terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Rouba e não faz


Sei que o clima ainda é de Natal e que, portanto, deveria estar escrevendo abobrinhas politicamente corretas, tipo elogiar o tardio pacote de bondades natalinas do Temer para reativar a economia (só se for a dele), que promete, entre outras coisas, baixar em 50% os juros indecentes do cartão de crédito de 475% (!!!) para “módicos” 237,5%, mas não resisto.
Adhemar de Barros, duas vezes governador do Estado São Paulo, ficou famoso com o slogan “rouba, mas faz”. A bem da verdade histórica, queiram ou não, Adhemar foi o homem que colocou São Paulo no rumo do desenvolvimento: foi um tocador de obras. Durante suas gestões, São Paulo experimentou um ciclo de expansão e de modernização, enquanto nós, os gaúchos, andávamos devagar quase parando. Diziase que a única maneira de fazer São Paulo parar seria importando nosso governador Ildo Meneghetti.
Meio século depois, estamos diante de um quadro semelhante, mas ao contrário. Hoje todo mundo rouba, mas ninguém faz. Roubam de todas as formas que se possa imaginar - e muitas delas vão além da nossa imaginação. Roubam da União, estados e municípios, grandes ou pequenos; há prefeitos presos ou que não poderão assumir porque estão sendo procurados pela polícia; vereadores encarcerados, como os 12 dos 15 de Foz do Iguaçu. Roubam até na merenda escolar e, a mais recente novida de, roubam royalties da extração de minérios.
Vejam a última do Tribunal de Contas da União: mandou parar 31 obras federais para investigar o uso ilegal de dinheiro público envolvendo 23 bilhões de reais. Elas vão se incorporar ao imenso patrimônio de obras inacabadas, que faz do Brasil o campeão mundial nessa modalidade de escândalo. Nessa terra onde cantava o sabiá (roubaram o alpiste dele), políticos prometem construir fontes onde não há água e pontes onde não há rio. Isso me faz lembrar do ministro Mario Henrique Simonsen, que dizia que se o governo pudesse pagar só 5% de comissão, mas não ser obrigado a construir a obra, o Brasil seria um dos países mais ricos do mundo... Hoje ele ficaria estupefato. Os números atuais são mirabolantes. A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que obviamente ainda não está terminada, foi orçada em 16 bilhões, mas já está em 30; a Refinaria Abreu e Lima era para custar a bagatela de 2,4 bilhões de dólares, já está em 18,5 e vai passar dos 20; a Ferrovia Norte Sul foi orçada em 4,2 bilhões e virou uma ferrovia fantasma.
O Brasil está nas manchetes internacionais como o reino da Corrupção. Era também da impunidade, mas agora a onça está começando a beber água e os meliantes estão indo para a cadeia, sendo processados e transformados em réus, inclusive o expresidente Lula, que já está com cinco na cabeça, “traído” que foi pelos sócios Emilio e Marcelo Odebrecht.
Esta má fama não está afetando somente os empresários e políticos que chafurdam no esquema criminoso, mas denegrindo a imagem de outros que não têm nada a ver com isso. Basta ler a piada que está circulando.
Donald Trump quer a Casa Branca pintada! O chinês pediu 3 milhões. O português pediu 7 milhões. O brasileiro pediu 10 milhões.
Trump perguntou ao chinês como iria fazer? Ele disse: 1 milhão para tinta, 1 milhão de mão de obra e 1 milhão de lucro.
Já o português respondeu: 3 milhões para tinta, 2 milhões de mão de obra e 2 milhões de lucro. Ele então perguntou ao brasileiro, que disse: 4 milhões para mim, 3 milhões para você e 3 milhões que vou dar ao chinês para pintar. Risos à parte, não dá para deixar de homenagear o bom velhinho, ainda que ele tenha estado em nossas casas com o saco vazio. Segundo a arenga governamental, ele virá em 2017 com o saco cheio, talvez tão cheio como o meu. Como a esperança é a última que morre, temos que continuar acreditando que Deus é brasileiro. E trabalhar muito (se conseguirmos emprego) para que o futuro seja melhor. Afinal, “o Brasil tem jeito, só depende da gente”, frase que usei na campanha pela revisão constitucional de 1992, que fiz com o Instituto Atlântico e a Força Sindical. 
Foi o meu maior fracasso como publicitário, já que não conseguimos mudar absolutamente nada e o texto de 1988 ficou intacto, criando os problemas que todos nós estamos vivenciando. Há quem diga que este ano de 2016 deve ser esquecido, de tão ruim que foi. Não é o meu caso. Para mim este ano foi glorioso e será lembrado para sempre como o ano que o Grêmio ganhou pela quinta vez a Copa do Brasil, o que prenuncia um 2017 ainda melhor: seremos campeões da Libertadores. O Papai Noel será azul. Quanto ao Brasil, não sei... Vêm aí as delações da Odebrecht.

