sexta-feira, 20 de abril de 2018

Número de brasileiros que realizam trabalho voluntário cresce



Em 2017, 7,4 milhões de pessoas se dedicaram a esse tipo de atividade

 A pesquisa Outras Formas de Trabalho 2017, divulgada dia 18 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 7,4 milhões de pessoas realizaram trabalho voluntário, o equivalente a 4,4% da população de 14 anos ou mais de idade. O aumento foi de 12,9% em comparação a 2016. 
Os dados são baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), da mesma instituição, que considera trabalho voluntário aquele não compulsório, realizado por pelo menos uma hora na semana, sem receber remuneração ou benefícios em troca, e realizado em apoio a pessoas que não moram no mesmo domicílio do entrevistado e não são de sua família. 
O perfil dos voluntários no país é prioritariamente de mulheres que têm uma série de atividades extras, além de trabalho e afazeres domésticos. Os que desenvolviam atividades voluntárias em 2017 eram 5,1% das mulheres e 3,5% dos homens, fato observado em todas as grandes regiões.
Para analisar a intensidade do trabalho voluntário, o IBGE considera a média de horas despendidas na semana em tais atividades. Em 2017, a média foi de 6,3 horas semanais, inferior às 6,7 horas constatadas no ano anterior. A região com maior média de horas foi a Norte (7,1 horas) e a com menor média, a Sudeste (6 horas). A única região com aumento da dedicação ao trabalho voluntário foi a Sul. A região Norte ficou estável e as demais tiveram queda.
Detalhamento
A quantidade de horas dedicadas ao trabalho voluntário é equivalente entre os homens e as mulheres que realizam esse tipo de atividade.
A dedicação ao trabalho voluntário é maior entre os que têm uma ocupação (4,7% do total) do que entre os não ocupados (3,9%).
Em relação à idade, a participação nessas atividades é maior entre as pessoas mais velhas: em 2017, 2,9% dos que têm 14 a 24 anos faziam trabalho voluntário; a proporção sobe para 4,6% entre os de 25 a 49 anos; e para 5,1% entre os que têm 50 anos ou mais. Nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, a maior taxa foi a do grupo de pessoas de 25 a 49 anos de idade (6,9% e 3,6%, respectivamente).
Se considerado o grau de escolarização, a participação é maior entre os que têm nível superior completo (8,1%) do que os que não têm instrução ou têm o fundamental incompleto (2,9%). Para a analista de Trabalho e Rendimento do IBGE, Alessandra Brito, este aumento "pode ser por causa do maior acesso à informação da população graduada, que sabe onde realizar esse tipo de trabalho, uma vez que as pessoas com nível superior completo costumam estar melhor inseridas no mercado, com mais tempo livre, e podem por isso mesmo ter uma maior conscientização frente aos menos escolarizados".
Vínculo com associações
A maioria dos que desempenham trabalho de voluntariado mantém vínculos com instituições, 91% do total. Pelos dados, 79,8% das pessoas que realizaram trabalho voluntário o fizeram em congregação religiosa, sindicato, condomínio, partido político, escola, hospital ou asilo. O percentual de vínculo com instituições reduziu 1,7 ponto percentual de 2016 para 2017. Regionalmente, o Centro-Oeste apresentou o maior percentual (86,1%), enquanto o Sul teve o menor (74,8%).
Por outro lado, aumentou em 0,6 ponto o percentual de realização de trabalho voluntário vinculado associação de moradores, associação esportiva, organização não governamental (ONG), grupo de apoio ou outra organização, fechando em 13% em 2017.
Para aprimorar a pesquisa, Alessandra ressaltou que é necessária uma maior disseminação do conceito de trabalho voluntário. "Muitas pessoas ainda relacionam voluntariado a apenas fazer algo para um asilo ou uma organização não governamental. Precisamos lembrar que levar a vizinha ao médico, ajudar um amigo com alguma tarefa ou ficar com a neta do vizinho para ele ir trabalhar também são exemplos de trabalho voluntário individual", disse, em referência aos 9% que se voluntariam sem estar vinculados a instituição.
EBC

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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Combater a desigualdade



A histórica concentração de renda, um dos mais graves problemas enfrentados pela sociedade brasileira, continua a assombrar os especialistas. Eles insistem que, somente com melhor distribuição da riqueza, será possível consolidar um modelo de crescimento econômico e social que guinde o Brasil à situação comparável à de nações do mundo desenvolvido. Os governos se sucedem e os mais ricos ficam mais ricos, e os pobres mais pobres, aumentando a desigualdade, sem que seja encontrada uma solução para a triste realidade.

Mesmo com o fim da recessão e o começo da recuperação econômica no ano passado, o país ainda tinha mais de 10 milhões de cidadãos vivendo, em média, com R$ 40 por mês, o que demonstra a gravidade da questão. O que chama a atenção dos especialistas é que, em 2016, no auge da estagnação da economia, essas mesmas pessoas recebiam mensalmente, em média, R$ 49. Isso significa que em um ano os brasileiros mais pobres ficaram 18,4% mais miseráveis.

Dados divulgados recentemente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o grupo de 1% mais ricos recebeu 36,1% vezes o rendimento dos 50% de brasileiros mais pobres. O certo é que a informalidade no mercado de trabalho contribuiu para a concentração de renda, pois tem menos gente trabalhando com carteira assinada, o que influencia fortemente o rendimento da população economicamente ativa.

O aumento da desigualdade se deu em quatro regiões do Brasil, entre 2016 e 2017. Somente o Sudeste apresentou uma ligeira queda no Índice de Gini (indicador que mede a desigualdade no bolso), referente à renda média real domiciliar per capita. O ligeiro recuo na concentração de renda se deve à precarização do emprego, que afetou postos mais bem qualificados e remunerados do mercado de trabalho. Indiscutível que a queda da desigualdade na região mais desenvolvida do país se deu porque todos ficaram mais pobres. Portanto, nada a comemorar.

Outra constatação que chamou a atenção dos pesquisadores foi sobre a importância da escolaridade no mercado de trabalho. Ficou demonstrado a íntima relação dos valores dos salários com o grau de instrução dos trabalhadores. O mercado premia quem mais estuda, fato que tem de ser levado em consideração quando da formulação de políticas de valorização e de aporte de recursos públicos em educação.

