quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pressa e excesso de trabalho elevam risco de acidentes em obras no Brasil




Até agora, sete operários morreram em obras das arenas da Copa no país. Cinco deles foram vítimas de acidentes violentos – desde quedas ao desabamento de um guindaste no Itaquerão, em São Paulo.

Os outros dois foram vítimas de "mal súbito", nomenclatura genérica dada por autoridades a doenças como infartos ou acidentes vasculares.

Para se ter ideia, na África do Sul, onde também ocorreram inúmeros atrasos de cronograma, a preparação dos estádios causou duas vítimas fatais.

As estatísticas mais recentes do Ministério da Previdência Social (divulgadas em outubro) registraram mais de 62 mil acidentes – de diferentes gravidades – no setor da construção civil no ano de 2012.

O número representa um aumento de 12% em relação aos casos ocorridos nos dois anos anteriores. Contudo, no mesmo período, o crescimento de empregados no setor também foi de 12%, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

O governo não tem números atualizados sobre mortes no setor. O mais recente se refere a 2011: 471 casos.

No Estado de São Paulo – onde dois operários morreram em novembro nas obras da Arena Corinthians – a alta no número de mortes foi significativa, segundo dados do Sintracon-SP (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil). Foram 24 casos neste ano contra sete em 2012.

Pressa

"O setor da construção civil vive um momento de aquecimento e o ritmo elevado das obras, que têm prazo para serem entregues, acaba levando ao aumento nos acidentes de trabalho", afirmou à BBC Brasil o procurador Philippe Gomes Jardim, da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat), do Ministério Público do Trabalho da União.

"O aumento no ritmo de trabalho não vem acompanhado de mais segurança", afirmou.

Segundo ele, quanto mais longas forem as jornadas de trabalho e menores os intervalos de folga, mais desgastado ficará o trabalhador e, portanto, mais sujeito a acidentes.

"Falta em qualquer projeto no Brasil uma análise preliminar de riscos feita por profissionais da área de segurança" João Roberto Boccato, especialista em segurança do trabalho da Unicamp

"É um círculo: o mercado exige velocidade da construtora, que exige do trabalhador, que acaba em situação de maior risco".

Segundo o professor João Roberto Boccato, especialista em segurança do trabalho da Unicamp (Universidade de Campinas), as construtoras estão mais preocupadas em cumprir os cronogramas de obras do que em cumprir a legislação prevencionista.

"O não-cumprimento dos prazos envolve multas, que muitas vezes são bem maiores do que o custo dos acidentes. Falta em qualquer projeto no Brasil uma análise preliminar de riscos feita por profissionais da área de segurança", afirmou Boccato.

Ele disse que a maioria dos contratos de obras falha ao não prever atrasos para a realização de melhorias para prevenir acidentes.

"Os contratos também deveriam prever pagamentos de multas maiores por acidentes de trabalho", disse.

Horas extras e empreitada

Segundo Sebastião Geraldo de Oliveira, desembargador do Tribunal Superior do Trabalho de Minas Gerais, adota-se com certa frequência no setor da construção civil o pagamento rotineiro de horas extras que, por serem sistemáticas, acabam diminuindo o tempo de descanso do trabalhador.

"É um círculo: o mercado exige velocidade da construtora, que exige do trabalhador, que acaba em situação de maior risco"

Philippe Gomes Jardim, procurador da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat), do Ministério Público do Trabalho da União

"Isso (horas extras) não deveria ocorrer com tanta frequência, mas no Brasil existe a cultura da hora extra habitual, como se o fato extraordinário fosse um fato corriqueiro".

Em alguns casos, os empregadores fazem pagamentos de forma ilegal para horas extras não registradas, segundo Antônio de Souza Ramalho, vice-presidente da Força Sindical, presidente do Sintracon e deputado estadual em São Paulo pelo PSDB.

"É o trabalho por empreitada. Paga-se 'por fora' para aumentar o ritmo da obra", disse Ramalho.

De acordo com ele, um operário comum (pedreiro, encanador, carpinteiro, etc.) costuma ter registrado na carteira de trabalho um salário mensal na faixa de R$ 1,5 mil. Contudo, uma vez em atividade na obra, ele passaria a receber por tarefa cumprida (empreitada) – o que poderia elevar seus rendimentos a até R$ 7 mil por mês.

