segunda-feira, 16 de março de 2020

Terminam na sexta-feira inscrições para olimpíada de matemática


Podem participar estudantes das redes pública e privada
Terminam nesta sexta-feira (20) as inscrições para a décima sexta edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Escolas públicas e privadas podem inscrever seus alunos exclusivamente pela internet até as 23h59 de sexta-feira. As escolas particulares foram incluídas no certame a partir de 2017.
A edição do ano passado foi recorde, registrando 18,2 milhões de estudantes de 54,8 mil escolas de 99,71% dos municípios brasileiros. A Obmep foi criada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) em 2005 e é realizada com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Ministério da Educação (MEC).
O diretor-geral do Impa, Marcelo Viana, lembrou que no ano passado a olimpíada alcançou a quase totalidade dos municípios brasileiros, à exceção de apenas 16. “Praticamente, a gente está alcançando toda a população estudantil brasileira. São mais de 18 milhões de crianças nessa faixa etária do sexto ano [do ensino fundamental] até o terceiro ano do ensino médio. E a gente sempre espera ir mais além”.
Foram distribuídas no ano passado 598 medalhas de ouro, 1.746 de prata e 5.183 de bronze, além de 48.133 menções honrosas.

Oportunidades

Marcelo Viana disse que a expectativa para 2020 é superar o recorde batido em 2019. “A expectativa é que a olimpíada leve a todos os cantos do Brasil não só o gosto pela matemática, mas também oportunidades de vida para jovens que, muitas vezes, têm poucas oportunidades na sociedade, sobretudo nas áreas mais carentes e remotas do país. E a olimpíada, como tem essa capilaridade, pode levar oportunidades para que crianças e jovens talentosos se destaquem”.
O Impa acabou de publicar um livro com histórias inspiradoras de 18 vencedores de edições anteriores da Obmep, cujas trajetórias de vida foram influenciadas e modificadas pelo evento. Marcelo Viana disse que o livro revela a capacidade que a Obmep tem de “modificar a vida dessa garotada, abrindo novas perspectivas para o mercado de trabalho para esses jovens que podem fazer a diferença no país”.
Um exemplo é a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP), medalhista de prata na olimpíada em 2005, e de ouro no ano seguinte. Criada na Vila Missionária, periferia de São Paulo, Tabata foi aprovada, em 2012, em seis universidades norte-americanas, ganhando bolsas de estudo em todas. Passou também no vestibular da Universidade de São Paulo (USP). Formou-se em Ciências Políticas e Astrofísica, em Harvard, nos Estados Unidos.
“A olimpíada descobriu um talento fora do comum, em uma circunstância em que esse talento poderia ter passado despercebido, ainda mais mulher de uma comunidade carente. Muitas vezes, o Brasil acaba desperdiçando esse talento. A Obmep tem realmente a capacidade de identificar e destacar esses talentos”, disse Marcelo Viana.
Marcelo Viana lembrou ainda que o livro com as trajetórias de medalhistas da Obmep está disponível no site da olimpíada.

Matemática sem medo

O diretor-geral do Impa disse que a olimpíada permite também que os estudantes brasileiros comecem a enxergar a matemática sem medo. Segundo Marcelo Viana, o medo da matemática começa com o fato de que o ensino em sala de aula, de modo geral, “é muito chato, monótono, baseado em memorização. Isso se transforma em medo porque, para algumas crianças, é um mistério que as pessoas as obriguem a estudar coisas que para elas não fazem o menor sentido. E todos nós gostamos de entender o que estamos fazendo”. Para Marcelo Viana, a origem do medo parte do pressuposto de que o ensino da matemática costuma ser desmotivador.
A olimpíada, ao contrário, segundo ele, apresenta a matemática às crianças e jovens com um lado lúdico, “muito instigador, que desperta até a autoestima da criança. Leva-a a enfrentar desafios”. A experiência como pai levou-o também a constatar de perto como a Obmep contribui para estimular as crianças a querer resolver os problemas.