Apesar da dura realidade apresentada pela Pnad, as perspectivas são de que haja uma melhora este ano, com a retomada do crescimento econômico que se desenha, principalmente na indústria e no setor de serviço, que empregam mais. Mas isso não basta para o equacionamento da desigualdade. Toda sociedade tem de se envolver, urgentemente, num projeto de âmbito nacional para resolver a questão da concentração de renda, que tanto mal faz à nação.
Correio Braziliense
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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Uber notifica 156 mil brasileiros de vazamento de dados em 2016



A Uber começou a notificar os 156 mil brasileiros afetados pelo vazamento dos dados da empresa, em 2016. No email enviado aos usuários, a companhia admite que o nome, o endereço de e-mail e o telefone celular associado à conta foram expostos. A empresa de corridas compartilhadas afirma que os especialistas contratados pela empresa não identificaram indícios de download de histórico de locais de viagens, de números de cartão de crédito e conta bancária nem das datas de nascimento.

Além disso, afirma também não ter identificado nenhuma fraude ou uso indevido dos dados. “Mas queremos garantir que você tenha conhecimento do que ocorreu, já que envolve informações suas”, afirma no e-mail enviado aos afetados.
“Nenhum usuário específico precisa tomar nenhuma medida. No entanto, estamos monitorando sua conta para proteção adicional contra fraudes”, diz a nota enviada por email.
À época do vazamento a Uber foi acusada de ter pago hackers para ocultar a falha por mais de um ano. A empresa pagou R$ 100 mil para os hackers destruírem os dados roubados dos 57 milhões de usuários.
ACORDO

Os brasileiros foram notificados após acordo firmado entre a Uber e a Comissão de Proteção de Dados Pessoas do
Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). O MPFDT enviou ofício à Uber em 23 de janeiro no qual pedia que a empresa esclarecesse o impacto do vazamento nos clientes brasileiros. Em nota, a Uber informa que decidiu notificar os clientes afetados após a notificação do MPFDT.
“Continuamos a monitorar as contas afetadas — embora não exista nenhuma indicação de que tenha havido fraude ou uso inadequado de informações relacionadas a esse incidente”, afirma em nota enviada à Folha.
Na nota enviada pela Uber aos clientes, a empresa pediu desculpa pelo que ela classifica como “incidente”.

Íntegra do e-mail enviado aos usuários afetados

Os grifos são da Uber:
Como você sabe, a UBER descobriu um incidente de segurança que ocorreu em 2016. Tratamos deste tema com muita seriedade e trabalhamos com uma empresa especialista terceirizada para entender o impacto do ocorrido. Não identificamos nenhuma fraude ou uso indevido relacionado ao incidente, mas queremos garantir que você tenha conhecimento do que ocorreu, já que envolve informações suas.
Para a quase totalidade dos usuários e motoristas-parceiros afetados, a informação exposta incluiu nome, endereço de e-mail e telefone celular associado à sua conta antes ou durante 2016. Em alguns casos, a informação exposta também incluiu dados coletados ou criados para usuários pela UBER, como os números internos de identificação. Nossos especialistas externos não identificaram nenhum indício de download de históricos de locais de viagens, números de cartões de crédito, números de contas bancárias ou datas de nascimento.
Você pode estar certo de que quando o incidente ocorreu, nós tomamos todas as medidas imediatas para proteger os dados, impedir qualquer acesso futuro não autorizado e aumentar nossa segurança de informação. Nenhum usuário específico precisa tomar qualquer medida. No entanto, estamos monitorando sua conta para proteção adicional contra fraudes. Não há ação alguma requerida no seu lado, mas encorajamos nossos usuários a regularmente verificar se há qualquer questão com suas contas. Este e-mail está sendo enviado apenas para seu conhecimento.
A UBER se desculpa pelo incidente. Nós temos orgulho em representar da melhor forma possível os interesses de nossos usuários e motoristas-parceiros no Brasil e estamos comprometidos em manter a integridade e segurança de sua informação pessoal.
O que aconteceu
Em novembro de 2016, a UBER tomou conhecimento que dois agentes externos tiveram acesso a determinados dados de usuários armazenados em um provedor terceirizado. Acreditamos que tal acesso não autorizado começou em 13 de outubro de 2016 e foi encerrado em 15 de novembro de 2016.
Os arquivos acessados por tais agentes continham informações que usamos para operar nossos serviços. Para a quase totalidade de usuários, isto incluiu nome, e-mail e telefone celular associado à sua conta em 2016. Nossos especialistas externos não identificaram que dados de históricos de viagem, data de nascimento ou informações de pagamento foram acessadas ou baixadas.
Caso queira entrar em contato sobre esse assunto, entre na seção Ajuda dentro do seu app, clique em Mais > Questões legais, de privacidade e outras dúvidas > Perguntas sobre o incidente de segurança de dados ocorrido em 2016.

Gazeta do Povo
 
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terça-feira, 17 de abril de 2018

O Brasil que queremos



A maior rede de televisão brasileira está estimulando a população brasileira a se expressar sobre o Brasil que cada um deseja — “O Brasil que eu quero". Os depoimentos estão sendo exibidos nos telejornais. Aparentemente, a população está reagindo e enviando vídeos com curtas mensagens. São desabafos de uma conjuntura que podem nos levar a retrocessos, perdas de conquistas, perda da soberania e a conflitos sociais. A lista de desejos é longa: educação de qualidade, água encanada, saneamento, redução da violência, emprego para todos, um país sem desigualdade social, respeito aos idosos, corrupção zero, consolidação de valores éticos e morais, preservação da natureza etc.. Essa lista de desejos e sonhos vem crescendo. Como expressado por Sêneca: “Os desejos da vida formam uma corrente cujos elos são as esperanças". Sobre os sonhos, Carl Jung assim se expressou: “Sonhos são realizações de desejos ocultos e são ferramentas que buscam o equilíbrio pela compensação. É o meio de comunicação do inconsciente com o consciente”.
A preocupação com o futuro e com o legado que deixaremos para as próximas gerações deveriam pautar as nossas ações no presente. Esquecemos que somos mortais e que nosso compromisso maior é com os nossos descendentes. No Brasil, não temos tradição de planejar a longo prazo. Nossos projetos se limitam a quatro ou oito anos de um governo e a maioria deles não são realizados.
No segundo semestre de 2015, foi instituído o Movimento 2022 O Brasil que queremos, uma parceria entre a Universidade de Brasília — por meio do Núcleo de Estudos do Futuro — e a ONG União Planetária. Os princípios e valores do movimento são: 1) Absoluta liberdade de pensamentos; 2) Atuação suprapartidária, suprarreligiosa e supraideológica; 3) Em todos os estudos, deve perpassar uma postura ética e humanista; 4) Priorização do diálogo, em uma atuação com maturidade, buscando o outro e encontrando o denominador comum.
O movimento pretende envolver os jovens na construção de um Brasil melhor. Inicialmente, foram feitas parcerias com instituições de ensino superior do Distrito Federal (IFE, UCB, Iesb, UniCeub, UDF e Unipaz) e com Instituições envolvidas em boas causas e ações: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/Brasília), Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF), Todos pela Educação (TPE/SP). Recentemente, o movimento selou parceria com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que congrega 67 universidades públicas e com a Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), à qual universidades estão associadas. O Movimento tomou então uma dimensão nacional e iniciou uma parceria com a Comissão Senado do Futuro na realização de 12 audiências públicas em 2018.
Foram criados 12 grupos de estudos que promovem eventos e produtos com o principal objetivo de definir caminhos baseados no conhecimento científico e visão humanista para a construção de uma pátria digna para o povo brasileiro. Os grupos em atividades são: 1) Ciência e Tecnologia; 2) Construção Geográfica dos Espaços; 3) Ecologia e Sustentabilidade; 4) Educação; 5) Etica; 6) Meios de Comunicação; 7) Paz e Direitos Humanos; 8) Primeira Infância; 9) Política; 10) Relações Internacionais; 11) Saúde e 12) Social Econômico.
Em uma verdadeira democracia, o Estado deve priorizar os desejos e sonhos do povo. Um modelo de desenvolvimento baseado apenas no desenvolvimento econômico é incompleto. Crescimento econômico sem desenvolvimento social resulta em falta de inclusão, indignação e descontentamento e agitação social. É urgente conquistarmos uma educação que consolide valores e virtudes e que inclua uma educação ambiental e libertária sem espaço ao individualismo, à competição, ao consumismo e ao mercado sem regras sociais. É preciso que haja um diálogo entre a política e a economia para que se coloquem ao serviço da vida, especialmente da vida humana. Para conquistarmos o Brasil que queremos é preciso mudar o pensamento e as atitudes das pessoas. É pertinente lembrar o pensamento de George Bernardo Shaw: “Progresso é impossível sem mudança, e esses que não podem mudar suas mentes não podem mudar coisa nenhuma”.
Correio Braziliense


