das últimas décadas vinha apresentando uma performance de constante expansão, com Coréia do Sul, China e Suécia apresentando resultados surpreendentes, os melhores em relação às inovações tecnológicas.

O fato da crise ter se iniciado nos EUA e lá seguir provocando as piores consequências, em quase nada comprometeu a supremacia norte americana quanto à capacidade de permanentemente promover inovações. Em todo o mundo, das patentes solicitadas em 2008, os Estados Unidos ficaram com 32,7%, mantendo posição bem distante do segundo colocado, o Japão, que ficou com 17,5%.

A China, um dos emergentes que, ao lado de Brasil, Índia e Rússia compõem o BRIC, dá mostras de sua agressividade desenvolvimentista. Uma de suas empresas multinacionais, a Huawei Telecomunicações, pela primeira vez na história, lidera o ranking com 1.737 patentes registradas, superando gigantes como a Panasonic japonesa (1.729) e a Philips holandesa (1.551).

Apesar do cenário revelar um horizonte sombrio, de tormentas e tempestades, os que lidam mais amiúde com planejamento aprenderam a extrair das crises as frações - não poucas - de oportunidades. E no caso específico do desenvolvimento, da ciência e da tecnologia, a escassez de recursos para investimentos implicará, necessariamente, no incremento da eficácia. Para os que desejam se sobressair será necessário produzir mais e melhor com menos, conquistar mais e melhores produtos e resultados com menor aporte de recursos, sobretudo os financeiros, que se mostrarão, a cada dia, mais depauperados.

Ademais, como versa Rodoux Faugh em um de seus poemas,

“(...)A vida jamais se esgota, sequer se engana – eu sei!
O que parece morte é como a vida renascida rompendo o fértil ventre materno
A noite não passa de sutil cortina a abrigar a cândida sonolência dos infinitos raios de sol
Os mesmos que daqui a pouco vão explodir em luz, conformando o novo dia, a nova era, os novos homens (...)”


Ou seja: nada como um dia após o outro.

A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são produções originais de Antônio Carlos dos Santos. vilatetra@gmail.com

segunda-feira, 9 de março de 2009

Reforma do ensino médio: 'enquanto a carruagem passa...'

"(...) Os dados animaram o Ministério da Educação a acelerar os estudos com vistas a realizar a reforma do ensino médio, que não obstante os ‘beicinhos’ e as ‘caras & bocas’ de alguns, já vem por aí. O ministro Fernando Haddad não faz questão de esconder de ninguém que “está em curso uma ‘resignificação’ do ensino (médio) que passa por oferecer oportunidade profissional para juventude" (...)"

Reforma do ensino médio: ‘enquanto a carruagem passa...’

Desde sempre, ensinar uma profissão para os filhos tem sido importante objetivo perseguido por pais, pois se trata, na realidade, de garantir um futuro mais alvissareiro e menos sujeito às vicissitudes e “intempéries” da vida.

No Brasil, o ensino profissionalizante jamais foi unanimidade. Muitos jamais o tiveram como solução, acreditando tratar-se mais de pernicioso desvio, uma tendência ditada pelas pressões do mercado.

Polêmicas à parte, o ensino profissionalizante foi o que mais cresceu no ano passado. É o que informa o Censo Escolar recém divulgado pelo MEC.

E dada a letargia com que o setor se movimenta e o descaso que sempre recebeu, a curva ascendente não deixa de surpreender.

O crescimento rompeu o patamar de 14,7%, incorporando mais de 100 mil novos alunos na modalidade. Mais precisamente, em 2008, o número de matrículas no ensino profissionalizante saltou de 693.610 para 795.459 alunos.

O Censo elaborado pelo Inep - o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - revela ainda uma outra informação importante: quando a educação profissional é ofertada concomitantemente com o ensino médio regular, o incremento no número de matrículas fica na casa dos 19,6%. Já quando é oferecido após a educação básica o aumento se reduz, se fixando em 10,5%.

Os dados animaram o Ministério da Educação a acelerar os estudos com vistas a realizar a reforma do ensino médio, que não obstante os ‘beicinhos’ e as ‘caras & bocas’ de alguns, já vem por aí. O ministro Fernando Haddad não faz questão de esconder de ninguém que “está em curso uma ‘resignificação’ do ensino (médio) que passa por oferecer oportunidade profissional para juventude".

Sintomaticamente, os Estados mais ricos da Federação foram os que mais investiram no ensino profissionalizante. São Paulo ocupa a liderança com 292.714 matrículas efetuadas em 2008, seguido por Minas Gerais, com 104.933 estudantes aprendendo uma profissão no ensino técnico.

Sob o ponto de vista regional, foram os Estados do Norte que conseguiram melhor performance, registrando um incremento de 40,1%. O Acre exulta um aumento de 107%.

Com a reforma do ensino médio já dobrando a esquina, a polêmica sobre o ensino profissionalizante deve se acirrar. Mas como bem diria (ou, ao menos, gostaria de dizer) o ministro Haddad ‘enquanto a carruagem passa...’.

A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são produções originais de Antônio Carlos dos Santos. vilatetra@gmail.com

segunda-feira, 2 de março de 2009

A avaliação das Instituições de Ensino Superior

A avaliação das Instituições de Ensino Superior – a espertise do MEC
“(...) Naturalmente, este é um processo alvo de resistências nem sempre amenas. Neste caso, particularmente, as resistências se manifestam com certa virulência através das corporações que representam as instituições privadas. Mas que o governo federal vem administrando com competência (...)”
Não há como falar de planejamento se a vista não alcança - com acuidade, profundidade e perfeição - a avaliação. E, infelizmente, é o que, quase sempre, ocorre: gestores incapazes de emprestar justa importância ao que talvez seja um dos processos mais eficazes para a correção de rumos e intervenções controladas.

O planejamento é um importante instrumento de gestão que, por incrível que pareça, geralmente passa ao largo das instituições governamentais. Foi pasteurizado, hipocritamente acostumou-se a tomá-lo como uma panacéia técnico-burocrática, um baralho de cartas avulsas e desconexas, uma mescla de procedimentos concebida para responder exclusivamente à legislação e aos organismos de fiscalização e controle, ensejando a elaboração de relatórios e mais relatórios, processos e mais processos, inspeções e mais inspeções, abarrotando escaninhos e consumindo mega memórias de computadores, todos fingindo que estão planejando, todos fingindo que estão executando, todos fingindo que estão avaliando e todos fingindo que estão fiscalizando.

Como não há mal que dure para sempre, este cenário de “faz de conta” está mudando, sobretudo no âmbito do Ministério da Educação, onde as avaliações, de fato, tem servido de insumo para retro-alimentar os sistemas de planejamento, promovendo importantes correções nas políticas públicas que conduzem a educação no país.