Provas

As provas da 16ª Obmep serão realizadas nos dias 26 de maio e 26 de setembro e distribuídas de acordo com o grau de escolaridade do aluno: Nível 1 (6º e 7º anos), Nível 2 (8º e 9º anos) e Nível 3 (ensino médio). A primeira etapa engloba todos os candidatos que fazem provas de múltipla escolha. São selecionados os 5% melhores de cada escola que realizam a segunda prova, que é discursiva e contém seis questões com 18 itens no total. O resultado com os nomes dos vencedores será divulgado em 8 de dezembro.
Os medalhistas serão chamados a participar do Programa de Iniciação Científica (PIC Jr.) estruturado pelo Impa, como incentivo e promoção do desenvolvimento acadêmico. Os estudantes premiados da rede pública recebem uma bolsa de Iniciação Científica Jr do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no valor de R$ 100 mensais.
“A contrapartida é que eles fazem um curso ou programa de treinamento sobre matemática e, ao longo do ano, esses alunos são acompanhados por professor universitário. Eu acho que para a maioria deles, esse PIC Jr é mais saboroso do que a própria medalha”. Marcelo Viana foi um desses estudantes que participaram do PIC Jr, revelou.
Já os medalhistas da rede particular poderão participar do PIC Jr somente como ouvintes. Se os medalhistas do ensino médio forem começar algum curso de graduação no primeiro semestre de 2021, poderão participar do processo de seleção para o Programa de Iniciação Científica e Mestrado (PICME), que oferece uma bolsa de iniciação científica do CNPq no valor de R$ 400.

Da Agência Brasil



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domingo, 15 de março de 2020