Isso significa, segundo Ramalho, trabalhar de 12 a 16 horas por dia e não ter o serviço "por fora" registrado para fins previdenciários ou para contar no 13º salário.

Ramalho afirmou ainda que alguns trabalhadores usam entorpecentes para aguentar as longas jornadas de trabalho – o que aumenta ainda mais o risco de acidentes. A droga mais comum nos canteiros de obras seria o oxi, um derivado da cocaína preparado a partir da pasta base do entorpecente misturado a cal e querosene.

 Fiscalização

O deputado também afirmou que não haveria fiscais suficientes para visitar todos os canteiros de obras. Eles são necessários para garantir o cumprimento de normas de segurança e impedir o excesso de trabalho dos operários.

Segundo Boccato, além disso, a fiscalização não é suficiente porque o valor das multas é baixo. Ele cita como exemplo o caso de uma empreiteira com obras em um aeroporto no Estado de São Paulo, que já teria sido multado diversas vezes por ação do Ministério Público – devido a irregularidades na questão de prevenção de acidentes.

"Mas por que estas obras continuam? Porque o valor das multas é muito pequeno em comparação com o custo do atraso da obra", afirma.

Segundo os especialistas, a responsabilidade para esses problemas deve recair tanto nas construtoras como no poder público e nos próprios operários e seus sindicatos.

A BBC Brasil entrou em contato com o Sinicon, o sindicato patronal da construção pesada, para comentar a questão da insegurança em canteiros de obras mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.

 Fonte: BBC - Brasil

domingo, 15 de dezembro de 2013

O STF e a fábula do rato


Meus queridos, logo abaixo transcrevo uma fábula que cai bem no contexto que abordo na sequência:

A fábula do Rato:

Um Rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.

Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.

Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!!

A Galinha disse:

- Desculpe-me caro Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

Então o rato foi até o Porco e disse:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!

- Desculpe-me prezado Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à Vaca. E ela lhe disse:

- O que? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.

A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.

No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.

Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal, a Galinha.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.

Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo.

Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a Vaca, para alimentar todo aquele povo.

Moral da Estória: “Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco.”

Pois bem, tem assumido o Supremo Tribunal Federal um papel que – é evidente – supera em muito suas funções institucionais. Vejam os recentes casos envolvendo a união civil de homossexuais, o aborto de anencéfalos e as cotas raciais...
A leniência e a vagarosidade do Congresso Nacional não devem ser utilizadas como pretexto para que o STF avance sobre o outro Poder... afinal, de agilidade, a mais alta corte do país tem muito pouco a ensinar, não é? E o Mensalão está aí para comprovar. O inquérito chegou ao Supremo em julho de 2005; está em vias de completar 9 anos...

Adotando a lógica que, hoje, parece vigorar no Supremo; também o Congresso poderia -  alegando demora no desenrolar dos processos - avocar a si julgamentos sobre casos emblemáticos e importantes para a sociedade, não?... Absurda e inaceitável a tese, é verdade!, então por que aceitá-la quando o usurpador das funções do parlamento é o STF?
O editorial do Jornal O Globo, ajuda a recolocar os pingos nos ‘is’:

Equívocos sobre o financiamento de campanha
Editorial de O Globo

Costuma haver uma carga de exagero nas críticas à “judicialização da política”, quase sempre feitas com um viés contra o Judiciário. Afinal, o Supremo e o TSE, onde se delibera acerca de questões sobre partidos e mandatos, só atuam quando são acionados pelo Ministério Público ou, na maioria das vezes, pelos próprios políticos.

Isso não significa uma absolvição prévia às decisões dos tribunais. Mesmo que sejam todas defensáveis do ponto de vista técnico-jurídico, não significa que sempre contribuam para o aperfeiçoamento do bom exercício da Política, com o devido “p” maiúsculo.

Há circunstâncias, inclusive, em que muita saliva e tempo são gastos em agendas desfocadas. No momento, por exemplo, transcorre no STF o julgamento de ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra o financiamento a candidatos e partidos por empresas.

Até a sessão de ontem, a posição do relator do processo, ministro Luiz Fux, pelo acolhimento da tese da ação, foi seguida, em sua essência, por mais três magistrados: o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, Dias Toffoli e Luis Roberto Barroso. Como o ministro Teori Zavaski pediu vista do processo, pode-se ganhar tempo para uma discussão mais ampla do tema.