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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Força-tarefa da Lava-Jato critica Gilmat Mendes



A força-tarefa da Lava-Jato reagiu aos ataques do ministro Gilmar Mendes ao Ministério Público Federal (MPF) na última quarta-feira, quando ele disse que “a corrupção chegou à Procuradoria-Geral da República”. Em nota, os procuradores disseram estar surpreendidos com a atitude do ministro, que, segundo eles, agiu com “absoluta falta de seriedade”. As críticas ocorreram no plenário do STF durante o primeiro dia de julgamento do habeas corpus do ex-ministro Antonio Palocci, na última quarta, e foram respondidas ontem, no segundo dia de julgamento.

A equipe da Lava-Jato criticou a declaração do ministro dizendo que ele teria “desbordado o equilíbrio e a responsabilidade exigidos pelo seu cargo”. Os procuradores reclamaram que Gilmar fez acusações genéricas e sem provas sobre a atuação do MPF e, especialmente, contra o procurador da República Diogo Castor de Mattos. Diogo é irmão de Rodrigo Castor, advogado que defende um dos investigados na operação.

Na carta de repúdio, os procuradores de Curitiba afirmaram que Diogo não atuou em nenhum dos casos ou processos envolvendo o cliente de Rodrigo, João Santana de Cerqueira Filho. Essa decisão foi tomada por conta própria, destaca o documento. “Indo além das exigências éticas e legais da magistratura, comportamento esse que o próprio ministro Gilmar Mendes não observou quanto ao seu impedimento em medidas judiciais relativas ao investigado Jacob Barata Filho”.

A nota também diz que o acordo de colaboração de Santana com a PGR foi fechado em 8 de março de 2017, bem antes de o escritório Delivar de Matos e Castor assumir a defesa do empresário, em 17 de abril. No dia das acusações, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou nota repudiando as declarações do ministro. Gilmar também citou o caso do ex-procurador Marcelo Miller, ex-chefe de gabinete do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Miller tinha acesso a informação privilegiada e foi acusado de colaborar com os irmãos Joesley e Wesley Batista. Ele pediu exoneração para advogar para a família Batista.
Correio Brasiliense
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domingo, 15 de abril de 2018

Governo brasileiro decide conceder visto humanitário a haitianos



O governo brasileiro decidiu conceder tratamento prioritário a haitianos que desejam vir morar no Brasil. Em portaria publicada na segunda-feira (9) no Diário Oficial da União (DOU), o governo determina a "concessão de visto temporário e da autorização de concessão de residência para fins de acolhida humanitária”.
O visto será emitido exclusivamente pela embaixada brasileira em Porto Príncipe, capital do Haiti, e permitirá a concessão de residência temporária de dois anos no Brasil, passível de transformação em residência por prazo indeterminado ao final desse período. O tratamento vale também para apátridas residentes no Haiti.
Segundo definição do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) ,os apátridas são pessoas que não têm sua nacionalidade reconhecida por nenhum país. Isso ocorre por várias razões, como discriminação contra minorias na legislação nacional, falha em reconhecer todos os residentes do país como cidadãos quando este se torna independente ou conflitos de leis entre países.
A decisão sobre os haitianos regulamenta o visto temporário para acolhida humanitária, um recurso previsto na Lei de Migração, que entrou em vigor no ano passado. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que novas regulamentações “poderão ser publicadas oportunamente para contemplar situações concretas”.
O ministério também destacou que a medida permitirá a manutenção da política humanitária brasileira no Haiti no campo migratório, que totaliza mais de 60 mil vistos concedidos desde 2012, de forma a continuar contribuindo com o processo de reconstrução daquele país.
Além do Itamaraty, a portaria é assinada pelos ministérios da Justiça, da Segurança Pública e do Trabalho.
EBC