A partir de 08 de março é a vez das Instituições de Ensino Superior que serão objeto de um minucioso processo de avaliação.

A avaliação caberá aos Inep, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação, que também executará o procedimento com relação aos cursos.

O objetivo é renovar o reconhecimento de curso e avaliar os processos de autorização das faculdades de Medicina e Direito, dois grandes gargalos do ensino superior.

A avaliação que se inicia em março é, na realidade, uma das três etapas integrantes do Sinaes, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, que verifica ainda as avaliações de cursos e de estudantes cotejando os resultados do Enade, o Exame do Desempenho dos Estudantes.

O Inep, neste ano, inovará apresentando um cronograma com a relação das instituições que serão avaliadas, tornando toda a sistemática mais transparente, dando inclusive oportunidade para que as instituições conheçam os procedimentos de avaliação.

Naturalmente, este é um processo alvo de resistências nem sempre amenas. Neste caso, particularmente, as resistências se manifestam com certa virulência através das corporações que representam as instituições privadas. Mas que o governo federal vem administrando com competência.

Para qualificar qualquer processo há que conhecê-lo, devassá-lo, familiarizar com seus detalhes, entrâncias, particularidades e minúcias. Há que sabê-lo. E como cumprir essas etapas ignorando ou fazendo pouco caso da avaliação?

Felizmente, este é um caminho já natural e sem sobressaltos para o MEC. Que as demais instituições públicas inspirem-se em sua espertise.

A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são produções originais de Antônio Carlos dos Santos. vilatetra@gmail.com

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A exceção e a regra

(...)A degradação do meio ambiente impacta diretamente nossa qualidade de vida. A poluição se manifesta de forma onipresente no excesso de ruídos, na atmosfera tomada por gazes nocivos, na sempre crescente produção de lixo, nos esgotos a céu aberto - sem tratamento ou com processamento incorreto, nos detritos que aniquilam cursos d’águas, rios e praias, nos cartazes publicitários que devastam a paisagem, nos agrotóxicos, nas precipitações ácidas que transformam as chuvas num miasma de ácido sulfúrico e nítrico, num trânsito cada vez mais caótico e irracional... (...)"

A exceção e a regra

À medida que crescem, as cidades vão deixando vincos, marcas que deveriam merecer especial atenção do gestor público, ao menos no sentido de mitigá-las.

Refiro-me aos vincos e marcas que de uma forma mais intensa se fixam nas pessoas, comprometendo as funções nervosas responsáveis pela capacidade de receber e perceber impressões e alterações do ambiente.

Dos cinco sentidos que os antigos atribuíam aos seres humanos - tato, gosto, ouvido, vista e olfato – está evidente que os três últimos encontram-se na UTI, numa espécie de estágio terminal que, ao manifestar melhoras, adentra mais e mais no mundo dos moribundos.

Parte expressiva dos gestores públicos brasileiros tem confundido desenvolvimento com poluição sonora, visual e olfativa.

Por isto desdenham a educação.

O zum-zum-zum nervoso das ruas e avenidas, ônibus, caminhões, veículos com autofalantes, buzinas, pessoas sempre apressadas, o som dos bares, botecos e inferninhos, vão gradativamente comprometendo nossa capacidade auditiva, e não demora, perdemos até mesmo a capacidade de sussurrar, falar baixo, perceber quem está ao lado...

Gigantescos outdoors’s, grandes placas e faixas comerciais escondem o muito de belo que existe nas fachadas das casas e edificações, nas praças e logradouros, transformando a cidade num descomunal magazine onde anúncios e propaganda têm vidas próprias, engolindo a harmonia, a arquitetura, o paisagismo, a originalidade da cidade.

A poluição olfativa avança numa guerra sem tréguas tornando nossos habitat’s espaços onde predomina o mau cheiro, o fedor...a vida se tornando insalubre, pesada, doentia, a auto estima comprometida.

Os que conhecem o Rio de Janeiro evitam freqüentar as imediações do Posto 5, na orla de Copacabana, na zona sul. O presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgoto lamenta: "Há um ano eu estava tomando café com o governador Sérgio Cabral e ele estava reclamando do cheiro de cocô que tem aqui em Copacabana”.

O mau cheiro é provocado pela elevatória de esgotos de Parafuso. Diante do problema, o prefeito encomendou um projeto que desenvolverá um sistema de controle de odores para purificar os gases provenientes da decomposição de matéria orgânica da elevatória, que serão comprimidos, envasados e encaminhados a um potente sistema de lavagem. Exultante, o presidente da companhia de saneamento comemora: “(...) em vez de cheirar a cocô, vai cheirar a jasmim".

A degradação do meio ambiente impacta diretamente nossa qualidade de vida. A poluição se manifesta de forma onipresente no excesso de ruídos, na atmosfera tomada por gazes nocivos, na sempre crescente produção de lixo, nos esgotos a céu aberto - sem tratamento ou com processamento incorreto, nos detritos que aniquilam cursos d’águas, rios e praias, nos cartazes publicitários que devastam a paisagem, nos agrotóxicos, nas precipitações ácidas que transformam as chuvas num miasma de ácido sulfúrico e nítrico, num trânsito cada vez mais caótico e irracional...

O cenário nos encaminha para a descrença, o desespero e o ceticismo, a desgraça? Não, claro que não. Apenas ajuda a enfatizar a importância de resgatar a educação como estratégia para o desenvolvimento e a promoção humana. Um povo educado qualifica seus processos de organização e mobilização, potencializando a pressão das ruas. Torna o milenar ditado “a voz do povo é a voz de Deus” fato incontestável; e não figura de retórica na boca de tantos que acalentam as artes da oratória, do ilusionismo e da enganação.

A pressão democrática, a justa manifestação da sociedade, efetuada de forma organizada, demonstra que é possível corrigir, aperfeiçoar, melhorar, impregnar os gestores de vontade política e tirocínio para o trato da coisa pública. Continuarão respondendo aos respectivos governadores, sem dúvidas, como no caso ilustrado acima. Mas ambos, gestores e governadores – ainda que queiram – jamais darão de ombros às demandas populares se embebidas da mais densa organização e mobilização. Condições só possíveis quando educação de qualidade se constituir em regra, e não exceção.

A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são criações originais de Antônio Carlos dos Santos

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Nem tudo termina em pizza

Nas pesquisas, levantamentos e estudos internacionais, o Brasil já conquistou cadeira cativa em dois importantes rankings. No que afere o nível de corrupção, ocupamos sempre as primeiras posições. E no que revela o nível de educação, estamos sempre a disputar a lanterna ou as últimas posições.