Proibir a contribuição de empresas para campanhas e partidos é o mesmo que investir quixotescamente contra moinhos de vento. Porque é ilusório imaginar que, sendo as pessoas jurídicas as grandes fontes de financiamento da vida política — e não apenas no Brasil —, deixará de ser encontrada uma forma de o dinheiro continuar a fluir. Ela até já existe: o caixa dois.

Um efeito colateral deletério do alijamento de empresas é induzir a ampliação da parcela de dinheiro público na política. Que já não é pequena: apenas em rebate tributário às emissoras, devido ao programa eleitoral “gratuito”, foram pouco mais de R$ 600 milhões na campanha de 2012. Em 10 anos, R$ 4 bilhões, informa o site Contas Abertas. E falta acrescentar os milhões do fundo partidário.

Cortar os recursos das empresas apenas ajuda o lobby pela equivocada estatização completa das finanças da política — o “financiamento público de campanha”. Outro gesto ilusório em nome do fim do caixa dois.

O PT, particularmente, se bate pelo financiamento público, porque ele facilita a adoção do sistema de voto em lista fechada, a favor da primazia dos caciques partidários na definição dos candidatos, cassando-se o direito do eleitor de escolher seus nomes.

Em vez disso, deve-se é tornar eficientes os sistemas de fiscalização, punir o “conta-suja” (fraudador na prestação de contas), dar total transparência às doações e aos gastos, venha o dinheiro de pessoas físicas ou jurídicas. O problema não é empresa gastar com política, mas a falta de informações e controles eficientes sobre todas as finanças da vida pública.

 

 

sábado, 14 de dezembro de 2013

A Arte da Construção


Concurso premia fotos que captam Arte da Construção

O Chartered Institute of Building, que representa os profissionais que trabalham no setor de construção na Grã-Bretanha, divulgou a lista dos 15 finalistas concorrentes ao prêmio Art of Building (Arte da Construção, em tradução livre) de 2013.
Trata-se de um concurso de fotografia que celebra a criatividade na indústria de construção.

Fotógrafos amadores e profissionais enviaram imagens digitais, captando, em ângulos diferentes, de prédios conhecidos, como a Ópera de Sydney a locais como um colégio na Inglaterra, escadarias nos Açores e na Indonésia e antigas minas de carvão na Rússia.
O público poderá votar e escolher a foto vencedora no site www.artofbuilding.org. A votação ocorre entre 9 de dezembro e 9 de janeiro de 2014.

 
Ópera de Sydney e da ponte da baía da cidade, feita por Bart Brouwer. (Foto: Ópera e Ponte da Baía de Sydnei/Bart Brouwer).





As escadas acima ficam em um hotel moderno em Monte Palace, Sete Cidades, Açores. (Foto: Escadas em um hotel em Monte Palace/Vera Cymbron).
 

 

A cidade americana de San Franciso através do vidro grosso de uma janela dentro da prisão de Alcatraz, na foto de Ross Conti. (Foto: San Francisco de dentro de Alcatraz/Ross Conti).



 
uma estrela vermelha antiga acima da cidade de uma antiga mina de carvão, em Komsomolskaya, cidade a nordeste de Moscou, na Rússia. (Foto: Estrela Vermelha em cima da Velha Mina de Carvão/Andry Sharpan).
 
 


O museu contemporâneo de arquitetura, o Neues Museum em Nurnberg, na Alemanha, se transforma em arte na foto de Juergen Schabel. (Foto: Homem parado no Neues Museum, em Nurmberg/Juergen Schabel).

 




'Um prédio que é visitado por pessoas do mundo todo precisa de sinalização que supere as barreiras de idioma', afirmou Linda Wride a respeito da foto de uma mulher lendo em um sinal que aponta a direção do banheiro, em Paris. (Foto: Mulher perto de um sinal de banheiro em Paris/Linda Wride).

 

 
 
A névoa pesada cria uma distorção interessante da luz vinda de uma ponte do metrô de Kiev, Ucrânia, na foto de Vladimir Tochanenko. (Foto: Ponte do Metrô de Kiev/Vladimir Tochanenko).