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sábado, 14 de abril de 2018

Brasil tem mais de 86 mil pedidos de refúgio em tramitação; venezuelanos lideram



O Brasil tem mais de 86 mil pedidos de reconhecimento de refúgio acumulados, segundo dados do relatório Refúgio em Números, do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). Em todo o mundo, existem mais de 2,8 milhões de solicitações semelhantes e 22,5 milhões de pessoas já consideradas refugiadas.
No Brasil, a nacionalidade com o maior número de solicitações em trâmite é a venezuelana (33%). Até agora, apenas 18 venezuelanos foram reconhecidos nesta condição, sendo quatro em 2015 e 14 em 2016. Em geral, essa população é tratada como imigrante. Isto porque, segundo a legislação brasileira, são refugiados apenas aquelas pessoas que têm que sair de seu país de origem devido à perseguição política ou religiosa.
O Ministério da Justiça explica que o crescimento de pedidos deve-se à crise naquele país e que a abordagem dada aos cidadãos venezuelanos ainda não foi definida pelo governo federal. “A questão da Venezuela é muito recente ainda. Há questões que estão sendo analisadas. O Conare ainda não decidiu o caso porque estão tramitando pedidos no comitê", disse o secretário de justiça Luiz Pontel de Souza.
Balanço
Em 2017, a população venezuelana foi a que mais solicitou reconhecimento da condição de refugiado. Foram 17.865 pedidos, o que equivale a 53% de todas as 33.866 solicitações recebidas no ano passado. Roraima, que mais tem recebido venezuelanos, concentra 47% dos pedidos. Depois está São Paulo (28%), estado que historicamente recebe muitos estrangeiros. 
Em relação à origem, as nações com maior número de pedidos foram, além da Venezuela, foram Cuba (2.373 pedidos), Haiti (2.362) e Angola (2.036). Ao todo, o Conare reconheceu 587 refugiados em 2017, sendo 310 sírios e 106 originários da República Democrática do Congo. Das pessoas reconhecidas, 44% têm entre 30 e 59 anos, 33% estão na faixa etária entre 18 e 29 anos e 14% têm entre 0 e 12 anos. A maior parte de refugiados é formada por homens (71%).
Estrutura
A existência desse número grande de pedidos acumulados decorre, dentre outros fatores, de dificuldades estruturais. Atualmente, 13 profissionais do ministério trabalham diretamente na análise dos pedidos. De acordo com o Conare, o tempo entre a solicitação e a resposta oficial é de, em média, dois anos.
O secretário de Justiça Luiz Pontel de Souza informou que, “para superarmos essa dificuldade, está sendo desenvolvido um novo sistema informatizado, que vai dar celeridade, segurança e confiabilidade na análise dos processos”. Além disso, apontou que estão sendo requisitados mais servidores e firmados convênios com universidades para que possam auxiliar na tradução da documentação.
Refugiados no Brasil
Nos últimos sete anos, o Brasil reconheceu 10.145 pessoas como refugiadas. Em guerra há sete anos, a Síria é o país com maior população de refugiados no Brasil. Ao todo, foram 2.771 reconhecimentos.
Atualmente, mais de 5.100 dessas pessoas permanecem vivendo no território nacional. Do mesmo modo que no quesito solicitações, neste a população síria é a mais frequente, chegando a 35% do total de refugiados que vivem no Brasil com registro ativo.
O coordenador-geral do Conare, Bernardo Laferté, explicou que o estudo não detalhou os motivos para que as outras pessoas tenham deixado de ser oficialmente refugiadas, mas apontou algumas possibilidades, como mudança de país, naturalização como brasileiro ou outra nacionalidade, pedido de cessação da declaração ou morte.
Xenofobia
Questionado sobre a ocorrência de práticas xenófobas em Roraima, o secretário de Justiça afirmou que houve “incidentes” e que isso “preocupa”, mas que ações têm sido tomadas pelos diversos órgãos para garantir direitos à população migrante e também sua efetiva inserção na sociedade brasileira. Ele também disse que a legislação do país é reconhecida internacionalmente por ser amigável em relação aos refugiados.
EBC

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sexta-feira, 13 de abril de 2018

A bancada pluripartidária da corrupção



O discurso lulopetista da vitimização se torna cada vez mais caricato à medida que inquéritos e processos, em diversas instâncias, atingem outros partidos.
Entre os venenos lulopetistas destilados para servir de antídoto aos efeitos políticos da desarticulação pela Lava-Jato do esquema de corrupção na Petrobras, está a lenda de que tudo se resume a uma conspiração para destruir o PT e seu líder carismático Lula, por ousarem defender os pobres.

Nesta overdose de conspirações estaria até a CIA, braço do imperialismo ianque sequioso atrás do petróleo do pré-sal. Não houvessem voltado os americanos a ser um dos maiores produtores de petróleo do planeta, com a exploração do gás de xisto.

A patética 'denúncia' feita por Lula, sábado, de cima do carro de som, antes de ser preso, de que 'eles' não querem que pobre coma e ande de avião ilustra bem esta tática. Chega a ser cômico, mas funciona junto a multidões desinformadas, facilmente enganadas por populistas. O resultado das urnas em certas regiões do país serve como prova irrefutável da eficácia do truque.

A ampliação de investigações e desdobramentos de processos antigos desmentem a versão lulista desta história da carochinha. Pois já é claro, há tempos, que não são apenas petistas que têm sido alcançados neste arrastão anticorrupção de caráter pluripartidário.

Pode ter havido alguma resistência em São Paulo, onde o
Ministério Público estadual não demonstra, ou demonstrava, a mesma agilidade que o MP federal em outros estados para investigar tucanos, donos do Palácio dos Bandeirantes desde a década de 1990.

Mas agora o eterno argumento petista de que nada é feito contra os tucanos paulistas começa a perder ainda mais força, com a prisão decretada pela Justiça Federal do ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. Atuando na estatal paulista que gerencia e licita a construção e exploração de estradas, Paulo Preto teria sido importante canal de financiamento do caixa 2 tucano.

A prisão tem a ver com a denúncia de um desvio de R$ 7,7 milhões de obras no estado, durante o governo de José Serra. Também foram descobertos milhões em contas de Paulo Preto na Suíça. Tucanos e petistas vão se equivalendo.

Outra evidência do nivelamento ético por baixo dos dois partidos é que o ex-governador de Minas Eduardo Azeredo, protagonista do mensalão tucano, revelado pelo GLOBO, precursor do petista, foi condenado em segunda instância e terá o último recurso julgado no dia 24. Poderá ser preso, como Lula. Azeredo renunciou à cadeira de deputado federal, para fugir do julgamento no
STF. A manobra funcionou, mas só em parte.

Ainda entre os tucanos, na semana que vem o Senador Aécio Neves, também mineiro, pode virar réu no Supremo, no caso das relações nada republicanas - incluindo conversas telefônicas - com Joesley Batista, da JBS.

Por uma coincidência que reforça a desconstrução do cacoete persecutório do lulopetismo, além de o próprio emedebista Michel Temer estar arrolado nas investigações sobre falcatruas no Porto de Santos, amigos do presidente acabam de ser declarados réus no processo chamado de forma sugestiva de 'o quadrilhão do PMDB'. Os amigos são José Yunes e o coronel Lima. O PT não pode mais se sentir isolado. E não é de hoje.
O Globo


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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Cenário eleitoral mais complexo eleva riscos



Rua Professora Sandália Monzon, 210, 4º andar, Santa Cândida, Curitiba. Esse é o novo endereço de Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, que iniciou no sábado, na Superintendência da Polícia Federal na capital do Paraná, o cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex em Guarujá, São Paulo. A exclusão do nome do ex-presidente na "cédula" de presidenciáveis, em outubro, embora tema controverso, é fragmento de um cenário de complexidade crescente e, não necessariamente, promotor do reequilíbrio de forças políticas até as eleições.

