quinta-feira, 28 de abril de 2022

País tem 7 mil obras paradas, ao custo de R$ 9,3 bilhões, e mais da metade está no Nordeste



O Brasil tem cerca de 7 mil obras paralisadas, aponta levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios(CNM), que analisou cinco plataformas do governo federal. São escolas, postos de saúde e casas populares que não foram concluídas até hoje. Financiadas com recursos públicos, essas obras que não avançaram somariam investimentos de R$ 9,3 bilhões.

 

Mais da metade dessas obras paradas está no Nordeste: são 52,6%. A concentração de obras paralisadas – via de regra, as que não tiveram avanço em180 dias – também é maior em cidades de pequeno porte. O levantamento da CNM foi antecipado pelo jornal O Estado de S. Paulo. OGLOBO também teve acesso ao documento. O documento traz um diagnóstico sobre as obras inacabadas que estão sob responsabilidade dos governos municipais.

“No caso dos Municípios, a conclusão de obras públicas pode representar novas escolas, unidades de saúde, pavimentação de estradas, canalização de esgoto e iluminação pública, podendo elevar substancialmente a provisão de serviços públicos e o bem-estar social dos seus habitantes”, diz o documento, que alerta para o complexo arcabouço de regras para a execução dessas obras. A paralisação, diz a CNM, significa “desperdício de recursos públicos e prejuízo para a população”.

O relatório aponta que entre 2012 e 2021, o país tinha 6.932 paralisadas em municípios, que somam R$ 9,3 bilhões em valores contratados. Dessas, 52,6% estão no Nordeste e 17,7% no Norte do país. Na sequência aparecem as regiões Sudeste (14,6%), Sul (7,9%) e Centro-Oeste (7,1%).

A maior parte das obras paradas foram localizadas na plataforma +Brasil, do Ministério da Economia. São 2.714 empreendimentos que não avançaram, ao custo de R$ 2,4 bilhões. Dez pastas eram as responsáveis pela gestão desses contratos. O levantamento aponta que o os ministérios do Desenvolvimento Regional e Turismo são responsáveis por 75% dasobras e valor global dos contratos.

Paralisações nas construções ou restaurações de unidades escolares das redes municipais de ensino concentraram 2.668 ocorrências entre 2012 e2021, apontou o levantamento da CNM junto ao Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação (Simec). O valor de contrato é de R$ 2,6 bilhões.

O estudo contabilizou as obras paralisadas e inacabadas, que ainda podem ser repactuadas e retomadas pelos municípios. A maior parte das paralisações, 54%, foi registrada em cidades do Nordeste. Na sequência aparece o Norte (25%) e o Sudeste (10%).

A CNM também verificou o portal SisHab, do Ministério do Desenvolvimento Regional, que concentra dados dos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Como ele foi substituído pelo Casa Verde e Amarela, só há dados disponíveis entre 2012 e 2019. Havia 896empreendimentos parados, com valor de operação de R$ 3,4 bilhões. Norte e Nordeste concentravam 70% das obras e 65% dos recursos.

Na área da saúde, especificamente, duas plataformas do Ministério da Saúde foram consultadas. No Sistema Integrado de Monitoramento de Convênios (Sismoc), da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), foram listadas131 obras paradas entre 2012 e 2019, com custo de R$ 533,7 milhões. Já no Sistema de Monitoramento de Obras (Sismob), que monitora o andamento de obras de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA), entre 2012 e 2021 havia 543 obras paradas, a um custo de R$ 150,2 milhões.

Fernanda Trisotto, O Globo



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quarta-feira, 27 de abril de 2022

A gentileza pode tudo




Em um distante reino imperava um rei autoritário e muito opressor.

A fama do monarca cruzava fronteiras, e a sua reputação não era das melhores.
O soberano criava uma matilha de lobos selvagens e ferozes.

Quando os seus súditos incorriam em algum erro, não hesitava, condenava o servo à morte imediata, sem misericórdia ou perdão.  

A punição consistia em lançar o condenado na arena para que fosse devorado pelos brutais animais.


Acompanhe, com a leitura do livro “A gentileza pode tudo”, a trajetória de um ancião condenado à morte que conseguiu obter o perdão de um dos mais cruéis reis medievais. 



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Todos eles apresentam estórias singelas e inspiradores elaboradas para possibilitar a comunhão entre pais e filhos.

De forma lúdica, cada livro apresenta uma narrativa onde se destacam divertidos ensinamentos. São lições baseadas na filosofia que interage meditação e conduta. Mas não qualquer contemplação mental e qualquer ação, e sim a meditação e a conduta que se ancoram na reflexão crítica.

Como lidar com os problemas, dos mais simples e ordinários - que emergem no dia a dia - aos mais graves e complexos? Mais que isso, como processá-los sem perder de vista a criatividade e a racionalidade, colocando na mesma balança princípios e valores, autoestima e coletividade, respeito às diferenças e tolerância, fraternidade e solidariedade.

A necessidade de manter as emoções em estado de equilíbrio, o estímulo à curiosidade e à investigação, o encorajamento aos questionamentos sucessivos, a importância de dar relevância também à educação informal, o desenvolvimento de habilidades que possibilitem descontruir o pensamento para reconstruí-lo em novas bases, são alguns dos insumos explorados nos livros da Coleção.  
  