Por Flávio Faveco Corrêa, no Correio Popular/SP
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Autor de tiroteio em Zurique era suíço e adepto do ocultismo

Polícia cerca local em Zurique (Foto: Arnd Wiegmann/Reuters)

O autor do ataque realizado na última segunda-feira (19), contra uma sala de orações muçulmana em Zurique, norte da Suíça, era um suíço de 24 anos, conhecido pelos serviços policiais e adepto do ocultismo - crença na influência dos poderes sobrenaturais ou supranormais. As informações foram transmitidas pela polícia nesta terça-feira (20).
Falando à imprensa, os investigadores revelaram que o agressor se suicidou perto do local do crime, depois de ferir a tiros três fiéis. O assassino, cuja identidade não foi revelada pela polícia, foi identificado graças a uma amostra de DNA recolhida há sete anos após um roubo de bicicleta.
"Ignoramos por ora seus motivos. Foram achados em sua casa vários objetos vinculados ao ocultismo", declarou a chefe da polícia do cantão de Zurique, Christiane Lentjes Meili.
Outro assassinato
O autor do tiroteio também teria matado a facadas um jovem no último domingo (18), em um parque de Zurique. A vítima era conhecida do agressor.
Segundo os investigadores, nada faz supor que esses dois casos estejam ligados ao terrorismo ou à extrema-direita.
Quando questionada por um jornalista turco sobre a coincidência do tiroteio com o atentado em Berlim e o assassinato do embaixador da Rússia em Ancara, Meili Lentjes respondeu que, segundo a polícia, "não há ligação entre esses ataques".
Perfil do agressor
Os investigadores ainda não sabem se o assassino sofria de problemas psicológicos. A polícia acredita que ele vivia sozinho, mas vai continuar a sua investigação para compreender melhor a sua personalidade, principalmente em relação ao ocultismo e às motivações que teriam o levado a cometer os crimes.
O homem, funcionário de uma loja, pediu demissão na sexta-feira (17), segundo Meili Lentjes.
Tiroteiro em Zurique
Vestido de roupas escuras, cabeça coberta com um gorro de lã, o agressor entrou na segunda-feira (19), por volta das 17h30 (14h30 de Brasília), em uma sala de oração de um centro islâmico localizado na rua Eisgasse, perto da estação de trem de Zurique.
Ele disparou vários tiros, ferindo três pessoas, de 30, 35 e 56 anos. O agressor fugiu a pé. Um corpo foi encontrado algumas centenas de metros de distância, sob uma ponte na margem de um rio, mas ainda não há a confirmação de que tenha relação com o crime.
As três vítimas foram operadas e estão fora de perigo, segundo a polícia, que não forneceu nenhuma informação sobre sua identidade. O centro islâmico é frequentado diariamente por dezenas de fiéis vindos especialmente do Magrebe, Somália e da Eritreia, de acordo com a imprensa suíça.
A polícia não forneceu informações sobre a arma usada pelo atirador. No entanto, os investigadores salienteram que ele tinha licença válida para portar tal arma.
Na Suíça, os homens que tenham concluído o serviço militar podem guardar suas armas em casa, como reservistas, um direito que às vezes gera polêmica na imprensa, especialmente quando usadas em tragédias familiares e outros casos.
Precedentes
Esta não é a primeira vez que os centros islâmicos são o alvo de ataques na Suíça.
Em 2004, uma tragédia semelhante ocorreu em Lausanne (oeste). Um francês de origem tunisiana esfaqueou um imã libanês no momento da pregação, na qual participavam cerca de 200 pessoas.
O homem foi reconhecido penalmente irresponsável por seus atos após um exame psiquiátrico. Ele foi internado.
Em 2007, um suíço de 23 anos muçulmano, considerado pelas autoridades como psicologicamente perturbado, abriu fogo nas instalações do Centro Islâmico de Crissier (perto de Lausanne), ferindo gravemente um fiel.
Ele utilizou a arma e munição que o exército suíço havia lhe fornecido como um reservista.
 Por France Presse
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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