Fonte: BBC-Brasil


 
 


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Concentração de servidores



Acaba de sair do forno um detalhado diagnóstico sobre a situação das unidades de conservação na Amazônia [aqui].                                                                                       
Sobre o assunto, a Senadora Vanessa Grazziotin vem fazendo uma série de pronunciamentos. Logo abaixo  reproduzo pequeno destaque de um deles:

"(...)
embora mais de 80% das áreas de proteção ambiental estejam na Amazônia, a região tem apenas uma unidade avançada do órgão criado para cuidar dessas áreas, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade. Essa unidade, que fica no Amazonas, conta com apenas cinco servidores, enquanto a do Rio de Janeiro tem 77 funcionários.
(...)"
Vanessa Grazziotin perguntou por que o Instituto Chico Mendes estava cuidando de área de preservação no Rio de Janeiro e não na Amazônia. Para a senadora, os 77 servidores do Rio de Janeiro devem ir para a Amazônia. [mais, aqui]
Pois bem... vejam este artigo “Excesso de servidores??? [aqui.]. O texto é de 2009, mas elucida a gravidade que representa a concentração de servidores públicos...

A veemência dos pronunciamentos e a revolta da senadora tem sua razão de ser.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Agora, sim: Don't let me be Misunderstood


O post anterior com o vídeo de Cat Stevens despertou saudades nos leitores. Abaixo, a tradução de Don't let me be Misunderstood:

Não Me Deixe Ser Mal Interpretado

Querida, você me entende agora?

Às vezes me sinto um pouco louco

Mas você não sabe que ninguém vivo

Pode ser sempre um anjo?

Quando as coisas dão errado eu pareço ser ruim

Mas eu sou apenas uma alma cujas intenções são boas

Oh Senhor, por favor, não me deixe ser mal interpretado

Querida, às vezes eu estou tão despreocupado

Com uma alegria que é difícil de esconder

E às vezes parece que tudo o que eu faço é me preocupar

Então você é obrigada a ver o meu outro lado

Mas eu sou apenas uma alma cujas intenções são boas

Oh Senhor, por favor, não me deixe ser mal interpretado

Se eu pareço irritado, quero que você saiba

Que eu nunca quis descontar em você

A vida tem seus problemas e eu tenho a minha parte

E isso é uma coisa que eu nunca quis fazer

Porque eu te amo

Oh, Oh, querida, você não sabe que eu sou humano

Tenho pensamentos como qualquer outro

Às vezes, encontro-me muito arrependido

Alguma coisa tola alguma coisinha simples que fiz

Mas eu sou apenas uma alma cujas intenções são boas

Oh Senhor, por favor, não me deixe ser mal interpretado

Sim, eu sou apenas uma alma cujas intenções são boas

Oh Senhor, por favor, não me deixe ser mal interpretado

Sim, eu sou apenas uma alma cujas intenções são boas

Oh Senhor, por favor, não me deixe ser mal interpretado

Os amigos não me perdoaram por não ter feito referência à gravação original, do The Animals... é que, na realidade, o contexto era discorrer sobre o fundamentalismo islâmico e não sobre a música, em si, que serviu apenas como pano de fundo...

Mas, como aqui, neste espaço, insinuação que seja já é motivo para um bom debate, segue o vídeo com o The Animals. Acomodem-se porque a curtição valerá a pena:

 
 

O grupo foi uma banda de rock britânica dos anos 1960:  Eric Burdon (vocais), Alan Price (órgão), Hilton Valentine (guitarra), John Steel (bateria) e Chas Chandler (baixo).
Vejam onde o grupo foi beber água: Chuck Berry (com quem fizeram uma turnê), Bob Dylan, Nina Simone, Little Richard e Bo Diddley.

Não é a toa que influenciaram genialidades como os Ramones. Mais, aqui.aqui.

 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Don't Let Me Be Misunderstood


Nada como recordar Cat Stevens ou Yusuf Islam, como prefere ser chamado. Degustem o belo espetáculo que é Don't Let Me Be Misunderstood:



O vídeo me fez lembrar um artigo que escrevi sobre o fundamentalismo islâmico, onde faço alusão ao autor de preciosidades inesquecíveis como Father and Son e Wild world:
“(...)

Os árabes transmitiram mundo afora o legado grego, mas desenvolveram também a álgebra e a trigonometria, difundiram os algarismos indo-arábicos; investiram na astronomia e apresentaram à Europa a bússola e o astrolábio – instrumento desenvolvido para observar a posição dos astros, determinando altura e definindo latitude e longitude.

