quarta-feira, 27 de julho de 2016

Guimarães Rosa e Manuelzão: a amizade de oito dias que gerou uma obra de 60 anos


Lá se vão 60 anos desde que o sertão mineiro ganhou o mundo pela literatura de Guimarães Rosa. Mas Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, publicados em 1956, podem na verdade ter nascido quatro anos antes, quando o escritor mineiro organizou uma boiada para entender melhor a cultura sertaneja. Nessa aventura, Guimarães Rosa registrou lugares, palavras, expressões e personagens. Entre tantos vaqueiros que se juntaram à empreitada, um pode ter sido definitivo para as obras roseanas: Manuelzão.

A cruzada teve origem na Fazenda Sirga, a 60 quilômetros de Andrequicé, distrito de Três Marias (MG), onde Manuelzão viveu seus últimos 20 anos. Dez dias depois, o ponto de chegada foi uma fazenda em Araçaí (MG), município vizinho a Cordisburgo (MG), cidade natal de Guimarães Rosa.

A revista Cruzeiro, dos Diários Associados, publicou um relato da expedição na reportagem Rosa e seus vaqueiros, em 21 de junho de 1952. Nas fotos, Manuelzão está entre o grupo. Em sua homenagem, o escritor mineiro escreveu o conto Uma Estória de Amor, do livro Corpo de Baile, que posteriormente foi desmembrado em três volumes: Manuelzão e MiguilimNo Urubuquaquáno Pinhém e Noites do Sertão.

Manuelzão é o protagonista do primeiro volume: após a morte de sua mãe, o vaqueiro resolve atender a um pedido dela para que fosse construída uma capela em suas terras e a obra é inaugurada com uma grande festa. Guimarães Rosa mescla realidade e ficção: assim como o personagem, a capela existe e ao seu lado está o túmulo de sua mãe. Já a festa é romanceada.

Capela construída por Manuelzão em homenagem a sua mãe. A igrejinha aparece no conto Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa Léo Rodrigues/Agência Brasil 

Das páginas do conto, Manuelzão se tornou talvez o principal embaixador da obra roseana. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) o homenageou criando o Projeto Manuelzão, destinado à recuperação do Rio das Velhas. O vaqueiro foi a diversos programas de televisão e atuou em uma cena do capítulo inaugural da série Grande Sertão: Veredas, levado ao ar pela Rede Globo em 1985. Morto em 1997, seu enterro mobilizou centenas de pessoas.

Parte desse sucesso é relatado em detalhes pelo jornalista Pedro Fonseca. Sobrinho da última mulher de Manuelzão, ele se afeiçoou ao “tio torto”, como se diz em Andrequicé. Fonseca garante que Uma Estória de Amor é apenas a parte mais evidente da influência do vaqueiro na obra roseana. "Ele permeia toda a obra de Guimarães Rosa. Ele também está em Noites do Sertão e no Grande Sertão: Veredas. O Riobaldo é o Manuelzão, é bem nítido”, analisa Pedro.

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Quem conheceu o vaqueiro se surpreende com a exatidão da descrição do personagem por Guimarães Rosa, dando a impressão de um longo convívio, o que não aconteceu de fato. “A convivência deles foi de uns oito dias e nunca mais se viram. Mas uma convivência intensa, dia e noite”, diz Pedro Fonseca.

Mesmo por poucos dias, o sobrinho de Manuelzão diz não estranhar a atenção destacada que o tio recebeu de Guimarães Rosa em meio a um bando de vaqueiros. Segundo o jornalista, ele não passava despercebido. “Em 1989, eu apoiei o Brizola na campanha para presidência da República. O José Maria Rabelo, que era o presidente do PDT em Minas Gerais, me perguntou se eu poderia levar o Manuelzão para um evento com o Brizola em Belo Horizonte. Eu levei e foi uma confusão. Muita gente achou ruim que ele apareceu mais que o Brizola. Era assim: onde ele ia, ele era o astro”, relata.

Em Andrequicé, Manuelzão é conhecido como o cidadão mais ilustre que viveu no distrito. Em torno dele e de Guimarães Rosa se organiza anualmente a Semana Cultural Festa de Manuelzão, cuja edição de 2016 terminou nesse domingo (17). Famoso contador de casos, o vaqueiro está em fotos nas paredes de praticamente todos os bares do pequeno distrito. “Ele era uma pessoa humilde, contadora de casos. Mesmo a figura dele rodando o mundo, ele não se importava com dinheiro. Se convidavam Manuelzão pra um evento em Brasília e perguntavam quanto ele cobraria, ele respondia: 'nada, estou indo passear'. Manuelzão deixou um legado para Andrequicé”, diz Márcia Alves, dona de um dos bares que homenageiam o vaqueiro personagem.