Nem tudo termina em pizza

Não há momento na história brasileira em que a corrupção tenha deixado de ostentar a áurea das perversidades onipresentes. A corrupção entre nós tem sido um mal maior, uma chaga terrível presente em todas as entranhas de nossa história política. Não seria exagero afirmar que o Brasil nasceu com esta sina.

Herdamos da metrópole portuguesa a cultura cartorial, cuja principal anomalia talvez seja a inesgotável voracidade do aparelho de estado, ávido por tudo controlar, sequioso por tudo tributar, remetendo seus tentáculos para aprisionar todas as atividades econômicas, quaisquer que sejam, ainda que as mais fragilizadas, tais como as pequenas relações informais e o escambo. Sem, naturalmente, perder o foco nas grandes negociatas, onde o suborno é porta da entrada, do processamento e da saída.

Para exercer de forma onipresente e onipotente a tributação no grau mais elevado, é desenvolvida uma burocracia descomunal, com infinitas regras, normas, fluxo e rotinas, um sem número de caminhos que levam do nada a lugar nenhum (quando se trata de desenvolvimento sustentável), cenário de todo improdutivo, mas ambiente mais que salutar para a proliferação da corrupção. Sabemos que quanto maior a burocracia, mais vigorosa e profícua é a corrupção.

Estado gigantesco e burocracia descomunal são, de longe, os principais entraves para o desenvolvimento do país. Irmãos siameses têm reduzido a meras ilusões os sonhos e oportunidades de milhões e milhões de brasileiros.

Um antigo ditado árabe ensina que a cobra, por mais adestrada e domesticada, jamais deixará de ser uma cobra. Muitos não aprendem a lição, ignoram o ensinamento, afeiçoam e tomam carinho pelo animal, até o dia em que se a dá picada mortal, quando de nada mais adianta compreender as razões de um animal peçonhento jamais perder suas características originárias.

Assim é a corrupção. Está tão presente na cultura nacional que já se acomodou, fincou âncoras no imaginário popular. As pessoas passaram a tê-la como algo natural, E, sem que se dêem conta, passam a defendê-la com argumentações como as conhecidas expressões "rouba, mas faz", "política é assim mesmo”, e “tudo acaba em pizza".

Nas pesquisas, levantamentos e estudos internacionais, o Brasil já conquistou cadeira cativa em dois importantes rankings. No que afere o nível de corrupção, ocupamos sempre as primeiras posições. E no que revela o nível de educação, estamos sempre a disputar a lanterna ou as últimas posições.

Na vertente oposta, os países que ocupam as primeiras posições no ranking da educação são os que mais combatem a corrupção.

Talvez por isso, a CNBB, Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, instituição católica que congrega o alto prelado brasileiro tenha decidido desenvolver uma grande campanha nacional, em que um dos objetivos mais destacados figura como "denunciar a gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, assim como a injustiça presente nos institutos da prisão especial, do foro privilegiado e da imunidade parlamentar para os crimes comuns".

A intensidade com que a corrupção tem impregnado as relações do Estado com a sociedade é que levou a instituição religiosa a mergulhar fundo na questão, priorizando no ano de 2009 a reflexão sobre o tema.

E para dar início às discussões, utilizará o assunto corrupção como um dos focos da Campanha da Fraternidade deste ano.

A Campanha da Fraternidade tem sua origem em 1961, quando a Cáritas Brasileira desenvolveu um projeto embrionário objetivando arrecadar fundos e torná-la autônoma financeiramente. Mas só em dezembro de 1964, teve início o ciclo de campanhas nacionais, a primeira explorando o lema “Lembre-se: você também é Igreja”.

Este ano, o eixo gravitará em torno de questões referentes à segurança pública, mas também estimulará as que digam respeito à ética na política.

Sem dúvidas um bom sinal, prova de que a sociedade, como um todo, ainda não se vergou, não se prostrou inerme, não caiu no conformismo fatalista do “tudo termina em pizza”.

A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são criações originais de Antônio Carlos dos Santos

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Um olhar de humildade

Um olhar de humildade

Nova York tem apresentado ao mundo um conjunto de experiências que costuma dar certo. Tolerância Zero é uma delas, forma diferente de conceber a segurança pública, punindo crimes triviais e desvios elementares como estratégia vitoriosa para a prevenção e punição dos delitos e crimes mais graves e complexos.
Mas não é só na área de segurança que a maior cidade norte-americana obtém sucessivos êxitos quando se trata da adoção de políticas públicas. Resultados positivos têm sido obtidos também em outros setores, como o da educação pública.

Nova York iniciou em 2001 uma ampla reforma escolar no que é hoje o maior sistema de ensino do país. Fundamentalmente, o modelo empresta especial enfoque aos processos de gestão, investindo na formação dos professores, promovendo um minucioso acompanhamento do rendimento escolar dos alunos e estimulando a participação dos pais. No modelo implantado, essa participação assume tamanha importância que, em cada escola, é contratado um coordenador de pais, com a tarefa exclusiva de planejar e promover atividades que aproximem as famílias da escola, compromissando-as com o processo de aprendizagem dos alunos.

Ao contrário de viver sob inteira dependência dos recursos públicos, o novo sistema estimula a direção da escola a abrir o leque para outras possibilidades, buscando apoio do setor privado, que, naturalmente, se manifesta com auxílio financeiro, mas também oferecendo suporte às ações de planejamento. Um dos resultados mais promissores do modelo é a formação de lideranças.

Tudo se origina, se implementa, se renova, ganha vida e movimento sob a égide do planejamento, de modo que a avaliação se processa de forma contínua, ininterrupta. Alguns quesitos são analisados com profundidade: a frequência de professores e alunos, a rotatividade e absenteísmo dos docentes, os dados referentes aos incidentes de indisciplina e violência no interior da escola e a visão da comunidade escolar - alunos, pais, servidores, professores e diretores - sobre a unidade educacional e seu contexto comunitário.

É este modelo que São Paulo planeja implantar em suas escolas estaduais. Dez delas que tiveram baixo desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp), todas localizadas na zona periférica, serão pioneiras na implantação do novo sistema de inspiração norte-americana. A meta é ousada: em três anos promover um salto de qualidade na aprendizagem dos alunos.

Segundo a professora Maria Helena Guimarães de Castro, secretária de Estado da Educação “(...) a idéia é criar mecanismos de gestão e supervisão do trabalho pedagógico que fortaleçam o compromisso da direção, coordenação, corpo docente e famílias para oferecer uma aprendizagem de qualidade. Os objetivos são incrementar os processos de gestão e supervisão do clima escolar utilizados pelo diretor e professor coordenador, incluir formação no trabalho do professor coordenador; aumentar o envolvimento das famílias com a escola e melhorar o desempenho dos alunos nas avaliações”.