Graças aos árabes conhecemos a cana-de-açúcar e a laranja. Disseminaram modernas técnicas de cultivo e tecnologia para a produção de ferro e aço. Na medicina avançaram nos estudos sobre a circulação do sangue e no tratamento de doenças contagiosas e nervosas.

Todavia, os avanços que os árabes conquistaram no campo da ciência e da cultura ficaram no passado. Hoje, vigora o radicalismo do fundamentalismo islâmico que cultua o ódio e utiliza, dentre suas principais estratégias, o terrorismo.
(...)”

O artigo denominado ‘As madrassas e a lata de lixo’ ou A história das 72 virgens’, escrevi em 2008. Para lê-lo na íntegra, basta clicar aqui.

 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Nelson Mandela



"Não quero nenhum tratamento especial, sou prisioneiro como todos os outros".

A frase acima é de Nelson, e foi dita quando condenado a prisão perpétua.

Abaixo segue um belo poema-tributo de Rodoux faugh, uma homenagem ao homem que rompeu a barreira que separa a humanidade dos deuses... sim, não exagero, Mandela é um símbolo, um libelo, uma esperança de que a grande política pode existir... e mudar, para o bem, a vida das pessoas,

E, mais abaixo, um decumentário da NatGeo com uma panorâmica sobre a trajetória deste homem abençoado...

Mandela, o doce guerreiro que tece poemas à verdade

 O Senhor partiu

Seguiu em direção ao azul mais límpido e cintilante

E seguiu com a simplicidade e os trejeitos singelos e humildes dos virtuosos

Seguiu da forma que sempre fizera na terra dos ímpios: resoluto, confiante, altivo...

Destemido, foi elevando o frágil corpo

passo a passo, vencendo a misteriosa neblina que emoldura o paraíso

O que mais poderia, o Senhor, temer?

Já não enfrentara, em terras africanas, as trevas e as barbáries dos homens-hienas?

Já não houvera sangrado a dor da injúria, a humilhação do açoite?

Já não conseguira desnudar a cantilena e a falácia dos messianistas que tomam gente por manada para conduzi-la a desertos inóspitos

Já não conseguira desmascarar demagogos-revolucionários que tomam gente como  boiada para  trancafiá-la na ignorância, na servidão?

O que mais poderia, o Senhor, temer?

Bradou pela liberdade e democracia,

Cantou pela independência e justiça

Dançou por oportunidades iguais

Nada de emular o confronto, nada de estimular a desgraça, nada de enaltecer a vingança, nada de rezar racialismo

Não... o Senhor abraçou o ideário do pacifismo

Acalentou o perdão e a convergência

Ignorou o miasma nauseabundo que exala do passado

E fixou os olhos de lince no quadrante futuro, no amanhã que purga os erros e liberta... liberta

Sim, o Senhor se apresenta ao Senhor... e não se envergonha...

Divertem-se,

Os céus celebram em festa

Os Senhores cantarolam as canções dos justos,

Entoam os compassos dos valentes,

Desenham a escrita dos que tecem poemas à verdade

 

 

 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013


Meus caros, o que vai abaixo, extraí do jornal O Globo:

Geral

Gasto por aluno no Brasil é metade do mínimo que OCDE recomenda
Demétrio Weber, O Globo

O Brasil precisa investir mais em educação, mas, com o dinheiro que gasta atualmente, poderia obter resultados melhores. É o que disse nesta sexta-feira o responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), Andreas Schleicher, que é diretor-adjunto de Educação e Competências da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

- Há espaço para melhoria, mas gastar mais dinheiro faria diferença. Para um país como o Brasil, mais dinheiro pode fazer uma grande diferença - disse Schleicher, ao visitar a nova sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação.


E agora um artigo de 2007:
O buraco negro que, na educação, separa qualidade de quantidade
Não deixem de ler, está aqui.

 

 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013


Meus queridos, em seguida o editorial do Jornal O Globo, e, na sequência, um artigo que escrevi sobre esta importante questão:

Geral
Os ainda insuficientes esforços na Educação (Editorial)
O Globo

Seria irreal esperar que o Brasil, de 2009 a 2012, desse um salto elástico no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), de que participam estudantes com 15 anos de idade de 66 países. Este não é um exame qualquer.
Por sua abrangência, o Pisa, realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a cada três anos, serve de radar para definir as sociedades que melhor enfrentam o desafio da Educação, e, assim, apontar os países que tendem a ganhar mais competitividade no mundo globalizado.