Lula está fora de circulação, mas pensa em se livrar das grades rapidamente. Expoentes do PT convocam "vigília permanente" pela soltura do ex-presidente que, em discurso feito em São Bernardo do Campo, no sábado, passou como tarefa imediata à militância intensificar mobilizações, como notou Cesar Felício, colunista e editor de Política do Valor. Em análise sobre esse discurso, o jornalista avalia que Lula deixou claro que não é necessário ter mandato para dar as cartas no partido e que ele trouxe para suas mãos, mesmo preso, a tarefa de apontar os rumos da sigla, o que hoje equivale a arbitrar a escolha de um candidato para substitui-lo na eleição deste ano.

Pré-candidatos (ou quase) ao comando do Palácio do Planalto encerraram a semana marcando posição - caso de Marina Silva e Joaquim Barbosa. A ex-ministra do Meio Ambiente lançou, pela terceira vez, sua pré-candidatura à presidência da República durante o Congresso Nacional do Rede também realizado no sábado, em Brasília. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (
STF) assinou sua filiação ao PSB na sexta à noite e o passo seguinte é iniciar negociações por sua candidatura ao cargo majoritário. O apresentador Luciano Huck reiterou a uma seleta plateia reunida na Brazil Conference, em Boston (EUA), que desistiu (de fato) de candidatar-se à presidência, mas pretende montar um "shadow cabinet" com uma "agenda do Arminio ao Agora ao Renova".

Câmbio é variável que pode sucatear as expectativas

Com a posse do ex-ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (
BNDES) nesta segunda-feira, o presidente Michel Temer dá início a uma série de cerimônias de alocação de novos titulares nas pastas cujos ministros originais optaram por disputar as eleições em outubro. Não é pouca gente.

Ministro da Fazenda até sexta-feira, quando anunciou sua saída da pasta em entrevista coletiva, Henrique Meirelles adiantou que não pretende ser candidato a vice-presidente - possibilidade aberta por Temer em caso de candidatura ao segundo mandato - e disse não haver possibilidade de ser "candidato a governador ou senador". Na semana passada, Meirelles filiou-se ao MDB com o objetivo de tornar-se o candidato da legenda à presidência da República.

Conforme apurou o jornalista Fabio Graner, na sexta-feira, em franca conversa com Meirelles, Temer teria colocado que ainda não tem certeza sobre a conveniência de se candidatar - mas indicou que não adianta Meirelles achar que a cabeça de chapa cairá em seu colo. Entre profissionais de mercado e apoiadores de Meirelles, essa informação despertou a suspeita de que o prestigiado ex-presidente do Banco Central em dois mandatos do ex-presidente Lula rifou a perspectiva de um futuro político que sempre cobiçou e também a oportunidade de patrocinar uma reforma, para valer, da Previdência Social.

A promoção de Eduardo Guardia, secretário-executivo do
Ministério da Fazenda, para o comando da pasta no lugar de Meirelles atende à preferência manifestada pelos participantes do mercado financeiro, mas não sugere ampliação de apostas no encaminhamento de novos itens de uma agenda reformista. O ano de 2018 acabou, embora até as eleições dados correntes possam piorar muito ou - resultado menos provável - melhorar muito. Na prática, ganha corpo a expectativa de aumento da volatilidade em frequência e escala.

Conforta a constatação de que a inflação e a taxa básica de juros (Selic) estão em patamares historicamente baixos. Contudo, não há garantia de que esses patamares são imutáveis. Correções podem ocorrer aceleradamente a depender, principalmente, da trajetória da taxa de câmbio. O preço do dólar é variável-chave a se monitorar para não ser surpreendido por eventual guinada de expectativas.

Não à toa, o Banco Central dará início nesta segunda-feira às rolagens de contratos de swap cambial com vencimento em 2 de maio, quanto expira um total de US$ 2,565 bilhões. Na sexta, o dólar encerrou os negócios cotado a R$ 3,3669, após encostar em R$ 3,38 - nível mais elevado em quase um ano e meio. A escalada refletiu apreensão de atores externos com a disputa travada entre EUA e China por protagonismo em uma guerra comercial e também com a indefinição eleitoral no Brasil que parece longe de acabar.

Os cenários econômicos em construção tendem a extremos com a incerteza política. Seis meses - período que falta para as eleições - é tempo suficiente para que ocorram mudanças com impacto em 2019, primeiro ano de gestão do futuro presidente por quem, hoje, ninguém botaria a mão no fogo.

Em 2014, quando ocorreu a última eleição presidencial no Brasil e a ex-presidente Dilma Rousseff foi reeleita com pequena vantagem sobre o tucano Aécio Neves, o dólar valorizou quase 10% em relação ao real. A inflação agarrou-se ao teto do regime vigente no Brasil.

Em 2015, com a credibilidade do governo em forte queda, o dólar subiu 46,7%, sendo que 28% desse total foram contabilizados em quatro meses, de junho a setembro. Em mais quatro meses - de novembro de 2015 a fevereiro de 2016 - a inflação, em 12 meses, ultrapassou 10%. A Selic avançou a 14,25%, onde permaneceu por quase um ano e meio. Com Dilma na rota do impeachment, o dólar caiu quase 11% de janeiro a maio de 2016; de maio a agosto, quando o Senado aprovou o afastamento definitivo de Dilma, essa queda se aprofundou em mais 9,7%. Abriu-se aí a oportunidade de corte da Selic seguida pela queda livre da inflação.

Angela Bittencourt, no Valor Econômico



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quarta-feira, 11 de abril de 2018