2016: O ano com mais mortes de imigrantes e refugiados no mundo

A média é de 20 mortes por dia, o que indica que o número total ainda pode aumentar entre 200 e 300 até o fim do ano. EFE/Yannis Kolesidis

Ao todo, 7.189 refugiados e imigrantes ilegais faleceram este ano em sua jornada rumo a uma vida melhor, o número total mais alto já registrado pela Organização Internacional de Migrações (OIM).
Esse número representa uma média de 20 mortes por dia, o que indica que o número total de falecimentos de refugiados e imigrantes ilegais ainda pode aumentar entre 200 e 300 até o fim do ano, afirmou a OIM em comunicado.
"É possível que muitas mortes passem despercebidas e não sejam registradas pelos governos ou pelos agentes humanitários", afirma a organização.
O total de vítimas contabilizadas pela OIM foi de 5.267 em 2014 e 5.740 em 2015, muito abaixo dos quase 5.740 deste ano. Segundo dados da organização, todas as rotas de migração - o Mediterrâneo, o norte e o sul da África, a África central e a fronteira entre México e Estados Unidos - registraram mais falecimentos em 2016 do que em 2015.
Da mesma forma como nos dois últimos anos, as rotas que ligam o norte da África, o Oriente Médio e a Europa contabilizaram 60% das mortes de refugiados e imigrantes ilegais no mundo todo. Assim, as rotas do Mar Mediterrâneo foram as mais fatais, dado que 4.812 pessoas faleceram ao tentar atravessar.
A OIM também denuncia que centenas de imigrantes ilegais e refugiados perderam a vida no continente americano, especialmente na fronteira entre México e Estados Unidos, onde 176 corpos foram encontrados durante o ano. Por outro lado, na América Latina foram contabilizados 90 falecimentos a mais do que em 2015.
Em Darien, floresta entre Colômbia e Panamá e rota usada para ir da América Central aos Estados Unidos, tirou pelo menos 30 vidas, a maioria cubanos. Além disso, a OIM aponta à morte de seis pessoas que se afogaram em Chiapas (México) enquanto se dirigiam para o litoral americano.

 EFE
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Lava Jato conclui depoimentos dos 77 delatores da Odebrecht



Uma sala isolada, trancada, no terceiro andar do prédio principal do Supremo Tribunal Federal, está sendo preparada. É onde vai ficar toda a documentação dos acordos de delação premiada de executivos e ex-executivos da Odebrecht, 77 no total.
Só o ministro Teori Zavaski, relator da Lava Jato no Supremo, assessores e juízes da equipe dele terão acesso.
Como os delatores depuseram mais de uma vez cada um, os procuradores colheram mais de 800 depoimentos dos ex-executivos. O trabalho foi concluído nesta madrugada, tudo foi gravado em vídeo.
O material será encaminhado ao Supremo na segunda-feira (19), o último dia de trabalho antes do recesso no Judiciário. Ou seja, um tempo absolutamente curto para que tudo seja analisado antes do recesso, o que é considerado atípico.
Mesmo assim, o ministro Teori tentará o possível para que, ainda na segunda-feira, viabilize um esquema que permita a ele ter condições de analisar tudo na volta do recesso, em fevereiro, para que possa decidir nos primeiros dias se homologa ou não os acordos.
Teori, dada a exiguidade de tempo, vai tentar que juízes auxiliares, durante o mês de janeiro, analisem e cataloguem tudo e, principalmente, ouçam os 77 ex-executivos da Odebrechet, na presença dos advogados, e sem a participação dos procuradores, para que eles confirmem se falaram por livre e espontânea vontade.
É uma exigência da lei que instituiu a delação premiada e que o ministro tem seguido em todas as homologações. A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, deve ajudá-lo na composição da equipe que vai trabalhar durante o recesso.
Nesta fase, o ministro Teori Zavaski, como manda a lei, não analisa o conteúdo dos depoimentos, mas verifica os aspectos formais dos acordos: se foi respeitado o direito de defesa, se a redução de pena prometida está conforme a lei e se não houve coação de nenhum tipo para que os delatores aceitassem falar.
Se achar que em algum dos 77 acordos falta alguma informação ou se algo contraria a lei, o ministro pode devolver o acordo para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para complementação. Durante toda a lava jato, o ministro Teori só recusou um acordo de delação, pedindo mais informações, mas elas nunca chegaram.
Só depois que os acordos forem homologados é que o procurador-geral da República vai decidir o que deve ser investigado.
Há muita expectativa no meio político, porque essas delações envolvem no esquema a maior quantidade de parlamentares desdo o início da Lava Jato.