Iniciativas como esta mostram que ensino público de qualidade não é assunto para as calendas gregas ou conversa de político-anão para embair e passar mel na boca de eleitores. Ao contrário, é um sonho que se encontra bem pertinho, ali na esquina, bem ao alcance da vista e das mãos. Basta ousadia para se livrar dos nocivos paradigmas que paralisam o setor, manter com a sociedade compromissos forjados na ética, e coragem para priorizar o investimento. Quanto ao know how, bastaria abandonar a pretensão megalomaníaca dos que exaurem a vida desejando reinventar a roda. O que custa lançar um olhar de humildade em direção à Coréia, Irlanda, Austrália, Chile... e Nova York?

A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são criações originais de Antônio Carlos dos Santos

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Salários e desempenho acadêmico

A questão salarial é uma das que mais impactam a educação brasileira.

Não são poucos os que desdenham a questão, atribuindo quase nenhuma importância a este quesito, considerado mais reflexo das pressões oriundas das organizações corporativistas e sindicais.

Os que assim argumentam miram-se tão somente nas demandas associativas o que, inexoravelmente, os remetem a equívocos de formulação e avaliação.

Para tratar deste assunto é necessário mergulhar num universo mais amplo, adotando uma visão mais profunda e mais larga, que não esteja deslocada do contexto.

Em qualquer categoria profissional, a política salarial é apenas um dos componentes dos processos de qualificação. Mas, sem dúvidas, um dos que mais impactam na eficaz conquista das metas, um dos que mais contribuem para os sucessos individual, coletivo e institucional.

Os trabalhadores se preparam ao longo de toda a vida para que possam exercer, com competência e dignidade, a profissão escolhida. E nos dias que correm, a educação profissional não se esgota com a conclusão do ensino formal. O incontido e avassalador avanço das tecnologias, a ininterrupta modernização dos sistemas de produção, o advento dos novos e desafiadores paradigmas garroteando as antigas formas de fazer e pensar fez emergir um novo mundo a exigir que os indivíduos se atualizem permanentemente, estudando não apenas no período regulamentar, mas do nascimento ao encantamento, num processo de formação perene, continuada. No mundo interligado pelos revolucionários meios de comunicação, a educação deixou de se constituir numa mera etapa da existência para perpassar todo o ciclo de vida dos cidadãos. É contingência não somente do aprimoramento profissional, mas, sobretudo, da obstinação com que a sociedade persegue qualidade de vida.

E quando na lida diária, as pessoas necessitam de respeito, o que implica qualificar o ambiente de trabalho, as relações em que se processa a produção, tornando imperativo também a adoção de políticas sustentáveis para a remuneração do trabalho. Como poderia ser diferente? Qualquer que seja a área de atuação, o profissional precisa ser valorizado, ter reconhecido seu papel, sentir-se recompensado pelos estudos, dedicação e esforços despendidos. E responde a esse reconhecimento se aprimorando, progredindo, agregando qualidade ao seu modus operandi, aos seus produtos e resultados.

E, mais uma vez, enganam-se os que imaginam que no ensino privado a realidade seja diferente.

Pesquisa recente realizada pelo Sindicato dos Professores de São Paulo revela que 1 em cada 3 docentes da rede privada deixaria a profissão caso surgisse a oportunidade. Esses dados referem-se ao universo do sistema, tomando da educação infantil à superior. Todavia, quando o extrato se restringe ao ensino fundamental, o percentual dos que sonham abandonar a profissão de professor quase chega à metade, exatos 44,7%.

A pesquisa também identificou as razões que levaram os docentes do ensino privado a apresentar resultados tão surpreendentes, haja vista que o pensamento dominante era que esse tipo de insatisfação se restringia quase que exclusivamente aos professores do sistema público.

Do universo pesquisado, 31,8% expressaram a intenção de trocar de profissão identificando como causa o excessivo desgaste emocional. Mas nada menos que 59,7% manifestaram o desejo de procurar outra ocupação em decorrência das insatisfações salariais.

Não importa a profissão enfocada. Engenheiros, médicos, policiais, artistas, metalúrgicos, seja qual for a categoria profissional, não se obtém êxito prescindindo de políticas salariais sustentáveis, determinantes para a qualificação de qualquer processo. Porque então dentre os professores deveria ser diferente?

Evidentemente, de per si, aumentos salariais mais prejudicam que auxiliam. Adotado de forma isolada, se dilui no emaranhado da crise que historicamente tem acometido a educação nacional. Como também não conduz a bons resultados promover ações estanques, compartimentadas, nos demais setores, como o de infra-estrutura física, da informatização, da terceirização ou o que seja. Para alcançar a tão cobiçada qualidade do ensino urge incorporar uma visão do conjunto, uma visão que possibilite investir e atuar nos múltiplos setores buscando a eficácia e a harmonia, sem naturalmente abrir mão das necessárias medidas de recuperação salarial dos servidores. O que implica em firmar compromissos, estabelecer metas individuais e coletivas, valorizar e gratificar mais os que mais se destacam sob o ponto de vista do mérito, do compromisso e da dedicação. Vinculando enfim salário a desempenho.

A questão salarial - tão relevante para a qualificação do ensino - tem muito sentido, tem todo o sentido quando conseqüência do cumprimento de metas, do estabelecimento de compromissos, da adoção de sistemas com indicadores objetivos – plenamente conhecidos – e que consigam distinguir e premiar os professores com bom desempenho acadêmico. Fora deste contexto, não passa de panacéia: os professores continuarão fingindo que ensinam, os alunos que aprendem, os pais que se preocupam, e o governo que administra.

A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são criações originais de Antônio Carlos dos Santos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Sova até do Suriname

No ano de 2.000, Dacar sediou a Conferência Mundial de Educação, evento que deu origem ao importante documento Educação para Todos.

O documento aglutina um conjunto de compromissos mais que importante para países que se encontram em posição semelhante ou pior que o Brasil. E mais, estabelece um ousado cronograma para o cumprimento das metas pactuadas. A data abençoada é 2.015, ano em que todos os países deverão ter realizado a lição de casa.

Entre as metas acordadas estão a qualificação do ensino, a ampliação da oferta de educação - sobretudo na primeira infância - e a substancial elevação das taxas de alfabetização de adultos.

Passados oito anos da aprovação do documento, a Organização das Nações Unidas, através da UNESCO, divulgou o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, onde apresenta os resultados das avaliações realizadas quanto ao cumprimento das metas.