R$ 55,3 milhões são torrados com cafezinho



Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Ministério Público e da Defensoria Pública da União (DPU), gastam, pelo menos, R$ 55,3 milhões por ano com café e com o serviço de copeiragem nos órgãos públicos.
Pode parecer pouco diante do deficit público de 12 dígitos do governo federal. Mas em lugar nenhum do mundo é uma quantia insignificante. De acordo com especialistas, há um forte efeito simbólico na cifra, pois é muito dinheiro para algo que não traz benefícios diretos à população. E está longe de ser o único item supérfluo e caro. Por isso, o Correio dá início a uma série de reportagens sobre pequenos custos que fazem falta para a melhoria dos serviços públicos.
Com dados da ONG Contas Abertas, foi possível identificar gastos de, ao menos, R$ 20,7 milhões só com a compra dos grãos do
café. A totalidade das despesas com o produto não foi encontrada, porque muitos pedidos dos órgãos vinham acompanhado de outras mercadorias, como chás, galões de água, impossibilitando a separação das despesas. O custo com cafezinho, portanto, pode ser muito maior.
Nesse montante de R$ 20,7 milhões, estão incluídos, além dos órgãos do governo federal, a Advocacia-Geral da União (AGU), as Forças Armadas, os conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público, a Defensoria Pública da União (DPU), o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União (TCU) e as Justiças do Trabalho, Federal, Militar e Eleitoral.
O Correio também fez uma estimativa de quanto foi gasto com o serviço de copeiragem nos ministérios em 2017. Com base em dados das licitações das pastas da Educação (MEC), das Cidades e dos Direitos Humanos, a Esplanada teve despesa de quase R$ 29 milhões com esse item. O MEC comunicou, em nota, que reduziu em 30% o contrato de copeiragem no ano passado. 'Atualmente, o valor é de R$ 1,1 milhão, enquanto o de 2017 foi de R$ 1,7 milhão', informa. O serviço envolve contratação de pessoal, como copeira, cozinheiro, carregador, garçom e outros, além de vestuário para os profissionais.
Estendendo o cafezinho para o Legislativo, a Câmara dos Deputados tem um contrato de R$ 663,48 mil por ano para custeio apenas da bebida. A assessoria de imprensa da Casa justifica que há cerca de 18,2 mil funcionários trabalhando no local, 171 estagiários, 480 jovens do programa Pró-adolescente e os 513 deputados. 'O total de pessoas que circulam na Casa varia de acordo com a agenda legislativa e com o tema das propostas em discussão, podendo chegar a 26 mil, nas terças e quartasfeiras, se o Plenário votar matérias mais polêmicas', informa. Já no Senado, o gasto é de R$ 530 mil para a compra do café e de materiais de apoio, como garrafas térmicas e colheres.
No Judiciário, o gasto também é substancial, principalmente nas despesas com copeiragem. O Supremo Tribunal Federal (STF) gastou R$ 60,8 mil com a compra do produto e de R$ 4 milhões para o pagamento do serviço de copeiragem. De acordo com a Corte, há 2.317 mil servidores e terceirizados trabalhando no local.
No Superior Tribunal de Justiça (STJ), a assessoria de imprensa destaca que o órgão reduziu os gastos que envolvem o cafezinho no ano passado. O consumo anual caiu 15,3%, entre 2016 e 2017. 'Sendo assim, o tribunal reduziu a quantidade comprada no período, de 39.174 kg para 33.167 kg, resultando em uma economia de cerca de 10% para os cofres públicos', destaca.
A despesa saiu de R$ 192,8 mil, em 2016, para R$ 172,1 mil no ano passado. Segundo a assessoria, o desperdício passou de 20 litros de café para dois litros. 'Atualmente, o STJ conta com 5.117 colaboradores, entre servidores, terceirizados e estagiários. Dentro desse contingente, há 38 garçons', informa.
Pequeno significativo
Para um país que teve deficit fiscal de R$ 124 bilhões em 2017, R$ 55 milhões não resolveriam o problema. Mas especialistas explicam que, mesmo não sendo uma cifra considerada 'importante', não quer dizer que não há necessidade de controle por parte dos gestores.
José Matias-Pereira, professor de finanças públicas da Universidade de Brasília (UnB), explica que a administração pública tem inúmeros gastos que 'passam de maneira despercebida' e que, eventualmente, ficam camuflados dentro do Orçamento. De acordo com ele, mesmo que o volume de recursos seja pequeno nas, a soma de gastos 'ínfimos' vira 'uma grande despesa'.
'Nós ainda temos um longo caminho para avançar no controle das despesas do setor público. Seria interessante um sistema centralizado de controle para fazer compras mais inteligentes. É uma forma de investir em processo de modernização para evitar desperdícios', afirma Matias-Pereira. 'Quando se compra em excesso, uma parte, certamente, vai se deteriorar, estragar. São questões que podem ser melhoradas. O grande problema é a má gestão', completa.
O economista Gil Castello Branco, secretáriogeral da ONG Contas Abertas, considera que R$ 55,3 milhões não é um valor desprezível. 'Não há despesa pequena que resolva o deficit de R$ 159 bilhões esperado para este ano. Pode acabar com os gastos com o cafezinho, que não fazem nem cócegas no rombo fiscal', diz. 'Mas é importante ter essa percepção do que é gasto e quais são as prioridades do governo. O Ministério do Planejamento tem diminuído alguns desses custos, como diárias de servidores, passagens aéreas, gastos com transportes. Mas é preciso ter um empenho ainda maior de toda a Esplanada', completa o especialista. A pasta não respondeu os questionamentos do Correio.
Diagnóstico fiscal
Para comparar, R$ 55,3 milhões equivalem a 733 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, que poderiam beneficiar mais de 1,5 mil pessoas. Além disso, o valor equivale a 57 mil vezes o salário mínimo e 124 mil cestas básicas. Recentemente, o Ministério da Educação anunciou investimento semelhante para um novo câmpus de Tecnologias Avançadas da Universidade Federal de Pernambuco.
O economista Alex Agostini, analista da Austin Rating, destaca que esses dados demonstram como o desperdício de dinheiro público na administração federal é generalizado. 'Se só o gasto do cafezinho atinge essa cifra, imagina benefícios que existem no Congresso Nacional, no Judiciário. A moral fiscal está longe de chegar aos Três Poderes', alega. 'E, com isso, faltam recursos para áreas importantes, como saúde, educação e segurança, está última passando por um problema enorme no Rio de Janeiro', completa.
Agostini defende que a discussão, antes de chegar ao cafezinho, deve passar pelos fatos que realmente oneram os cofres públicos. 'É preciso fazer uma lista do que mais pesa nas contas e, então, implementar um ajuste conforme o que foi diagnosticado', diz. 'É preciso rever benefícios, como ajuda de custo para moradia a parlamentares e a juízes, que é resultado do corporativismo que existe no país. É claro que vamos chegar até o cafezinho, mas é preciso, primeiro, criar a moral fiscal', acrescenta.

Por HAMILTON FERRARI ESPECIAL PARA O CORREIO, no Correio Braziliense

terça-feira, 10 de abril de 2018

Um ano após Lista de Fachin, apenas um dos políticos é réu no STF



Dos 83 inquéritos abertos pelo Supremo contra deputados, senadores e ministros a partir das delações da Odebrecht, 76 estão inconclusos
Doze meses depois de o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a abertura de 83 inquéritos contra 108 alvos, com base nas delações de ex-executivos da empreiteira Odebrecht, apenas um político teve denúncia recebida na Corte. Entre os processos que envolvem detentores do chamado foro privilegiado, 91% (76) ainda estão inconclusos.