Como pensar melhor? A felicidade não estaria nas pequenas coisas que se apresentam enoveladas no cotidiano? E quanto à justiça, aos princípios democráticos e aos valores éticos, não seriam os pilares de sustentação do homem virtuoso? São questionamentos que o autor desenvolveu e que estruturam os cenários presentes nas estórias, um espaço privilegiado onde pais e filhos – através das leituras e discussões - aprenderão uns com os outros.

Cada criança é um ser único e especial. Esta é a referência dos 10 livros da coletânea:


Livro 1. O pequeno panda zen
Livro 2. O pequeno sapo zen
Livro 3. É melhor pensar antes de falar
Livro 4. Os desafios são necessários
Livro 5. A paz é a base de tudo
Livro 6. A gentileza pode tudo
Livro 7. O segredo da felicidade
Livro 8. A mulher bela e rica e sua irmã feia e pobre
Livro 9. O pequeno gato zen
Livro 10. O pequeno cachorro zen

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terça-feira, 26 de abril de 2022

Orçamento secreto bancou 70% de repasses a empreiteira


Dos R$ 272 milhões pagos à Engefort, só 10% tiveram autores das emendas conhecidos. Alcolumbre lidera a lista

 

A construtora Engefort, que passou a obter contratos com o governo federal na gestão Jair Bolsonaro, teve recursos originados do chamado orçamento secreto como fonte de 70% dos valores recebidos do Executivo. Dos R$ 396 milhões destinados à empresa, R$ 272,3 milhões (68,7%) foram indicados via emenda de relator, formato no qual os autores das destinações do dinheiro público não são identificados. Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que quatro parlamentares foram os padrinhos de uma parte da verba que financiou os empreendimentos tocados pela empreiteira.

Com sede em Imperatriz, no interior do Maranhão, a Engefort saiu do anonimato graças a obras da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional cujas indicações para cargos de diretoria são dominadas pelo Centrão.

Na terça-feira, O GLOBO mostrou que a empresa nunca havia sido contratada antes do governo Bolsonaro para obras públicas. Segundo o jornal 'Folha de S. Paulo', a empreiteira foi a vencedora da maioria das concorrências de pavimentação do governo Bolsonaro, geralmente participando sozinha ou na companhia de uma empresa de fachada registrada em nome do irmão de seus sócios. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu na segunda-feira passada que a Corte de contas monitore as obras.

Levantamento do GLOBO nas notas de empenho e em documentos da Codevasf mostra que dos R$ 272,3 milhões repassados via orçamento secreto, apenas R$ 26,5 milhões tiveram seus autores identificados. Na lista de padrinhos dessas emendas de relator estão ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP), o senador Ângelo Coronel (PSDBA) e os deputados Juscelino Filho (União-MA) e Margarete Coelho (PP-PI).

Empenhos em 2021

No caso das obras da Engefort, Juscelino Filho foi o responsável por R$ 7,1 milhões dos empenhos feitos no ano passado. O empenho é a primeira etapa da liberação do dinheiro, quando o recurso fica reservado no Orçamento da União para o pagamento. A exemplo da Engefort, o deputado também tem sua base no Maranhão. O nome de Juscelino consta em duas notas de empenho e em dois Termos de

Execução Descentralizada, documento publicado pela Codevasf com explicações sobreas obras e a origem dos recursos. As duas emendas tiveram como foco a pavimentação de um anel viário na cidade de Imperatriz. 'Trata-se de recurso proveniente de emenda de relator e indicado pelo deputado Juscelino Filho, por meio do ofício de 7 de julho de 2020, a ser descentralizado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional', afirma o documento. Procurado, o parlamentar não se manifestou sobre a indicação de recursos para a obra da Engefort.

Aliada do presidente da Câmara, Arthur Lira (PPAL), a deputada federal Margarete Coelho também destinou recursos para uma obra de pavimentação na cidade de São Raimundo Nonato, no Piauí: a emenda foi de R$ 1,3milhão. A congressista afirmou que não conhecia a Engefort, empresa responsável pela obra.

- Nunca tomei conhecimento de quem venceu licitação para executar obras com emendas que eu tenha indicado. Fiz meu papel de indicar e me interesso na obra pronta e entregue à população - disse a deputada.

O maior repasse identificado foi feito por Alcolumbre: R$ 14,7 milhões. Os valores foram alocados para a pavimentação de vias rurais e urbanas em cidades do Amapá, estado natal do senador. Outro senador que aparece com seu nome vinculado a obras feitas pela Engefort é Ângelo Coronel. O parlamentar destinou R$ 3,4 milhões também para obras de pavimentação na Bahia.

Ângelo Coronel afirmou que apenas indicou os municípios que seriam beneficiados com a medida, mas que não teve qualquer interferência em relação ao resultado da licitação que terminou com a Engefort vencedora.

Questionados sobre os repasses, Alcolumbre e Coronel não responderam. A Codevasf afirma que suas concorrências seguem a legislação, exigindo o mesmo dos licitantes.

André de Souza e Dimitrius Dantas, Jornal O Globo



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