Essa disponibilidade de Manuelzão foi explorada por muitos, segundo o jornalista Pedro Fonseca. “As pessoas convidavam ele para eventos de empresas onde ele era o astro, lucravam com sua aparição e lhe pagavam apenas uns trocados.”

O Memorial Manuelzão, construído na casa onde ele morou em Andrequicé, reúne pertences pessoais e documentos sobre sua relação com Guimarães Rosa. Assim como o escritor, ele também tem frases marcantes que são citadas pelos moradores: “Não tenho medo da morte porque sei que vou morrer. Tenho medo do amor falso, porque mata sem Deus querer”, dizia sempre.

Livro
Com a autoridade de quem conviveu por 40 anos com Manuelzão, o jornalista Pedro Fonseca decidiu lançar em 2007 o livro O xale de Rosa, para decifrá-lo para além da obra roseada. “No final da vida, ele virou o personagem. Deixou de ser o cidadão e virou o personagem. Mas foi também o que deu uma sobrevida a ele. Ele vivia pelo sucesso. Mas eu me interessava pelo cidadão Manuelzão. Não o personagem.”

Um fato sobre Manuelzão intrigava Pedro: ele não compartilhava as histórias de Dom Silvério (MG), na região mineira da Zona da Mata, onde nasceu. “Ele não falava nada sobre essa época. Dizia que não tinha pai, só mãe. Quando se fixou na fazenda próxima a Andrequicé, levou a mãe para morar com ele, mas não tinha contato com o restante da família. Ficou 60 anos sem visitar sua cidade e quando o fez, foi sozinho, meio escondido”, conta o jornalista. Manuelzão deixou sua cidade natal com 20 e poucos anos, no início da década de 1930. "O sonho dele era se juntar ao bando de Lampião. Quando ele estava em Pirapora (MG), ele recebeu a notícia de que Lampião tinha sido morto. Então, seguiu sua vida no sertão mineiro".

Para escrever o livro, Fonseca foi à cidade de Manuel Nardi, como se chamava Manuelzão, e descobriu que o sobrenome era de uma família grande e nobre na região. Na cidade, o jornalista passou a investigar que razões levaram Manuelzão a abandonar uma vida relativamente confortável para se embrenhar pelo sertão. Ainda no desafio de decifrar o vaqueiro, o jornalista organizou uma expedição para refazer o percurso trilhado por Guimarães Rosa e seus vaqueiros, respeitando os mesmos pontos de parada. “Nós guiamos 198 cabeças de gado. Eu precisava vivenciar essa experiência para entender como é essa vida de vaqueiro.”


Por Léo Rodrigues, na Agência Brasil 

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terça-feira, 26 de julho de 2016

José está na cadeia porque xingou o juiz



Comerciante de 62 anos brigou com magistrado após perder processo, foi condenado a 7 anos e está preso há 7 meses; ele é réu primário

José Valde Bizerra tem 62 anos e está condenado a passar os próximos sete na cadeia. Tudo porque ofendeu o juiz José Francisco Matos, da 9.ª Vara Cível de Santo André, no ABC Paulista, por e-mail e nas redes sociais. Ele não concordava com uma decisão do magistrado em ação contra o despejo de sua banca de jornal. Bizerra xingou o juiz de “vagabundo, ladrão e corrupto”.
Bizerra foi dono de uma banca de jornal na Avenida Queiroz Filho, em Santo André, por 30 anos. Em 2007, decidiu mudar o ponto para um terreno ao lado de um cemitério. Assinou contrato de locação com os proprietários da área mas, dois anos depois, sofreu ação de despejo. A prefeitura alegou que a banca não poderia ser construída em local de interesse público. Ele entrou com uma ação contra os proprietários e, em setembro de 2012, o juiz Matos deu sentença desfavorável ao jornaleiro. Ele apelou nas instâncias superiores, mas também perdeu.