‘A Peste’, de Albert Camus, vira best-seller em meio à pandemia de coronavírus


Numa pequena cidade da costa argelina, na década de 1940, a vida dos habitantes segue sua rotina até que milhares de ratos começam a surgir do subterrâneo e morrer aos milhares. Logo as pessoas também começam a pegar a doença — e seu destino é, em muitos casos, o mesmo.
Essa narrativa, escrita em 1947 pelo franco-argelino Albert Camus, tem atraído muitos leitores em diversos países da Europa, em meio à pandemia de coronavírus.
Não só ela — livros de ficção que se passam em situações de epidemias ou pandemias, como Ensaio Sobre a Cegueira (1995), do português José Saramago, e de não-ficção que descrevem a disseminação de doenças no passado estão constantemente nas listas de mais vendidos.
No Brasil, isso ainda não está acontecendo. A editora Record, que publica a versão brasileira mais recente de A Peste, diz que ainda não viu aumento na procura. A Livraria da Vila, uma das principais de São Paulo, informou à BBC que, por enquanto, não notou aumento nas vendas ou na procura por títulos do gênero.
"Encaramos com naturalidade que os europeus estejam procurando se informar por meio de obras com a temática, uma vez que a Europa já passou por grandes epidemias ao longo dos séculos e é uma das regiões mais atingidas pelo coronavírus. No entanto, a situação no Brasil é distinta e não há como prever os próximos cenários", disse a administração da livraria, por e-mail.
A livraria afirma que, por ser um fenômeno recente no Brasil, ainda não está preparando ações específicas, como pedidos às editoras de livros sobre o tema, mas pode recomendar alguns livros, como História da Humanidade Contada Pelo Vírus, de Stefan Cunha Ujvari; Cidade Febril- Cortiços e epidemias na corte imperial, de Sidney Chalahoub e Peste e Cólera, de Patrick Deville.
A BBC procurou outras grandes livrarias, como Cultura, Travessa e Martins Fontes, mas não teve resposta.
Se não no Brasil, esses livros estão vendendo mais? Do que tratam? O que têm a ver com a realidade do surto de coronavírus? Que lições nos oferecem sobre como lidar com o surto? Por que as pessoas buscam esses livros?
Na opinião do pesquisador de Camus Raphael Luiz de Araújo, doutor em letras pela Universidade de São Paulo e tradutor de Os primeiros Cadernos de Albert Camus, "diante da doença precisamos nos repensar — quem somos, o que estamos enfrentando. Por falarem da condição humana (esses livros ganham interesse)".
Além disso, pensa ele, serve como um espelho e uma maneira de não nos sentirmos sozinhos em meio à incerteza da epidemia. "E é também uma forma de buscar esclarecimento, tem um potencial didático, que é pensar como foi para pessoas que viveram e pensaram nisso", palpita Araújo.
"É uma busca por dar forma à experiência, o que o (crítico) Antonio Candido chamava de fabulação. A Peste e outros clássicos trazem explicações de princípios sem que a gente entre na religião, oferecem caminhos para a nossa busca ética", resume ele.
A peste
O romance A Peste foi publicado em 1947, pouco após o fim da Segunda Guerra Mundial, e conta a história da chegada de uma epidemia à cidade argelina de Orã. O personagem principal é um médico, Rieux, que combate a doença até o momento em que ela se dissipa, depois de muitas mortes. O narrador descreve como a população reage, indo da apatia à ação, e como alguns se expõem a risco para enfrentar a disseminação da peste. Há aproveitadores, como um personagem que lucra com um mercado paralelo de produtos. Num primeiro momento, as autoridades hesitam em publicizar a doença, algo que Camus veria de forma crítica, diz Araújo — sua obra sempre volta ao tema da importância de nomear as coisas.
Nos anos 1940, diz Araújo, Camus vinha pesquisando sobre como se deram algumas epidemias na Argélia e na Europa. Ele próprio sofrera com doenças, a tuberculose, e privações, por ser de uma família argelina pobre.
Logo após sua publicação, o livro foi lido como uma analogia sobre a ocupação alemã em Paris durante a Segunda Guerra, em parte por causa da epígrafe do livro, uma frase do escritor Daniel Defoe: "É tão válido representar um modo de aprisionamento por outro quanto representar qualquer coisa que de fato existe por alguma coisa que não existe". Araújo lembra que, numa carta a Roland Barthes de 1955, Camus afirma que a obra descreve "a luta da resistência europeia contra o nazismo".
Araújo aponta alguns paralelos com o momento atual: "a questão do conhecimento. Vivemos um momento em que há desinformação, fatos vêm sendo contestados. Em A Peste há um cuidado de mostrar as coisas como são de fato. O livro fala que existe (na história) um problema de abstração. A desinformação, a abstração, geram histeria, comportamentos levianos ou xenofóbicos, como temos visto", interpreta ele.
Outra coincidência é a questão de burocratização das informações sobre as mortes, que pode gerar certa desumanização dos casos, opina ele. Na ficção, o número de mortes é anunciado diariamente numa rádio. Por outro lado, o narrador descreve algumas das mortes, o que faz o leitor senti-las de uma forma mais direta.
Para Araújo, uma lição a ser tirada do romance é a do reconhecimento da coletividade. A cidade passa a se reconhecer como um grupo em sua luta contra a doença. "Neste momento em que temos divisões muito marcadas no Brasil, é um convite a pensar sobre nós como coletivo. O que atravessarmos vamos atravessar juntos. Não é 'cada um que se salve'. Como diz o Camus, a peste vira assunto de todos. Os problemas que nos atingem são de todos, não é só de quem apoia um ou outro governo. Ninguém está acima de ninguém", diz o acadêmico.
Livros que estão vendendo bem
Na França, as vendas de A Peste chegaram a mais que dobrar nas primeiras oito semanas de 2020, comparado ao mesmo período de 2019, segundo a publicação de estatísticas de mercado editorial Edistat. O país registrava 30 mortes pelo vírus até terça-feira.
Na Itália, o segundo país mais impactado pelo vírus depois da China, o aumento de vendas colocou o romance na lista dos dez mais vendidos, segundo a revista literária francesa Actuallité.
Todo o país está sob medidas de emergência, determinadas pelo governo, para conter a contaminação da população pelo vírus.
A Amazon italiana tem entre seus 100 livros mais vendidos diversos exemplos de narrativas de ficção e não-ficção sobre epidemias, como Virus, La Grande Sfida (Vírus, o grande desafio, em tradução livre), do virologista Roberto Burioni. O livro, segundo a sinopse, "descreve a natureza e o funcionamento dos vírus, sua transmissão de animais para seres humanos, a evolução de nosso conhecimento científico sobre ele, os efeitos devastadores das epidemias na história da humanidade e as batalhas travadas no último século contra elas".
Ensaio sobre a Cegueira, do romancista português José Saramago, também anda nos altos postos da lista. O livro conta a história de uma "treva branca" que vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade.
No Reino Unido, leitores também vêm procurando A Peste, que deve ser reimpresso pela editora Penguin, já que já quase não há mais exemplares em estoque na Amazon.
O livro The Great Influenza: The Story of the Deadliest Pandemic in History (A grande gripe: a história da pandemia mais mortal da história, em tradução livre) estava entre os 100 mais lidos na versão britânica do site.
A narrativa de não ficção fala sobre "o vírus da gripe mais letal da história", segundo a sinopse. "No auge da Primeira Guerra Mundial, irrompeu em um acampamento do exército no Kansas, expandiu para o leste com tropas americanas e depois explodiu, matando até 100 milhões de pessoas em todo o mundo. Matou mais pessoas em 24 meses do que a AIDS matou em 24 anos, mais em um ano do que a Peste Negra matou em um século."