Revelados pelo jornal O Estado de S. Paulo em 11 de abril do ano passado, os despachos de Fachin autorizando a abertura dos inquéritos datam do dia 4 do mesmo mês. As decisões acolheram pedido do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que solicitou ainda a quebra de sigilo das investigações.

Até agora, apenas uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os inquéritos foi acatada no STF: a contra o líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR). O parlamentar tornou-se réu no Supremo em 13 de março deste ano, após decisão unânime da Primeira Turma da Corte.

Alvo de uma ação penal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Jucá é investigado pelo suposto recebimento de R$ 150 mil em propina da Odebrecht para facilitar a aprovação de duas medidas provisórias. O senador nega todas as acusações.

Entre os inquéritos em tramitação no STF, cinco já foram arquivados por prescrição da pena. Os processos envolviam os senadores Marta Suplicy (MDB-SP) e Garibaldi Filho (MDB-RN), além dos deputados federais Jarbas Vasconcelos (MDB-PE), José Reinaldo Tavares (sem partido-MA) e Roberto Freire (PPS-SP).

Em uma das investigações, o Supremo declinou a competência para a segunda instância. Após pedir demissão do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços em 3 de janeiro, Marcos Pereira (PRB) perdeu o foro por prerrogativa de função e teve o seu processo remetido ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

A maioria dos inquéritos encontra-se atualmente na PGR, após pedido de vista, e na Polícia Federal, para a realização de diligências. Outros, como o processo contra o ministro do
Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo, estão parados no gabinete dos magistrados relatores.

Apesar do único réu no âmbito do Supremo, as delações da Odebrecht embasaram parte da segunda denúncia enviada por Janot ao Congresso Nacional contra o presidente Michel Temer (MDB). No processo, barrado após votação na Câmara, Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) foram acusados de integrar o chamado 'quadrilhão do PMDB' (nome anterior do MDB). O processo está 'congelado' até o fim do mandato de Michel Temer.

Em março, Fachin autorizou, a pedido da PGR, a inclusão do presidente no inquérito contra Padilha e Moreira Franco que investiga o pagamento de propina no valor de R$ 10 milhões da empreiteira Odebrecht ao MDB em 2014.

Tempo

Embora pouco expressivos, os números que demonstram o andamento dos processos com base em delações da Odebrecht no STF são condizentes com a velocidade de tramitação na Corte. Segundo o relatório Supremo em Números, da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), o prazo médio para conclusão de um inquérito em 2016 foi de dois anos e meio (797 dias).

'Nunca tinha acontecido no Brasil uma concentração tão alta de pessoas com foro sofrendo imputações criminais no STF. A partir do momento que isso ganhou um grande volume, ficou evidente a pouca capacidade do Supremo para dar vazão a esse tipo de procedimento', explica o professor de direito penal e processual penal do Centro Preparatório Jurídico (CPJUR) Leonardo Pantaleão.

Segundo Pantaleão, para dar maior celeridade aos processos, é necessário que a legislação sobre o foro por prerrogativa de função seja alterada. 'Em casos de foro, o STF deve conduzir o procedimento a partir do zero. É impossível esperar a mesma velocidade de varas menos burocratizadas', diz.

A restrição do benefício é tema de uma ação em tramitação no próprio Supremo. Até o momento, oito dos 11 magistrados votaram por limitar o alcance do foro para deputados federais e senadores. Após devolução do pedido de vista do ministro Dias Toffoli, o processo aguarda ser pautado pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia.

Distrito Federal

Embora nenhum político brasiliense esteja na lista dos inquéritos enviados por Edson Fachin ao STF, pedidos de investigações referentes a ex-governadores, parlamentares e obras locais foram encaminhados pelo ministro à Justiça Federal do Distrito Federal (JFDF) e do Paraná (JFPR), bem como ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Os processos também avançam a passos lentos.

1/4 O ex-governador José Roberto Arruda é alvo de duas investigações envolvendo as delações da Odebrecht: recebimento de R$ 966 mil para a campanha de 2014 e irregularidades no BRT Sul de Brasília Agência Brasil/Arquivo

2/4 Também ex-governador, Agnelo Queiroz é acusado de ter recebido R$ 1 milhão via caixa 2, em 2010, para viabilizar o Centro Administrativo do DF (Centrad) Dênio Simões / GDF

3/4 O deputado distrital Robério Negreiros (PSD) foi acusado por delatores de ter recebido R$ 50 mil da empreiteira para a campanha de 2014 Rafaela Felicciano/Metrópoles

4/4 Gim Argello, ex-senador pelo DF, foi preso preventivamente em 12/4/2016 e permanece detido. Teria recebido R$ 2,8 milhões da Odebrecht para defender interesses da empreiteira junto ao governo federal (do qual foi líder no Senado) e ao Legislativo: Gim teria articulado para que a empresa não fosse convocada a CPIs Rafaela Felicciano/Metrópoles

À JFDF, foram enviadas os casos envolvendo os ex-governadores Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda. Enquanto o primeiro é investigado por ter supostamente recebido R$ 1 milhão via caixa 2, em 2010, para viabilizar o Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), o segundo é alvo de dois procedimentos: um sobre suposto repasse não contabilizado de R$ 966 mil para a campanha de 2014, outro sobre irregularidades na apresentação de proposta de cobertura na licitação do BRT Sul de Brasília.

As investigações sobre Agnelo e Arruda correm em sigilo no Ministério Público Federal do DF. Nenhuma denúncia foi ofertada até o momento. Os casos também não foram arquivados.

Os depoimentos envolvendo o deputado distrital Robério Negreiros (PSD) foram remetidos ao TRF-1. O político foi apontado por delatores como destinatário de R$ 50 mil oferecidos pela Odebrecht para a campanha de 2014. Em julho do ano passado, a Procuradoria Regional da República da 1ª Região solicitou o arquivamento do caso, que foi enviado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Atualmente cumprindo pena em Curitiba, o ex-senador Gim Argello é acusado de ter interferido em favor do Grupo Odebrecht no contexto da CPI e da CPMI da Petrobras, instaladas no Congresso Nacional. O processo foi enviado à JFPR.

Também foram objeto de petição do ministro Edson Fachin as investigações relativas ao Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha - supostamente alvo de acordo firmado entre as construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez -, ao processo licitatório do Centrad e a propinas envolvendo o empreendimento Jardins Mangueiral.

Congresso Nacional

No Senado e na Câmara dos Deputados, que abrigam a maioria dos políticos alvos de inquérito a partir das delações da Odebrecht, as consequências dos processos são nulas. Nenhuma das duas Casas abriu procedimentos nos respectivos Conselhos de Ética para investigar ou punir acusados.