A análise das informações resultou num ranking dos países, destacando os que efetivamente têm investido no setor, qualificando o ensino e melhorando a educação. E, de igual modo, os que não estão. Como num samba de uma nota só, a situação do Brasil, continua a mesma, de mal a pior.

Dentre os 129 países pesquisados, o Brasil ficou com a 80ª posição. Atrás de nações ‘poderosíssimas’ como Paraguai, Venezuela, Azerbaijão, dentre outros. Nada menos que 10 países latino-americanos estão na frente do Brasil quanto ao cumprimento de metas para melhoria da educação. O mais grave é que o país ao invés de avançar e conquistar melhor posicionamento no ranking, despencou quatro posições em relação ao levantamento anterior.

O Relatório cuida de detalhar os aspectos que mais contribuíram para a medíocre performance brasileira: o vergonhoso índice de analfabetismo, o raquítico desempenho dos nossos estudantes nas avaliações internacionais, as altas e insanas taxas de reprovação e a conseqüente evasão.

Tomando como objeto de análise a repetência, é curioso observar que a taxa de reprovação verificada no Brasil nos remete ao penúltimo lugar dentre os piores países do mundo. Só ganhamos do Suriname. Enquanto na América Latina e no Caribe a taxa de reprovação é de 4,1%, em Pindorama este indicador chega a 18,7%, inacreditavelmente quatro vezes maior.

Os números enfatizam que o Brasil tem que apertar o passo se, verdadeiramente, deseja chegar em 2.015 com as metas cumpridas de forma satisfatória. O próprio Relatório não condena o país ao fracasso frente aos objetivos traçados na distante Dacar. Ao contrário, afirma com todas as letras que os problemas identificados, caso equacionados e solucionados, não impedirão o país de corresponder aos compromissos firmados.

Mas para isto, os brasileiros devem tencionar políticos e autoridades, exigindo posicionamento claro e afirmativo quanto aos objetivos do Educação para Todos, acompanhando mais amiúde o desenrolar dos acontecimentos e colocando a boca no trombone quando os responsáveis se fizerem de bobinhos e desentendidos.

Afinal, quando políticos e autoridades se fazem de bobinhos e desentendidos é sinal de que o circo já está em labaredas. Como naquela fábula, de anos atrás, do estancieiro confiando na raposa para cuidar do galinheiro, lembram-se? Portanto, olho vivo.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Corrupção e variações sobre um mesmo tema


Todos sabemos que para certas espécies de moscas varejeiras uma simples gota de mel vale mais que dez mil litros de vinagre.

O mesmo vale para uma categoria de humanos que se especializou em lançar mão sobre o patrimônio público. São como algumas espécies de moscas varejeiras. Homens vorazes e maléficos, pérfidos e inescrupulosos, indiferentes às necessidades da coletividade, jamais regateando esforços para perpetrar o mal.

Essa turba de humanos gravita em torno de setores da atividade estatal em que o dinheiro se acumula com facilidade, e para tungá-lo, organizam-se em grupos, redes, quadrilhas, maltas de larápios e corruptos.

E um de seus alvos prediletos reside exatamente nos setores responsáveis pela regulação e organização do trânsito de veículos, os Detrans.

Em decorrências das taxas, sobretaxas, infrataxas, supertaxas, sistema de regulação sempre ávido por mais e mais penduricalhos “legais” para municiar a insaciável industria das multas, os departamentos de trânsito transformaram-se em máquina de fabricar dinheiro fácil.

Daí extraíram do fundo do saco uma lei capaz de cassar a carteira do motorista, aplicando uma multa de quase R$ 1 mil, por conta de uma taça de vinho ou uma lata de cerveja... uma estupidez sem tamanho. Não demorou, e os tentáculos da rede de corrupção se fizeram sentir em sua magnitude. Leiam abaixo o que extraí dos jornais:

“PMs compram bafômetros para extorquir

A Inteligência da Polícia Militar (P-2) do Rio investiga um novo esquema de extorsão praticado por PMs no Estado: eles compram bafômetros pela Internet, entre 100 e 500 dólares, flagram motoristas alcoolizados e os ameaçam de prisão, como prevê a Lei Seca, a menos, é claro, que paguem propina. Flanelinhas cúmplices anotam placas dos motoristas que bebem à mesa de bares para a serem abordados pela PM à saída.

A deputada e policial civil Marina Maggesi (PMDB-RJ) reúne documentos para a Câmara investigar o novo tipo de extorsão de PMs, no Rio.

Segundo a assessoria da Polícia Militar do Rio, só na Zona Sul já foram recebidas mais de 30 denúncias de extorsão por parte dos PMs.”

É óbvio ululante que os que transgridem a lei, os que utilizam os veículos como instrumentos para o morticínio, os que exageram na bebida devem ser punidos, e de forma exemplar. O problema é quando o Estado todo poderoso, sob o pretexto de punir os efetivamente erráticos, lança seus tentáculos sobre as pessoas de bem, sobre os que sabem de seus deveres e responsabilidades, sobre os que sabem dos limites e que bebem para se divertir e não para se embriagar, que são a maioria da população. É aquela velha e surrada cantilena hipócrita, politicamente correta, de que os bons e justos pagam pelos pecadores.

A questão de fundo é que, sempre que políticos e autoridade recorrerem a modos e modelos extremistas, fundamentalistas, sebastianistas e salvadores da pátria, coloque – querido leitor – todos os fios da barba de molho... seu bolso estará prestes a se assaltado.

A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são criações originais de Antônio Carlos dos Santos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Feliz Natal!!!

Feliz Natal e um 2.009 repleto de sucessos e realizações!!!

O ano correu rápido e já é natal.

Sim, o espírito de natal já ilumina as áureas de todos nós.

São dias em que experimentamos a magia dos olhares mais sinceros, dos abraços e gestos mais fraternos, calorosos, solidários. Dias em que percebemos, de uma maneira única e especial, a real importância do amor, da paz, da família e do fundamental compromisso de empregarmos todas as nossas forças e energias por uma pátria mais generosa e um mundo melhor e mais justo para todos.

É natal!

E que em 2.009, todos os nossos dias sejam dias de Natal. Seja segunda, seja terça-feira, não importa! Agora é lei. Está decretado. Em 2.009, todos os nossos dias serão dias de natal. Não teremos mais aqueles dias mais ou menos, aqueles dias tristes, cinzentos e enfadonhos. Serão todos, literalmente todos, dias alegres, radiantes de sol e energia, dias felizes, em que emprestaremos todo o nosso suor e esforço para tornar o Brasil um país sem tantos desequilíbrios e diferenças. Um país que mantenha-se invulnerável às ratazanas, aos lobos do homem.