"Como o autor sabia?"
"Não costumo ler esse tipo de livro, mas tive que lê-lo porque estamos 2020 e no meio do avanço do coronavírus. Como o autor sabia?", se pergunta um leitor no site britânico da Amazon sobre o romance The Eyes of Darkness (Os olhos da escuridão, em tradução livre), de 1981, escrito pelo americano Dean Koontz.
Assim como ele, muitos se perguntaram, em redes sociais, se o autor havia "previsto" a expansão da doença. Koontz de fato descreve no livro um vírus fictício que se chama "Wuhan-400" e cujo nome refere-se à cidade chinesa onde começou o surto de coronavírus. No entanto, o vírus, no romance fictício, é uma arma biológica da China, desenvolvida em laboratório, e não um micróbio que se espalha espontaneamente pelo mundo. Além disso, o vírus do livro é mais letal e se espalha mais rapidamente.
Em sua primeira versão, publicada em 1981, o vírus fictício não vinha da China, mas sim da Rússia, e se chamava Gorki-400, segundo a agência de notícias Reuters. A segunda versão saiu em 1989.

Não apenas livros
O filme Contágio esteve entre os mais vistos nas plataformas iTunes e Google Play, algo que pode ser considerado um marco para um filme que não é estreia.
No enredo, Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) retorna ao Estado de Minnesota (Estados Unidos) após uma viagem de negócios em Hong Kong e começa a se sentir mal. Emhoff atribui seus sintomas ao fuso horário.
No entanto, dois dias depois ela morre, sem que os médicos encontrem a causa. Logo depois, outras pessoas começam a manifestar os mesmos sintomas e, logo, é desencadeada uma pandemia que as autoridades de saúde tentam conter.
Em menos de um mês, o número de mortos na história chega a 2,5 milhões nos EUA e 26 milhões em todo o mundo.
No momento de seu lançamento, alguns especialistas elogiaram a maneira como o filme refletia a situação de uma pandemia.
Mas o que a realidade do coronavírus chinês realmente tem em comum com a ficção do filme de Soderbergh?
Um tema comum é que ambos os vírus se originam na China e os morcegos parecem desempenhar um papel preponderante.
Especialistas da Organização Mundial da Saúde apontam que é muito provável que o novo coronavírus venha de morcegos. Eles estimam que ele teve que pular primeiro para um grupo de animais não identificado antes de poder infectar humanos.
O filme mostra imagens de cidades em quarentena, aeroportos fechados, profissionais de saúde com trajes especiais, pessoas com máscaras, cidades vazias, lojas fechadas… Essas cenas vêm se tornando mais comuns, com China e Itália sob medidas de emergência para conter a disseminação do vírus.
No filme, entretanto, a doença tem contágio mais rápido e é mais letal.
Na história, pesquisadores conseguem produzir e distribuir uma quantidade limitada de vacinas em apenas 90 dias.
A realidade do coronavírus é diferente, ainda que, diferentemente dos surtos de vírus anteriores em que as vacinas para proteger a população levavam anos para serem desenvolvidas, a busca por um medicamento para controlar a disseminação da pneumonia de Wuhan tenha começado poucas horas após a identificação do vírus.
Da BBC Brasil




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sábado, 14 de março de 2020

Massacre em Suzano fez um ano e governo aumenta segurança em escolas



Secretaria da Educação criou gabinete integrado de segurança escolar
   
Um ano após o massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, completado ontem (13), que resultou na morte de dez pessoas, o governo do estado busca acelerar projetos que aumentem a segurança dentro das escolas.