Na atual legislatura (2015-2018), apenas dois parlamentares tiveram seus mandatos cassados: o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o senador Delcídio do Amaral.

Outro lado

Procurada pelo Metrópoles, a defesa do ex-governador Agnelo Queiroz afirmou que o posicionamento do político continua o mesmo - ele nega as irregularidades - e só comentará o caso a partir de novas movimentações.

O deputado distrital Robério Negreiros (PSD) afirmou já ter solicitado o arquivamento do caso ao Ministério Público. Segundo ele, a vantagem indevida relatada nas delações de ex-executivos da Odebrecht não existe. O parlamentar classificou os fatos descritos nos depoimentos como 'uma infelicidade'.

O Metrópoles tentou contato com o senador Romero Jucá e com as defesas de José Roberto Arruda e de Gim Argello, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço está aberto para manifestações.

Confira os alvos iniciais dos inquéritos da Lista de Fachin:

Senador da República Romero Jucá Filho (MDB-RR)

Senador da República Aécio Neves da Cunha (PSDB-MG)

Senador da República Renan Calheiros (MDB-AL)

Ministro da Casa Civil, Eliseu Lemos Padilha (MDB-RS)

Ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD)

Senador da República Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)

Deputado federal Paulinho da Força (SD-SP)

Deputado federal Marco Maia (PT-RS)

Deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP)

Deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RM), presidente da Câmara

Deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA)

Deputado federal Milton Monti (PR-SP)

Governador de Alagoas, Renan Filho (MDB)

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Wellington Moreira Franco (MDB)

Deputado federal Bruno Cavalcanti de Araújo (PSDB-PE)

Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB)

Ex-ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Marcos Antônio Pereira (PRB)

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Borges Maggi (PP)

Ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho (MDB)

Senador da República Paulo Rocha (PT-PA)

Senador da República Humberto Sérgio Costa Lima (PT-PE)

Senador da República Edison Lobão (MDB-PA)

Senador da República Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

Senador da República Jorge Viana (PT-AC)

Senadora da República Lidice da Mata (PSB-BA)

Senador da República Ciro Nogueira (PP-PI)

Senador da República Dalírio José Beber (PSDB-SC)

Senador da República Ivo Cassol (PP-RO)

Senador da República Lindbergh Farias (PT-RJ)

Senadora da República Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

Senadora da República Kátia Regina de Abreu (MDB-TO)

Senador da República Fernando Afonso Collor de Mello (PTC-AL)

Senador da República José Serra (PSDB-SP)

Senador da República Eduardo Braga (MDB-AM)

Senador da República Omar Aziz (PSD-AM)

Senador da República Valdir Raupp (PMDB-RO)

Senador da República Eunício Oliveira (MDB-CE)

Senador da República Ricardo Ferraço (PSDB-ES)

Deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA)

Deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA)

Deputado federal Mário Negromonte Jr. (PP-BA)

Deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA)

Deputado federal Jutahy Júnior (PSDB-BA)

Deputada federal Maria do Rosário (PT-RS)

Deputado federal Ã'nix Lorenzoni (DEM-RS)

Deputado federal Vicente 'Vicentinho' Paulo da Silva (PT-SP)

Deputado federal Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)

Deputada federal Yeda Crusius (PSDB-RS)

Deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)

Deputado federal José Reinaldo (PSB-MA), por fatos de quando era governador do Maranhão

Deputado federal João Paulo Papa (PSDB-SP)

Deputado federal Vander Loubet (PT-MS)

Deputado federal Rodrigo Garcia (DEM-SP)

Deputado federal Cacá Leão (PP-BA)

Deputado federal Celso Russomanno (PRB-SP)

Deputado federal Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)

Deputado federal Pedro Paulo (MDB-RJ)

Deputado federal Lúcio Vieira Lima (MDB-BA)

Deputado federal Daniel Vilela (MDB-GO)

Deputado federal Alfredo Nascimento (PR-AM)

Deputado federal Zeca Dirceu (PT-SP)

Deputado federal Betinho Gomes (PSDB-PE)

Deputado federal Zeca do PT (PT-MS)

Deputado federal Vicente Cândido (PT-SP)

Deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ)

Deputado federal Fábio Faria (PSD-RN)

Deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI)

Deputado federal Beto Mansur (PRB-SP)

Deputado federal Antônio Brito (PSD-BA)

Deputado federal Décio Lima (PT-SC)

Deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP)

Ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo Filho

Governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD)

Governador do Acre, Tião Viana (PT)

Prefeita de Mossoró/RN, Rosalba Ciarlini (PP), ex-governadora do estado

Valdemar da Costa Neto (PR), ex-deputado federal e ex-prefeito de Mogi das Cruzes (SP)

Luís Alberto Maguito Vilela, ex-senador da República e prefeito de Aparecida de Goiânia entre os anos de 2012 e 2014

Edvaldo Pereira de Brito, então candidato ao cargo de senador pela Bahia nas eleições 2010

Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig)

Senador da República Antônio Anastasia (PSDB-MG)

Cândido Vaccarezza, ex-deputado federal pelo PT

Guido Mantega, ex-ministro

César Maia (DEM), vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-deputado federal

Paulo Bernardo da Silva, então ministro de Estado

Eduardo Paes (MDB), ex-prefeito do Rio de Janeiro

José Dirceu (PT), ex-ministro

Deputada estadual em Santa Catarina Ana Paula Lima (PT-SC)

Napoleão Bernardes, prefeito municipal de Blumenau/SC

João Carlos Gonçalves Ribeiro, que então era secretário de Planejamento do estado de Rondônia

Advogado Ulisses César Martins de Sousa, à época Procurador-Geral do Estado do Maranhão

Rodrigo de Holanda Menezes Jucá, então candidato a vice-governador de Roraima, filho de Romero Jucá

Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio Neves

Eron Bezerra, marido da senadora Vanessa Grazziotin

Moisés Pinto Gomes, marido da senadora Kátia Abreu, em nome de quem teria recebido recursos

Humberto Kasper

Marco Arildo Prates da Cunha

Vado da Famárcia, ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho

José Feliciano

Deputado federal Roberto Freire (PPS)

Senadora da República Marta Suplicy (MDB-SP)

Senador da República Eduardo Amorim (PSDB-SE)

Senadora da República Maria do Carmo Alves (DEM-SE)

Senador da República Garibaldi Alves Filho (MDB-RN)

Senador da República José Agripino Maia (DEM-RN)

Deputado federal Jarbas de Andrade Vasconcelos (MDB-PE)

Deputado federal Paes Landim (PTB-PI)

Deputado federal Felipe Maia (DEM-RN)

Márcio Toledo, arrecadador das campanhas da senadora Marta Suplicy
Metrópoles
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