 G1

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Para aproveitar o seu tempo  


Para aproveitar o seu tempo, selecionamos títulos para os mais variados públicos - de crianças a amantes de literatura.

Divirta-se a valer e recarregue as baterias. Não deixe de colocar a leitura em dia, cuide de manter atualizada a sua biblioteca e – jamais se esqueça, o bom presente é aquele que ensina uma lição e dura para sempre; por isso, habitue-se a adquirir livros também para presentear.

Veja a seguir as nossas sugestões de leitura. Basta clicar no título desejado e você será levado ao site com mais informações:

1) Coleção Educação, Teatro e Folclore
Dez volumes abordando 19 lendas do folclore brasileiro.



2) Coleção infantil
Dez volumes abordando temas variados do universo infanto-juvenil.



3) Coleção Educação, Teatro e Democracia
Quatro volumes abordando temas como democracia, ética e cidadania.



4) Coleção Educação, Teatro e História
Quatro volumes abordando temas como independência e cultura indígena.



5) Coleção Teatro greco-romano
Quatro volumes abordando as mais belas lendas da mitologia greco-romana.



6) O maior dramaturgo russo de todos os tempos: Nicolai Gogol – O inspetor Geral



7) O maior dramaturgo da literatura universal: Shakespeare – Medida por medida



8) Amor de elefante



9) Santa Dica de Goiás



10) Gravata Vermelha



11) Prestes e Lampião



12) Estrela vermelha: à sombra de Maiakovski



13) Amor e ódio



14) O juiz, a comédia



15) Planejamento estratégico Quasar K+



16) Tiradentes, o mazombo – 20 contos dramáticos



17) As 100 mais belas fábulas da humanidade



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AS OBRAS DO AUTOR QUE O LEITOR ENCONTRA NAS LIVRARIAS amazon.com.br: 

A – LIVROS INFANTO-JUVENIS: 

I – Coleção Educação, Teatro e Folclore (peças teatrais infanto-juvenis): 

II – Coleção Infantil (peças teatrais infanto-juvenis): 
Livro 8. Como é bom ser diferente 

III – Coleção Educação, Teatro e Democracia (peças teatrais infanto-juvenis): 

IV – Coleção Educação, Teatro e História (peças teatrais juvenis): 

V – Coleção Teatro Greco-romano (peças teatrais infanto-juvenis): 

B - TEORIA TEATRAL, DRAMATURGIA E OUTROS
VI – ThM-Theater Movement: 

domingo, 18 de dezembro de 2016

Como o desastre de Mariana fez com que um professor brasileiro fosse indicado a 'Nobel da Educação'