Sempre neste período do ano me pego cantarolando a bela canção que John Lennon dedicou ao natal. Não por acaso sua composição Feliz Natal foi por ele também denominada A Guerra Acabou. E porque fez assim o carismático timoneiro dos Beatles?
Porque temos que internalizar o natal como um momento, sobretudo, de cultivar a paz, o que implica desmobilizar nossa vertente violenta, egoísta, que evoca a agressão, a prepotência, a arrogância e a guerra.
Que tal nos lembrarmos dela? Está no álbum Imagine, gravado e lançado em 1971. Logo abaixo da original, segue a versão traduzida para o português:

Happy Xmas (War Is Over)
Happy Xmas (War Is Over)

Happy christmas, Kyoko.
Happy christmas, Julian.

So this is christmas and what have you done?
Another year over, a new one just begun.

And so this is christmas, i hope you have fun,
The near and the dear one, the old and the young.

A very merry christmas and a happy new year,
Let's hope it's a good one without any fear.

And so this is christmas for weak and for strong,
(war is over if you want it,)
For the rich and the poor ones, the road is so long.
(war is over now.)

And so happy christmas for black and for whites,
(war is over if you want it,)
For the yellow and red ones, let's stop all the fight.
(war is over now.)

A very merry christmas and a happy new year,
Let's hope it's a good one without any fear.
And so this is christmas and what have we done?
(war is over if you want it,)
Another year over, a new one just begun.
(war is over if you want it,)

And so this is christmas, we hope you have fun,
(war is over if you want it,)
The near and the dear one, the old and the young.
(war is over now.)

A very merry christmas and a happy new year,
Let's hope it's a good one without any fear.

War is over
If you want it,
War is over now.

Happy christmas!
Happy christmas!
Happy christmas!
Happy christmas!
Happy christmas!

E a tradução:

Feliz Natal (A Guerra Acabou)
Feliz Natal Kyoko
Feliz Natal Julian

Então é natal
E o que você tem feito?
Um outro ano se foi
E um novo apenas começa
E então é natal
Espero que tenhas alegria
O próximo e querido
O velho e o Jovem

Um alegre Natal
E um feliz ano novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem sofrimento

E então é natal
Para o fraco e para o forte
Para o rico e para o pobre
O mundo é tão errado
E então feliz natal
Para o negro e para o branco
Para o amarelo e para o vermelho
Vamos parar com todas as lutas

Um alegra Natal
E um feliz ano novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem sofrimento

E então é Natal
E o que você fez?
Um outro ano se foi
E um novo apenas começa
E então feliz Natal
Esperamos que tenhas alegria
O próximo e querido
E velho e o Jovem

Um alegre Natal
E um feliz ano novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem sofrimento
A guerra acabou, se você quiser
A guerra acabou agora

Feliz Natal.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A forma mais vil de educar

O latim nos brindou com o termo “scientia”, ciência, que poderia, no seu sentido mais exato, ser traduzido como um conjunto de conclusões certas e coerentes sobre determinado objeto.

Mais precisamente, ciência pode ser tida como o ramo de conhecimento sistematizado como campo de estudo ou observação e classificação dos fatos atinentes a um determinado grupo de fenômenos ensejando a formulação das leis gerais que os regem. Já ciências exatas são somente as que admitem princípios, conseqüências e fatos rigorosamente demonstráveis.

Nossas escolas precisam repassar esse ensinamento – tão elementar! - aos economistas.

Não poucos burocratas acreditam que a economia seja uma ciência exata, propagando e a vendendo como se de fato fosse. Neste contexto, bastaria encerrar a sociedade num pedestal de fórmulas e pressupostos matemáticos e os problemas do mundo teriam dia, hora e local para se diluírem em infinitas e eficazes soluções. O que vale e importa são as equações em sua perfeição matemática, os relatórios em sua peremptória exatidão. Quanto às prioridades da sociedade, às necessidades da nação, quanto aos críticos que defendem o desenvolvimento sustentável como conseqüência dos investimentos em educação ... oras, oras, raios que os partam!!!

E por acreditarem nesta aleivosia não sentem pingo sequer de remorso quando se deparam com a realidade de que o governo brasileiro, de forma insana e irresponsável, gasta em juros mais de 8 vezes o que aplica em educação.

A informação é do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – instituição de pesquisas e estudos do Ministério do Planejamento, e se refere aos gastos do governo com pagamento de juros do endividamento público, contemplando o período que se estende de 2000 a 2007. Neste período, os gastos com pagamento de juros totalizaram R$ 1,268 trilhão, enquanto os valores investidos em educação se limitaram a R$ 149,9 bilhões. Traduzindo em miúdos, o governo brasileiro torrou na agiotagem e na ciranda financeira do pagamento de juros 8,5 vezes o dinheiro investido em educação no mesmo período.

O próprio IPEA, em nota oficial, critica e procura ensinar o governo do qual é apêndice: (...) além de o gasto com juros ser "improdutivo, pois não gera emprego e tampouco contribui para ampliar o rendimento dos trabalhadores", também colabora para a concentração de renda.

Tanto quanto a educação, também a saúde é vítima desta perversa inversão de valores e prioridades: o total despendido com o pagamento de juros supera, em muito, o que foi destinado à saúde, meros R$ 310,9 bilhões.

A situação é por demais grave e aviltante: ainda que somemos todos os recursos despendidos pelo governo com saúde, educação e investimento, não conseguimos alcançar a metade do volume destinado ao pagamento dos juros. A mais terrífica realidade é que, quando totalizamos os gastos da União com saúde, educação e investimento, chegamos tão somente a 43,8% do total das despesas com juros.

Antes da eclosão da atual crise econômica mundial, os bancos e instituições financeiras exultavam com os lucros estratosféricos obtidos exercício após exercício, ano sim e o outro também; lucros auferidos em grande parte, agora todos sabemos, da forma mais vil e abominável, exaurindo a saúde e a educação da nação, corroendo nossas esperanças, comprometendo nossas perspectivas por dias melhores. Agora que a crise se acentuou, Brasília presta novas carícias e favores ao sistema bancário, cobrindo-o de generosidades com os recursos do tesouro, que a rigor, pertencem ao conjunto da sociedade.

Quanto à educação, à saúde, ao desenvolvimento sustentável da nação, ao povo, ... oras, oras, raios que os partam!!!

A metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo são criações originais de Antônio Carlos dos Santos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Uma república de bananas?


Quando assistimos, ao vivo e a cores, a forma humilhante e degradante como os países europeus deportam os milhares de brasileiros que lá procuram abrigo e emprego, percebemos o quando são injustos e ingratos.