O Brasil tem avançado. Neste último teste, de 2012, conseguiu ser o que mais evoluiu em Matemática (17,1%) em relação ao primeiro exame, em 2000. Em Ciências, evolução de 8% e, Leitura, 3,5%. O problema é que a proficiência demonstrada pelo estudante brasileiro do ensino básico continua nas piores colocações no ranking do Pisa.

Desta vez, no 58º lugar, a poucas posições do último lugar. Melhor que Argentina, Albânia, Colômbia, Peru, mas abaixo de Uruguai, México, Chile, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos, numa lista liderada pela China (cidade de Xangai), um dos asiáticos que ocupam os primeiros lugares.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, considerou o resultado uma “grande vitória”, referindo-se ao teste específico de Matemática. Ressaltou, ainda, o fato de o país ter avançado mesmo com o aumento na matrícula de alunos com 15 anos. Ou seja, cresceu a população escolar e mesmo assim a qualificação evoluiu.

Mercadante, porém, reconhece que ainda falta muito. Por suposto. Andreas Schleicher, vice-diretor de Educação da OCDE, por exemplo, reconhece o esforço brasileiro, mas afirma que, no ritmo atual, a qualificação do estudante chegará à média dos países ricos apenas em 2030 e não em 2022, meta pactuada pelo poder público com organismos da sociedade atuantes no setor.

É preciso, portanto, aumentar a velocidade da melhoria do ensino. E, para isso, dinheiro não é tudo, apesar de importante. Estima-se que, em que pese o crescimento dos gastos com Educação de 2000 a 2010, a despesa por aluno, no Brasil, representa menos de um terço da realizada no bloco da OCDE.

Defensores da elevação dos gastos no setor de 5% a 6% do PIB para 10% parecem considerar esta uma solução mágica. Pois o Vietnã se situou neste Pisa em 13º lugar, com um gasto de US$ 6.969 por aluno contra US$ 26.765 do Brasil, o 58º colocado.

Deduz-se que, para se ganhar a velocidade necessária, a fim de se compensar estes oito anos de atraso potencial em busca da meta de 2022, é imperioso haver uma ampla política educacional que não esteja subjugada apenas a questões de orçamento.

A qualificação do professorado, o prêmio ao mérito, a atenuação do corporativismo sindical da classe, a definição de parâmetros para um currículo nacional são temas que precisam ganhar espaço na agenda desta discussão. O tempo corre contra o país.

Agora, logo abaixo, o artigo que escrevi em 2009:

Salários e desempenho acadêmico

A questão salarial é uma das que mais impactam a educação brasileira.

Não são poucos os que desdenham a questão, atribuindo quase nenhuma importância a este quesito, considerado mais reflexo das pressões oriundas das organizações corporativistas e sindicais.

Os que assim argumentam miram-se tão somente nas demandas associativas o que, inexoravelmente, os remetem a equívocos de formulação e avaliação.

Para tratar deste assunto é necessário mergulhar num universo mais amplo, adotando uma visão mais profunda e mais larga, que não esteja deslocada do contexto.

Em qualquer categoria profissional, a política salarial é apenas um dos componentes dos processos de qualificação. Mas, sem dúvidas, um dos que mais impactam na eficaz conquista das metas, um dos que mais contribuem para os sucessos individual, coletivo e institucional.

Os trabalhadores se preparam ao longo de toda a vida para que possam exercer, com competência e dignidade, a profissão escolhida. E nos dias que correm, a educação profissional não se esgota com a conclusão do ensino formal. O incontido e avassalador avanço das tecnologias, a ininterrupta modernização dos sistemas de produção, o advento dos novos e desafiadores paradigmas garroteando as antigas formas de fazer e pensar fez emergir um novo mundo a exigir que os indivíduos se atualizem permanentemente, estudando não apenas no período regulamentar, mas do nascimento ao encantamento, num processo de formação perene, continuada. No mundo interligado pelos revolucionários meios de comunicação, a educação deixou de se constituir numa mera etapa da existência para perpassar todo o ciclo de vida dos cidadãos. É contingência não somente do aprimoramento profissional, mas, sobretudo, da obstinação com que a sociedade persegue qualidade de vida.

Aqui, o artigo completo.