 
Em cinco anos dando aulas na rede estadual do Espírito Santo para alunos do ensino fundamental e médio, Wemerson Nogueira acumula prêmios regionais e estaduais
O capixaba Wemerson Nogueira tem apenas 26 anos, mas já dá conselhos aos colegas professores de escola pública sobre como tornar a experiência em sala de aula mais rica e eficiente: "Deem voz aos alunos e permitam-se aprender com eles".
Em cinco anos dando aulas na rede estadual do Espírito Santo para alunos do Ensino Fundamental e Médio, ele acumula prêmios pelos projetos educativos que desenvolveu. E agora, é um dos 50 finalistas do Global Teacher Prize, considerado o "Nobel da educação".
É a segunda vez que brasileiros fazem parte da lista de finalistas divulgada pela ONG Varkey Foundation.
Em 2016, além de Wemerson, o professor amazonense Valter Pereira de Menezes também é considerado para o prêmio de US$ 1 milhão, entregue a "um professor excepcional que tenha feito uma contribuição extraordinária para a profissão".
O nome do vencedor será anunciado em março, durante um evento em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Para Wemerson, que ensina Química e Ciências na cidade de Boa Esperança, o segredo do sucesso está em motivar os alunos, descobrindo como eles gostariam que o conteúdo fosse abordado na sala de aula - ou fora dela.
"Desde 2014, a primeira coisa que faço com meus alunos é mostrar o plano de ensino daquele ano para eles e trocamos ideias sobre como estudar aqueles conteúdos. Por exemplo: 'Como vocês querem aprender a tabela periódica?'", disse à BBC Brasil.
"Eles dão ideias, eu anoto tudo no quadro. Depois temos uma roda de conversa para debater o que é viável e o que não é. Em seguida, falo com meu diretor sobre o que quero fazer. Sempre tive apoio dos meus diretores."
Todos os anos, no início das aulas, Wemerson ouve os alunos sobre como eles querem aprender o conteúdo da disciplina