Todos sabemos como foram construídas as bases do desenvolvimento europeu. Às custas do saque e do confisco das riquezas surrupiadas de nós outros, os países colonizados.

Não bastasse a histórica pirataria, quando – nos séculos XIX e XX – viram-se diante da necessidade de exportar sua mão de obra excedente, fomos nós que recebemos milhares e milhares de famílias e trabalhadores desempregados.

De modo que deveriam receber os brasileiros que para lá emigram com pompa e circunstância, com tapetes vermelhos e fogos de artifício.

Mas qual?!, jamais farão isso; seria mais fácil encontrar uma cédula de três reais.

E por duas razões simples. A primeira é porque está na gênese da colônia tratar os colonizados como ralé e escravos. E, não há aqui nenhum exagero, os europeus ainda acreditam que não passamos de mazombos bobinhos.

A outra razão é que temos uma diplomacia medíocre, regada a regalias, nababos e uísque 12 anos, que - qual os colonizadores - acreditam que não passamos de uma república de bananas que deve eterna reverência aos cult das metrópoles.

Em outros lugares as coisas são diferentes.

O governo do Peru, por exemplo, tomou uma importante decisão: vai processar a Universidade de Yale, nos Estados Unidos, que roubou milhares de artefatos do famoso sítio arqueológico de Machu Picchu.

Machu Picchu é uma antiga cidade inca – data do século XV - cujas ruínas foram descobertas por Hiram Bingham, acadêmico de Yale.

O explorador norte americano achou que não teria nada de mais levar para os EUA mais de 45 mil peças peruanas e assim procedeu. Dentre o acervo roubado constam peças de cerâmica, tecidos e jóias que foram levadas a título de empréstimo e nunca mais devolvidas.

Não se sabe ao certo se o governo do Peru levará adiante o processo, ou se trata de estratégia para forçar a instituição de pesquisa norte americana a devolver o que jamais lhe pertenceu.

O fato é que lá, o governo se movimenta. Já por aqui...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Jean Charles e Eloá

O erro é mais facilmente admitido em alguns setores que em outros. O erro de uma criança impacta, quando muito, sua roda de amigos, parentes e vizinhos. O de um empresário, no máximo, sua esfera de influência. Já o erro promovido por um político ou servidor público pode até mesmo comprometer os destinos de uma nação.

Há aqueles intencionais, os meramente ocasionais e incidentais, mas, infelizmente, não há pra onde correr: para a espécie humana, o erro é inexorável, e está sempre a nos espreitar nas esquinas. O que resta à parte responsável da humanidade é cuidar para que as possibilidades de ocorrência se reduzam ao extremo. E manter a incidência de erros sob controle, em estado vegetativo, numa margem administrável não é tarefa das mais fáceis; e exige investimentos pesados, sobretudo em educação.

Por mais eficaz que seja a ação para aproximar a margem de erro de zero, quando ocorrer, a polêmica estará estabelecida, ainda que no plano da individualidade. Explico.
Qual a margem de erro admissível para o médico que deixa o recém-nascido escorregar das mãos, fazendo com que o bebê estatele a cabecinha no chão duro da sala de parto? Para os pais da criança, com certeza, nenhuma!

Coletivamente, será sempre possível demonstrar, através de gráficos coloridos e relatórios vistosos, que o erro se reduziu a um algarismo insignificante – um efêmero traço – quando cotejado com o sem número de ocorrências exitosas. Mas para as pessoas próximas, emocionalmente envolvidas, o que a estatística reduz à insignificância pode representar numa tragédia gigantesca, irreparável, de efeitos devastadores. A relatividade em ação: quando um mesmo episódio é insignificante para alguns e irreparável para outros.

A polícia é sempre um prato cheio quando queremos discutir forças e fragilidades, virtuosidades e deficiências.

Os policiais geralmente são levados a trabalhar no limite. Diuturnamente arriscam a própria vida, e como o salário mal dá para o gasto, são obrigados a recorrer a bicos e improvisos. Apesar do cenário adverso, cotidianamente praticam nobres ações de solidariedade humana que deveriam merecer o reconhecimento da sociedade. Por força das circunstâncias, não raro utilizam as viaturas policiais como ambulâncias, fazem às vezes de parteiros; de aconselhadores que evitam suicídios; de professores que, nas escolas, alertam alunos para os perigos das drogas e das más companhias. E quantos bandidos são retirados das ruas, quantos crimes e delitos impedem que acorram? Mas basta um passo em falso e...

Sobretudo nos estados onde a politicagem grassa, a polícia erra e muito. Porque falta salário, faltam viaturas e equipamentos, faltam investimentos em educação, faltam diretrizes e políticas públicas adequadas. E nessas circunstâncias, os erros são mera conseqüência da irresponsabilidade governamental.

Resultam dessa irresponsabilidade casos grotescos como o que vitimou o pequeno João Roberto Soares, de apenas três anos. No dia 06 de junho deste ano, policiais militares do Rio de Janeiro perseguiam um veículo suspeito. No meio do caminho confundiram um carro com o veículo dos bandidos e dispararam 17 tiros. No carro confundido estava a mãe, Alessandra, e seus dois filhos. Um deles, João Roberto Soares, de três anos, morreu com um tiro na cabeça.

Cerca de um mês depois, Luiz Carlos Soares da Costa, administrador de empresas, 35 anos, foi feito refém por um assaltante na zona norte do Rio de Janeiro. O bandido entrou em seu Siena, obrigando Luiz a passar para o banco de passageiros. Desconfiada, a polícia passou a perseguir o veículo. Segundo relataram os policiais, ao se aproximarem do Siena, o bandido, de 18 anos, disparou contra a viatura, obrigando-os ao revide, com o que acertaram dez tiros no Siena, três dos quais mataram Luís, a vítima. O bandido levou um tiro no abdome, foi socorrido e sobreviveu.

Mas mesmo onde se valoriza o planejamento e se busca a eficácia, os erros acontecem. E erros crassos. Como exemplifica o caso Jean Charles.

A polícia britânica é uma das que mais investem na formação de seus policiais. É a típica polícia de primeiro mundo. Veículos e equipamentos de ultima geração, e investimentos abundantes em formação e capacitação profissional. Fazendo assim remetem a margem de erro às proximidades de zero, mas não conseguem se manter incólumes a ele.

Como aceitar que uma das polícias mais modernas e eficazes do planeta cometa um erro tão primário e ignóbil como o que levou à morte de Jean Carlos. Confundido com um terrorista, em 2.005, o brasileiro foi estupidamente executado no metrô de Londres.

Segundo depoimento colhido recentemente de um agente da Scotland Yard, o jovem eletricista poderia ter sido abordado e detido sem problemas antes de a polícia ter feito os disparos fatais na estação de Stockwell, sul de Londres, na manhã fatídica de 22 de julho.