Foto: Gabriela Biló/Estadão



Irmãos de José ao lado de um dos filhos do comerciante, que segura a foto do pai: jornaleiro tem direito ao semiaberto, mas nunca usufruiu do sistema
Segundo os familiares, Bizerra ficou decepcionado com a situação. De novembro de 2013 a julho de 2014, ele encaminhou e-mails para a Corregedoria do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Nos textos, reclamava do juiz e fazia várias ofensas. “Estou enviando esse e-mail para informá-lo que o considero um juiz ladrão, vendedor de sentença e que se aliou a uma quadrilha”, diz um dos textos.
Matos prestou queixa contra o jornaleiro. Durante as audiências, um acordo chegou a ser proposto, mas Bizerra não aceitou se desculpar das ofensas, e o processo seguiu. O jornaleiro ainda mandou três textos ofensivos para o e-mail pessoal do magistrado e postou vários textos contra Matos em sua página no Facebook.
Mandado de prisão. Em 15 de dezembro de 2015, a juíza Maria Lucinda Costa, da 1.ª Vara Criminal de Santo André, condenou Bizerra a 7 anos e 4 meses de prisão, além de pagamento de multa, porque, segundo ela, houve uma reiteração criminosa de oito delitos em concurso material – cada e-mail foi considerado um crime individual.
Por ser considerado pela magistrada como uma “ameaça à ordem pública”, pois afirmou que continuaria a mandar e-mails ao magistrado, entre outros motivos, a juíza expediu mandado de prisão. Bizerra foi preso no dia seguinte. Nunca mais saiu da cadeia.
Segundo o advogado Daniel Fernandes Rodrigues Silva, que defende Bizerra, a sentença é “extremamente desproporcional ao crime cometido”. “É inaceitável, nos dias de hoje, uma pessoa primária, de 62 anos, ser mandada para a cadeia por crime contra a honra. É algo que foge à normalidade do sistema Judiciário do País”, disse.
O antigo defensor de Bizerra impetrou dois habeas corpus pedindo a liberdade do jornaleiro no TJ-SP. Os desembargadores da 7.ª Câmara Criminal julgaram, no mérito, o pedido improcedente. Silva impetrou um terceiro habeas corpus que, em liminar, também foi negado. A data para o julgamento do mérito não foi marcada.
Segundo o advogado, Bizerra, embora condenado no regime semiaberto, nunca usufruiu desse sistema. “Ele ficou em Santo André, depois foi para Franco da Rocha, sempre em regime fechado, porque não havia vaga no semiaberto. Em abril, a Justiça o transferiu para Tremembé (no Vale do Paraíba). Porém, para sair durante o dia, ele precisa de emprego registrado. Quem, aos 62 anos, consegue emprego com carteira assinada?”, questionou Silva.
Bizerra é de uma família com mais oito irmãos, é divorciado e tem três filhos. Josefa Cristina Bizerra, de 46 anos, não se conforma em ver o irmão mais velho atrás das grades. “Um homem trabalhador vai para a cadeia por um crime contra a honra, porque ficou indignado com um juiz. Isso não é justo”, disse.
Mesma cela. Para piorar o drama, em dezembro, outra irmã de Bizerra, Fátima, teve a casa invadida. Ela foi agredida e ameaçada de morte. Dois adolescentes foram apreendidos e Yuri de Paula foi preso. Ele acabou na mesma cela de Bizerra.
“O ladrão começou a contar a história do roubo. Quando citou o nome da nossa irmã, o José foi tirar satisfação. Para piorar, os colegas de cela ficaram do lado do criminoso”, contou Josefa. Bizerra teve de ser isolado, no mesmo presídio.
Para o presidente da Comissão de Direito Penal da OAB-SP, Renato de Mello Jorge Silveira, que também é professor titular em Direito Penal da USP, analisando o caso em tese, seria mais razoável considerar que houve crime continuado, ou seja, os e-mails mandados por Bizerra serem apontados em um único crime, com uma única pena. “Não é possível dizer que houve equívoco na sentença, mas uma leitura mais dura do que a prudência recomenda.”
Para o criminalista Rodrigo Sanchez Rios, que é professor em Direito Penal na graduação e pós-graduação da PUC-PR, a pena é desproporcional ao crime. “Essa sentença mostra o uso desmedido da norma penal para buscar restabelecer o equilíbrio normativo alterado pelas ofensas do réu. Não é com pena privativa de liberdade que se pacificam conflitos privados.”
Recorrente. O juiz José Francisco Matos informou, por meio de nota, que pediu a abertura de mais duas ações criminais contra José Valde Bizerra, pois o réu – mesmo depois de citado e interrogado no processo que o condenou – não parou de ofender o magistrado.
“Ele não cessou sua atividade criminosa, passando inclusive a enviar e-mails para a minha conta pessoal, bem como postando manifestações, todas de caráter ofensivo e criminoso, em rede social”, afirmou.
Matos disse também que apresentou queixa-crime contra Bizerra por entender que as ofensas foram praticadas enquanto ele exercia sua função pública de magistrado.
A juíza Maria Lucinda Costa, que condenou Bizerra, não foi localizada para comentar o caso. Ela e Matos trabalham no mesmo prédio do Fórum Criminal de Santo André.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional impede que os magistrados se manifestem sobre processos que estão julgando. Em nota, a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis) disse que “a livre convicção do juiz deve ser sempre preservada, assim como o direito ao contraditório e ampla defesa, o que foi observado no caso em questão”.