Rio Doce
Wemerson ficou famoso no Estado na primeira escola em que trabalhou, ao criar um projeto de paródias musicais para ensinar o conteúdo de Química de todo o ano letivo. "Foram mais de 40 músicas, com samba, funk, pagode, era uma loucura na escola. Fico até emocionado lembrando", diz.
Além de discutir conteúdos e métodos de ensino, o professor também criou músicas de paródia para facilitar o aprendizado de química
"Tenho uma aluna que foi aprovada em Medicina na Universidade Federal do Espírito Santo cantando. Ela cantava os conteúdos de Química e Biologia durante a prova, e foi aprovada em segundo lugar."
No início das aulas em 2016, em sua consulta com os alunos da 8ª série da Escola Estadual Antônio dos Santos Neves, ele percebeu o impacto do rompimento da barragem em Mariana, que havia ocorrido em novembro de 2015.
"Estamos muito perto de Colatina (MG) e de Linhares (duas das cidades atingidas pela lama que desceu o rio Doce). Os alunos só falavam disso e queriam aulas práticas de Química. Então pensei em levá-los para fazer uma pesquisa científica de campo, em Regência (ES)."
"Os alunos choravam muito ouvindo as histórias dos moradores afetados pela lama. Aí não era mais só entender a Química, era tentar ajudar a população. Voltamos para a escola transformados", relembra.
Após fazer parcerias com laboratórios, os alunos fizeram análises de amostras da água do rio Doce para estudar os elementos da tabela periódica - entre eles, os metais pesados encontrados no rio. Um deles teve a ideia de desenvolver um filtro para purificar a água usada pelos moradores.
"É um filtro à base de areia que deixa a água transparente, própria para o uso doméstico e agrícola, porque é 75% potável, com base em uma portaria do Ministério da Saúde", explica Wemerson.
"Levamos os filtros para a comunidade de Regência, muitos ribeirinhos que não tinham água para nada receberam o filtro. Agora ele está sendo replicado em diversas comunidades e ficou conhecido nacionalmente. Nós fomos a primeira escola pública a tomar uma atitude em prol das 3 milhões de pessoas afetadas pela tragédia do Rio Doce."
Alunos de Nogueira foram até o rio Doce recolher amostras para análise e distribuíram filtros de água para famílias ribeirinhas
O projeto "Filtrando as lágrimas do Rio Doce" deu ao professor seu primeiro prêmio nacional, o Educador Nota 10, concedido aos dez melhores educadores do Brasil. A partir daí, ele passou a sonhar com o reconhecimento internacional.
"Uma amiga me marcou numa postagem sobre o prêmio no Facebook e me disse: 'Já imaginou, Wemerson? Ser o melhor do mundo?"
Primeiro aluno
Segundo o Ministério da Educação, apenas 2% dos jovens brasileiros que saem do Ensino Médio querem ser professores. Mas Wemerson teve seu primeiro "aluno" ainda na 6ª série do Ensino Fundamental - uma estratégia para melhorar seu comportamento em sala de aula.
"Eu era muito hiperativo, conversava para chamar a atenção e às vezes atrapalhava a aula. Então os professores começaram a me colocar para trabalhar na sala sendo monitor dos colegas. Mas isso foi uma coisa tão dinâmica e tão gostosa, porque eles me colocavam em aulas de Ciências, de Química, que eram as que tinham mais experiências", conta.
Ao monitorar um colega de classe ainda na 6ª série do ensino fundamental, Wemerson diz ter se apaixonado pela profissão de educador
"Tinha um aluno, Tiago, que tinha muitas dificuldades na escola, por conta de problemas com a família: drogas, violência doméstica, problemas financeiros. Nós éramos próximos e os professores me colocaram para ajudá-lo. Comecei a pegar um amor em fazer algo pelo próximo, a entender a importância de estudar e o sentido de estar em sala de aula."
A experiência como monitor do amigo desde a 6ª série até o Ensino Médio é o que Wemerson considera seu primeiro triunfo na educação e sua inspiração para fazer com que outros jovens queiram seguir a profissão.
A história dos dois é mencionada diversas vezes na conversa com a reportagem e foi relatada pelo professor na inscrição para o Global Teacher Prize.
"As notas dele melhoraram, meu comportamento melhorou. Ele também acabou virando professor, de Educação Física, e está super feliz com a minha indicação para finalista do prêmio. Ficou muito emocionado."
'Guerreiro'
O capixaba já sonha alto com o prêmio de US$ 1 milhão, caso seja selecionado. A Fundação Nogueira, que ele pretende criar, vai oferecer bolsas a alunos do Ensino Médio que queiram tornar-se professores - um incentivo para uma carreira em que baixos salários e pouca infraestrutura são citadas como motivos para não seguir.
Se ganhar o prêmio global, professor quer ensinar outros docentes a trabalhar o conteúdo das disciplinas por meio de projetos
"Quero investir com a orientação pedagógica de especialistas aos professores para transformar a nossa educação. Eles vão orientar os professores sobre como desenvolver projetos, como dar sentido à vida dos alunos dentro da escola. Quero mostrar a eles que projetos dão certo. Desde 2012 eu só ensino assim e tenho resultado muito positivo", afirma.
Nos planos está também um laboratório de Ciências e Tecnologia em sua cidade natal, Nova Venécia, que possa ser utilizado por professores de todas as escolas do município para aulas práticas fora do ambiente escolar.
Com o dinheiro restante, Wemerson quer investir na própria formação, e conhecer as experiências de outros países. "Quero conhecer a educação precária, difícil e batalhadora em países da África e também a educação avançada, da Finlândia."
Sua chegada aos 50 melhores do mundo, diz ele, deveria ser exemplo para o país. "Eu me sinto um guerreiro sendo professor. A educação está vivendo um momento muito difícil com a aprovação dessa PEC (55, que determina que os gastos com políticas sociais, em especial educação e saúde, sejam apenas corrigidos pela inflação do ano anterior dentro dos próximos 20 anos, não recebendo aumento conforme previsto na Constituição de 1988)."
"Os professores de escola pública precisam de investimento dobrado e merecem uma boa estrutura. A educação não pode ser paralisada para que futuramente venha a ter investimentos melhores. O investimento precisa ser priorizado agora, nesse momento", afirma.
"Quero poder dizer ao país: 'Olha, o Brasil tem professor de escola pública que acredita na educação e quer inovar'."
Experiência de sair da sala de aula e conhecer famílias afetadas pelo rompimento da barragem em Mariana foi transformadora, diz professor

Por Camilla Costa, da BBC Brasil
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Nesta peça teatral o autor discute as candentes questões que envolvem a educação no país, e o faz quebrando a rigidez e a complexidade dos temas enfocados, tornando-os – através de uma abordagem lúdica e criativa - de simples compreensão. 
Neste contexto, são evidenciados, no enredo, problemas que estão a comprometer a educação: o volume dos recursos orçamentários alocados; a qualidade do ensino; a pedagogia modelada pela ideologia; cotas e valores; a gestão, a democratização e a sustentabilidade do sistema; dentre outros. 
Para quebrar o clima que reflexões sobre assuntos de tamanha importância carregam, a trama é desenvolvida com profusão de cenas hilárias, quadros divertidos, personagens pitorescas, explorando o humor leve e inteligente, característica das comédias gregas encenadas na antiguidade. Para saber mais, clique aqui.