Outro festival incompreensível de erros ocorreu recentemente, em Santo André, quando o país se viu hipnotizado diante dos aparelhos de televisão: a tragédia que culminou na morte de Eloá.

Toda a operação policial foi executada pelo Grupo de Ações Táticas Especiais da polícia de São Paulo. O GATE de São Paulo é uma referência quando se trata de eficácia policial. Em uma década de operações promovidas pelo Grupo, há o registro de apenas duas vítimas, Eloá e uma outra.

Apenas neste ano, o GATE realizou 18 ações, salvando 47 cidadãos brasileiros. São números que atestam qualidade da polícia paulista; mas o festival de besteiras perpetradas no caso Eloá demonstram, de maneira cabal, que investimentos em treinamento, capacitação, educação devem ser atividades diuturnas em qualquer setor da atividade humana, em qualquer instituição, seja militar ou não, esteja ela num elevado nível de sustentabilidade e eficácia ou não.

Se não conseguimos eliminar, de todo, o erro de nossas vidas, com a educação de qualidade podemos manter a margem bem próxima a zero, num ponto em que a dor, para a coletividade, se torne um pouco mais suportável.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Mais verbas ou mais gestão?

Deveríamos desconfiar sempre que a bandeira do “mais verbas para isso” ou “mais verbas para aquilo” fosse solenemente hasteada.

Não há setor na administração pública que, diuturnamente, não seja sacudido por movimentos, ONG’s, servidores, lobbies que, com estardalhaço e em uníssono, clamam por mais, mais e mais recursos públicos.

Enquanto todos se deixam embalar e embair pelos protestos, pela ‘lógica politicamente correta’ de irrigar com recursos estatais os setores sucateados, a verdadeira causa dos problemas continua – deliberadamente – encoberta: a questão da gestão, o modo como ela é ensinada e aplicada no país.

Tomemos como exemplo a saúde pública.

O setor sempre amargou problemas dos mais graves, com a população sendo aviltada pelos serviços que recebe, invariavelmente de péssima qualidade.

As pessoas morrem nas filas dos hospitais?, então tome como solução “mais verbas para a saúde”. Faltam medicamentos?, “mais verbas para a saúde”, protestam os de sempre. A Dengue recrudesceu? “mais verbas para a saúde”, é a saída definitiva; e daí segue...

Repetida à exaustão, a “falta de verbas para a saúde” virou unanimidade nacional. A ponto de facilitar o propósito do governo federal de sangrar as forças vivas da nação com sua prole infindável de tributos, como é o caso da CPMF e CSS.

Quem não se lembra das ameaças, o governo propagando que o fim da Contribuição implicaria na hecatombe, no caos absoluto, inclusive com o fechamento de hospitais e postos de saúde. A CPMF caiu no Congresso Nacional, e tudo continuou como dantes.

Os que não se deixam embalar pelo canto da sereia já perceberam que o buraco é mais embaixo, bem mais embaixo. A realidade é que os recursos existem – e em abundância. O que falta, está claro, é boa gestão e vergonha na cara.

Mais precisamente no campo da saúde, envergonha saber que, dos R$ 1,6 bilhão destinados à área, nada menos que R$ 426,5 milhões evaporaram, sumiram, desapareceram, foram tragados pela péssima gestão, fada-madrinha de todos os tipos de corrupção.

Os dados foram extraídos dos relatórios de fiscalização da CGU, a Controladoria-Geral da União. Custa acreditar, mas o levantamento do governo federal mostra que dos R$ 1,5 bilhão transferidos pelo Ministério da Saúde - nos últimos quatro anos - para 1.341 municípios, ¼ ou 25% se destinaram aos ratos que se locupletam na corrupção.

É pouco? Então tome “mais verbas para a saúde”.

O desvio de recursos públicos já alcançou tal grau de gravidade, que os gestores públicos sequer se constrangem em avançar sobre orçamentos estratégicos, fundamentais para a população carente, como o Programa de Atenção Básica. E dinheiro que deveria atender aos mais necessitados é canalizado para confeccionar abadas de carnaval temporão, adquirir eletrodomésticos e promover festas e confraternizações.

Outro setor onde esta realidade afronta a vista é o dos esportes. Em quatro anos, a União investiu na área desportiva R$ 692 milhões. E onde foram parar esses recursos? Só a Confederação de Judô recebeu do Comitê Olímpico Brasileiro R$ 10,86 milhões. Mas o judoca Eduardo Santos foi lutar em Pequim sem dispor dos R$ 1,5 mil para trocar de faixa.

A realidade é que jamais, em toda a história do país, houve tanto dinheiro para a preparação dos atletas, considerando o ciclo olímpico.
Em que pese o expressivo incremento dos recursos, a olimpíada em que o Brasil obteve o melhor aproveitamento foi a de Atenas, em 2.004, que rendeu cinco medalhas de ouro. No ciclo da Grécia foram gastos R$ 250 milhões.

Se o Brasil desejava, na Olimpíada de Pequim, realizar o negócio da China, deu com os burros n’água. Cada medalha nos custou R$ 53 milhões, excluída, naturalmente, as obtidas com o futebol, considerando que a CBF não conta com dinheiro público.

E o ultimo escândalo estampado em todas as páginas dos jornais confirmam que “o mais verbas para isso” e “o mais verbas para aquilo” é o grande jargão que acoberta a nefasta prática de corrupção, já cristalizada no imaginário coletivo.

Quinze anos atrás, a política brasileira foi sacudida com a divulgação do escândalo protagonizado pela máfia dos “anões do orçamento”. As apurações efetuadas à época resultaram na formalização de acusação contra 15 parlamentares, seis cassados e quatro que optaram pela renuncia. As investigações que desnudaram os anões do orçamento apuraram um desvio de R$ 101 milhões.

No escândalo que acaba de sair do formo, o secretário nacional do Partido dos Trabalhadores está no centro de um gigantesco processo de corrupção que, pelos dados do Ministério Público, desviou mais de R$ 700 milhões. O esquema criminoso envolve 23 construtoras e 119 prefeituras nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins. O achaque ocorreu contra as verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estruturando uma rede de informações privilegiadas, com participação de funcionários do Ministério das Cidades, Integração Nacional, Saúde e até do Tesouro Nacional.

Portanto, caro leitor, quando se deparar com o tal de “mais verbas para isto” e “mais verbas para aquilo”, coloque todos os fios da barba de molho.

Ao invés de “mais verba” o correto seria “mais gestão”. Mas esta é uma palavra de ordem sem rima, pelo menos no Brasil da corrupção.