Do Estadão

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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Como o comunismo usou o neon para afastar os fantasmas do stalinismo na Polônia


Havia cerca de mil painéis em uma das avenidas da cidade  (Foto: Marcia Bizotto/ BBC)Havia cerca de mil painéis em uma das avenidas da cidade (Foto: Marcia Bizotto/ BBC)
Na Polônia comunista do final dos anos 50, o colorido das luzes de neon - emblema do capitalismo no Ocidente - foi uma das armas usadas pelo regime para apagar a memória do negro período stalinista e acalmar uma população ansiosa por mudanças.
A história, pouco documentada, está conservada entre as paredes de tijolos vermelhos de uma antiga fábrica de biscoitos convertida no Museu do Neon por um casal de britânicos.
"Houve uma 'campanha de neonização' bem planejada", explicou à BBC Brasil o artista gráfico David Hill, que criou o espaço há dez anos junto com sua parceira, Ilona Karwinska, fotógrafa de origem polaca.
Hill, que pesquisou o tema durante muitos anos, afirma que a campanha foi confiada a arquitetos e artistas poloneses renomados, que tinham a missão de redefinir a paisagem urbana e a imagem visual do regime comunista.
Os neons tinham alta qualidade técnica e gráfica
"As autoridades acreditavam que, com a banalização dos painéis de neon, podiam levar um pouco da magia ocidental às cidades polonesas e satisfazer, de uma certa forma, o desejo de modernização".
Para o governo, os painéis, inteiramente concebidos e produzidos no país, funcionavam como mais uma exibição da força e do talento dos trabalhadores da República Popular da Polônia.
Hill destaca a "alta qualidade do trabalho, tanto técnico como gráfico".
"Os traços daqueles painéis da Guerra Fria são modernos até para nossa época. Para mim, são pura arte eletrográfica. Mas há uma relação fascinante entre a arte soviética e o uso que o regime fazia dela", afirma.
Havia cerca de mil painéis em uma das avenidas da cidade
'Las Vegas socialista'
Em poucos anos, a campanha de "neonização" daria a Varsóvia uma imagem noturna comparável a de grandes centros capitalistas do ocidente, como Nova York ou Las Vegas.
Entre os anos 60 e 70, a Avenida Pulawska, uma das principais artérias no sul da capital polonesa, tinha mais de mil painéis coloridos brilhando entre os blocos de concreto soviéticos de 14,5 quilômetros de extensão.
Na cidade de Poznan, a sede da Orquestra Filarmônica ganhou um painel animado de 25 metros de extensão no qual dezenas de pássaros coloridos se alternavam cantando sobre uma nota musical.
Diferentemente do Ocidente, os neons poloneses não estavam associados a marcas comerciais, mas a símbolos comunistas: um elefante rosa para a loteria nacional; a sereia, símbolo de Varsóvia, coroando um livro na entrada das bibliotecas municipais; uma vaca na porta dos centros de distribuição de leite.
"O neon era controlado pelo governo, era publicidade socialista cobrindo todas as ruas das principais cidades", observa Hill.
O museu abriga cerca de 200 painéis de neon da era pós stalinista
A abundância e variedade das placas luminosas contrastavam com os poucos produtos disponíveis nos estabelecimentos que anunciavam.
Ele cita uma pequena loja de flores "controlada por duas senhoras velhinhas que deveria ter umas oitenta plantas à venda, nada mais, e quase nenhum cliente".
"Mas a fachada da floricultura era inteiramente coberta de flores de neon coloridas. Quer dizer: tinha mais investimento no neon do que na loja em si", revela.
A sereia, símbolo de Varsóvia, coroando um livro ficava na entrada das bibliotecas municipais
Peças de museu
Os painéis de neon perderam espaço com a decadência do regime comunista durante os anos 80, e com a abertura política.
"Houve um desejo de modernização e de romper com tudo o que ligava o país ao passado comunista. Os painéis de neon eram um símbolo forte desse período. Então pouca gente tinha interesse ou dinheiro para restaurar e manter esses painéis, o que é caro e complicado. A política os criou e a política os destruiu", afirma Hill.
Foi o desejo de conservar esse aspecto da história polonesa que o levou a abrir o Museu do Neon, que reúne hoje cerca de 200 painéis, todos do período da Guerra Fria, alguns deles acompanhados de fotos de época e de reproduções dos projetos originais.
As peças da coleção foram todas doadas por proprietários que queriam se desfazer da herança comunista.

Da BBC

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6) O maior dramaturgo russo de todos os tempos: Nicolai Gogol – O inspetor Geral



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12) Estrela vermelha: à sombra de Maiakovski



13) Amor e ódio



14) O juiz, a comédia



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16) Tiradentes, o mazombo – 20 contos dramáticos



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