Na capital paulista, por exemplo, na Escola Estadual Caetano de Campos, região central da cidade, um policial da reserva permanece dentro do colégio no período das aulas, como parte de um projeto-piloto do governo que está em desenvolvimento.

A Secretaria Estadual de Educação criou também um gabinete integrado de segurança escolar, em que há a participação da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública. De acordo com a pasta, um relatório com os resultados da ação deverá ser publicado nos próximos meses.
O governo do estado promete ainda novas câmeras de segurança nas escolas, assim como redes de wi-fi para possibilitar o acesso remoto às imagens. Novos protocolos de funcionamento dos portões dos colégios também estão sendo implementados, assim como orientações para elaboração dos regimentos internos, que é feito por cada escola.
 
De acordo com a secretaria, o governo dispõe de R$ 1,1 bilhão para realizar obras em mais de 1,3 mil escolas. Além das mudanças estruturais, o governo fez alteração na parte pedagógica e está implementando nova disciplina, chamada Projeto de Vida, que, entre outras atribuições, leva para a sala de aula a questão do bullying.

“A disciplina é sobre o desenvolvimento do projeto de vida do aluno. Tem que haver um espaço dentro da escola para que a gente cada vez mais escute, entenda quais são os sonhos, os desejos dos nossos estudantes, para que a própria escola se organize em torno deles e dê apoio. Neste ano, a disciplina já começou para todas as escolas, desde o 6° ano até o ensino médio”, destacou o secretário de Educação do estado, Rossieli Soares.

O governo estadual está também criando equipes multidisciplinares para trabalhar com as diretorias de ensino. Segundo a pasta, uma resolução, que deverá ser publicada em breve, vai incorporar psicólogos e assistentes sociais para desenvolver trabalhos na rede de ensino, especialmente nos grandes centros paulistas. A pasta informou que chamou, ainda em 2019, 1,5 mil novos funcionários concursados - agentes de organização escolar - e mais 2 mil temporários.

Suzano
De acordo com a Secretaria de Educação, 90% das reformas na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, onde ocorreu o massacre, estão concluídas.

O término, inicialmente previsto para março, deverá ocorrer no mês de abril. O projeto, que custará mais de R$ 3,1 milhões, está sendo financiado com a ajuda de parceiros privados.

“O projeto foi pensado para ampliar os espaços de convivência, para que haja uma releitura da própria escola, que é antiga e já precisava receber intervenções. Além disso, a mudança olhou para aspectos de segurança”, disse o secretário Rossieli Soares. Está sendo construída, por exemplo, uma entrada exclusiva para alunos à escola, e outra para a comunidade e ex-alunos, que não dará acesso aos estudantes.

A revitalização da unidade inclui a construção de novas áreas comuns, de estudo, de convivência e administrativas. Prevê ainda a demolição e reconstrução de novas salas de aula, do Centro de Ensino de Línguas (CEL), banheiros e cantinas, além da reforma das salas de leitura e informática.

Também está sendo criada uma área de 1,5 mil metros quadrados para uso comum, que contará com paisagismo, além de um espaço destinado à prática de esportes, aulas ao ar livre e bicicletário.

De acordo com a pasta, o muralista Eduardo Kobra e sua equipe vão pintar painéis internos e os muros externos da escola. Os desenhos serão criados a partir de um concurso que vai reunir os alunos das 60 escolas da região de Suzano e selecionar os melhores trabalhos.

Em 13 de março de 2019, dois ex-alunos entraram armados na escola pela porta da frente, assassinaram seis colegas, dois funcionários e se suicidaram.

Por Bruno Bocchini, na Agência Brasil






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